Terça-feira, 17 de Setembro de 2013

O véu diáfano do abuso

Sigo este tipo há anos e quase sempre concordo com ele. Isto é preocupante: que eu tenho partido, ao qual pago quotas e tudo, mas ouço aos responsáveis, com frequência, uma quantidade prodigiosa de asneiras; tenho clube, mas acho que joga amiúde mal, apesar de ganhar; e tenho amigos, mas a maior prova da amizade que lhes dedico é, precisamente, ouvir-lhes as opiniões. Concordância não é o meu nome do meio - é Meireles, que numa indigna corruptela resulta em mais reles.

 

Mas hoje vingo-me, Daniel. Com que então, achas que, em nome do direito elementar de cada um se vestir como entende, a proibição do hijab é um abuso do Estado? E dás como exemplo, ilustrado com fotografia, um grupo de freiras com a cara, apenas a cara, a descoberto?

 

A mim me parece que qualquer daquelas freirinhas, se quiser sacudir o hábito, pode passar a ser mal vista no convento mas não será rejeitada pela sociedade, nem esta lhe negará o respeito devido a quem, por ter perdido as crenças e a pertença que o trajo diferente implicava, optou por se vestir de outra forma.

 

Tal liberdade não a têm as mulheres muçulmanas: não apenas a sua comunidade as ostraciza, mas também, se as autoridades tiverem simpatia pelo multiculturalismo, se sujeitam às maiores violências.

 

Falar de liberdade neste contexto não faz qualquer sentido: se for permitido nas nossas cidades que as muçulmanas se passeiem de burqa, a reboque do marido ou familiar macho, o direito que têm aquelas que isso, por razões de identidade cultural, querem fazer, inibe o direito das outras que queiram dar o grito do Ipiranga, quer sejam quer não sejam a maioria.

 

E, nisto como no mais, a ingenuidade é má conselheira: em nome das nossas liberdades os muçulmanos querem ser diferentes; e, logo que tenham a maioria, nos países, cidades ou até bairros, passamos nós a ter que ser iguais a eles, para não  ofendermos os valores do Islão, na versão do barbudo local que pontifica na madrassa.

 

Questão de traje, Daniel, apenas? Come on, nisto os jacobinos franceses estão com a razão. Em alguma coisa haveriam de estar, aquela raça de frogs.

publicado por José Meireles Graça às 19:08
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