Sexta-feira, 18 de Outubro de 2013

O Villaret é

A representação da Comissão Europeia em Lisboa, cuja existência desconhecia, é um organismo de propaganda europeísta ou, como diplomaticamente se diz no respectivo sítio, "tem como objetivos principais difundir informação sobre a Comissão Europeia e outras Instituições e Órgãos da União, bem como dar a conhecer aos organismos centrais da Comissão os principais acontecimentos e movimentos da opinião pública em Portugal sobre a União Europeia".

 

Esta inutilidade, que sinceramente espero seja paga pela UE, produziu um Relatório no qual enuncia umas verdades cruas sobre o Tribunal Constitucional, noticiado pela TSF.

 

Pergunta-se: tratou-se de uma fuga que trouxe para a opinião pública um Relatório confidencial, ou o palavreado oficial da funesta representação é sempre público?

 

É que a maneira correcta de lidar com o caso varia: na primeira hipótese as autoridades portuguesas não devem reagir - não se reage publicamente a uma inconfidência. Porém, uma conversinha em devido tempo com o Chefe da Representação seria indicada, com um guião de cativante simplicidade: Olha, Luisinho, não gostamos de espertinhos - ou encontras e despedes o responsável pela fuga ou danças tu.

 

Mas se a coisa era para ser pública, fia mais fino: porque se um mero funcionário de uma agência pública sediada em Portugal se permite criticar pública e oficialmente decisões dos tribunais, em termos ainda por cima acerbos, e não há reacção oficial que opere ou exija a imediata demissão do responsável, a mensagem que passa é a de que perdemos todo o respeito por nós próprios e pelas nossas instituições, que ficam expostas ao escárnio autorizado de qualquer funcionário borra-botas.

 

A reacção que por aí vai é uma de reflexos condicionados: aplaudem os que concordam com o que o Relatório diz, em nome do realismo e de uma certa visão das coisas (que no caso é a minha) e discordam os outros, batendo no peito indignado e patrioteiro - o mesmo peito que vê com bons olhos a alienação de parcelas crescentes de soberania, até que fique apenas o galo de Barcelos e a, também feíssima, bandeira nacional.

 

Concordar ou não com o Relatório é, no caso, irrelevante. O que releva é a velha história, que vem a propósito, do griteiro que uma plateia começou a fazer por causa do atraso no início de uma peça de teatro, berrando em uníssono:

 

- O Villaret é!

 

João Villaret, metendo a cabeça pelo pano de cena, disse:

 

- O Villaret é. Mas não gosta que lho digam.

publicado por José Meireles Graça às 22:23
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