Segunda-feira, 16 de Dezembro de 2013

Gato controverso

Sou fã dos Gato Fedorento, incluindo os anúncios comerciais. Por causa destes, descobri há dias no Face que o grupo não só é desestimado como detestado por gente cuja opinião, a outros títulos, anda, a traço grosso, próximo da minha.

 

Isto não deveria ser surpresa: que, em matéria de gostos musicais, há muito sei que a única maneira de não aborrecer de morte boa parte das pessoas com as quais partilho ambientes é, ou usar uns headphones,  ou deixar as aparelhagens mudas, ou guardar-me para quando estou só. Ora, a música chega ao íntimo de muitos de nós por mecanismos que devem andar por aí, explicados, em qualquer lado; e outro tanto sucede com os cómicos e o lado cómico que às vezes as coisas têm. Mas não as mesmas coisas para todos: o que funciona para uns não funciona para outros. E isto mesmo para pessoas com formações de nível semelhante.

 

Os Gato regressaram à TV e não agradaram. Pelo menos, não li ninguém que se confessasse agradado - mas fartei-me de ver opiniões negativas.

 

Por mim, já os vi mais felizes. Mas da próxima lá estarei, a ver se sai uma memorável ou se passo dez minutos bem passados.

 

Agora, o que não deveria haver era quem tivesse visto no programa apelos à violência e outras militâncias: rir do Poder é uma das mais sólidas tradições do género cómico; e o recurso ao absurdo um método tão bom como outro qualquer, se bem trabalhado.

 

Sucede que a graça que o programa não teve está a ser compensada com esta polémica: "Rodrigo quebrou a fronteira que separa o jornalismo da ficção e tornou-se naquele momento também ele um humorista representando o seu verdadeiro papel".

 

Quebrou a fronteira?! Mas então se um jornalista escreve um romance - quebra a fronteira; e outro tanto faz se desempenha um papel numa telenovela, ou encabeça um programa de culinária, ou anima um espectáculo de vaudeville.

 

A menos que o vício consista em desempenhar o seu próprio papel. Caso em que aos jornalistas seria permitida a arte da representação, em todos os casos menos um. Exactamente como um médico que, aceitando desempenhar o papel de médico numa peça de teatro, visse caírem-lhe em cima os rigores da Ordem respectiva, berrando: Sua besta! Então é médico e aceita desempenhar o papel de médico?

 

Estrela Serrano é cómica. E só por isso já o programa valeu a pena. 

publicado por José Meireles Graça às 15:20
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