Sábado, 11 de Janeiro de 2014

Ventoinha desligada

Sabe-se o que as boas almas do Abril das nacionalizações dizem: não foi o Estado que falhou, foram os gestores que o Centrão nomeou.

 

E sabe-se o que diria o simpático imigrante da Coreia do Norte radicado em Loures se os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, em vez de terem dado cem milhões de prejuízo nos últimos doze anos, tivessem dado cem milhões de lucro: se dá lucro, porquê privatizar?

 

O argumento dos gestores é bom, realmente quem falha nunca é o Estado, é quem ele nomeia. Mas o PCP e o Bloco têm um alfobre de gestores de altíssima competência desocupados que, se nomeados, mostrariam à direita em especial, e ao povo em geral, o que é que um comunista pode fazer em lhe cometendo responsabilidades de gestão de topo? E quem são essas pérolas? E, se existem, do que estão à espera para fazerem empresas, actividade que a Constituição não proíbe?

 

O argumento do lucro, realmente, é de tomo. Tanto que me pergunto por que razão se não nacionalizam as empresas privadas que dão lucro, a fim de se beneficiar a colectividade: com o lucro das públicas que o têm, mais o das antigas privadas que o continuariam a ter, a economia floresceria.

 

Navegamos em plena fantasia: porque a verdade é que uma empresa pública que dá lucro ou é monopolista, ou tem privilégios que lhe garantem a sobrevivência, ou, se e quando começar a dar prejuízos, irá custar ao contribuinte rios de dinheiro porque, no Estado e na sua esfera, o instituto falimentar não funciona.

 

Dito isto, a rejeição da Comissão de Inquérito é um erro: ainda que a privatização fosse, como era, necessária e oportuna; mesmo que os fundamentos que o PCP apresentou para o pedido tivessem sido absurdos (apurar por que razão uma gestão não produz resultados positivos não está ao alcance dos deputados, dos quais a maioria seria incapaz de gerir uma fabriqueta de carrinhos de mão, e no limite não está ao alcance de ninguém, para efeitos de apurar culpas, porque a maioria dos erros de gestão só é detectável ex post facto), quem não deve não teme. A Oposição faria o possível para levantar uma quantidade de dúvidas sobre a lisura do processo de privatização, pondo quantidades inverosímeis de lama nas ventoinhas da opinião pública.

 

E daí? A lama, bem explicada, é sempre mais palpável do que a nuvem - da suspeita.

publicado por José Meireles Graça às 18:06
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