Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015

Convergência negativa

"Como desviar os olhos e aguentar o que se passa quando nos estão, pura e simplesmente, por interesses pessoais e de facção, a lixar a vida? Quando as regras que normalmente nos orientam são rompidas?"

 

Recomenda-se vivamente o artigo acima citado de Paulo Tunhas.

Quando tudo passa a ser legítimo perdemos certezas fundamentais ao ordenamento social e, a sociedade, amoral, está condenada a ser legalista: só é legítimo o que é imposto por força da lei.

A Itália é o exemplo supra-sumo desse legalismo. A falta de confiança é a primeira condicionante, no estado, nos negócios, na família. E paga-se bem cara, a erosão de instituições fundamentais à confiança social.

Estamos a convergir para a Europa que não interessa.

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publicado por João Pereira da Silva às 08:20
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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015

Conde de Moreira

"Mas, repito-o, era um avaro intelectual que não gostava de fazer a esmola de uma ideia. Não o censuro, pois é sabido que ele dava todo o seu tempo e todo o seu génio às grandes questões sociais. Elas preocupavam-no tanto que era usual – sempre que diante dele se falava de assuntos políticos – ouvi-lo murmurar soturnamente:
– Ele há muitas questões! Questões terríveis: o pauperismo, a prostituição! São grandes questões! Questões terríveis!"

 

Já ninguém fala de pauperismo. A palavra caiu em desuso, decerto porque pobreza toda a gente sabe o que é, e pauperismo nem por isso. Depois, está provado que nos podemos todos entender com um léxico de 70 palavras, donde porquê complicar? É certo que a palavra "prostituição" poderia ser igualmente substituída - por "putedo", conforme lembrou recentemente o camarada Arnaldo Matos. Mas a designação de "puta" tem uma inegável carga pejorativa, razão pela qual as pessoas verdadeiramente modernas preferem a perífrase "trabalhadora do sexo" (com grande impropriedade, consta-me, porquanto muitas senhoras que exercem a profissão tendem a oferecer apenas o merecimento dos autos, trabalhando pouquíssimo quando em exercício - mas sobre isto não há trabalhos de campo credíveis).

 

A palavra "pauperismo" caiu em desuso mas o problema, infelizmente, não. E, para o resolver, os comunistas e as pessoas com bons sentimentos, com perdão da redundância, têm uma receita infalível: tira-se aos ricos; dá-se aos pobres; e ficam todos remediados. E vozes liberais têm outra solução, que tem aliás sido seguida, consistindo na globalização, a qual tem tirado milhões da miséria e atirado milhares para o desemprego - mas não nos mesmos lugares.

 

Quer dizer que nisto já não somos condes d'Abranhos: conhecemos os problemas e temos as soluções - apenas não nos entendemos sobre quais elas sejam.

 

O conde morreu, então?

 

Que nada - anda por aí. Mas modernizou-se: os problemas são inúmeros, mas convém embrulhá-los em citações, que sempre o leitor julgará que erudição e sabedoria são a mesma coisa; de preferência, profundos, não vá julgarmos  que percebemos o mundo que nos rodeia; e quanto a soluções, nada, que já não é pequeno esforço identificar o problema, era o que mais faltava dizer como remediá-lo.

 

Por exemplo: Não faltam analistas a discutir, ou a inquietar-se mais silenciosamente sobre a questão de saber se o Estado, imaginado segundo os valores ocidentais, ainda é a forma de governar, por vezes sugerindo que pelo menos é necessário reformar o Estado.

 

Com os analistas que se inquietam silenciosamente podemos nós bem - os incontinentes verbais é que não nos deixam sossegar. E, realmente, os valores ocidentais, para efeitos de definir o que é um Estado, parecem uma coisa francamente obsoleta: por mim, encararia favoravelmente o governo por um comité de sábios interestelares; mas, como a vida noutros planetas ainda se nos não revelou, veria com bons olhos a reforma do Estado, ainda que essa ciclópica tarefa só seja sugerida "por vezes".

 

Vamos lá então: e como se reforma o Estado? Não se pode, porque temos que "começar por reformar a ONU, para, com coerência, poder reformar o Estado".

 

Há por aí gente que julga que Eça não criou personagens intemporais.

publicado por José Meireles Graça às 21:46
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

Estamos fritos

Poderíamos, com o resultado das últimas eleições, ter um governo minoritário PàF, que reformaria ainda menos do que quando era maioritário e vivia sob a férula da troica, mas se esfarraparia para, ao menos, atingir as metas do défice.

 

Seria preciso que a bonança do preço do petróleo, a boa vontade do BCE e o ciclo de crescimento da indústria exportadora e do turismo se mantivessem, o que não parece, até onde a vista alcança, impossível.

 

Costa, porém, esse pútrido pote de banha ambiciosa, escaqueirou isto, ao inventar a maioria anti-austeridade; e Cavaco dinamitou a possibilidade da existência de deputados trânsfugas do PS, em número de nove para votarem contra em moções ou no orçamento, em número crescentemente maior se alguns destes ou todos se abstivessem, decerto por lhe parecer que esta quantidade de dissidentes simplesmente não existe no grupo parlamentar do PS.

 

Todos os partidos comunistas que aceitaram fazer parte de coligações, como parceiros minoritários, e entraram no jogo das cedências que a negociação permanente implica, perderam no negócio e foram reduzidos à insignificância, salvo quando puderam aproveitar a oportunidade para instaurar a revolução.

 

Porque os comunistas oferecem a terra prometida a quem nela acredita e odeia a desigualdade e os ricos; e a promessa vem completa com livros sagrados, um panteão de santos, um martirológio, e a caução da ciência marxista.

 

Tira-se algum destes elementos e o edifício da fé rui; e, ruindo, o crente muda de igreja.

 

Cunhal sabia disto; Jerónimo sabe disto; os textos teóricos do PCP não dizem outra coisa, para quem tiver coragem de se perder nos seus versículos e sermões; e não há qualquer actualização porque ela não é possível: ou se quer a sociedade comunista ou não, e tudo o mais é instrumental, táctico e circunstancial.

 

Uma coligação com comunistas não seria uma má ideia para o PS se este fosse dar um abraço de urso. Mas o urso, aqui, não é o PS, como se prova pela serena resistência e impermeabilidade do PCP ao longo de 40 anos, que lhe permitiu ser um bastião do comunismo à antiga no Ocidente: os outros que se entretenham com aggiornamentos, novas vias, agendas fracturantes e o camandro. O PCP está.

 

Está e colaborará com o PS para enxundiar o aparelho do Estado, alargar a sua influência nos sindicatos e meios de comunicação, minar as instituições e conservar, e se possível alargar, o número dos seus fiéis.

 

Em qualquer momento que o negócio não pareça estar a correr de feição puxará o tapete. E só aliás põe a hipótese de fingir ser um parceiro sério por os votos do BE não serem suficientes para a maioria. Porque, se não, deixaria desde já a Tininha, frei Anacleto, e todos os alucinados daquela agremiação de revolucionários de campus de universidades e tresleituras de Zyzek, fritarem-se em cedências ao grande capital multinacional, aos mercados, à plutocracia e aos inimigos da classe operária, dos camponeses e dos pequenos e médios empresários.

 

Cavaco, segundo a minha interpretação, não quer deixar esta herança, e deixará, pobre homem, um molho de brócolos.

 

Interessa por isso saber o que dizem os possíveis sucessores. E destes, em particular, o que diz o candidato da direita, porque um módico de sanidade ou vem dali ou não vem de lado nenhum.

 

Diz asneiras: que fará um único mandato, coisa em que nem o próprio, possivelmente, acreditará, para inculcar a ideia de uma independência que não se lhe deseja e um desprendimento que não se lhe agradece; que não se anuncia uma dissolução a prazo, em patente crítica ao seu putativo antecessor, como se este tivesse a opção de a fazer de imediato; que "não é bom para um país saído de uma situação de crise ter de viver seis meses sem Orçamento do Estado, o que implica um Governo em plenitude de funções" - como se fosse irrelevante a natureza do governo "em plenitude de funções".  E abundou nos elogios a Sampaio, um intelectual de pacotilha, autor de uns discursos sonsos a recomendar, quando se percebiam, disparates, e que se distinguiu sobretudo por demitir, ao cabo de seis meses, um PM cujos defeitos já conhecia aquando da indigitação, não obstante uma maioria absoluta no parlamento, para permitir o acesso de um patife ao Poder.

 

"Sou naturalmente próximo das pessoas e não vou mudar um centímetro a minha maneira de ser", declarou.

 

É pena. Que, por mim, dispenso a proximidade; a "maneira de ser" terá talvez alguma importância num sogro ou num genro, e muita num entertainer da televisão, mas pouca ou nenhuma num Presidente; e o que queria saber, mas não fui elucidado, é o que fará esta rolha do regime, se ganhar, com o país em pantanas.

 

Recebeu "uma prolongada salva de palmas".

 

Estamos fritos.

publicado por José Meireles Graça às 11:50
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

Cila e Caríbdis

Dei o meu voto a Cavaco para presidente, à falta de melhor - tenho uma longa prática de votar em males menores.

 

Quando acabou o discurso de ontem, surpreendi-me, pela primeira vez, agradado: o homem disse o que queria para o país e o que não queria, e porquê.

 

Isto é uma novidade, que os presidentes costumam refugiar-se em discursos jesuíticos, recheados de recados que requerem intérpretes encartados e que por isso se prestam a enjoativas elucubrações de uma floresta de politólogos e jornalistas.

 

Os presidentes fazem assim, se quiserem ser reeleitos, para não afugentarem mais eleitores do que o absolutamente indispensável; e, se já não puderem ser reeleitos, em homenagem à ficção de presidente de todos os portugueses que gostam de cultivar - uma homenagem inconsciente à instituição monárquica, que por definição se supõe pairar acima dos partidos.

 

É claro que o presidente só o é de todos os portugueses no mesmo sentido que o governo eleito o é de todo o país - tem legitimidade e pronto, temos que obedecer mas não somos obrigados nem a concordar nem, ainda menos, a nutrir um acendrado amor pelas personalidades que em cada momento encarnam os órgãos de soberania.

 

Cavaco mostrou que não é isento, porque a isenção não existe, e fez muito bem: quem o elegeu não quer comunistas perto do governo, nem uma trajectória de choque com as instituições europeias.

 

(Há uns maduros que nem são europeístas, nem apreciadores do Euro, nem comunistas, como eu, mas não contam, dada a exiguidade dos seus números, além de que não deixamos, neste passo, de ter presente o realismo ululante de o país estar ligado, para sobreviver, à máquina europeia.)

 

Cavaco disse ao Parlamento o que quer, e sobretudo o que não quer, com a autoridade de quem foi eleito, com maioria absoluta, à primeira volta, pelos eleitores da PàF e parte dos do PS.

 

Diz-se por aí que, tacticamente, pôs o pé na argola: aqueles deputados do PS que talvez se abstivessem na votação das moções de censura porque não veem com bons olhos a maioria vermelha serão agora obrigados, sob acusação de traição, a juntar-se à tribo.

 

Não acredito que essa possibilidade não tivesse sido sopesada. E que, portanto, quando disse que o risco de um governo vermelho, pilotado pelo oportunista Costa, é maior do que o risco de um governo de gestão (não foi assim que disse mas é assim que interpreto) estava a enunciar as duas únicas hipóteses possíveis.

 

Para quem, como eu, ainda há dias, admitia um governo apoiado pela comunistada, para funcionar como vacina ao eleitorado, esta hipótese, que não me tinha ocorrido, não é tão boa, porque é nebulosa a distribuição das culpas (Costa vai chorar baba e ranho, porque os fássistas não o deixaram cumprir o seu glorioso destino, e pode haver quem compre o arrazoado). Mas o resultado será o mesmo - eleições logo que legalmente possíveis. E talvez se estrague menos.

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publicado por José Meireles Graça às 23:12
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O único problema é Costa

Algumas vozes afirmam que "Cavaco dividiu em vez de unir". Não vejo como o Presidente poderia chamar a atenção para a indignidade do que Costa preparou com os sectores mais radicais e sem soluções da política nacional sem chamar os bois pelos nomes. O regime mudou com a adesão à União Económica e com o Tratado Orçamental. Alguns ainda não entenderam. Talvez agora, o debate se torne mais objectivo.

O único divisor é António Costa e a sua vontade egoísta de chegar ao poder a qualquer custo. O PS que resolva o assunto, no seu melhor interesse, e no de todos os portugueses, e o parlamento encontrará o equilíbrio necessário à manutenção da paz social. O resto são contorções de gente arrastada pelo pior e mais incapaz político que esteve à frente de um partido desde 1974.

Sim. Isto é um juízo de valor.
 
publicado por João Pereira da Silva às 09:16
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2015

Duas gavetas

Tenho duas gavetas cheias de correspondência com serviços públicos, autoridades e companhias majestáticas para provar que sempre fui o que os americanos, com a sua expressividade de povo feito com o lúmpen de outros povos, chamam a pain in the ass.

 

Houve um tempo em que supus que a administração pública era reformável; que, havendo vontade política, os hábitos iriam lentamente mudando; e que a pressão dos meios de comunicação social, mais tarde também das redes sociais, iria fatalmente ter como consequência que os abusos, os atropelos, os ridículos, a arrogância dos poderzinhos inimputáveis, das câmaras, das polícias, da Fazenda, da Segurança Social, das autoridades disto e daquilo, e de quanto pequeno ou grande funcionário julga que encarnou nele a majestade do Estado e o conhecimento dos arcanos das leis - seriam coisa do passado.

 

Quando veio a troica abençoada, então, rejubilei: é desta que a caranguejola do Estado se vai reformar, eliminando serviços, simplificando legislação, removendo obstáculos, e introduzindo critérios de avaliação pelos utentes (horrível palavra que a modernidade de pacotilha adoptou) e sanções para os descasos, abusos e prepotências.

 

Ninguém que conheça a Administração há muito, por ser obrigado a lidar com ela, ousará dizer que está, agora, como estava há quarenta anos.

 

Está melhor, em algumas coisas: a pequena corrupção (do contínuo, do polícia, da secretária, do pequeno funcionário) quase desapareceu; e encontram-se com frequência funcionários conscientes de que estão ao serviço do público. Mas adianta pouco: custa mais, é muitíssimo mais intrusiva, as coimas são demenciais, a legislação incompreensível e contraditória, os prazos uma curiosidade que ninguém respeita - e a inimputabilidade permanece. Da troica nem falemos, que pagar muito mais seria talvez inevitável, mas não o era a demoníaca diminuição dos direitos do cidadão e das empresas que se julgou necessária perante a Administração em geral, e Fiscal em particular.

 

Tanto que aqueles que viveram já o tempo suficiente têm saudades da cunha e da notazinha de cinco ou dez contos, que dantes oleavam processos e permitiam atalhos. Agora, a máquina é muito mais complicada e lenta. E óleos há menos porque os responsáveis têm medo de denúncias e o pequeno funcionário mudou de mentalidade: agora ofende-se se lhe deslizam alguns euros para dar à manivela.

 

De vez em quando, raramente, vem um político qualquer que resolve melhorar as coisas: ou com as ambições ingénuas do simplex, que queria melhorar processos, mas aumentando a intrusividade do Estado; ou directamente, através de simplificações legislativas. E deixa obra, que a administração em devido tempo demolirá, porque é da natureza das burocracias aumentar o seu poder, a menos que se lhes corte permanentemente a cabeça.

 

Com frequência, o nosso Estado grotesco mostra, em pequenas coisas, a sua estúpida cabeça: e de vez em quando, por razões misteriosas, chega à opinião pública um daqueles incidentes com um lado cómico: há dias, um cidadão foi notificado para pagar um cêntimo de dívida. A notícia saiu, uns riram-se, outros indignaram-se, mas vai alguém ser punido? Claro que não - aquilo foi coisa do computador, o qual, como é geralmente sabido, não pode ser nem despedido nem objecto de processo disciplinar.

 

Além do mais, não há qualquer novidade neste caso: é tão natural cobrar um cêntimo como emitir cheques de zero escudos.

 

Foi o que me aconteceu, na única vez na vida em que estive de baixa (os gerentes de sociedades não tinham direito, então, a baixa médica nos primeiros 90 dias de doença, uma pérola da legislação gonçalvista), conforme se pode ver pelas cópias abaixo. 

CCI20102015.jpg

 

Enviei à época uma carta ao Centro Regional, que rezava:

 

Junto devolvo dois cheques, depois de devidamente endossados, relativos respectivamente às ordens de pagamento x e y, ambas de 27 de Março último, e de cujas importâncias faço oferta aos Serviços Sociais desse Centro, não tanto para retribuição das atenções de que tenho sido alvo, mas sobretudo como pequena manifestação de apreço e estima.

 

O Centro em questão nunca me agradeceu o gesto. E como tivesse reclamado junto da Direcção-Geral, e depois na Secretaria de Estado, e finalmente para a Ministra (era Leonor Beleza, muito novinha, Deus a guarde) acabei por receber o que me tinha sido negado. Mas não me fiquei a rir, que quando aquela Senhora deixou de ser ministra fui notificado para repor tudo, com juros, sob ameaça de raios e coriscos.

 

Mas não importa, não fiquei escarmentado. Tanto que, se o cidadão referido na notícia quiser, ofereço-me para lhe redigir um texto onde informe a autoridade sobre o local exacto onde deve enfiar a notificação.

 

Não é que adiante. Mas sabe bem.

publicado por José Meireles Graça às 16:07
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Domingo, 18 de Outubro de 2015

Notícias da ofensiva pró-Venezuela em curso

Clipboard01.jpg

Na semana passada, O Público enviava este destaque no email da manhã:

"O Público hoje: E agora uma breve interrupção na política nacional: a entrevista a Yanis Varoufakis"

Notem bem: "interrupção na política nacional".

Que veio fazer Varoufakis a Portugal? Entre outras coisas grandiosas que disse numa intervenção com sala repleta e televisionada pela RTP, veio dizer:

“Há um debate dentro do PS sobre se deve haver uma aliança com partidos de esquerda. Alguns deputados estão prontos para que isso aconteça, mas desde que haja um acordo de que o Governo jogue pelas regras da zona euro e do Eurogrupo e manter-se fiel aos compromissos que Portugal tem na União Europeia. Esse é o problema. Os compromissos não se podem cumprir”, sublinhou o ex-ministro das Finanças grego."

Varoufakis veio fazer política nacional. Veio interferir tal como a esquerda internacional interferiu no processo grego pré e pós-referendo.

Obrigado, Boaventura. "Ninguém" percebe o que pretende e como usa a universidade e os nossos jovens para implementar a sua agenda pessoal comunista de venezuelização de Portugal. 

publicado por João Pereira da Silva às 06:29
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Sábado, 17 de Outubro de 2015

Política, Vida ou Morte - O mundo não começa quando nascemos

Makiavel, deixou um comentário ao comentário Costa de costas às 15:35, 2015-10-16

"Não são convicções, basta ver as notícias. "o tapete tirado pelo PCP? Wishful thinking. "soprada decisão de Cavaco"? Qual? Indigitar Passos Coelho para PM? E daí? Cairá na 1ª votação. A não ser que esteja a contar com a desejada dissidência no PS para atingir a estabilidade governativa. E que estabilidade sairia disso... "maior abalo democrático desde 75"? O senhor ainda não saiu da década de 70. Arrisca-se a ficar por lá. "quem será o homem que se segue no PS"? Não sei mas parece-me que não é para já. Mais rapidamente estará Rui Rio a concorrer contra Passos no PSD. Parafraseando um escritor americano diria que o anúncio da morte política de António Costa revela-se demasiado exagerada."

Caro Makiavel,

O seu comentário enferma de vários vícios comuns que demonstram bem uma mentalidade que muitos, interessados nos seus próprios lucros imediatos, gostariam que fosse vigente. O primeiro vício, é o de que "basta ver notícias".

As "notícias" devem ser interpretadas e não aceites como factos estritos. O seu significado, relacionado aos contextos de curto e longo prazo, pode ser mais importante do que o "facto" que relatam. Ora vamos lá, a apenas uma das que menciona: "o tapete tirado pelo PCP" e já agora falamos também do BE:

- O PCP está preso à posição muitas vezes referida de saída da euro. Acha que já estão prontos para desistir dessa bandeira? É que sem saída do euro não se podem implementar as políticas defendidas no seu programa. Vão renegá-lo?

- O BE está em situação semelhante pedindo a redução da dívida em 60%. Olhe para o Syriza. Já conseguiram reduzir um cêntimo? O BE também vai renegar o seu programa?

Se ambos forem  para o governo arriscam perder a única bandeira que lhes permite implementar o que propõem. Cumprindo o Tratado Orçamental, que é como a Lei da Gravidade, o eleitorado sabe que mais despesa significa mais impostos e mais dívida. Quem ficará com o ónus eleitoral desses aumentos? - O Governo PS-BE-PCP. Acha que BE e PCP estão dispostos a pagar esse preço por uns meses, vá lá, um ano de governação? Que ganhos em votos terão o PCP e BE saindo da confortável posição de críticos da austeridade e passando a seus autores?

Agora num registo mais abstracto sobre a morte política de Costa:

Lendo 'O Príncipe' de Maquiavel, ficamos a saber que o autor procura dar instrumentos racionais de obtenção, manutenção e sobrevivência no poder. Não há apenas um, mas vários príncipes em luta constante dentro e fora dos grupos onde preponderam. Dentro dos grupos, o príncipe sabe que tem apoio condicional a prazo, enquanto proporcionar ganhos aos membros do grupo. Fora do grupo, sabe que tem adversários interessados ou não na sua morte, dependendo dos interesses de cada um em determinado momento. O equilibro do sistema é muito complexo. Maquiavel é para alguns o pai do estado moderno.

Com esse livro, escrito no séc. XVI, foi inaugurada uma racionalização da actividade política que ainda não tinha tido precedente registado. Porque foi necessário o livro? Porque havia mercado para ele? Porque a política da época já era, como a de hoje, uma selva onde se tentavam devorar mutuamente e a força das armas não era solução à qual se pudesse recorrer sempre que havia conflitos. Assim, o príncipe para sobreviver tinha forçosamente de ser racional.

Um aspecto importante dessa sobrevivência é o apoio do grupo que o suporta. Se o grupo antecipa que com esse príncipe (leia António Costa) a soma dos ganhos individuais é superior mantendo o apoio ao príncipe, então o líder mantém-se. Se essa soma antecipada for inferior, o líder é necessariamente substituído por outro capaz de assegurar maiores ganhos ou menores perdas (leia PS). Isso se os indíviduos do grupo forem racionais e fizerem bem os seus cálculos. Apesar de tudo, aposto como o PS (indivíduos) é capaz...

O momento que estamos a viver é exactamente isso: os indivíduos do PS estão a avaliar Costa para calcular o balanço de ganhos/perdas para o grupo. Como em moeda única as políticas de Costa, associado ao PCP e BE são necessariamente muito arriscadas para o sucesso do PS a prazo, o grupo treme. Mas hão-de chegar à conclusão, maioritariamente, de que Costa não serve (Lei da Gravidade, mais uma vez) para os ganhos a médio longo-prazo. O PS é, tradicionalmente, um partido de governo, autor de governação e não apenas crítico da governação. Quererá deixar de ser autor? - Risco Pasok.

Há mais dois autores importantes para entender o actual contexto de "Costa". Um é Adam Smith com 'A Riqueza das Nações', outro é David Ricardo com a Teoria da Vantagem Comparativa (Portugal até é usado como exemplo e Ricardo tinha origem judaica portuguesa).

Porque são fundamentais estes autores? Porque mostram bem o tipo de condicionantes de prosperidade que aceitámos quando aderimos ao Mercado Comum, ao Euro, e se abriram as fronteiras da globalização. Não há volta a dar, estamos num caminho muito estreito e claramente balizado, onde quer os líderes, quer os grupos, para prosperarem a prazo, têm de ser obrigatoriamente racionais. Em alternativa, líderes irrealistas, ignorando os ganhos individuais dos membros do grupo, e cheios de força, obrigam-nos a seguir outro caminho que até poderá ser em ditadura.

Agora, na lógica de Maquiavel, faça a mesma análise que fizemos ao PS, para o BE e PCP.

Afinal, estou preso no séc. XVI, no XIX, ou nos anos 70 do XX?

publicado por João Pereira da Silva às 06:45
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

Cartão vermelho

Sobre as tretas do futebol, creio que as pessoas prudentes não devem convidar dirigentes ou árbitros para suas casas sem mandar esconder as pratas; sobre Jorge Jesus, que é capaz de ser óptima companhia para quem tenha paciência para lhe aturar o ego e a ignorância; e sobre a acção do Benfica contra Jorge que há um artigo do Código de Processo Civil (456º) que reza: Diz-se litigante de má-fé não só o que tiver deduzido pretensão ou oposição cuja falta de fundamento não ignorava, como também o que tiver conscientemente alterado a verdade dos factos ou omitido factos essenciais e o que tiver feito do processo ou dos meios processuais um uso manifestamente reprovável, com o fim de conseguir um objectivo ilegal ou de entorpecer a acção da justiça ou de impedir a descoberta da verdade.

E o que é que tudo isto interessa? Interessa muito: que do mundo do futebol e seus actores posso defender-me não lendo o esterco noticioso e mudando de canal; mas não tenho defesa contra a mobilização dos tribunais para, em vez de tratarem de assuntos sérios, se ocuparem das guerras do alecrim.

O futebol é dos seus actores e do seu público; os tribunais são de todos e um órgão de soberania - que não deve ser abandalhado.

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publicado por José Meireles Graça às 18:00
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Pregador da má fé

 

Rev Jim Pacheco Jones.jpg

 

As interpretações crapulosas de Pacheco Pereira têm um lado instrutivo:

 

Marcelo não se podia candidatar, porque veio do comentário político, o que é uma "mancha ética". Mas Costa pôde candidatar-se a líder do PS e a primeiro-ministro, mesmo vindo da Quadratura do Círculo; e pode preparar-se para forçar um governo seu, coligado com 2 partidos que se opõem activamente a toda a estrutura da nossa vida política, económica, social, e cultural, mesmo nunca tendo mostrado essa intenção ao eleitorado e apesar de ter perdido as eleições.

 

O próximo Presidente da República não pode convocar eleições ao fim de 6 meses, porque isso seria fazer um servicinho à coligação, que está desejosa de obter a maioria absoluta. Mas entre 2011 e 2015 todas as quintas-feiras Pacheco pediu eleições antecipadas, a bem da "saúde democrática", porque o governo tinha "perdido a legitimidade", e não percebia esta sobrevalorização da estabilidade "pantanosa".

 

Espremendo, foi isto. Pacheco ajudou a legitimar a situação miserável do país; ouvindo-o com cuidado, percebe-se como e porquê.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 15:42
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