Sexta-feira, 22 de Novembro de 2013

A pátria, o futebol, o refrigerante e o boneco do jogador

A TAP quer agradar aos clientes que apreciam água choca acastanhada e açucarada e faz muito bem: é uma boa parte deles, não podem ser ignorados, e se fossem a preocupar-se em satisfazer minorias em vez da maioria, teriam que oferecer verde tinto sem marca, portanto ilegal e apenas com o selo da fidelidade dos conhecedores da quintarola de origem, a alguns apreciadores, o que levantaria problemas logísticos e com a ASAE.

 

Eu cá não defendo ilegalidades, excepto quando defendo, em obediência ao bordão dos meus concidadãos: dura lex, sed bardamerdam.

 

Nas minorias, há também a dos que apreciam piadas de mau-gosto. Não todas - só as que tiverem piada. E como é que se sabe quais as piadas que têm piada? É fácil - dão vontade de rir.

 

Apreciei o boneco mal parido do Ronaldo atravessado num carril, uma alegoria foleira mas que traduzia bem, simbolicamente, as intenções e o desejo dos suecos que gostam de futebol.

 

Podia agora um desses cartunistas que trabalha para os jornais desportivos representar o bom do Ibrahimovic com um carril enfiado numa cavidade que, sem grande esforço criativo, pudesse admitir uma tal intromissão.

 

Não teria a mesma graça, por ser um eco. No entanto, vá lá, estava ao mesmo nível.

 

Mas não: a dignidade nacional entrou em convulsões espásticas, há abaixo-assinados, a Pepsi apresenta desculpas, ai credo que estão a ofender o nosso Portugalzinho do coração.

 

Sucede que Portugal não arriscou nada, não ganhou, nem perdeu, coisa alguma em Estocolmo; e isto seria ainda verdade mesmo que a esmagadora maioria dos portugueses gostasse de futebol, o que não acontece: mesmo os que gostam não chegam para encher os estádios disponíveis, que se distinguem, salvo nos derbys (um termo reservado para os jogos em que intervêm clubes com alto grau de equivalente influência na arbitragem), por vastas clareiras às moscas.

 

Eu gosto de futebol e aprecio os jogos da selecção; não gosto é de patrioteiros; nem de gente que aplaude alienações de soberania sem pestanejar, ao mesmo tempo que se indigna com um desenhinho insignificante de um artista ignoto, para ridicularizar um grande jogador que, esse sim, deu, sem protestar nem abrir a boca, a melhor resposta que se podia dar.

publicado por José Meireles Graça às 11:48
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1 comentário:
De apostas desportivas betclic a 28 de Novembro de 2013 às 19:24
Precisamente. Eu não gostei particularmente da ideia de marketing, mas toda esta reacção, este patriotismo súbito, é total exagero.
Portugal ganhou, o Ronaldo esteve brilhante... Fim de história ;)

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