Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Sexo, verdades e dívidas

Um militante do PSD, facção Passos, na versão holandesa, que localmente tem a designação de Partido Socialista Holandês, segundo certos tradutores, e Partido Trabalhista, segundo outros, levou um banho nas recentes eleições: o partido (PvdA) perdeu 29 deputados, passando a ter apenas 9, num parlamento que tem 150. Quem ganhou as eleições foi o CDS, embora tenha perdido 8 lugares, segundo uns; ainda que segundo outros o CDS local não seja o VVD, que ganhou, mas o CDA, que apenas ficou em terceiro, com 19 lugares. O partido de Heloísa Apolónio, que naquelas terras baixas dá pelo nome de Esquerda Verde, ganhou 10 deputados, tendo ficado com 14, um resultado espectacular explicável talvez pelos factos de ser liderado por um senhor que nem é comunista nem fala aos gritos e de o país correr o risco de, se o aquecimento global não for uma aldrabice, ficar, como a Atlântida, debaixo de água.

 

Em segundo lugar, tendo ganho mais cinco lugares, ficou o PNR indígena, cujo líder se distingue à vista desarmada do português por ser loiro (diz-se que pintado) e conhecido, mas que já se sabe não fará parte do governo, por os potenciais colegas, embora lhe comprem sorrateiramente boa parte das ideias, o acharem pestífero.

 

Por este bosquejo se vê que a política holandesa é uma grande baralhação. E vê-se também que pouco tem a ver com a portuguesa: as ideias são as mesmas, mas o peso delas é completamente diferente: o espaço da opinião e o do poder não se encontram poluídos, até à surdez, com fósseis como Jerónimo, libelinhas mutantes como Catarina Martins, caloteiros oleosos como Costa, Houdinis do défice como Centeno ou papagaios hiperactivos como Marcelo.

 

Pois bem: o derrotado do PSD, compreensivelmente nervoso, disse o seguinte numa entrevista: "Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu".

 

Para um leitor mediano, isto é, excluindo a maior parte dos jornalistas, políticos e comentadores, que são analfabetos funcionais quando calha não serem analfabetos tout court, quer dizer que o preço da solidariedade (ou seja, dos empréstimos) é a austeridade. A imagem é pouco feliz? É, mas devemos dar um desconto: Dieselcoiso, assim se chama o político em questão, é holandês e ministro das finanças, da variedade séria. Alimenta-se portanto de batatas e queijo de vaca e queima as pestanas a compulsar o livro do Deve e Haver - não se pode razoavelmente esperar nem que tenha grande sentido de humor, nem sentido diplomático, nem queda para embarcar em fantasias segundo as quais a melhor maneira de emagrecer (a dívida) é alargar o cinto (do consumo).

 

Caíram-lhe em cima. E por todos Costa, o primeiro-ministro golpista, que se distinguiu, como é a sua marca de água, pela grosseria politicamente correcta: "Numa Europa a sério, o sr. Dijsselbloem já estava demitido. É inaceitável que uma pessoa que tem um comportamento como ele teve, uma visão xenófoba, racista e sexista sobre parte dos países da União Europeia possa exercer funções de presidência de um organismo como o Eurogrupo”.

 

Por partes:

 

A "Europa a sério" é uma realidade geográfica e histórica. Já a União Europeia, com a qual Costa a confunde, é uma construção política de 1992, que se pretendeu tornar irreversível e indestrutível com o Euro, o qual começou a circular em 2002. A União vai ser amputada de um dos seus membros em breve; e o Euro já teria acabado se alguém fosse capaz de conceber uma maneira de o liquidar sem que países como Portugal, ou a Itália, comessem terra durante alguns anos, sem que os credores ficassem a arder, e sem que os países que dele beneficiam por ser uma moeda mais fraca do que a que teriam se a tivessem própria, como a Alemanha, ficassem a perder. A "Europa a sério" que Costa defende é apenas um negócio desonesto que consiste nisto: compramos o voto com benesses que damos ao eleitor; os estrangeiros financiam; e a dívida resultante alguém a pagará, em nome da solidariedade, mas nós não.

 

Quanto à xenofobia, se Jeroen acha que os europeus do sul são diferentes dos europeus do norte, no sentido de terem sobre as mulheres, a aguardente e as contas públicas, comportamentos diferentes, tem razão: os portugueses (os meus conterrâneos conheço, dos outros sulistas não quero falar) gostam com certeza mais das holandesas do que os próprios holandeses; bebem aguardente, ou mais exactamente bagaço, sem dia certo para se emborracharem; e têm uma muito maior generosidade em gastarem o que não lhes pertence do que teriam se tivessem nascido numa sociedade calvinista.

 

Se isto os faz inferiores ou superiores não sei. O que sei é que, sendo todos os humanos, em média, iguais nas suas capacidades e nos seus impulsos, as circunstâncias históricas, geográficas e culturais fazem os países diferentes, e disso não vem por si mal ao mundo. Tachar todo o reconhecimento das diferenças que felizmente existem de atitude xenófoba é um simplismo. E fazer disso bandeira política é estupidez.

 

Quanto ao alegado racismo, onde é que ele se vê na constatação de um facto? Jeroen é socialista e acha, e com ele o partido a que pertence, que as contas públicas devem ser equilibradas e a dívida pública diminuída se excessiva, em todos os países; Costa, que é socialista mas de outra galáxia, acha que não pode haver progresso sem défice, e que portanto os contribuintes do norte da Europa devem financiar os do sul, como sucede, quando sucede, dentro de cada país das regiões ricas para as pobres. Entre nós, por exemplo, quando se cortaram apoios da República à Madeira, nem o alucinado Jardim se lembrou de achar o contenente racista. Talvez porque Jardim não era verdadeiramente desonesto - mas Costa é.

 

Resta o sexismo. Não estou em condições, por falta de trabalhos de campo aos quais tenha tido acesso, de garantir que os portugueses sejam mais inclinados do que os holandeses para se endividarem para agradar a mulheres. Se for porém o caso, a alegação de sexismo parece francamente exagerada: então o pobre diabo arruína-se  para agradar e é sexista?

 

Está visto que Costa, de mulheres, ainda entende menos do que de economia. Resta-nos a consolação de que, se Dijsselbloem cair fora do barco, como merece, não será por causa das declarações da nossa rotundidade primo-ministerial, cujo peso na Europa, ainda que bastante superior ao do primeiro-ministro da Eslovénia, não é suficiente para derrubar ninguém; é porque perdeu as eleições e, ao contrário de Costa, não deve ocupar um lugar que pertence a outros.

 

publicado por José Meireles Graça às 12:21
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Terça-feira, 21 de Março de 2017

Não se fixar na árvore para não perder a perspectiva da floresta

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O programa socialista de redução da lista de espera para cirurgias de ortopedia é genial: eliminam-se os doentes mais antigos da lista de espera e ela reduz-se automaticamente. E se eles se queixarem que ainda não foram operados mas já não estão na lista de espera? Metem-se lá de novo.

Numa perspectiva míope e de curto prazo não se consegue perceber como é que isto resolve o problema, e fica-se mesmo com a ideia que os doentes até saem prejudicados por, depois de esperarem hipoteticamente dois anos, serem repostos no fim da lista e ficarem com hipoteticamente mais dois anos para esperar. Esta perspectiva é evidentemente criticável por, como se costuma dizer, ao fixar-se na árvore, perder a perspectiva da floresta, ao fixar-se egoisticamente nos problemas específicos de uns poucos de doentes, pouco mas de mil no caso que suscitou esta discussão, esquecer a medida do bem comum da generalidade dos doentes.

Quem consegue passar além dela corre ainda o risco de cair numa segunda armadilha. Se os doentes saem da cabeça da lista de espera mas são de seguida recolocados na cauda, a lista de espera não diminui, apenas se recompõe, ou se reordena. Mais um erro. Quem olha para os fenómenos quantificáveis sem ter o cuidado de os analisar à luz das estatísticas que realmente interessam para os descrever corre o risco de extrair conclusões precipitadas e, pior do que isso, enganosas. Ora o que é de facto mais importante para os doentes à espera de cirurgia, para as pessoas? O tamanho da lista de espera, ou o tempo que têm que esperar? O tamanho é importante para os burocratas que operacionalizam estes programas, é um problema da tecnocracia economicista. O que interessa às pessoas é mesmo o tempo que esperam pela sua cirurgia, e a estatística adequada para o medir é o tempo médio de espera.

E chegamos finalmente à chave do enigma. Quando se retira da lista de espera um doente que já esperava há dois anos e se reintroduz o doente na lista, o seu tempo de espera é reposto a zero. Quando se faz o mesmo a mil e duzentos doentes, o tempo médio de espera de todos os doentes que fazem parte da lista, a tal estatística que melhor retrata o que é importante para eles, reduz-se significativamente, dependendo do tamanho total da lista, mas reduz-se mesmo, qualquer que seja o seu tamanho.

O lendário génio socialista consegue, pois, e finalmente, reduzir o tempo médio das listas de espera para cirurgia ortopédica mas, ainda mais extraordinário, sem colocar em causa as metas orçamentais e os nossos compromissos com as instituições internacionais, porque o faz sem dispêndio de recursos, e muito menos sem cometer a perversidade de financiar hospitais privados para fazer aquilo que os públicos não conseguem fazer, que era o que os neoliberais que os precederam queriam de facto, dar dinheiro a ganhar ao grande capital: uns apaganços nos ficheiros informáticos do ministério bastam para resolver o problema.

E assim se vê como o socialismo consegue colocar as pessoas acima de tudo o resto e resolver os seus problemas bastando-lhe para isso abrir as perspectivas. Um dia destes, levado pelo entusiasmo, sou bem capaz de avançar aqui com uma soluçao socialista para o problema da dívida insustentável. Só deixo uma pista: é com a ajuda da tecla Delete. E depois, seja o que Deus quiser...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:56
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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Ventos de xenofobia

Porque é que o problema nunca se colocou antes, se o que não falta são pessoas de cruz ao pescoço?  ̶ pergunta a senhora, e vai respondendo que "a jurisprudência europeia permite que se consagre a ideia de que há religiões 'nossas', 'neutras', e as outras. A xenofobia pode incubar onde menos se espera".

 

Neste caso, a xenofobia incubou, pelos vistos, no tribunal de Justiça da União Europeia. Fernanda Câncio não tem dúvidas - nunca tem, Deus a abençoe, que eu não posso  ̶  e vai daí saem mais uns juízes xenófobos, a juntar à mole imensa, e crescente, dos cidadãos que no Ocidente encaram os muçulmanos, a religião deles, as igrejas deles, os hábitos e os símbolos, como uma ameaça.

 

O tribunal, é claro, não hierarquizou as religiões, nem podia, porque a União é laica e todas as religiões estão cobertas pela liberdade de culto. Limitou-se a garantir que "as empresas têm o direito de, em nome de uma política de 'neutralidade' face aos clientes, proibir aos empregados que lidem com o público a exibição de quaisquer símbolos religiosos".

 

Bem visto. Porque hoje impor-se-ia aos patrões que aceitassem o hijab, em nome da liberdade de culto. E amanhã, à boleia da mesma liberdade, o xador ou a burca, bem como as paragens rituais para a oração, em locais separados conforme os sexos, que as imagens das fiéis de rabo para o ar impediriam decerto a unção deles. Depois, é apenas uma questão de tempo e de quantidade (e no que toca à quantidade convém lembrar que as comunidades muçulmanas têm uma taxa de natalidade várias vezes superior às das ocidentais que imprudentemente as acolhem) até que a religião muçulmana, afirmada em nome da nossa liberdade, a anule, por dela ter um entendimento diferente.

 

Temos um problema parecido com a democracia e os comunistas: estes reclamam, e bem, todas as liberdades burguesas, até que conquistam o poder. Logo a seguir, a única liberdade consentida é a de pensar o que pensa o vizinho, dizer o que diz o controleiro do comité de vigilância cidadã, e fazer o que o Partido manda. Com a diferença de que os comunistas não se reproduzem a taxas diferentes das dos restantes cidadãos, as suas quantidades são manejáveis sem perigo fora de situações revolucionárias, e a democracia tem provado ser robusta o bastante para conviver com os seus inimigos.

 

Ser realista em relação ao perigo islâmico quer dizer não ignorar o que disse, num deslize de sinceridade, este paxá: as famílias turcas exiladas devem ter, pelo menos, cinco filhos.

 

Fernanda Câncio julga, coitadinha, que o véu islâmico tem a mesma importância que uma blusa, um top ou um boné; e que as mulheres islâmicas teimam nas toilettes que a tradição lhes impõe por acharem que lhes fica bem.

 

Eu quero que Fernanda vista o que ache que vai com ela; que, se tiver uma amiga ou amigo que use um crucifixo ao pescoço, ou uma quipá na cabeça, se lembre que esse amigo ou amiga, bem como as igrejas que esses símbolos representam, não lhe negam o direito de ser ateia ou agnóstica; e que abunde no asneirol, como é seu hábito, com toda a liberdade.

 

Em troca desta generosidade Câncio trata as pessoas que pensam como eu - trata-me, portanto, a mim! - de xenófobo e trumpista.

 

Não sou católico mas a caridade cristã não me fica mal: perdoo-lhe. E o que é mais (conto com isto para desconto dos meus pecados) sem sequer ter a esperança de que o Espírito Santo a ilumine, infundindo algum senso naquela cabeça socialista.

publicado por José Meireles Graça às 23:55
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Coro da Primavera

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Mesmo a astronomia já não é o que era, e o equinócio de 21 de Março agora calhou ao 20, pouco depois das 10 da manhã de Portugal e GMT. Começou a Primavera.

E para celebrar o primeiro dia da Primavera, com os pólenes, os passarinhos e as abelhas, o you know what I mean e outros fenómenos da mesma ordem, nada como relembrar o compositor, em co-autoria com o saxofonista Jackie Branston, da primeira canção de rock & roll gravada em disco em 1951, a Rocket 88, inspirada no último modelo da Oldsmobile, o Rocket 88, nessa época o que se idolatrava era a liberdade de andar por onde se quisesse e quando se quisesse proporcionada pelo automóvel, ainda não tinha chegado a ditadura da bicicleta politicamente correcta, e podiam-se compor canções inspiradas em automóveis sem pagar imposto de vício, o Ike Turner.

O verdadeiro pai do rock & roll acabou por ser de facto o Chuck Berry, que morreu no sábado com 90 anos. Foi aquele que inspirou as maiores figuras da história do rock & roll, que começaram tentando imitá-lo com versões esforçadas, mas longe das originais, das suas canções. A primeira canção gravada pelos Rolling Stones foi o Come on, e uma das primeiras gravadas pelos Beatles o Roll over Beethoven. Mais tarde, quando se tornaram super-estrelas planetárias, iam humildemente ter lições com ele e procurar aprender a sua arte.

Eram esforçados, aprenderam muito com ele, acabaram por se chegar a auto-intitular the greatest rock & roll band in the world sem grande exagero, mas ele estava tocado pelo génio que só meia-dúzia de criaturas tiveram a graça de receber ao longo da história, e que lhe permitia brincar assim.

Mas, atalhando razões, hoje é o Ike Turner que se celebra neste dia. Quem diz o Ike Turner, diz a célebra cantora, agora suíça, então americana, que em tempos foi casada e cantou com ele, Tina Turner. A Tina Turner também foi tocada pelo génio. Um dia, o Dick Cavett perguntou no seu talk show à Janis Joplin, outra tocada pelo génio, por quem era capaz de sair de casa para ir assistir a um espectáculo, e ela respondeu prontamente Tina Turner, e informou o entrevistador, que não conhecia, que era the best chick ever. E era provavelmente verdade.

Bom, então hoje deixo-vos o Coro da Primavera interpretado pela Tina Turner e whoever a acompanhou nesse dia de 1969. Mandem deitar as crianças antes de porem o filme a tocar. Depois não digam que eu não vos avisei. A Primavera não perdoa.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:39
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Domingo, 19 de Março de 2017

Uma p., mas uma p. que f. bem

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Todas as profissões têm, pese embora o princípio da igualdade plasmado no Artº 13º da Constituição da República Portuguesa, os seus expoentes e os seus membros mais fracos, e a de comentador não escapa a esta infeliz regra.

No Diário do Governo Público de hoje o comentador (do PSD, para as estatísticas destinadas a provar a presença sufocante e a carecer de limpeza urgente do PSD no espaço do comentariado) José Pacheco Pereira publicou um comentário sobre a Operação Marquês com críticas à condução do processo, nomeadamente por fazê-lo crescer de modo exponencial sem produzir acusação em vez de ir levando a tribunal as acusações que já estão solidamente provadas e ir investigando paralelamente as novas suspeitas que vão surgindo, e a riqueza opulente do currículo do arguido propiciará o aparecimento regular de novas suspeitas durante pelo menos as próximas décadas, que genericamente eu sou capaz de subscrever e tenho muitas vezes manifestado a quem me lê.

Para contextualizar a sua opinião sobre o processo que critica, o comentador começa por fazer um breve resumo das qualidades do arquido José Sócrates, focada nas cumplicidades políticas que permitiram a sua ascenção e o exercício das malfeitorias que dedicou a sua passagem pelo poder a fazer. Em quais?

  • Na do presidente Jorge Sampaio, que nomeou um governo para lhe dar tempo de tomar conta do partido e, quando ele ficou pronto para concorrer às eleições, derrubou o governo que tinha nomeado a pretexto de se ter fartado dele? Não.
  • Na do Partido Socialista, que o elegeu para o chefiar e para se candidatar a primeiro-ministro e sempre o defendeu heroicamente enquanto exerceu o seu mandato? Também não.
  • Nas dos seus colaboradores mais próximos no governo ou no partido, ou mesmo nos dois, como a do actual primeiro-ministro e seu companheiro de tertúlias televisivas e então número dois do Sócrates, António Costa? Nunca, Deus o livre!

Mas isto são perguntas de retórica, porque todos os leitores já adivinharam que cumplicidades com o Sócrates é que poderiam alguma vez ser denunciadas pelo Pacheco Pereira: a cumplicidade da direita e, especificamente, do PSD.

É preciso ser senhor de um nível superlativo de trafulhice, comparativamente com o qual o Sócrates é um mero menino de coro provinciano para, num relato sucinto do seu percurso de ascenção e queda, só apontar como referência ao papel de outros agentes políticos:

  • "...A direita que o louvou como o social-democrata do PS, como aquele que tinha roubado o programa ao PSD, que andou ali a fazer-lhe a corte nos interesses e na política, agora, certamente por complexo de culpa, vai lá apedrejá-lo como se nada tivesse que ver com o homem. Mais, em vários momentos cruciais, protegeu-o de acusações muito semelhantes àquelas de que hoje lhe faz o Ministério Público. Na comissão de inquérito parlamentar, por cuja existência pugnei bastante sozinho, o PSD indicou como seu porta-voz Agostinho Branquinho, que depois de assistir à inquirição dos responsáveis da Ongoing, envolvidos na trama de Sócrates, acabou por ir para lá trabalhar como assalariado. Mas a verdade, é que quando se tratou de chegar às conclusões do inquérito, por uma intervenção pessoal de Branquinho, Miguel Relvas e Passos Coelho, travaram tudo o que incriminava Sócrates, porque não era politicamente conveniente e era um ataque pessoal. Repito o que já escrevi há muitos anos sobre Sócrates e as cumplicidades do PSD: estamos conversados... "

Identificados com a mestria ímpar que lhe é própria os verdadeiros responsáveis pela ascensão e pelas malfeitorias do Sócrates enquanto primeiro-ministro, a direita e o PSD, há que chamar a atenção para o facto de o comentador Pacheco Pereira ser, acumulando com a militância reconhecidamente leal no PSD, uma espécie de comentador avençado do governo do primeiro-ministro António Costa, que simbolicamente o galardoou com a sua primeira nomeação política ao fim de apenas duas semanas de governo para o Conselho de Administração da Fundação de Serralves. O comentário é genial mas não lhe saiu a despropósito nem como um mero acaso. Saiu-lhe com o propósito bem definido de evitar questionar a associação entre o seu amigo, colega de antigas tertúlias televisivas, e padrinho de nomeações António Costa, e toda a máquina de cumplicidades socialista que mantém no terreno e manteve no passado, e o Sócrates que, com o tempo, se transformou num passivo político, e a substituir essa interrogação comprometedora pelo apontar de dedo aos eternos suspeitos nas suas crónicas, a direita e o PSD. Duplamente genial, no conteúdo, e em colocá-lo ao serviço do propósito.

Este comentador é uma p., mas uma p. que f. bem!

 

PS: Para o caso de andarem por aí esbirros da polícia dos costumes, que não há mas eles gostavam que houvesse, a vasculhar as redes sociais à procura de oportunidade para me colocar um processo em cima por abuso da liberdade de expressão, neste novo tempo socialista a liberdade de expressão é uma excentricidade de que se tende a abusar, esclareço desde já que o título desta publicação significa "Uma pessoa, mas uma pessoa que fala bem".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:06
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Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Banha da cobra

"Marcelo Rebelo de Sousa diz que 'a peça chave para o crescimento é o investimento público e, sobretudo, privado português e estrangeiro', sendo que este depende de 'coisas muito simples como estabilidade política, social, legal, fiscal e na legislação laboral, além da aposta na qualificação das pessoas e na menor lentidão da justiça".

 

Um paisano lê um parágrafo destes e pasma: como é que no Governo, no Parlamento, nos jornais, até mesmo nas universidades, ninguém se lembrou disto? E que criminosa desatenção fez com que estas "coisas muito simples" tivessem não apenas sido ignoradas mas decerto agravadas, visto que a posição de Portugal no Índice Global de Competitividade se deteriorou em 2016 (era a 38ª em 140 países, em 2015, e passou a ser a 46ª em 138).

 

Marcelo recorda que "o Presidente não tem poderes executivos" e pode apenas "exercer o seu magistério de influência". Isto é uma grande contrariedade, dado que como semelhante magistério deixou, neste particular, de ser exercido no ano findo, sem dúvida por ter sido orientado para outros assuntos momentosos, perdeu-se tempo; e é uma infelicidade que, em vez de contarmos no Executivo com alguém que sabe perfeitamente o que fazer, tenhamos que nos resignar ao exercício naturalmente canhestro do aluno em vez da luminosa experiência do professor.

 

Porém, o país teria muito a ganhar se o senhor Presidente não fosse avaro de concretizações, e explicasse: i) Como se assegura a estabilidade política quando os dois partidos comunistas que sustentam a maioria defendem, quanto à União Europeia, ao Euro, à legislação do trabalho, e à economia de mercado (et j'en passe) posições opostas ou muito diferentes das do PS? ii) Que garantias pode haver de paz social se a ausência de manifestações, tumultos e greves decorre dos ossos que se vão atirando ao PCP e à CGTP, cujo apetite, por insaciável, em algum momento no futuro tem que deixar de ser satisfeito? iii) Por que motivo o último orçamento, tal como todos os anteriores, dinamitou qualquer ideia de estabilidade fiscal ou de contenção da voracidade do Fisco, e por que motivo devemos acreditar que no futuro, sendo os governantes os mesmos, e Sua Excelência o mesmo também, as coisas serão diferentes? iv) Todos os presidentes, todos os primeiros-ministros, todos os ministros da Justiça, presidentes do STJ e procuradores gerais da República, para não falar de especialistas a granel, se pronunciaram desde há décadas, com gravidade, sobre os males da Justiça. E esta mantém-se teimosamente, com perdão da palavra, uma merda. Mesmo reconhecendo a transcendência do génio do presidente Marcelo, as propriedades miríficas do seu deslumbrante sorriso e o fascínio que exerce sobre as donas de casa da classe média, os empregados do comércio e os espectadores da tv, não parece excessivo duvidar que, onde tanta gente falhou, ele acerte. Sobretudo não tendo, como diz o próprio, poderes executivos, nem tendo deixado rasto de obra que prestasse quando os teve; e v) É praticamente impossível fazer mais e melhor pela qualificação das pessoas do que o muito que tem sido feito. E com justiça se reconhece que a actual geração é a mais bem formada de sempre, faltando-lhe apenas, se quisermos ser perfeccionistas, aprender a escrever, fazer contas e raciocinar.

 

Marcelo ganhou as eleições com uma mistura de notabilidade de famoso, simpatia, vacuidades, à-vontade genuíno e simplicidade falsa. Pode-se ganhar empreendedores ricos com isso? Pode - quem pretenda investir em banha da cobra.

publicado por José Meireles Graça às 23:44
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Fazer o Bem olhando a quem

2017-03-15 Offshores acordos de troca de informç

Hoje, logo pela manhãzinha, saiu mais uma iteração da campanha de propaganda para desviar as atenções dos SMS entre o banqueiro António Domingues e o ministro Mário Centeno meticulosamente planeada pelas agências de comunicação que assessoram o governo, regularmente ministrada pelo jornal Público, e depois amplificada pelos bloquistas do BE e do PS, incluindo o primeiro-ministro, que, no entanto, pode alegar em sua defesa que papagueia as conclusões sugeridas pela campanha, não para enganar os portugueses com demagogia, mas porque, dada a sua evidente ignorância em todos os assuntos que não sejam a sua própria sobrevivência política em que é um perito, acredita nelas, no parlamento e nas televisões.

Como diria o antigo presidente Américo Thomaz, esta iteração segue-se à anterior, onde foi revelado o terrível crime, ou melhor, a presunção de terrível crime, de o anterior secretário de estado Paulo Núncio ter estado antes de entrar para o governo, como advogado da sociedade Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados, ligado ao registo de nada menos do que 120 novas empresas na Zona Franca da Madeira, e antecede a próxima, que ainda não conhecemos mas podemos ter a esperança segura de vir a ser igualmente sugestiva e suscite indignação suficiente para distrair os alvos da campanha de comunicação de perceberem o significado real desta iteração, tal como esta foi lançada para os distrair do significado real da anterior que já foi aqui discutido.

E o que nos propõe esta iteração?

Que nos indignemos, qualquer que seja o conteúdo o objectivo é sempre uma proposta de nos indignarmos o suficiente para desligarmos as funções do raciocínio do cérebro e as substituirmos pelas da emoção, por o governo anterior não ter enviado ao parlamento para ratificar 7 dos 10 acordos de troca de informação fiscal com paraísos fiscais que lhe foram deixados pelo secretário de estado Sérgio Vasques do governo socialista que o precedeu depois de uma, diz-nos o jornal, maratona alucinante por destinos exóticos até Dezembro de 2010, em que celebrou 15, dos quais 5 terão sido ratificados nos poucos meses que o governo socialista ainda perdurou, e outros 10, acordados com Antígua e Barbuda, Belize, Guernesey, Ilha de Man, Jersey, Libéria, São Cristovão e Nevis, Santa Lúcia, Ilhas Turks e Ilhas Virgens Britânicas, ficaram por ratificar.

E que perversidade pode conter esta retenção de acordos?

Não se percebe bem, o que é mais vantajoso do que desvantajoso para a mensagem porque, dado o seu encadeamento numa sucessão de mensagens a sugerir perversidades, e na incapacidade de a compreender na sua essência, intui-se que tem perversidade. O próprio sub-título da notícia "por decisão do Governo liderado por Passos Coelho, deixou sete deles na gaveta. Porquê?" sugere um intuito de maldade e outro de a esconder. Já a fotografia identifica o painel de suspeitos que merecem a condenação do país, o Paulo Núncio, o Paulo Portas e a Maria Luís Albuquerque. A culpa não pode morrer solteira, mas também não deve ficar casada mas monogâmica. Certamente não houve tempo de procurar uma fotografia que lhes acrescentasse o Pedro Passos Coelho, mas percebe-se que também deve ter culpas no cartório.

Mas, se quisermos fazer parte da ínfima minoria que lê, para além do título, do sub-título e do boneco, e daí tira a pinta à mensagem, as letrinhas pequeninas do texto da notícia, o que ficamos a saber?

Que afinal o "Porquê?" por responder no subtítulo está respondido na notícia. O governo anterior não enviou os acordos para ratificação no parlamento porque os acordos eram de eficácia duvidosa, ou seja, "O assunto foi deixado na gaveta, para proteger o interesse nacional ... os acordos de cooperação sobre informação fiscal assinados com aqueles offshores não acautelavam que a troca de informação fosse efectiva", significando que não era garantido que pudessem ser accionados para fiscalizar eventuais delitos fiscais de contribuintes portugueses que recorressem a essas praças financeiras.

Já se fossem ratificados, como foram dois deles com territórios integrantes do Reino Unido, Jersey e a Ilha de Man, esses paraísos fiscais deixariam de fazer parte da lista de paraísos fiscais, aliviando as penalidades, nomeadamente fiscais, nomeadamente em sede de IMI, a que estão sujeitas em Portugal as empresas sediadas em paraísos fiscais, com vantagem evidente para os portugueses com património colocado em nome de empresas sediadas nesses paraísos fiscais.

E que os governos socialistas têm uma produtividade vertiginosa a desclassificar paraísos fiscais, tendo o governo socialista anterior ratificado 5 dos 15 acordos nos poucos meses que sobreviveu à sua assinatura, e tendo o governo socialista actual já ratificado outros 5 em apenas um ano de desclassificação, faltando-lhe apenas ratificar os outros 2.

Eu, se tivesse a felicidade de ter património sediado em paraísos fiscais, teria muito a agradecer aos governos socialistas, aos anteriores e aos actuais, por me aliviarem das penalidades a que ele tem sido sujeito.

Fazem o Bem olhando a quem.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 19:02
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Segunda-feira, 13 de Março de 2017

O charme discreto dos paraísos fiscais, ou, gente fina é outra coisa

2017-03-13 Paulo Núncio Madeira.jpg

Eu não sou deputado, nem dirigente, nem militante, nem sequer do CDS. Sou um mero militante de base, e muito recente, de outro partido do centro-direita, um soldado raso da política. Mas, se fosse, teria uma valiosa sugestão a apresentar aos meus camaradas? companheiros? (não sei como é que os centristas se chamam uns aos outros dentro do partido...) para usarem livremente como entendessem.

O parlamento está cada vez mais interessado em perceber todas as actividades do ex-secretário de estado centrista (e daí o parágrafo anterior) Paulo Núncio enquanto advogado especialista em assuntos fiscais antes de ter ingressado no XIX Governo Constitucional, e está mesmo disposto a voltar a chamá-lo para o inquirir sobre as notícias que o jornalismo por encomenda de investigação do Público vai revelando.

Agora quer perceber se a sua actividade entre 1997 e 2007 como advogado fiscalista e responsável pelo escritório no Funchal da MLGTS Madeira Management & Investment SA, sucursal da sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados na Madeira que prestava serviços de assessoria jurídica às empresas sediadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira, em que esteve ligado ao registo de nada menos que cerca de 120 novas sociedades, se destinava a ajudar 120 delinquentes fiscais a fugirem às suas obrigações declarativas ou 120 criminosos de delito comum a fazerem a lavagem do dinheiro obtido nas suas actividades ilegais, que como é largamente sabido por todos, desde algures mais ou menos no miolo do PS para a esquerda, e até à extrema, são as únicas motivações para colocar dinheiro em paraísos fiscais?

A dúvida tem todo o sentido, e vale mesmo a pena questioná-lo e perguntar-lhe se é um facilitador de bandidos.

Mas a compreensão do tema poderia ser ainda mais completa e clarificada se, em vez de o parlamento se limitar a inquirir o reponsável pela filial, mero consultor da sociedade, fosse directamente ao centro de decisão e chamasse também a depor o sócio mais senior da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados o ilustre advogado socialista, antigo MES, ex-conselheiro de estado e ex- e actual administrador não executivo ou presidente da mesa da assembleia geral de diversos bancos e empresas do regime, José Manuel Galvão Teles, para lhe perguntar, para variar, se abriu a filial na Madeira para ajudar os clientes a melhor cumprirem as suas obrigações declarativas e fiscais e a asseguratem-se de que o dinheiro que pretendem transferir para a Madeira provém integralmente de actividades legais.

Além de oferecer uma perspectiva mais elevada e, portanto mais clara, da assessoria aos off-shores, este advogado socialista teria ainda a vantagem de, devido ao seu passado político, ter uma credibilidade acrescida junto dos inquisidores inquiridores socialistas, bloquistas e comunistas, evitando o embaraço de uma inquisição inquirição em que quem pergunta não acredita em quem responde e, não estando mais disponíveis os instrumentos do interrogatório musculado de outros tempos, não se conseguir sair da cepa torta.

O CDS tem aqui uma oportunidade para, em vez de se limitar a assumir uma posição defensiva e reactiva face à tentativa de assassinato político da esquerda parlamentar ao seu militante, ajudar o parlamento a ter uma compreensão mais lúcida e profunda do verdadeiro significado de registar 120 novas sociedades na Zona Franca da Madeira. O país agradece.

Isto sugeriria eu se fosse deputado, dirigente, militante ou sequer do CDS. Como não sou, não cometo a deselegância de o sugerir.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:21
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Sexta-feira, 10 de Março de 2017

Sá, paga o que deves! ou o que se pode aprender da política de casos do governo de Portugal

O Jornal 18.7.80.jpg

Antes de a esquerda, de toda a esquerda da moderada socialista à radical trotskista, incluindo os desertores do MES entretanto transferidos para partidos mainstream onde deixaram de combater a social-democracia para abraçar o conforto da proximidade do poder, se ter recentemente proclamado como a genuína herdeira política do Sá Carneiro e da social-democracia, montou-lhe a primeira grande campanha de assassinato de carácter da democracia portuguesa, orquestrada pel' O Diário, o jornal oficioso do PCP nessa época, ecoada por toda a imprensa, e multiplicada por milhares de paredes pintadas a exortá-lo "Sá, paga o que deves!", repescando um negócio que tinha corrido mal meia dúzia de anos antes.

A campanha teve um impacto mediático estrondoso, tendo em conta a velocidade e débito a que a informação circulava nessa época em que não havia internet nem redes sociais. E tinha todos os ingredientes para resultar. Baseava-se num arrazoado de factos confusos e difíceis de relacionar e compreender claramente, e ainda mais difíceis de desmontar e refutar a conclusão proposta, que por isso impeliam os leitores, para não falar nos transeuntes que apenas liam os graffiti nas paredes, a formar as suas convicções, se acreditavam que os factos comprovavam um crime ou uma insinuação torpe?, através da sua preferência individual em acreditar ou não que o Sá Carneiro era um caloteiro. E assim foi. Quem achava que ele era o coveiro dos valores de Abril acreditou que era também caloteiro, quem depositava nele a esperança de erradicar os delírios revolucionários e finamente começar a construir uma democracia moderna que fizesse Portugal progredir acreditou que era inocente. Tinha todos os ingredientes para resultar, mas infelizmente não resultou. O Sá Carneiro foi re-eleito poucos meses depois com uma maioria absoluta ainda mais ampla do que a que tinha conquistado no ano anterior, e o seu ímpeto reformista só foi travado com o assassinato à bomba pouco depois destas segundas eleições.

Foi o início de uma política de casos que tem perdurado durante décadas e não perece mostrar nenhuma tendência para esmorecer no seu ímpeto.

Nestes anos todos a esquerda aprendeu a usurpar-lhe a identidade ideológica, mas de resto não aprendeu mais nada, e continua a repetir o que sempre fez, a fazer política através de sucessões de casos que procuram distrair os eleitores dos sucessos ou falências da governação do país para a difamação dos adversários políticos através da insinuação da prática de crimes em casos sustentados na revelação de factos de significado confuso sobre temáticas complexas e inacessíveis, às vezes até a cidadãos bem informados, onde é difícil perceber claramente se podem indiciar crimes ou não, e por isso impossíveis de desmontar e refutar as conclusões propostas pelos denunciantes. E sempre com resultados semelhantes.

Perfeitamente ilustrada no caso montado para atacar a anterior ministra das finanças por estar a tentar resolver discretamente uns contratos de swap ruinosos celebrados ao longo da legislatura anterior, por ordem do governo socialista anterior, e com o objectivo de maquilhar as contas públicas, o mesmo partido que montou a campanha para a atacar. Sendo um assunto tecnicamente complexo que quase ninguém percebe, prestou-se perfeitamente a simplificações analíticas do tipo swap = vigarice e ministra que tem o problema dos swaps nas mãos = vigarista que deram a muita gente a fezada que a ministra era mesmo vigarista e um alvo fácil nas eleições. E mais uma vez com o resultado habitual: o partida da ministra veio a ganhar as eleições, ao contrário de todas as expectativas, incluindo as das sondagens.

Agora que está determinado que o caso Lista VIP, tal como a generalidade dos múltiplos casos lançados à opinião pública maioritariamente pelo BE, na legislatura anterior, e pelo governo, nesta, foi um aborto jurídico, que tinha sido um aborto político já se tinha provado nas eleições realizadas poucos meses depois, vale a pena, mais do que rever tudo o que se disse e quem o disse na altura, subir pelo rio acima à procura da nascente do caso. E com quem se tinha reunido o então candidato socialista a primeiro-ministro exactamente um mês antes de o caso Lista VIP ser denunciado com estrondo? Com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos, o incontornável bloquista Paulo Ralha que tem colaborado diligentemente em quase todos os casos lançados ao país desde que o António Costa passou a chefiar o PS. Uma mera coincidência, certamente...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:20
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Quinta-feira, 9 de Março de 2017

As explicações sobre a censura da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas ao professor Jaime Nogueira Pinto

2017-03-08 Marcelo explicações Nogueira Pinto.jp

O doutor Rebelo de Sousa pediu explicações à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa sobre a censura à conferência do professor Jaime Nogueira Pinto por pressão, formal e através da ameaça de agressões, da associação de estudantes liderada por dirigentes bloquistas. Fica-lhe bem, mesmo que a reacção dele neste caso não tenha sido tão rápida como tem sido haitual, talvez por, ao contrário do que tem sido habitual, e como foi por exemplo na piadola que dirigiu à doutora Teodora Cardoso, ter preferido combinar a resposta antes de fazer a pergunta?

Ó senhor doutor Rebelo de Sousa, essas explicações até eu lhas posso dar!

Desde que perdeu em Novembro de 1975 a capacidade para fazer o gosto ao dedo, e à natureza democrática social-fascista do seu ódio às liberdades civis, nos domínios da censura, dos saneamentos e da intimidação pela violência verbal e física, a esquerdalhada esperava uma oportunidade de o Partido Socialista ser conquistado pelos seus deserdados que lá se foram insinuando ao longo de décadas na procura de uma vida melhor e mais próxima do poder e da distribuição de benefícios que o exercício do poder facilita, o que finalmente sucedeu com a ascensão do António Costa ao controlo do partido, e com a substituição do Presidente da República, o mais alto magistrado da nação responsável por garantir a preservação dos direitos constitucionais, por uma figura apatetada que confunde a preservação dos direitos constitucionais com um concurso de miss simpatia para conquistar, através da distribuição de afectos aos próprios e de alfinetadas aos que eles odeiam, a afeição dos que os violam.

O que explica este surto de brigadas facistas a impedir com sucesso a livre expressão dos inimigos da sua revolução através de ameaças verbais e físicas, e a cedência das instituições públicas à sua intimidação violenta, é justamente o encorajamento à intimidação decorrente da ausência de um verdadeiro Presidente da República e do abandono do país à maioria minoria que circunstancialmente se instalou no poder onde prevalecem estes saudosistas do PREC.

O que explica o cancelamento é o modo como exerce as funções presidenciais. Erga-se, se ainda é capaz!

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:06
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