Segunda-feira, 26 de Agosto de 2013

O caminho dos homens é guiado pela esperança.

E não pelo derrotismo. No meu (i)modesto cantinho de dimensão não-comparável à de António Borges, discordo da sua esperança quase atávica no futuro do euro e aceito o derrotismo baseado na noção de que a moeda é um reflexo objectivo e não falsificável da nossa cultura e organização social. Como tal, não podemos partilhar a mesma moeda com alemães e restantes países norte europeus muito diferentes. Será eventualmente menos difícil transformar os alemães e núcleo duro do euro, em assistencialistas do sul, que tornar os europeus do sul em povos eficazes, eficientes e económica e politicamente disciplinados, contribuintes de modo positivo para uma moeda única forte. 

 

Dito isto, e desaparecido o homem ficam, se ele as tinha fortes e claras, as suas ideias. Este artigo de 2013 de António Borges deixou-me uma impressão de uma pessoa muito convicta, segura, inteligente e clara. Também demonstra como era um homem fortemente empenhado em nos salvar de nós-próprios e talvez por isso tenha gerado tantas incompreensões por parte de alguns barulhentos que escolhem viver no mundo das sombras e aparências simples. Provavelmente a melhor síntese portuguesa sobre a criação, situação do euro as origens da crise, suas causas e soluções. Ora recordem as ideias de um dos nossos. Ontem ficámos mais pobres porque perdemos uma voz de esperança. 

"António Borges: 
Como ultrapassar a crise 


Ao contrário do que por vezes se lê na imprensa, não falta solidariedade na Europa. Hoje, centenas de biliões de euros – na verdade, com o início de funcionamento do ESM, chegaremos a mais de um trilião – estão disponíveis para ajudar os países em dificuldade. Existe também já hoje um mecanismo extremamente poderoso para ajudar a financiar a dívida dos países em dificuldade, graças à disponibilidade do Banco Central Europeu em intervir no mercado de obrigações. Não é necessário mais nada para que os mercados se acalmem, os países possam ganhar tempo, as economias voltem ao equilíbrio.

O único obstáculo a uma saída rápida e segura da crise é que todo este impressionante arsenal está disponível com uma condição: que os países em crise ponham a sua casa em ordem. Não se pode pedir aos países fortes da zona euro – seja a Alemanha, a Finlândia ou a Áustria – que ponham à disposição o dinheiro dos seus contribuintes para que os países em crise continuem a praticar políticas irresponsáveis, se recusem a fazer os ajustamentos que são indispensáveis ou façam tudo o que podem para minar ainda mais a sua credibilidade nos mercados.

Aqueles que continuam a insistir que, quaisquer que sejam os erros e incompetências dos países em dificuldade, qualquer que seja a arrogância e tontaria dos seus governantes, os países mais ricos e fortes têm de continuar a financiar as economias da periferia, serão os verdadeiros coveiros da União Monetária. É que toda a Europa vive em democracia; e os eleitores revoltar-se-ão muito depressa se virem o seu dinheiro, que tanto custa a ganhar, servir apenas para financiar quem não se sabe governar."


O resto, aqui.

 



publicado por João Pereira da Silva às 07:38
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