Segunda-feira, 31 de Março de 2014

Idade da Pedra

"Considerou igualmente violadora da honra e bom nome de Fernando Ruas imagens em que a sua cara aparece sobreposta às imagens de Bin Laden, Estaline ou a um homem da Idade da Pedra".

 

Bin Laden, que eu saiba, não tingia o cabelo nem aparava o bigode; uma reencarnação de Estaline em Viseu, mesmo para quem se reclame de doutrinas lamaístas, carece de plausibilidade; e uma identificação com um homem da Idade da Pedra - depende: se for um Neandertal é altamente insultuoso, aqueles nossos colegas hominídeos tinham um aspecto muito pouco viseense, ainda que os seus genes estejam entre nós; já se for um dos construtores dos monumentos megalíticos será inclusive lisonjeiro, era gente de grande religiosidade e excelente constituição física.

 

Se fosse só isto a sentença já seria intolerável, por reservar a profissão (ou o exercício amador) de cartoonista a milionários, aptos a pagarem indemnizações a qualquer detentor de poder público que se ache ofendido na sua honra e consideração.

 

Mas não: parece que o dono do blogue acha que quem quer faz os comentários que quer nas caixas de comentários. E isto entendem também muitos outros blogueiros, talvez por viverem na ilusão de que não somos responsáveis pelo que os outros dizem.

 

O Senhor Juiz, se a notícia é fiel, não entende assim, e acha pelo contrário que os comentários insultuosos deveriam ter sido eliminados, alterando "a própria política do blogue [que tinha os comentários abertos por opção do seu criador] por forma a que ali fosse publicado apenas o que o réu consentisse.” 

 

Temos então um tribunal em Viseu que define as políticas que os bloggers devem definir; que acha desnecessário apurar quem fossem os reais autores dos tais comentários; que transforma os donos de blogues, ou jornais online, ou murais do Facebook onde apareçam comentários sob identidades falsas - em fiscais da opinião, ou dos dislates, de terceiros, não vão eles ofender alguém na sua honra e consideração.

 

Já eu acho que fazem bem os blogues que fiscalizam os comentários de modo a eliminar não a dissensão mas a estupidez, a falta de maneiras e o insulto gratuito. Mas achar bem que se faça assim não é a mesma coisa que proibir que se faça assado.

 

Não vivo porém em Viseu, nem sou juiz. E, se fosse, não lavraria sentenças que, evidentemente, se o réu tiver meios e paciência, serão revertidas em sede de recurso. 

publicado por José Meireles Graça às 11:57
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Sábado, 29 de Março de 2014

Relações internacionais

"Já repararam que as ancas e rabos das polacas parecem a A2 num dia calmo?", disse Henrique Raposo e eu, que efectivamente já me tinha inconscientemente apercebido do facto, murmurei para os meus botões: É isto! - que o óbvio é sempre o mais difícil de ver.

 

Sucede que certas verdades não são para serem ditas. E logo se levantaram vozes indignadas, verberando o atrevimento do colunista: Ana Matos Pires, num post enigmático, ligando o infeliz sucesso a Machete; e Carla Romualdo, com olho censório e feminista, solidarizando-se com o Embaixador da Polónia.

 

Este diplomata, decerto ilustre e quiçá tendo bebido noutros tempos ideias muito apreciadas no seu País sobre o que fossem relações sadias entre o Poder e a Imprensa, acha mal que o Expresso dê guarida às escandalosas opiniões do Sr. Raposo. E tem para isso razões ponderosas, como diz na sua carta: "Recebemos reações de mulheres polacas chocadas que se sentiram profundamente ofendidas por esta publicação sexista. E o Sr. Raposo não só ofende as mulheres polacas, inglesas ou brasileiras, mas também as portuguesas, cujo valor é avaliado apenas em termos de serem ' boas' e 'fáceis'.

 

O Expresso ficará por certo satisfeito por constatar ser muito lido pelas mulheres polacas, inglesas e brasileiras; e quero crer que significará ao Senhor Embaixador a muita estima que nutre pelo belo sexo de todas as nacionalidades, mas em particular pelas suas concidadãs.

 

Maria João Marques disse sobre este episódio, bem-humoradamente, o que cumpria. Por mim, lamento não poder encarar o caso com distanciamento, por me parecer uma distinção injusta que Henrique Raposo tenha direito a uma reacção de uma embaixada, enquanto outros plumitivos esforçados, como eu, têm, quando muito, direito a um ou outro comentário depreciativo na caixa de comentários.

 

Claro que um abismo nos separa, em notoriedade e audiência. Mesmo assim, declaro alto e bom som que nos habitantes da minha freguesia da Costa há uma inusitada prevalência de mulheres de perna curta, de mais a mais com culottes de cheval proeminentes.

 

Aguardo reacção do Senhor Presidente da Junta.

publicado por José Meireles Graça às 02:19
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Quinta-feira, 27 de Março de 2014

Nem sequer em Freamunde

Sei que não sou o único seguidor português de Daniel Hannan. Pelo contrário, somos uma legião.

 

Mas o homem é inglês, e a condição de filho da Ilha tem efeitos deletérios numerosos: nas papilas gustativas, por exemplo, denunciam-se pelo gosto generalizado por peixe congelado mal frito, embrulhado numa couraça impenetrável, acompanhado por batatas fritas congeladas (o conjunto a saber a comida de prisão do Mississípi) e pelo sucesso dos programas de Jamie Oliver, onde se ensinam multidões a estragar géneros alimentícios perfeitamente inocentes; e no famoso fair play por uma História onde o play abunda, como na de outros países, mas o fair rareia ainda mais do que noutras paragens.

 

Mas aquela boa gente tem abundância de coisas excelentes, que não vou referir porque anglófilos já há avonde, e um lado ingénuo e cómico que lhes escapa mas a nós faz sorrir. Pois não é que o bom do Daniel rejubila porque a taxa que a BBC recebe vai acabar, acabando do mesmo passo os 180.000 processos criminais por ano contra faltosos, incorrendo o cliente apenas no risco, quando não pague, de lhe cortarem o sinal?

 

Ah ah ah, que totós: bastava incluir a taxa na conta da energia eléctrica e zás, para não pagar a BBC o espectador zangado tinha que não ver nada, tiritando de frio, depois do Sol-posto.

 

Ou então arranjava-se uma manigância qualquer daquelas da fidelização, para poder fingir que há concorrência ao mesmo tempo que ela foi anulada, com a vantagem ainda de o serviço poder ser um desastre que nem assim o assinante deixava de ter que o pagar, mesmo que o não usasse.

 

A tua BBC tem prestígio em todo o Mundo, Daniel; a nossa RTP nem sequer em Freamunde; e, pagando compulsivamente a taxa, ainda vamos, ano a ano, cobrindo os prejuízos porque o Governo nos garante que já já aquele trambolho vai equilibrar as contas. Este Governo; os anteriores; os futuros.

publicado por José Meireles Graça às 01:05
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Terça-feira, 25 de Março de 2014

Assalto com seringas hipodérmicas

A velha ideia, que nos embalou na infância, de que quem tem dinheiro a mais (ou quem não tem a mais, mas faz sacrifícios para um dia de chuva) põe o seu pecúlio no banco, que por isso lhe dá um pequenino prémio, se o tiver à ordem, ou um maiorzinho, se o tiver a prazo, e que esses pecúlios, postos em conjunto, servem para emprestar a quem não tem dinheiro mas tem uma ideia para um negócio - é uma ideia defunta. Hoje somos todos cínicos, outra maneira de dizer mais sábios, e não ignoramos que o banco emite moeda, sob a forma de crédito, e que esse crédito regressa, sob a forma de depósitos, ao sistema bancário (pode ser de outro país, mas se a gente começa a complicar os raciocínios leva um tal nó cego mental que já se esquece aonde queria chegar), que novamente empresta, numa roda sem fim...

 

O empreendedor teso, claro, espera um retorno - primeiro para o banco, que lhe emprestou a uma taxa superior àquela que paga a quem lhe fornece os fundos, depois para os trabalhadores e os fornecedores, depois para o Estado, um sócio intratável e sôfrego que calcula a sua parte por processos ínvios, depois para reservas e, se sobrar alguma coisa, para si próprio.

 

O sistema não está mal engendrado e, desde pelo menos os Médicis, e descontadas as crises periódicas, tem funcionado bem. Claro que repousa na confiança - de que o banco só empresta a quem, em princípio, vai pagar o que deve, de que os incumprimentos se mantêm dentro de limites acomodáveis, de que há uma proporção razoável entre o nível dos depósitos e o do crédito concedido, de que os gestores não são kamikazes que se deixam encandear pelas suas comissões e de que o Estado não vai gerir a coisa pública de modo a criar crises amanhã com investimentos públicos sem retorno e consumo sem produção - hoje.

 

Diga o que disser a malta contra o sistema de reservas fraccionárias, sem elas haveria menos investimento e logo menos progresso, ainda que se evitassem crises. Mas a questão, por interessante que seja para doutrinários, não está na ordem do dia: o que está na ordem do dia é que os bancos não ganham dinheiro porque o mal-parado está ao nível da exosfera e o Estado falido porque, não tendo cessado nunca de cobrar mais, deu o que não tinha e investiu em fantasias e paixões.

 

Tenho ideias definidas sobre os culpados pela situação em que estamos e as escolhas públicas que a permitiram. Mas não importa: a História acertará, como sempre, as contas.

 

Entretanto, a Banca deveria lamber as feridas enquanto compra tempo e o Estado, uma cabeça disforme para um corpo mirrado, deveria tratar da macrocefalia.

 

Mas não: uns acham bem dedicar-se à pilhagem à borda da estrada, a pobres diabos sem escolta, enquanto a Polícia acha "inadequado" o assalto; e outros entendem que a cura da doença consiste em injecções de líquido cefalo-raquidiano, extraído do crânio dos assaltados.

publicado por José Meireles Graça às 00:41
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Sábado, 22 de Março de 2014

0,7 vezes 210

A Associação Nacional dos Dentistas Portugueses (não fui conferir, mas deve existir), ou a secção de médicos dentistas na Ordem dos Médicos (não fui conferir, mas deve existir), organismos naturalmente preocupados com a nossa saúde oral, deveriam ler com atenção artigos como este. E outro tanto se diga da Associação Nacional dos Cardiologistas ou a secção respectiva na Ordem dos Médicos, no que toca ao bom estado geral do nosso sistema vascular (também não fui conferir, mas Deus nos livre se tão ilustre especialidade não estivesse arregimentada).

 

Porque estas coisas fazem ranger os dentes e subir a tensão. E se aqueles organismos, na nossa sociedade corporativa, não reagirem, quem nos defende? Porque o cidadão, esse, aparentemente tem que se resignar a analgésicos e a inibidores de não sei quê.

 

Por mim, lá pelo meio da história, vi o nome do ex-ministro Mendonça, o do TGV - já nem me lembrava dessa patética figura. E, se algum dia me cruzar com a mendonçal assombração, está decidido - mudo de passeio. É que sou pacífico. Nem todos são.

publicado por José Meireles Graça às 14:49
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Quinta-feira, 20 de Março de 2014

Kenneth Starr, precisa-se

Há dias, pronunciei-me com a habitual pertinência e acerto sobre o caso dos troca-tintas das finanças que, se excluirmos os honorários dos advogados, se vão safar sem uma beliscadura nas poupanças. Diz uma querida amiga minha:

 

"Antes que se lembrem de formar uma associação de indignados, gostava de informar que prescrevem milhares de processos penais, fiscais e contraordenacionais todos os meses. E que montes de pessoas acusadas, muitos anos depois, são absolvidas. E que muitos criminosos não são condenados por falta de prova ou por razões processuais. E que alguns são presos, mesmo sem terem cometido nenhum crime. E que a percentagem de casos mediáticos é ínfima e irrisória face àqueles, muitos, com que a justiça lida todos os dias e que, felizmente, não são notícia de jornal. E que não há nada mais injusto, mais a-jurídico e, sobretudo, mais perigoso do que a 'justiça' feita através da comunicação social e, pasme-se, agora, através das opiniões dos partidos".

 

E diz Carlos Loureiro: "... a alteração das regras da prescrição da responsabilidade penal ou contra-ordenacional, sobretudo em resposta a casos mediáticos, é das alterações legislativas mais perversas e, em regra, também mais contraproducentes, como prova a história recente: a entrada em vigor do Código Penal de 1995 (que alterou substancialmente as regras da prescrição) conduziu a uma jurisprudência infindável..."

 

Isto dizem eles, que são juristas, e é difícil não lhes dar razão, em particular no que toca à reacção dos partidos. Mas eu, que o não sou, creio que o ficarmos por aqui é, digamos, curto.

 

Todos os cidadãos, sejam eles sem-abrigo, ricos, plutocratas, comunistas, democratas, burros como portas ou finos como um alho, sérios como alguns são e mentirosos como muitos dizem não ser, são iguais perante a Lei; e portanto as regras da prescrição devem ser (e são, no papel) iguais para todos nas mesmas circunstâncias.

 

Porém, se todos os cidadãos são iguais perante a Lei nem todos os casos são iguais perante a opinião pública: a prescrição de uma acusação do crime de abuso de confiança ou furto ou lá o que for a um funcionário de um banco que se apropriou de uns fundos que lhe passavam teimosamente debaixo do nariz não é a mesma coisa do que a acusação a uns gestores de topo do mesmo banco que praticaram actos ao arrepio das regras aplicáveis, com isso enganando o mercado e pondo em risco a sobrevivência ou estabilidade das instituições que dirigem, em ambos os casos criando um risco para todos os contribuintes.

 

E não comete o pecado da inveja quem achar que é intolerável que uns tipos que não são provavelmente menos censuráveis do que o pobre diabo do caixa ladrão se safem porque estão bem assessorados - e o caixa não. É que a inveja, humano sentimento que norteia tanta inclinação de esquerda e se disfarça com frequência de anseio por justiça social, manifesta-se em relação a ganhos legítimos, como são os daqueles que por herança, poupança, trabalho ou engenho, criaram ou criam riqueza; e não em relação aos que, perseguindo ganhos sem nenhuma relação com a riqueza efectivamente criada, enganam, manipulam e corrompem. E sim, é esse o caso quando, por exemplo, se convencem clientes de bancos a concorrerem a aumentos de capital com empréstimos do mesmo banco ou, pior, se criam sociedades fantoches para o mesmo efeito. Pode este ponto de vista ser discutível, mas não compreender que o pobre diabo que perdeu sem culpa o emprego, o empresário que faliu e o reformado que viu a pensão ser-lhe cortada não podem ver senão com ódio este pequeno mundo da finança que acha normal todo o atropelo e todo o abuso porque, se correr mal, o cidadão salva a instituição; o sistema salva o gestor; e os responsáveis da supervisão, invisuais, palavrosos e pagos a peso de ouro, são salvos, quando não promovidos, pelo jogo das solidariedades políticas e das regras, escritas e não escritas - hoje esfrega-me as costas que amanhã eu cá estou - é inconsciência perigosa.

 

Como, então, resolver o imbróglio? Há muito tempo, defendi, a propósito de já não sei que tropelias do (espera-se) malogrado Sócrates, a criação de uma magistratura ad hoc, para investigar casos de especial relevância para a confiança nas instituições e a paz pública. Creio ser aqui o caso: Os juízes foram diligentes? Se não, porquê? O Banco de Portugal, que evidentemente não foi, que razões apresenta para o não ter sido?

 

É disso que precisamos - um Kenneth Starr, de longe em longe, com poderes majestáticos, eleito pelo Parlamento de entre personalidades com gravitas, auctoritas e pietas (pietas aqui quer dizer devoção à causa pública), para tratar de um caso, e um caso apenas. Para que, ao menos, quando as instituições falham, possamos saber quem falhou. Porque quem falha não são as instituições - apenas as pessoas que lhes dão corpo.

publicado por José Meireles Graça às 15:41
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Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Banqueiros no banco dos ex-réus

Os juízes, se perguntados, naturalmente não se poderiam pronunciar sobre os processos. Se pudessem, abririam os braços, num gesto de impotência, e diriam que trabalharam que se mataram, os serviços foram eficientíssimos, mas há um excesso de garantias, das quais certos advogados usam e abusam. De toda a maneira, este excesso de garantias tem origem no legislador e o legislador, na realidade, não é mais do que os políticos, uma classe de cidadãos desprezável e desprezível. Ah, que se fossem eles a legislar, bem vistas as coisas, nem advogados eram precisos.

 

O Conselho Superior da Magistratura, que pode falar e fala, Deus nos acuda e lhes perdoe, insinua que o Banco de Portugal é que tem a culpa e instaurou um inquérito. Mas o inquérito "é à situação e não ao juiz que decidiu que o caso estava prescrito", donde podemos desde já concluir que a situação tenderá a ficar imperturbável, que é o que as situações costumam fazer.

 

O Banco de Portugal, claro, não tem culpa de nada, não obstante o próprio advogado de um dos engenheiros troca-tintas de finanças que se livrou do aperto achar que aquela prestigiada instituição revelou "falta de capacidade". Não encontrei declarações do Governador Costa, mas se este se vier a pronunciar é provável que declare que o organismo que dirige se comportou em obediência às atribuições que a legislação europeia e a nacional lhe conferem, segundo as melhores regras da arte e sem esquecer os limites que uma actuação prudencial impõe. Irá, porém, instaurar um inquérito, se o assunto não morrer dentro de uma semana.

 

Também não sei se a Associação Sindical dos Juízes se pronunciou, mas se um juiz sindicalista (um híbrido grotesco: o sindicalista retira gravitas ao juiz, que retira eficácia ao sindicalista, e os dois retiram auctoritas à magistratura) vier a dizer alguma coisa, não será surpresa: os juízes têm uma gritante falta de meios, a legislação está muito mal feita, vai-se a ver e no tribunal as instalações estão muito degradadas e além do mais estão mal pagos, situação que urge resolver.

 

O PCP e as frescas moças do BE declararão que, se não fossem estes ladrões, não haveria necessidade de cortes; já o PS confessar-se-á escandalizado, mas confia na Justiça; e a parte da população que ainda liga a notícias alheias ao futebol rosnará com ódio: puta de corja!

 

A Ministra da Justiça dirá que as recentes alterações às leis processuais ou não sei quê ainda não tiveram tempo de produzir os seus benéficos efeitos.

 

O caixão da Democracia fica com mais uns pregos, que já mal se notam: há ingénuos que imaginam que os casos de polícia que envolvem figuras gradas do regime que passam entre os pingos da chuva são apenas isto - casos de polícia arquivados por falta de provas, prescrições ou incidentes processuais. 

publicado por José Meireles Graça às 12:49
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Sábado, 15 de Março de 2014

Um bom artigo sobre Renzi

Escrito por um italiano, traduzido para português.

 

Aqui.

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publicado por João Pereira da Silva às 08:46
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Sexta-feira, 14 de Março de 2014

Impacto Renziano em Itália

 

 

A Itália está neste momento numa ebulição profunda. Matteo Renzi, está a sacudir o sistema de um modo, que suponho apenas tem precedente italiano, no impacto que Berlusconi obteve quando da sua apresentação 20 anos atrás.

 

Renzi conseguiu uma primeira grande vitória ao substituir a lei eleitoral, inconstitucional, em vigor há 10 anos, e que sucessivos governos anunciaram tentar mudar, sem sucesso. Em apenas 15 dias, Renzi, fê-lo contra muitos desinteressados do seu partido.

 

Para os economistas ou curiosos, acima na imagem, o impacto estimado das propostas de Renzi no PIB italiano.

 

A sua proposta é de risco. Ele próprio, diz que ou consegue, ou desaparece da vida pública, de vez. 

 

Para já, quer reduzir IRS e IRC em 10 mil milhões de euros, e em 3 anos reduzir a despesa pública em 32 mil milhões que afectarão fortemente o estado social.

 

A resistência dos sectores aparelhistas do próprio partido, o PD, é tremenda e querem fazer cair Renzi a todo o custo. O povo, sem sondagens, por enquanto, parece apoiar Renzi, e vê-lo como a última esperança antes que "rebente" o euro para a Itália.

 

É uma situação muito séria, com potenciais e enormes consequências para a União Monetária.

 

 

 

 

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publicado por João Pereira da Silva às 11:30
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Quinta-feira, 13 de Março de 2014

Não há seriedade nisto

Primeira evidência: A dívida pública tem sido renegociada, nas maturidades e nas taxas, sem que isso seja trombeteado pelos telhados, sem assustar credores e até com a concordância discreta destes. Não há, assim, nenhuma razão para pensar que tal percurso não possa continuar, desde que os donos do dinheiro nem percam nada de imediato nem desconfiem estar a emprestar a engenheiros do default.

 

Segunda evidência: Mesmo que a herança de 2010 não fosse o défice propalado ainda hoje pelos seguidores de Sócrates (e são todos os socialistas, incluindo Seguro, a tropa patética que o rodeia e a tropa alacre dos que lhe querem calçar uns patins - todos foram coniventes ao tempo, e se recusam a fazer exame de consciência agora), mas outro largamente superior; e ainda que o perímetro orçamental tenha sido entretanto alargado, para acolher alguns elefantes brancos perdidos na savana dos calotes; sem esquecer que, possivelmente, ainda haverá mais dívida escondida par-ci par-là - sobra que a comparação entre o agora e o antes é entre o desvario e um mínimo de sanidade. Mas a dívida pública continua a crescer, porque o défice, esse maganão, encolheu mas não desapareceu.

 

Nem parará de crescer, a maldita, enquanto houver défice. E como os cortes que houve na despesa se aplicaram muitas vezes pouco a quem podia desaparecer sem deixar saudades nem estragos de monta (exemplo entre dezenas: Fundação Mário Soares) e muito a reformados e pensionistas, sem distinções de histórias contributivas; porque as manchetes dos jornais nunca estiveram, como teriam estado se houvesse reformismo determinado, entupidas de notícias sobre serviços extintos e legislação revogada; e sem esquecer que é grande a suspeita de que empresas amigas do capitalismo crony não foram nem são, nem serão, seriamente incomodadas, menos por realismo e mais por cobardia ou interesses ocultos: sempre se terá que concluir que mais cortes são necessários ou tem de crescer o produto - significativamente.

 

É aqui, no crescimento do produto, que entra o Senado. Que diz ele? Diz isto:

 

"É preciso uma profunda viragem, rumo a especializações competitivas geradas pela qualidade, pela inovação, pela alta produtividade dos factores de produção envolvidos e pela sagaz capacidade de penetração comercial em cadeias internacionais ou nichos de mercado garantes de elevado valor acrescentado. Trata-se certamente de um caminho difícil e de resultados diferidos no tempo. A sua materialização exige continuidade de acção, coerência de estratégias públicas e privadas, mobilização sem descontinuidades de elevado volume de recursos, bem como de cooperação nos mais diversos campos de actividade económica, social e política. Será tanto mais possível assegurar a sustentabilidade da dívida, quanto mais vigoroso for o nosso empenho colectivo no aproveitamento das oportunidades abertas pela reestruturação no sentido de promover esse novo padrão de crescimento."

 

Baloney, treta, conversa para boi dormir. Porque o alguma coisa - e alguma coisa - a que se podem aplicar estes palavrões (qualidade, inovação e patati e patata) tem sido feito pelos empresários que não assinam manifestos, não são conhecidos, não frequentam workshops nem fingem representar ninguém, como o patético patrão dos patrões Saraiva, e do Estado querem apenas subsídios, se houver, e distância, que infelizmente escasseia, no demais.

 

Eu não sei se, e quando, a dívida será reduzida para os míticos 60% do PIB; não sei se o recente e renascido dinamismo não será abafado pelo impacto no consumo que novos cortes terão; e certamente, se perguntado, iria por um caminho que quase ninguém quer, estudiosos, inteligentes sortidos, governantes, candidatos a governantes e governados.

 

Mas sei que esta brigada de próceres não alcança mais do que as estafadas receitas da chupice europeísta, o despesismo estatal e as apostas - agora é na "continuidade de acção", "especializações competitivas", "coerência de estratégias" e o catano. Tudo, absolutamente tudo, o que seja necessário, mesmo com o preço de anular temporariamente as diferenças enormes entre os subscritores e abalar o módico de confiança que se começa a desenhar, para substituir os que estão no poleiro e ir fazer o mesmo - com menos autoridade, menos convicção, mais juros e mais palavreado.

 

Não há seriedade nisto.

publicado por José Meireles Graça às 15:47
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