Domingo, 17 de Novembro de 2013

Não precisamos disso

Eduardo Cabrita, um deputado geralmente cordato do PS, escreveu o seguinte: "A frígida Maria Luís encarregou-se de dizer em Bruxelas que a conversa de Portas era só agitação".

 

Shyznogud, uma blogger que sigo com curiosidade e gosto, e António Araújo, um blogger que sigo com prazer e proveito, ficaram indignados. A primeira não se dá ao trabalho de dizer porquê, o segundo remetendo para a definição médica de frigidez e exigindo pedido de desculpas do atrevido à destinatária (e ao público, presumivelmente).

 

Sucede que o que o deputado em questão disse é adequado ao comportamento público da ministra, se adoptarmos uma das definições que de frígido dá o dicionário: demasiadamente frio; gelado; álgido. Basta ter visto a imperturbável reacção da governante, numa reunião da Comissão de Inquérito aos Swaps, em 30 de Julho passado, em resposta às teimosas e malcriadas insistências do deputado Paulo Sá (ver no Canal Parlamento, Arquivo, a partir das 2H08), para lhe compreender, e admirar, a algidez: outro qualquer sugeriria que o senhor deputado fosse dar uma volta ao bilhar grande. Maria Luís tem, ou afecta ter, o que para o caso é igual, uma pétrea serenidade em todas as situações.

 

Isto não é defeito, é feitio. E, no que me diz respeito, uma característica positiva num governante: a lágrima ao canto do olho, a emoção fácil, o feitio exaltado, podem ser compreensíveis e até simpáticos; mas não qualificam ninguém para coisa alguma.

 

Eduardo Cabrita queria mesmo fazer insinuações sobre a vida sexual da ministra? Duvido, e acho que permitindo o que escreveu interpretações mais amenas são estas que devem ser adoptadas. Porque, senão, entraremos na fiscalização da linguagem, uma horrível mania importada da América. E se amanhã alguém disser que o deputado Helder Amaral vê o futuro negro, estará a fazer uma afirmação racista; e se disser que Seguro é impotente para controlar o PS, ou que a deputada Fulana tem posições promíscuas, ou que o ministro xis está de quatro perante a troica, uma insinuação sexista.

 

Não precisamos disso. 

publicado por José Meireles Graça às 16:29
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2 comentários:
De Tiro ao Alvo a 18 de Novembro de 2013 às 14:29
Bem visto, Meireles Graça.
Isto também quer dizer que andamos, quase todos, com os nervos em pé. O que não é bom, mas...
De José Meireles Graça a 18 de Novembro de 2013 às 15:18
Depois de ver algumas reacções, fiquei na dúvida sobre se o deputado Cabrita não teria mesmo querido fazer insinuações malévolas. Mas enfim...ainda bem que há destas coisas para a gente se distrair.

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