Sexta-feira, 6 de Dezembro de 2013

Socialismo falhado condenado a falhar

Porque é que a tentativa de implementar a social-democracia está a falhar clamorosamente nas sociedades sulistas da Europa? Provavelmente porque a Sul temos um muito maior sentido de Família que de Comunidade. O sentido de Família implica uma maior individualismo em confronto com indivíduos estranhos ao clã, e o de Comunidade uma maior sensibilidade ao impacto das nossas acções fora do clã.

 

Em Itália, Portugal e Espanha, o estado de limpeza das ruas é bem demonstrativo da falta de senso comunitário da maioria das gentes. Como o espaço é menos entendido como comum, o respeito por ele é menor. "O meu espaço é o do meu clã, dos outros não quero saber" e as regras de limpeza e civismo têm de ser sempre mais impostas por estados cada vez mais fiscalizadores.

 

Em contrapartida ao mais elevado sentido de comunidade, o senso apurado de Família proporciona maior solidariedade e entre-ajuda, entre os seus membros, enquanto a Norte esse conceito menos apurado, empurra, por exemplo, os filhos para fora de casa dos pais muito mais cedo que os "mammoni" do Sul que sabem poder contar com o apoio familiar. No Norte o "apoio" é no sentido de os correr de casa o mais cedo possível.

 

A dificuldade é que na base da solidariedade socialista está o senso de comunidade, e a Sul, um individualismo acentuado impede realizar esse ideal. O maior individualismo sulista tem enormes implicações ao nível das éticas e morais sociais e económicas e por isso não é de estranhar que a Sul convivamos com uma enorme diferença entre os discursos sociais-democratas de defesa do Estado-Social (apoiado num forte senso comunitário) e a prática profundamente individualista dos clãs (grupos de interesse, partidos e etc.) que pugnam, sempre e em primeira mão, pelos seus próprios interesses específicos. "Falta de sentido de Estado" não é uma expressão comum nas nossas políticas?

 

A Sul, estados grandes e reguladores, nas mãos de clãs/grupos minoritários, controladores da maior parte da sociedade, e muito representantes dos seus próprios interesses, dificilmente poderão implementar sociais-democracias de carácter nórdico. Por mais que se tente, interesseiramente, vender a ideia de que isso iria reduzir desigualdades, assimetrias e iniquidade, falta aos cidadãos, senso de Comunidade: o respeito pelos indivíduos fora da nossa Família/Clã/Grupo.

 

A cultura é uma sacana difícil de destruir e a ideologia uma arma eficaz de controlo de massas.

publicado por João Pereira da Silva às 08:02
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