Terça-feira, 19 de Novembro de 2013

Perguntas difíceis

Para as longínquas eleições presidenciais já se indicam aqui e além preferências. Deixemos de lado o comunista de serviço que o PCP apresentará, o lunático ao qual o BE dará o seu irrelevante apoio e a prestigiada personalidade que o PS indicará para encher chouriços, quer ganhe quer não ganhe.

 

Votarei no candidato do meu lado, como sempre faço, ainda que o candidato do meu lado nunca tenha sido meu. E, na campanha eleitoral, silenciarei reservas e divergências, e aplaudirei o que puder, em nome de um mal menor e por espírito de corpo - não sou, nem desejo ser, independente.

 

Mas não estamos ainda aí. E quando ouço os nomes de Durão Barroso, uma rolha do calculismo e do europeísmo, e de Marcelo, uma inesgotável fonte de irrelevâncias e maquiavelismo de trazer por casa, sem uma única ideia no bestunto que não seja a opinião dominante e volúvel no que em Portugal convencionalmente se chama a Direita, ou a última novidade que apreendeu na badana de um livro da moda, ou numa conferência onde foi espairecer a simpatia, digo para mim que tem que haver melhor.

 

Sucede que melhor. António Barreto é melhor: as preocupações que tem são as que deve ter quem sabe que o País está numa encruzilhada e que pode, se nada fizer, descobrir-se num beco sem saída, onde, aliás, em parte, já está. As perguntas que faz aqui são parte das perguntas certas. E mesmo que o pressuposto básico esteja, a meu ver, errado (nas palavras dele: "Não é a melhor altura. O actual período de crise financeira do Estado (e da sociedade) não é a melhor altura para proceder à reforma do Estado"), e ainda que para muitos dos problemas que indica dê, quando dá, soluções ou ingénuas ou inconvenientes (no meu ver; mas, por ora, não vale a pena esforçar-me a elaborar, é possível que ninguém ligue pevide ao assunto) um abismo o separa dos do costume, que ou repetem a cartilha velha e relha que quarenta anos de democracia gastaram até ao fio ou, para além da gestão da tesouraria e das dependências europeias, não veem nada.

 

Eu não acho que devamos estar à espera de que as finanças fiquem minimamente equilibradas para reformar o Estado, desde logo porque sem essa reforma nenhum equilíbrio deixará de ser revertido logo que um empreendedor social-democrata alcance o Poder com ideias sobre como que é que o Estado vai, directamente, promover o crescimento, a modernidade e o céu na terra.

 

Mas um candidato que não diga claramente que a Constituição tem que ser revista não merece ser eleito. Como não o merece também quem defende isto e aquilo desde que a Europa apoie e faça assim ou assado. Porque se alguma coisa já ficou demonstrada, para quem precisava de demonstração, é que não há uma Europa, mas várias.

 

É que pode haver, e há, circunstâncias em que a Europa ajuda - quem se ajuda a si próprio. Num país de maioria católica, eu, que o não sou, acho oportuno lembrar: Ajuda-te, que Deus te ajudará.

publicado por José Meireles Graça às 00:05
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