Sábado, 26 de Outubro de 2013

Da confiança pessoal e nos negócios

Saudável regra operativa no mercado italiano: não se pode confiar em dois de cada três italianos. Por causa dos dois primeiros, nunca sabemos se podemos confiar no terceiro. Com dois de cada três alemães a confiança é a base da relação e mantê-la uma honra mútua. Depois, interrogamo-nos porque não funciona a economia a sul.


O que estragou a confiança em Itália? Segundo os próprios italianos, a porca da política dos últimos 20 anos com um ex primeiro-ministro e uma classe política para quem a palavra é o reflexo da conveniência do momento e das próprias contas bancárias. Perguntarão não é assim em todo o lado? Não. Na Suíça, por exemplo, a confiança contratual também é estabelecida com a palavra de honra dada apoiada num contrato. O contrato regula o modo de relação, mas a honra das partes sedimenta-a.


Em Itália, um contrato tem pouco valor para proteger as duas partes quando se for a tribunal dirimir as faltas aos compromissos assumidos. Como o processo pode durar 10 ou mais anos e de pouco serve pelo emaranhado de leis oriundo da política que visa em muitos casos proteger os prevaricadores, muitos deles políticos, sucede um bloqueio económico e pouco valor é dado aos contratos que se podem furar sem graves consequências. Honra e confiança conceitos ultrapassados? Antes fossem para estar de acordo com as nossas expectativas desiludidas sulistas. Sem justiça operativa em tempo útil, por cá, o contrato é papel pouco mais que inútil e a palavra dada tem pouco valor.


Como acontece o reforço da confiança pessoal nos países do norte? Apoia-se numa justiça eficiente que tutela a parte ofendida e condiciona o potencial ofensor a comportar-se. A norte, o bom funcionamento da justiça reforça o valor da confiança e da honra. A sul, a justiça lenta e muitas vezes participante na porca da política desagrega a confiança social e económica paralisando a cooperação necessária. Porquê isto?


Quando se vêem notáveis magistrados a participarem em acções de campanha de notáveis bandidos políticos, o impacto social é claramente o de erodir ainda mais a confiança no funcionamento justiça que já é muito mal visto. A honra e a confiança pessoal convêm às partes quando a justiça também é de confiança e dissuasora de comportamentos incorrectos.


Mais vale ser e agir em confiança que correr o risco de apanhar com uma sentença rápida e eficaz. Coisa de somenos importância que nada tem a ver com o nosso bem-estar social e económico, não é?

publicado por João Pereira da Silva às 10:45
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