Sábado, 4 de Janeiro de 2014

Da permissão e "São" Sebastião

"O facto de essa autoridade lhe faltar - sobre o líder do PSD, sobre o líder do PS, sobre os eleitorados de partidos mais à direita e mais à esquerda - transforma o Presidente da República, independentemente das boas ideias que tenha, numa espécie de fantasma que assombra a vida política, mas não a determina nem sequer nela influi com eficácia. Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-irrelevancia-de-cavaco=f848560#ixzz2pQeT7Vnr"

 

Compreendo o ponto de vista. Não gosto de Cavaco, tal como a maior parte dos portugueses que o escolheram, porque as alternativas eram... piores.

 

Ora imaginem que neste momento era Soares o presidente. Que situação de ingovernabilidade existiria, quer com o PSD quer com o PS, forçado a seguir os ditames que a "nossa" irresponsabilidade desde 85 impuseram? Que conflitos, forçados pelo irrealismo dos "desejos de agradar a todos" se tentaria implementar, quando as condições da moeda única impõem a redução da dívida e do défice pela competitividade e não pela desvalorização?

 

Em Portugal, o país que nem se governa, nem se deixa governar, a democracia efectiva (ops!, afirmação polémica), é mais antiga do que a inglesa. Os nossos governantes, dada a dimensão do país, governam pela permissão dada pelo povo, próximo das portas do palácio, avô, tio e primo do líder. E, "eles sabem" ou tentam saber, o que o povo quer.

 

A "liderança" em Portugal é uma tentativa de interpretação do que o povo quer, do que deseja, almeja e pretende. Não de criar o que o povo pode vir a querer para si. Cavaco, tal como todos os outros não pode ser "São" Sebastião. Sebastião só o é, depois de morto, quando tudo é possível pela metafísica.

 

E é assim que o povo quer, e gosta. Cavaco, tal como todos os primeiros-ministros e presidentes em democracia, negoceia constantemente a - permissão - dada indirectamente, e interpretada pelo líder, pelos portugueses. Cavaco, em termos absolutos, "é" o povo.

 

Na voz de Fernando Pessoa sobre Dom Sebastião:

 

"Louco, sim, louco, porque quis grandeza

Qual a Sorte a não dá. Não coube em mim minha certeza;

Por isso onde o areal está

Ficou meu ser que houve, não o que há. Minha loucura, outros que me a tomem Com o que nela ia.

Sem a loucura que é o homem Mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?"

 

Esta do "cadáver adiado", não a compro para a nação, para o indivíduo, sim, naturalmente, mas para o país ainda há muito para dar. Pessoa, génio da humanidade, é português, tal como Henrique Monteiro.

 

Sugestão de leitura para o próximo fim-de-semana.

publicado por João Pereira da Silva às 12:02
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