Terça-feira, 31 de Julho de 2012

Estudos a granel

 

 

"A ENR corresponde à parte da economia que, por diversas razões, não é avaliada pela contabilidade nacional e existe em todos os países. É composta pela produção ilegal, produção oculta (subdeclarada ou subterrânea), produção para uso próprio e produção não coberta por estatísticas deficientes."

 

Ah, grandecíssimos patifes, que se não fossem eles a situação da dívida pública, e do défice, e dos impostos altos, seria muito melhor.

 

Bem, eu produzo alguma fruta e legumes no meu quintal. Os meus tomates coração-de-boi (dispensam-se piadas foleiras) fazem, com oregãos, uma salada do outro mundo. E se o Estado me obrigasse a declará-los nem os produzia nem os comprava no mini-mercado - o que anda por aí é um sucedâneo torpe do genuíno tomate. No lugar da horta plantava um sassafrás, para ao menos saber que planta é.

 

E quer-me parecer que a hecatombe no pequeno comércio seria ainda maior se o pequeno comerciante, que ninguém ajudou quando os municípios gastaram milhões em arruamentos e melhoramentos para terem o privilégio de terem nos seus territórios as cadeias de supermercados, não tivesse algum jogo de rins. Não vale a pena cobrar mais aos contribuintes se o preço for haver cada vez menos para serem cobrados.

 

Depois, a generalização dos cartões desconvém-me particularmente: que o meu cartão de crédito serve sobretudo para perguntar se os preços com e sem cartão são os mesmos, pagando a dinheiro se for mais barato. É por isso, Sérgio Vasques, que isto que dizes: “As medidas tomadas pelo governo na prática têm estimulado o regresso ao dinheiro vivo, quando se deveria pensar urgentemente em estimular os pagamentos electrónicos, se necessário pondo em discussão os valores cobrados ao comércio por estes serviços” - faz com que sejas parte do problema, e não da solução. Porque o Estado quanto mais tem mais gasta, e gasta mal. Se não gastasse mal, os investimentos que faz pagavam-se a si mesmos.

 

Já os pobres diabos que queres, tu e todos os outros Sérgios, perseguir, não fazem investimentos patetas, não se querem meter na vida do próximo e ah! - não imaginam que fazendo estudos baseados em premissas falsas se possa chegar a conclusões acertadas.

 

publicado por José Meireles Graça às 23:21
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In illo tempore

 

 

Os sons e os sabores têm o poder de trazer ao consciente a memória de outros tempos e situações, como toda a gente sabe.

 

Paul McCartney, um dos deuses do Olimpo que pairou sobre a minha adolescência, cantou.

 

Por uma libra, parece. Mas ele já não é o que foi; ou eu sou outro: porque dava cinco libras para que não me tivesse estragado a recordação.

 

publicado por José Meireles Graça às 15:34
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Segunda-feira, 30 de Julho de 2012

Uma capa excepcional

  

 

(Edição de 28 de Julho a 3 de Agosto de 2012)

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 17:00
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Saliência e irresponsabilidade

 

 

Paulo Morais é o vice presidente de uma "associação cívica" cujo objectivo é combater a corrupção. Repetidamente, tem insistido em "denunciar" a "falta de transparência" nas privatizações. Considera que o governo "errou por ter nomeado uma comissão de acompanhamento interna" (presidida por Daniel Bessa), em lugar de abrir essa entidade à "sociedade civil" (presumo que presidida por ele).

 

Assegura também que o parlamento "não está isento de culpas", havendo "deputados coniventes" na CEAMPAFP (comissão eventual para o acompanhamento das medidas do programa de assistência financeira a Portugal). Especifica que Miguel Frasquilho (PSD), Pedro Pinto (PSD) e Adolfo Mesquita Nunes (CDS-PP) integram esta comissão "em real conflito de interesses". O primeiro devido à sua ligação ao BES (que agora estará a ser investigado), o segundo por estar ligado a empresas que fazem consultoria para a EDP e o último por colaborar no escritório de advogados que assessorou o Governo e a EDP no processo. Diz que estes senhores foram "contratados como consultores porque são deputados". E conclui que "isto já é mais que promiscuidade absoluta, é simples identidade", uma vez que "as pessoas das empresas e os parlamentares são exactamente os mesmos".

 

Estas afirmações fizeram as delícias dos vivaços mais activos das redes sociais, que as partilharam sem parar. É sabido que os opinadores das caixas de comentários têm grande apreço por notícias que confirmam as suas suspeitas. As suas suspeitas são, regra geral, circunscritas à ideia de que "eles querem é tacho". E as soluções são, invariavelmente, oferecidas em tonalidades de indignação que o pudor me impede de reproduzir, mas que passam sempre pela introdução dos mais variados items nos orifícios dos políticos, das mães dos políticos e das tias dos políticos.

 

Já o mesmo não aconteceu com o esclarecimento público em que Vieira da Silva, deputado do PS e presidente da CEAMPAFP, veio desmentir esta longa série de desabafos de Paulo Morais. De resto, a intervenção de Vieira da Silva não seria necessária se os jornalistas que dão tempo de antena a Paulo Morais se ocupassem (como deviam) de verificar o que ele diz. As competências das comissões parlamentares são públicas, e o currículum dos deputados, quando não é inteiramente público, é muito fácil de verificar. Adolfo Mesquita Nunes, por exemplo, não foi "contratado como consultor" por ser deputado. Isto é falso. Adolfo Mesquita Nunes já trabalhava para aquele escritório de advogados quando foi eleito deputado, o que aconteceu pela primeira vez na presente legislatura. Tal como consta do registo de interesses que se pode ler na página da Assembleia da República na internet.

 

Paulo Morais, de quem se espera competência e seriedade, orgulha-se de acusar de "mais do que promiscuidade absoluta" três deputados a quem atribui as actividades mais vis. Não se pode orgulhar de saber do que fala porque, sobre este assunto, mostra a sua total ignorância.

 

Paulo Morais usa o lugar que ocupa para dar livre expressão às suas obsessões. Com saliência e irresponsabilidade.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 00:09
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Domingo, 29 de Julho de 2012

O novo Secretário-Geral

 

 

"Tenho algumas qualidades" para ser líder do PS.

 

Tem sim senhor. É o prócer do PS que mais fala de competividade e de "estratégias", o que para ele consiste em "apostas" - na Educação, nas Novas Tecnologias, nas "indústrias viradas para o futuro", no "reforço da cooperação europeia" e em qualquer outro chavão que pareça promissor, seja moderninho, progressistazinho e europeuzinho.

 

Foi deputado caseiro e em Estrasburgo, Ministro da Administração Interna, da Justiça e dos Assuntos Parlamentares, e é por agora Presidente da Câmara de Lisboa, em trânsito para outros voos.

 

Nestes lugares, e noutros, Costa granjeou prestígio e influência pela sua enorme habilidade táctica, a sua permanente bonomia e a sua palavra ponderada.

 

Acompanhou sempre Sócrates, a megalomania de Sócrates, o desparrame de despesa que pôs o País de joelhos, e todas as escolhas, recentes e antigas, que nos trouxeram ao estado em que estamos. É, neste sentido, um estadista.

 

Tem assento cativo na Quadratura do Círculo, onde consegue hebdomadariamente o prodígio de não renegar nenhuma das desgraças de que foi co-autor, ao mesmo tempo que pendura ao peito da nova Situação a responsabilidade pelas consequências.

 

Nunca fez um discurso memorável, ou uma lei avisada e original, assim como nunca pensou fora do mainstream europeísta do socialismo francês; e pode-se contar com ele para papaguear com fluência sobre a última moda de pensamento, desde que europeísta, estatista e banal.

 

Dará um óptimo Secretário-Geral do PS.

 

publicado por José Meireles Graça às 20:24
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Quinta-feira, 26 de Julho de 2012

A manif do dia

Hoje, a seguir ao almoço, vi a Sic-N. É o que faço todos os dias para me induzir a sesta.


O PM foi a um sítio qualquer fazer não sei o quê, e tinha à espera a malta do costume, para a manifestação do costume, desta vez a secção dos professores. Estava bem enjorcada, a coisa: um cenário de praia em cima do cimento, com toldos, toalhas, bandeirolas, até um veraneante a tomar banhos de sol - tinha aspecto de professor de qualquer coisa e deu uma entrevista bem-disposta, alheio aos malefícios da exposição solar.


A estrela do happening, porém, era a consagrada artista Ana Avoila - de tanto ver as estrelas do sindicalismo na pantalha, há tanto tempo, já lhes conheço os nomes. Disse as coisas que as Avoilas, ou os Nogueiras, dizem, o jornalista jornalistou, lá vão cinco minutos a encher chouriços de graça.


De graça, não. Presumo que quem pagou as deslocações, e o almoço, e as bandeirolas da manifestação espontânea, foi o Sindicato - assunto dele e dos associados respectivos. Mas quem paga a Avoila, parece, sou eu. E essa parte é que me chateia, pá.


Chateia-me porque, lamentando que tanto bom professor se veja na rua porque o País está de tanga e não há tantos meninos como já houve para ensinar, lamento igualmente que ainda haja recursos para sustentar quem julga que protestar é uma profissão.

publicado por José Meireles Graça às 23:03
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Quarta-feira, 25 de Julho de 2012

A marcha de um líder

 

 

Em 1980 a economia britânica estava em recessão. Os números do desemprego tinham subido para 2 milhões, em relação aos 1,5 milhões no ano anterior. E continuariam a subir até ultrapassar os 3 milhões em 1982, ano em que acabou a recessão. Margaret Thatcher era chefe do governo desde 1979, e a oposição à liberalização da economia gritava por uma "inversão de marcha" (U-Turn). Ted Heath, ex-primeiro-ministro, protagonizava essa oposição dentro do Partido Conservador, que também tinha liderado até 1975 - ano em que perdeu as eleições internas para Margaret Thatcher, tornando-se um dos seus críticos mais activos.

 

No dia 10 de Outubro de 1980, durante o Congresso do Partido Conservador, Margaret Thatcher fez um discurso longo. E respondendo aos seus opositores, disse:

 

"To those waiting with bated breath for that favourite media catchfrase, the "U turn", I have only one thing to say: You turn if you want to. The lady's not for turning. I say that not only to you, but to our friends overseas as well, and also to those who are not our friends."

 

A frase "The lady's not for turning" passou a designar o discurso completo. E tornou-se um dos lemas mais conhecidos de Margaret Thatcher, que se manteve à frente do governo até 1990.

 

No passado dia 23, o Primeiro-Ministro reuniu-se com os deputados do PSD. Além destes, estavam presentes alguns ministros, a presidente da Assembleia da República, e mais uns quantos figurões do PSD.

 

Considerando que havia quem sugerisse que "já chega de ser bom aluno" e de "fazer sacrifícios" porque se aproximam actos eleitorais e não convém perder votos, Pedro Passos Coelho disse aos presentes que "a verdade é que nenhum dos senhores ou das senhoras foi eleito para esse mandato". E que "nenhum dos que aqui estão foi eleito para ganhar as próximas eleições, ou para ajudar a ganhar autárquicas, nem as regionais deste ano nos Açores, nem as europeias que aí vêm a seguir, não foi para isso que fomos eleitos. Foi para responder ao país."

 

Foi simples, foi directo e tem toda a razão: os deputados não são eleitos para voltar a ganhar eleições. São eleitos para fazer o que tem de ser feito pelo país. Quando a presente maioria foi eleita, sabia-se da situação trágica em que que o país se encontrava, sabia-se que era necessário pôr ordem nas contas, e era conhecido o programa da troika. E toda a gente sabia, porque foi afirmado repetidamente durante o período eleitoral, que o governo concordava com o programa e tencionava cumpri-lo até ao fim.

 

Para que não ficasse qualquer dúvida, Pedro Passos Coelho esclareceu ainda que "se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal".

 

Ou seja, não basta pôr ordem nas contas. Para isso, é necessário pôr o PSD na ordem, e foi isso que o Primeiro-Ministro se mostrou na disposição de fazer. Para bem do país e para grande surpresa minha.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 16:35
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A insolação do estio corrente

Viriato Soromenho Marques é federalista e de esquerda. Eu sou nacionalista e sensato. Não sei se Viriato é há muito federalista, ou apenas desde que constatou que o Euro obscureceu a real performance de muitos países a tal ponto que a certos Estados, e aos cidadãos deles, foi concedido crédito muito para além do razoável. Mas sei que nunca fui federalista, e estou seguro que aqueles que sempre o foram não têm consciência que uma tal crença, se levada à prática, seria uma asneira ainda maior que o estúpido voluntarismo do Euro. Como cidadão, a minha opinião e o meu voto valem, na hora de escolher, tanto como o do Sr. José, meu empregado, que sobre estas matérias declara sobriamente que "eles estão lá é p'ra se encherem, que vão todos para a puta que os pariu". E o que eu digo, o que diz este excelente homem, e o que diz Soromenho, no que toca a escolhas básicas, vale o mesmo.

 

Sucede porém que, pese embora o estado de zanga permanente em que a classe dirigente vive com o País há gerações, somos estrangeiros em qualquer outro sítio que não naquele que se designa por Portugal; e, com excepção de lunáticos, literatos iberistas e cosmopolitas, que sempre houve, nunca seriamente, há muitos séculos, se pôs o problema de acabar com a nacionalidade. Põe-se agora, e de maneira caricata: o País deve o que não pode pagar, porque uma geração inteira de dirigentes políticos inventou a forma de comprar votos com despesa pública e privada sem que, aparentemente, houvesse limites; os hoje credores acreditaram na engenharia porque eram políticos e banqueiros, uns interessados nas grandes construções sociais que lhes compraram notoriedade e lugares, os outros em lucros rápidos e prémios gordos, todos crentes, com razão, que para eles, pessoalmente, não haveria consequências negativas.

 

Vem agora a segunda vaga: já que nem todos os países europeus perderam de vista que nem todo o empréstimo é virtuoso, nem todo o investimento reprodutivo, nem todo o crescimento são; já que a Europa, no seu conjunto, é uma economia ainda forte e equilibrada, e certamente em melhores condições que a Americana: adoptemos o princípio dos vasos comunicantes aplicado à Economia - com o crédito, as taxas de juro e o rigor e sobriedade nórdicas, voltamos à estrada do crescimento induzido pela dívida e esquecemos esta sombra negra da austeridade.

 

Os dirigentes dos países que não estão encalacrados respondem perante os respectivos eleitorados, não perante o eleitorado europeu, em si mesmo uma ficção apenas útil para o ritual das eleições para o "Parlamento" Europeu. Esta indignação do iluminado Soromenho contra a "gente pequenina", o "cínico Weidmann" (um "Torquemada monetarista", nada menos) e os "cobardes" que estão em silêncio, além de primária na sua crença de que a realidade objectiva se muda a golpes de inspiração de políticos que ocupam cadeiras temporárias e periclitantes, é também quase doentiamente cega: o caminho seguido pôs-nos de joelhos, exangues e pedintes? Pois então, em vez de mudarmos de caminho, digamos aos credores que eles é que devem mudar, adoptando a nossa maneira de estar.

 

Não vai ser assim. E que os Soromenhos abundem, e tenham audiência e prestígio, faz parte dos nossos problemas; não das nossas soluções.

publicado por José Meireles Graça às 16:24
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Domingo, 22 de Julho de 2012

A tribo dos Nítidos Nulos

  

 

 

Garanto que não vi, mas parece que a dra. Carla aproveitou mais uma aberta no programa de variedades em que semanalmente participa para, citando Vergílio Ferreira (cuja "obra literária" é, de resto, infrequentável), chamar a este governo "um grupo de nítidos nulos".

 

A dra. Carla fala com a descontracção própria dos membros de uma tribo que se reconhecem. Mas a dra. Carla nunca se fica pelo fenómeno mediano: com a tenacidade que distingue os gloriosos, vai sempre mais longe.

 

No laboratório de "Ciências Sociais" aqui do Gremlin, temos uma cobaia do sexo masculino chamada Q28-7B/64 cujo comportamento observamos desde a década de 80, tomando notas. Não morde. E o fiel de armazém que toma conta dela desde o dia em que, recolhida num barco da Transtejo, foi conduzida às nossas instalações, tendo-se-lhe afeiçoado trata-a carinhosamente por Carlão.

 

A cobaia Carlão diz do Adérito que "ai filha, uma bichona!", e do Sérgio, e do Fernando, e do Rodrigo, e o mesmo diz Carlão de todas as outras cobaias que se encontram na sua "organização social". E se não forem é porque "ainda não sabem", e se não parecerem é porque "disfarçam muito bem". Sem hesitar, afirma que "essa Rodrigueta é uma bichona ordinária e intriguista", e "vê-se logo pela maneira como trinca a mortandéla" (Carlão diz "mortandéla"), e "essa mulher nunca me enganou, filha", porque "eu já levo uma longa carreira na bichice, pá". Regra geral, a cobaia Carlão remata o seu argumento de autoridade com uma observação do tipo: "acha-se uma grande machona mas tem ancas de parideira", por isso é que "até lhe chamam a Rodrigueta da Rabeta".

 

Tal como na cobaia Carlão, observo na dra. Carla um comportamento curioso: não se limita a reconhecer os elementos da mesma tribo. A dra. Carla, comentarista nitidamente nula, atribui aos outros as características próprias dos membros da sua tribo - estalando limites, exibindo a plumagem com orgulho triunfante.

 

Só não percebo porque é que à dra. Carla se lhe avolumam tanto as cordoveias do pescoço quando diz estas coisas. Parece zangada.

 

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 23:25
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Quarta-feira, 18 de Julho de 2012

Pedagogia arrelvada

Relvas tirou um curso de favor, porque era quem era; e Sócrates um curso de favor tirou porque era quem era. Os casos não são exactamente iguais: um aproveitou uma legislação que não devia existir e somou-lhe o jeitinho português; e o outro ficou-se pelo jeitinho, acrescentando-lhe, provavelmente, uma falsificação.

 


A blogosfera dos reflexos condicionados, que é quase toda, reagiu canonicamente, crucificando uns um e outros outro. Está bem: a previsibilidade, a mim, dá-me uma certa paz.


Os dois fait-divers foram porém positivos: vieram mostrar que um diploma de curso superior não certifica coisa alguma ou, melhor, que ele há diplomas e diplomas. A Católica ou Coimbra não são a Lusófona ou o Instituto de Estudos Superiores de Fafe.


E como o Estado, que deve certificar o ensino obrigatório, não deve certificar o ensino superior se quiser preservar a liberdade das universidades, fica o mercado para fazer a destrinça.


O mercado é muito imperfeito: o próprio Estado não distingue, para prover os seus quadros, a universidade A da B. Mas devia - nas empresas já isso se faz, diz-me em que te formaste e onde.


Depois há as doutorices: um perfeito imbecil pode não apenas licenciar-se mas inclusive dar aulas. Sempre assim foi - a diferença actual não é qualitativamente muita, ainda que em casos extremos se possa falar de pura e simples vigarice. Que a opinião pública se habitue a ligar mais aos argumentos per se, e menos aos de autoridade, é uma coisa boa.


Quanto ao bom do Relvas, é claro que se devia ter demitido há muito, no interesse próprio, no do Governo e no do País. Se o tivesse feito a tempo, perderia a auctoritas mas não a dignitas.

 

Mas o incidente tem um valor pedagógico, e esse vai ficar; a trapalhada esquecerá, como foram esquecidas as várias dúzias que há décadas alimentam o espaço público do nosso entretém.

publicado por José Meireles Graça às 12:56
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