Sexta-feira, 31 de Janeiro de 2014

Curso de leninismo para totós

Neste artigo Fernando Rosas dedica-se a explicar por que razão o BE, do qual é dirigente, não faz acordos com os outros partidos de esquerda (a verdadeira, a que pertence, não a corja dos vendidos ao financismo, na qual se encaixa o PS), e aproveita para lembrar que "à esquerda do PS, existe em Portugal um campo político e social de que o geral dos comentadores, por conveniência ou descuido, costuma esquecer. No entanto, tendo em conta os resultados das eleições legislativas desde 1999 – ano em que nasceu o Bloco –, ele representa, no seu conjunto, entre 15 e 20% dos eleitores deste país e provavelmente bem mais do que isso no que respeita à luta popular contra as medidas de destruição do Estado social hoje em curso".

 

Os comentadores não se esquecem nem do PCP, nem do BE, nem dos grupúsculos que pululam naquele quase um quinto do eleitorado. Pelo contrário: não deve haver noticiário sobre um qualquer conflito social, ou iniciativa parlamentar ou governamental que desagrade à Oposição, em que não sejamos expostos às invectivas de Jerónimo, às indignações justiceiras daquele friso guerreiro de deputados do PCP e do BE, às mesas redondas e entrevistas com gente do PCP, assumidamente ou travestidos de representantes da sociedade civil, à presença permanente na comunicação social de economistas, sociólogos, actores, jornalistas, sindicalistas e tutti quanti que navegam naquelas águas revoltas de comunistas, lunáticos, agitadores, progressistas de todos os bordos, engenheiros de sociedades e j'en passe.

 

Quem é que, sendo espectador de televisão, vendo algo mais do que concursos e telenovelas e não desprezando debates e mesas-redondas, não conhece Octávio Teixeira, ou o sempre jovem Prof. Boaventura das sociologias, a doce Catarina Martins, o Luís Le Rouge Fazenda dos frente-a-frente na Sic-N, o ex-comunista, ex-bloquista e futuro PS Daniel Oliveira, ou ainda o inesquecível catedrático da economia do ódio aos ricos, Louçã?

 

Mas isto é o menos; que a mim quase todo o espaço da comunicação social me parece tingido de vários tons de vermelho e rosa, pelo que admito que para um tipo como Fernando Rosas tudo pareça vestido das camisas castanhas, verdes ou negras do fássismo.

 

Onde o artigo me prendeu realmente a atenção foi nesta passagem: "Não vejo como podem coexistir na mesma convergência os que defendem uma Europa federal e um governo europeu com os que, como o Bloco, recusam essa perspectiva em nome da democracia na Europa e da soberania dos Estados".

 

Ainda bem que não vês, Nandinho, pá. Olha como estranho é este mundo: eu defendo a soberania dos Estados e simpatizo com a democracia, embora não esteja absolutamente certo de estarmos a falar da mesma variedade se aplicada à Europa: um homem um voto à escala europeia anularia a soberania dos Estados; e ponderações de poderes de voto baseadas em combinações de pesos demográficos com pesos económicos conduziriam ao mesmo resultado, num prazo mais longo mas não menos seguro, como se está a ver.

 

Mais: pertenço a um partido pela única razão de estar menos distante das posições dele do que das de qualquer dos outros; apoio o Governo que temos não obstante achar que a principal tarefa que durante algum tempo teve oportunidade de começar a fazer, a reforma do Estado - desperdiçou-a; detesto uma quantidade considerável de políticos da coligação, e governantes, uns por serem estatistas, outros de seriedade duvidosa, já para não falar do habitual lote de burros, tachistas e pedantes; e às ideias dos federalistas assumidos, como Paulo Rangel, dedico incompreensão e uma profunda aversão.

 

E no entanto, nas próximas eleições, e nas seguintes, lá estarei a apoiar o meu Partido e os seus candidatos: o nosso país está tão inclinado à esquerda, e há tanto tempo, que o desprezo do assim-assim, por se querer o óptimo, é a melhor receita para a derrota. Como era mesmo aquela coisa do inimigo principal e do secundário?

 

A esquerda teria muito a aprender com a direita sobre economia, estratégia e tática. Mas também, se aprendesse, lá está: não era esquerda - o senso está, felizmente, desigualmente distribuído. 

publicado por José Meireles Graça às 12:21
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Quinta-feira, 30 de Janeiro de 2014

Daniel e o jogo proibido

Duvido que um jogo entre o Marêitimo e o Puorto, no estádio dos Barreiros, seja o melhor ambiente para um menino de 18 meses.

 

Mas o clube da casa fazia gosto que ele fosse ver aquele empolgante embate, provavelmente para tirar algum partido do apoio que tem dado à família do petiz - de um clube desportivo não se espera que se comporte como uma associação de beneficência.

 

Fosse eu pai dele e não me passava pela cabeça levá-lo para um sítio frio e barulhento, com a agravante de, na idade em que se aprende a falar, o léxico que pudesse assimilar não ser daquela variedade que possa ficar bem nos fastos das primeiras palavras que disse o Danielzinho.

 

Se, porém, tivesse recebido por causa do rapaz oferendas que a ele e a mim faziam muito jeito, retribuía não recusando um convite da mão generosa.

 

Mas quê: uma coisa que dá pelo nome de Comissão de Proteção de Jovens e Crianças Menores (CPJC) da Calheta proibiu.

 

Fui googlar para ver o que era esta comissão e fiquei varado: há montes de comissões destas, são municipais mas há uma central, têm Lei, portarias e o catano.

 

Distraí-me a ler o palavreado no sítio da tal Comissão Central e acabei por não ver a da Calheta. Também já não tinha vontade - por essa altura albergava no meu seio justiceiro um forte desejo de correr tudo à galheta; que eu, ao contrário do Danielzinho, não me dou excessivamente mal com ambientes futeboleiros.

publicado por José Meireles Graça às 21:51
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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2014

No mercado global não há amarras suficientemente fortes

E assim a FIAT deixa de ser FIAT, passa a FCA, e sai da Itália. 

 

Sede legal: Amsterdão

 

Sede fiscal: Londres

 

Cotação em bolsa: Nova Iorque.

 

Boa sorte e bem largadas as amarras a uma economia e política presas ao passado.  

 

 

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publicado por João Pereira da Silva às 15:28
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Terça-feira, 28 de Janeiro de 2014

E "prontos":

publicado por João Pereira da Silva às 15:20
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Segunda-feira, 27 de Janeiro de 2014

Cautelar ou "dar o peito às balas"?

A verdadeira "massa" dos nossos governantes (governo e oposição incluída) vai-se conhecer quando em Abril/Maio se tomar a decisão de prosseguir a gestão orçamental ao abrigo de um programa cautelar com apoio da troika ou da União Europeia, ou se, como a Irlanda, avançaremos sozinhos financiando as necessidades estatais abertamente no mercado.

 

Ora, se "dar o peito às balas" pode ter o condão mágico de ajudar a demonstrar como o ajustamento foi feito por mérito do governo, pode também conter o enorme risco para o PSD e PS de retirar o constrangimento (estupidamente "imposto" de fora) para as reformas de estado que ainda não foram feitas. E nós, sabemos bem o que significa ter eleições legislativas à porta: o PS e o PSD a discursarem sobre os "piores" tempos que já passaram e que os amanhãs serão maravilhosos para todos com a ajuda do estado. 

 

Num programa cautelar, com o qual o PSD corre o risco de não demonstrar o sucesso do ajustamento, o constrangimento de reforma é mais claro do que confiarmos à "boa-qualidade" da nossa gestão pública as reformas necessárias para a longo-prazo passarmos a dívida pública para os 60% do PIB. Alguém no seu juízo perfeito acredita que tal seja possível com autonomia política do nosso bloco central?

 

Pois. Assim, o realismo e o eleitoralismo confrontar-se-ão a breve prazo. E o segundo tem sempre vencido. Passos Coelho, terá a maior oportunidade de demonstrar o realismo, em Maio. Será que o faz? Fazê-lo implica provavelmente, perder as eleições. Não o fazer implica comprometer fortemente as hipóteses de sucesso do ajustamento que ainda não foi feito (o enorme aumento de impostos e subir a despesa do estado não é ajustar o estado).

 

O dilema dos próximos meses vai ser muito interessante de seguir.

publicado por João Pereira da Silva às 13:29
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Domingo, 26 de Janeiro de 2014

Simon

"Simon being taken to sea for the first time since his father drowned, Skinningrove, North Yorkshire, 1983" (Chris Killip).*

 

Partir para o mar é como partir para a guerra sem a certeza de voltar. Tanta dor nesta imagem. Que será de Simon, agora?

 

*Imagem e legenda de um amigo no Facebook

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publicado por João Pereira da Silva às 11:39
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Sábado, 25 de Janeiro de 2014

Mirando o problema dos Miró

Houve um tempo em que um retrato pintado servia como testemunho do prestígio do retratado ou sua família; ou, mais prosaicamente, antes da invenção da fotografia, para inteirar o distante potencial noivo das feições do estafermo que iria garantir a descendência de uma linhagem que se pretendia, ou era, ilustre (ignoro se há casos em que fosse ao contrário, isto é, em que a família da noiva mandasse vir o retrato do marmanjo candidato a garanhão).

 

A paisagem, a alegoria, as vidas dos santos, os passos da Paixão, as cenas bíblicas, os cenários de guerra, os heróis a cavalo ou a pé, a mitologia clássica a partir do Renascimento, outros temas ainda, punham aos pintores três tipos de problemas: i) Agradar ao nobre ou clérigo patrono, ao burguês também quando este começou a fazer aparecer a sua cabeça empreendedora e nova-rica, a partir do aumento do comércio e da riqueza que os Descobrimentos abriram; ii) Actualidade técnica: na perspectiva, nos pigmentos e misturas, nos temas, houve evolução, o que quer dizer inovadores, seguidores, contestatários e escolas; e iii) Mensagem: As Meninas de Velazquez, ou os Painéis de S. Vicente, por exemplo, alimentam intermináveis polémicas sobre as reais motivações da representação daqueles monstrinhos, ou quem são exactamente as personagens que Nuno Gonçalves retrata, e porquê aquelas e não outras.

 

Os grandes pintores somaram sempre à originalidade e à qualidade técnica, para os que veem o que lá não está, intenções ideológicas, ou religiosas, ou práticas, segundo as lutas e os ares do tempo. O que significa desde logo que ninguém entende nada de pintura sem entender nada de História - condição portanto necessária, ainda que não suficiente.

 

Uma multidão de factores influenciou o aparecimento, em finais do séc. XIX, da pintura moderna. Infelizmente, o movimento mais conhecido ficou a dever o seu nome a um termo, impressionismo, desejado como pejorativo por quem o cunhou, um crítico de Arte. E como os pintores polémicos da época foram objecto de grande baile por parte dos especialistas, mas são hoje, possivelmente, os de maior sucesso na história da pintura, seria de esperar que o público tivesse ficado vacinado contra a opinião de entendidos.

 

Mas o impressionismo era ainda figurativo, apenas queria que o natural e o simples aparecessem transfigurados pela luz, coisa que o público podia entender. Daí para a frente e, creio eu, sob o aguilhão da fotografia, que veio concorrer no espaço da representação do real, a pintura evoluiu para manifestações cada vez mais conceptuais, sem nenhuma relação com nada que não fosse uma interpretação pessoalíssima do artista e, crescentemente, do crítico. Este pretende traduzir, para o público, o que o público não entende.

 

Este terreno presta-se a toda a sorte de trapaças, e destas a mais evidente é a flagrante gratuitidade da maior parte das originalidades pictóricas, e a generalizada vacuidade da maioria dos críticos: dizem coisas herméticas que, espremidas, não significam nada.

 

Encurtemos, que nem sou qualificado nem estou disposto a abundar no tema. Sobre a polémica Miró e as mais de 6 dúzias de telas que a massa falida do BPN detém, não concordo com a petição dos 8100 apreciadores: tivesse eu herdado algum dos estropícios e passá-lo-ia oportunamente a patacos. Mas também não concordo que a Christie's, ou qualquer outra casa, vá leiloar as telas às resmas - isso não pode senão fazer cair o preço. O que devia ir a leilão era uma tela; e as restantes, uma a uma, com intervalo mínimo de cinco anos. Ficava toda a gente contente: o PCP, os Verdes, o Bloco, os proponentes da petição, podiam dizer que salvaram a quase totalidade destas preciosidades, essenciais para a Cultura ou lá o que é; o Estado, baseado no valor pelo qual a obra fosse adjudicada, podia sempre dar as outras de garantia anti-calote; se os entendidos tiverem razão, Miró não pode senão valer cada vez mais; e, mesmo que haja, como há, um certo retorno ao interesse pela pintura pré-moderna, não é previsível que as luminárias do séc. XX sejam postas no seu lugar nos próximos 40 anos.

 

E os Miró, onde guardá-los? Uma parte ficava bem nos Passos Perdidos - ele há senhores deputados que gostam muito de Arte, e Pintura, e assim - se perguntados, todos dirão que sim senhor, a Arte toca-os muito; no Palácio de Belém cabiam alguns -a nossa Primeira Dama é intensamente cultural, e o nosso Presidente, então, nem se fala; no Centro Cultural de Belém, onde o comendador Berardo expõe meia dúzia de coisas boas e um extenso acervo de lixo, ficavam bem mais alguns; e o resto podia ir para as caves do Banco de Portugal - como metade do ouro que lá havia já voou não há problemas de falta de espaço. 

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publicado por José Meireles Graça às 23:10
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Sexta-feira, 24 de Janeiro de 2014

Sila e Caríbdis

Eles são dois ganda malucos. E perigosos: às quatro da manhã, numa zona residencial deserta, a fazer corridas a velocidades estonteantes - entre 55 e 60 mph, isto é, entre 89 e 97 km/h.

 

Nas corridas estavam envolvidos dois bólides, um Lamborghini e um Ferrari. E é claro que a estrela (um sacozinho de vento que canta umas merdas que fazem delirar as meninas com acne e seios ainda incompletamente formados) tinha bebido e fumado marijuana, credo.

 

Claro que a notícia não diz qual o grau de alcoolémia - não interessa, bebeu e pronto; claro que, àquelas velocidades, os automóveis em questão se imobilizam em menos espaço que muita banheira americana deslocando-se à velocidade legal; e é claro que a polícia usou todas aquelas técnicas dos filmes - mãos no capot, revista, the works.

 

Depois, detenção, fato-macaco cor de laranja, caução (2.500,00$ "standard"), e, em devido tempo, julgamento.

 

O público daquela banda, por certo, adorou - é a law of the land, quem é que o menino se julga? E o público da banda de cá, se a notícia chegasse, também adorava: aquilo lá nos estates é que é, os ricos são tratados como merecem.

 

Ou seja, cowboys de um lado e invejosos do outro. Sila e Caríbdis.

publicado por José Meireles Graça às 23:39
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Anormalidade gera anormalidade

O artigo de José Manuel Fernandes é pleno de dados que permitem chegar a conclusões interessantes. 

 

Contudo, o que não é dito, mas acenado, é o mais intrigante: porque raios precisa um país de uma instituição pública de incentivo à investigação e desenvolvimento que gera, ou permite manter "jovens investigadores/cientistas", durante treze ou dezasseis anos, sem que daí venham quaisquer frutos de investigação aplicada nas empresas ou universidades? O que está doente: a FCT, ou o sistema? Qual sistema? 

 

O sistema académico. A FCT foi criada para ocupar, absorver institucionalmente os investigadores que se preparavam ou desejavam aceder a lugares de investigação nas universidades. Uma "almofada" temporária que permitisse aos jovens, durante um período preparatório, demonstrar trabalho preparando a futura integração definitiva no sistema académico. Porque falhou e continua a falhar?

 

Porque as nossas universidades são nepóticas. Um sistema plutocrático que mantém os mesmos de sempre, em lugares de decisão que escolhem os novos que  entram em função de outros valores que não o mérito. JMF deixa isso implícito.

 

Em Itália, diz-se, que não há um concurso de acesso a lugares nas universidades que seja limpo. Não chegando ao exagero para Portugal, admito que poucos dos investigadores contratados aí o sejam pela relevância da sua investigação, e não pelas suas ligações pessoais. Sem um sistema de seleção, limpo e pelo mérito, todos ficam no limbo da mediocridade.

 

O estado-papá, financiado pela grande mãe-europeia, criou um sistema transitório que se tornou "definitivo" e agora começa a acabar. Sem as "nannies", talvez a quantidade e qualidade da investigação melhore, e sirva o país, financiado por aqueles que de facto usam a investigação. Esperemos.

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publicado por João Pereira da Silva às 14:05
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Quarta-feira, 22 de Janeiro de 2014

Vae Victis

Os tribunais julgam segundo a lei. E não duvido que a Relação tenha feito, dos factos levados a juízo, um enquadramento adequado ao direito aplicável. E como a vítima (vítima sim) da sentença não pode recorrer, dura lex sed lex e pé-ré-pé-pé.

 

O legislador, porém, devia rever a legislação, tendo em conta os ensinamentos que se retiram da história que segue:

 

O banco emprestou 77% do valor que atribuiu a um bem. Suponho que a sentença ou as partes não referem a minudência, mas imagino que pelo trabalho especializado da avaliação se terá feito pagar; assim como, sendo o próprio banco interessado na operação, e tendo a avaliação sido feita por quem para o banco trabalhava, não há razões para supôr que 117.000,00 Euros seriam menos do que o valor de mercado.

 

Mas o mercado afundou-se pelas razões conhecidas. E o banco, se não fosse gerido por ineptos, e aconselhado por incompetentes, tinha obrigação de saber que estava a caminho, e colaborava na formação, de uma bolha. Dir-se-á que não era essa a opinião dominante na altura. Pois não: se a opinião dominante fosse sempre a melhor, não haveria bolhas, nem crises.

 

Resta que quando elas vêm, as crises, há que fazer uma repartição de culpas. A notícia não diz as razões pelas quais o devedor entregou a casa, nem quanto já tinha pago, nem quando deixou de pagar e porquê - não faltam jornalistas incapazes de contar uma história com princípio, meio e fim. Mas não é aventureiro pensar que, como muitos, deixou de pagar a casa porque perdeu o emprego. E pergunta-se: o mutuário tinha neste caso mais obrigação do que o banco de adivinhar a crise? E, não tendo, por que razão deve suportar sozinho o risco do negócio?

 

Claro que os bancos estão entupidos de imóveis; claro que talvez tenham prejuízo com contratos celebrados no tempo das vacas gordas e que não podem renegociar; claro que, sem avales do Estado e financiamentos públicos, boa parte deles teria fechado as portas ou sido absorvido por outros, se é que não implodia o sistema todo e com ele o País; e claro que o Estado que ampara a banca coxa é amparado por ela que lhe compra dívida pública.

 

Mas no meio deste jogo de magos da finança, governantes aflitos, oposições lunáticas, comunistas e inimputáveis, há pessoas que perderam tudo; e quem tudo perdeu sem culpa não devia ter mais nada a pagar.

 

Talvez os senhores desembargadores de Évora se pudessem, na floresta do direito positivo, ter lembrado que o Direito não pode servir para realizar o Torto.

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publicado por José Meireles Graça às 16:04
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