Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Os trabalhos do Grupo de Trabalho sobre a Dívida

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Se há pecado que não se pode apontar ao António Costa é o da imprevisibilidade. Aldraba sempre, nunca decepciona as esperanças que se depositam nele de se lhe ver sempre sairem inovadoras e fantásticas aldrabices.

Se há coisa que não seja necessária para conhecer as posições dos socialistas costistas no governo, é necessário especificar por extenso porque outros socialistas, ou estes na oposição, têm posições diferentes, e dos bloquistas sobre a dívida é formar grupos de trabalho mistos. Toda a gente conhece as suas posições, onde convergem, na ambição de a dívida não vir a ser paga pelos portugueses, e onde divergem, na preferência dos bloquistas por não a pagar aos credores recorrendo a processos de "renegociação" necessariamente musculados, e na dos socialistas por embarretarem os parceiros europeus e os convencerem a pagá-la eles recorrendo a processos de "mutualização". Também são posições que não são derimíveis em grupos de trabalho, porque a confiança de cada um deles na exquibilidade e nos benefícios da sua via preferida é formada através da fé, e não há folhas de cálculo que convençam qualquer deles que a proposta do outro é mais exequível ou melhor. Aliás, as folhas de cálculo prestam-se tão bem a apoiar a tomada e decisões quando são programadas objectivamente, como para tentar enganar os outros quando são programadas para lhes tentar provar a opinião que se leva para a discussão.

Mas se os grupos de trabalho não servem para os partidos afirmarem as suas opiniões sobre o tema, nem para os derimirem e chegarem a um entendimento comum, para que é que servem? Servem para o António Costa aldrabar os tontos dos bloquistas e os manhosos dos socialistas que sonham fazer tremer as pernas do banqueiro alemão com a ameaça da reestruturação da dívida, deixando-os discuti-la em mais um daqueles grupinhos de trabalho que os vão ocupando e acalmando, e lhes vão acalentando as esperança de um dia isto virar socialista no sentido bolivariano do termo, o Grupo de Trabalho sobre a Dívida.

Exactamente aquilo que se faz quando, para ter meia hora de sossego no escritório, se põe uma cassete da Disney no leitor de vídeo e se deixam as crianças na sala, na esperança de que elas não descubram por si só o Canal 18 enquanto estão sozinhas, o grupo de trabalho era apenas para os entreter caladinhos, e até deixou na sala um secretário de estado para garantir que as crianças não descobriam mais do que deviam a mexer no telecomando.

Para motivar ainda mais as crianças e fazê-las sentir que têm superpoderes prontos para serem colocados ao serviço da revolução socialista, o governo decidiu adiar a revelação do relatório do grupo de trabalho para 26 de Abril, depois de ser divulgado a 21 de Abril o resultado da revisão da notação da dívida portuguesa pela agência de notação DBRS, como se a sua revelação pudesse desencadear o tal tremer de pernas, no caso presente, as da única agência de notação que, por mais que os juros da dívida pública portuguesa aumentem, persiste em classificá-la como dívida de confiança que um dia, se Deus quiser, alguém há-de reembolsar.

Mas até lá, pelo sim, pelo não, e como o mundo é pequeno e a agência de notação pode ir lendo as notícias que saem nos jornais portugueses, o governo já avisou o mercado que os meninos estão a fazer o trabalho que lhes distribuiu para fazer mas o governo não vai assinar o relatório, as conclusões são apenas para emoldurar na galeria de retratos do caminho para o socialismo, e vai continuar todo como dantes. A dívida não vai ser alvo de um processo de renegociação nem de reestruturação. Não porque o governo pretenda pagá-la, também nisto o António Costa não decepciona as expectativas, mas porque pretende, ou diz que pretende, no caso dele o que pretende e o que diz são variáveis independentes, convencer os parceiros europeus a pagarem-na eles com o dinheiro dos seus contribuintes, de acordo com o princípio socialista os contribuintes que paguem a crise, com vantagem óbvia se forem contribuintes para a nossa crise mas eleitores para outros governos.

Fora isto, ou melhor, incuindo isto, continua todo calmo, tudo na mesma.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:48
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Quinta-feira, 30 de Março de 2017

A boca do lobo a morder na nuca do povo

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Hoje metemos mais 2.500.000.000€  na Caixa Geral dos Depósitos. É um número complicado de ler por extenso? Eu ajudo-vos. Todos os portugueses meteram, cada um, 250 € na CGD. Cá em casa não faltámos à chamada com os nossos 750 €. Temos que ser uns para os outros.

Para quê? Para termos um banco público que conceda crédito à economia, nomeadamente às pequenas e médias empresas [LOL].

Porquê? Porque os socialistas do governo chefiado pelo José Sócrates e de que fizeram parte a maior parte dos membros do governo actual, a começar pelo próprio António Costa, torraram o dinheiro do banco público a conceder crédito a fundo perdido a grandes projectos de investimento sem viabilidade que o governo socialista queria promover para mostrar a modernidade que tinha trazido para o país, ou a amigos dos governantes, ou mesmo a testas de ferro para comprarem lugares na administração de bancos privados para os amigos dos governantes.

A grandes capitalistas e latifundiários.

Como se dizia antigamente, e até se levaram canções ao Festival da Canção RTP de 1975 da canção a propósito do tema, que cairam em desuso, mais por os lobos terem passado a ser oficialmente considerados animais simpáticos e inócuos do que por o grande capital e os latifundiários terem deixado de arranjar processos vários de nos continuar a meter na boca do lobo a morder na nuca do povo.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 18:14
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Quarta-feira, 29 de Março de 2017

Grilo falante

Não fazia ideia de que ainda houvesse mercado de ganhões. Mas tropecei nesta entrevista e, como a notícia era curta, calhou lê-la até ao fim.

 

Em princípio, manda a prudência que não se leiam entrevistas de ex-ministros da Educação: há décadas que o lugar é cativo de lunáticos, intelectuais de pacotilha e doutorandos em ciências de tretas pedagógicas. Com excepções, claro: Manuela Ferreira Leite não pertencia a nenhuma destas categorias, mas à de encarregada da intendência; nunca ninguém soube em que escola de pensamento encaixar Guilherme de Oliveira Martins, por o homem levitar intelectualmente no vácuo; e o actual encarregado da pasta não se ocupa realmente de questões de educação mas de assuntos sindicais.

 

Marçal Grilo é geralmente respeitado por ter ideias próprias, ou ao menos compradas a autores menos conhecidos, uma raridade; e universalmente se lhe reconhece um entranhado amor à formação científica, para a qual deu um grande impulso sob a égide de António Guterres, o famoso estadista que vivia consumido por uma ardente paixão pela educação.

 

O esforço dos dois não foi esquecido. E é hoje consensual que para o país sair da crise, ou progredir, ou apanhar o pelotão da frente da União Europeia, como dizia o saudoso Cavaco, ou ser um país a sério, como diz com frequência o ex-ministro e actual comentador Coelho, há que investir na educação.

 

Tem-se investido na educação, graças a Deus e a estas luminárias. E com excelentes resultados - tanto que a geração actual é pacificamente descrita pel'A Bola, o Bloco de Esquerda e o comentariado como a geração mais bem preparada de sempre.

 

O progresso é que, desgraçadamente, não se tem materializado, a tal ponto que há dez anos que a dívida vai a galope, por contraponto às três décadas anteriores, em que se limitava a trotar.

 

Isto, em alguns espíritos cépticos, faz nascer a dúvida: se a geração mais bem preparada de sempre é contemporânea da maior dívida de sempre, e dos crescimentos mais anémicos de há muito, talvez a educação, só por si, não garanta nada. E a constatação de que, geralmente, nas sociedades que muito progridem a educação progrida também, poderia ter como explicação que o progresso exige educação, mas não é causado por ela.

 

Ideia perturbadora. Porque, se for assim, o exangue contribuinte português sustenta um ensino pletórico para dar formação a gente que na realidade vai alimentar outras economias. E isto sem quaisquer garantias de retorno, porque o emigrante português actual, ao contrário dos seus pais e avós, não manda dinheiro para a família, nem sonha construir uma maison no terrunho. Pior: dantes exportávamos os excedentes de mão-de-obra não qualificada que nada tinham custado à comunidade a produzir, e era portanto tudo lucro; e agora mandamos enfermeiros para Inglaterra, arquitectos para o Dubai e engenheiros para a Alemanha, e eles, que já não vivem em bidonvilles, descobrem - ingratos - que Portugal é bom, apenas, para vir de férias fora da época da neve.

 

Apesar disto, e do país falido e exangue, Marçal e todos os outros grilos avisam para "risco de desinvestimento no ensino". E insistem que devemos gastar, gastar cada vez mais, porque o crescimento até agora não veio, mas virá com os netos. Os netos de quem? Ora, é bom de ver: da tal geração, a mesma que, devido a contrariedades sobre as quais Grilo não cogita, não quer ter filhos, ou tem-nos lá fora.

 

Daí que o lamento "formamos gente de topo e os alemães levam aos 30 engenheiros" seja uma involuntária autocrítica: faço parte de uma geração de imbecis que confunde correlações com causalidades; não tenho ideia nenhuma que preste sobre o que realmente trava o desenvolvimento do país; os alemães só não levarão, em vez de 30, trezentos engenheiros, porque não haverá; entretanto, faço feiras de mão-de-obra para exportar carne tenra, e sobre elas dou entrevistas a beócios que me bebem o asneirol como se fosse néctar.

publicado por José Meireles Graça às 21:16
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Segunda-feira, 27 de Março de 2017

A Bela e o Monstro ou, as saudades que eu tenho do presidente Cavaco Silva

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Querem saber a diferença entre uma senhora, ainda que oriunda da mais banal classe média, e um palhacinho burgesso, ainda que oriundo de uma elite social e cultural?

Peçam-lhes para fazer uma gracinha parva para a câmara, por exemplo, dar um saltinho.

A senhora de classe média declinará o convite amavelmente, ainda que deixando bem claro que não aprecia convites para fazer figurinhas parvas, respondendo algo como "I should'n dream of doing that. Why should I? I see no significance whatsoever in making a jump up in the air.".

O palhacinho de classe elevada aceitará o convite com a elegância própria da classe de origem com que o poderia fazer, por exemplo, o doutor Rebelo de Sousa se fosse convidado a fazê-lo. E o palhacinho burgesso saltará e abanará as banhas com a elegância de um porco.

 

PS: Roubado, e faz parte do serviço público deste blogue, ao Pedro Ramalho Carlos e ao João Caetano Dias, no Facebook, a quem peço a licença para difundir ao mundo.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:37
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Domingo, 26 de Março de 2017

A Solidariedade Individual e a "Solidariedade" Estatal

 

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Antes do Estado Social (iniciado no séc. 19 por contraponto ao avanço do socialismo) a solidariedade era praticada dentro da família nuclear (pais e filhos, família com laços de sangue alargada, grupo de amigos).

Com o advento do Estado Social, a solidariedade alargou-se ao conjunto do país. Como os socialistas, braço político, muitas vezes democrático, da implantação do Comunismo, faziam culturalmente força para implantação da solidariedade institucional para com os desprotegidos, unidos em torno dos sindicatos surgidos na Revolução Industrial, os conservadores (ver Bismarck) encontraram uma solução que parecia satisfazer gregos e troianos.

Nessa solução que buscava a paz social, todos seríamos obrigados, por via fiscal, a contribuir com uma margem do rendimento do nosso trabalho, a compensar desigualdades sociais e genéticas de membros da sociedade que a fortuna desprivilegiou.

Concordemos que na base a ideia é justa, correcta e equitativa quando aquilo que o Estado Social nos obriga a contribuir é da ordem dos 10%, 15, vá lá, 20%, do fruto do nosso esforço no trabalho (hoje, em Portugal, 70% do nosso rendimento vai para o Estado - temos 165% da média europeia em termos de esforço fiscal).

Teoricamente, em poucas gerações de Estado Social, o fosso de desigualdades seria compensado e os desprivilegiados tenderiam a extinguir-se por força da contribuição social para o reforço de alargamento de oportunidades pelo subsídio dado aos mais pobres que depois se arrancariam da miséria pelo proprio esforço apoiado pela sociedade.

Foi assim? Em parte, sim. Fruto da liberdade económica, da racionalização do aproveitamento da mão de obra e da distribuição normal da recompensa pelo esforço individual, a pobreza diminuiu como nunca antes. O Estado Social? Sim, terá dado apoios, bolsas de estudo, ajudas a quem morria de fome, mas não foi o factor decisivo para a diminuição da pobreza. O factor decisivo foi acabar com modos feudalistas de exploração dos desprivilegiados e o grande motor: o avanço técnico e as grandes economias de escala na agricultura, na indústria, e mais recentemente nos serviços pela aplicação massiva das tecnologias da informação.

Grande problema do Estado Social? Os gestores do mesmo. É que quando os orçamentos dos estados democráticos começaram a crescer, sectores sociais, famílias, grupos, organizados em partidos extractivos de rendas, compreenderam que a melhor, e mais fácil fonte de rendimento, seria a apropriação de uma margem entre aquilo que é colectado a todos nós e aquilo que é distribuído em nome dos mais pobres (que, recordo eram cada vez menos). Eram. Porque a pobreza em alguns estados sociais ocidentais começa de novo a avançar enquanto os tais partidos extractivos cada vez estão em melhor condição de praticar a solidariedade individual para o seu grupo familiar e de amigos e a grande maioria foi transformada em simples contribuinte (nas maternidades o número de contribuinte é dado simultaneamente ao teste auditivo do recém-nascido).

O que aconteceu? Aconteceu o Socialismo. Os representantes do povo que era pobre, os grandes defensores da causa social da solidariedade nacional usaram a medida conservadora para implementar o sistema que permitiu criar uma nova elite social: os intermediários enriquecidos entre os que produzem e os desprivilegiados. E estão aí a gerir rendas, a usar e explorar o fruto do esforço dos produtivos para crescimento da sua riqueza individual através da gestão do Estado e dos seus fins teoricamente bondosos.

Sempre em nome dos pobres, estamos a acabar com a solidariedade individual, familiar e comunitária, em favor da "solidariedade" institucional e anónima que permite criar e manter a casta dos intermediários que nos dizem através dos media (um vírus social mortífero) que é sempre preciso mais e maior Estado central para gerir a "solidariedade" dos contribuintes, simples números fiscais. E depois culpa-se a Internet, as redes sociais e o tempo que passamos nas relações web por acabarem com a família e os laços sociais tradicionais: - Não. O que está a acabar com o sentido comunitário é a doença imposta ao Estado Social subvertido nas suas bondosas intenções iniciais e que foi transformado numa gigantesca operação de exploração do Homem pelo Homem.

 

publicado por João Pereira da Silva às 10:42
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Sexta-feira, 24 de Março de 2017

O erro de Dijsselbloem

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Não me vou debruçar sobre as reacções à metáfora do Jeroen Dijsselbloem (nome escrito por copy&paste, que a cabeça já não dá para memorizar sequências tão longas de consoantes quase sem vogais), que foram tratadas aqui de um modo a que eu não tenho nem consigo acrescentar nada.

Vou apenas procurar abster-me de ser contaminado por elas para tentar perceber o significado exacto do que foi exactamente dito por ele, aliás, um bom ponto de partida para o comentar, se bem que um travão ao reflexo condiciondo que tão bem sabe, principalmente a quem não é mesmo capaz de perceber.

E o que ele disse exactamente foi o mesmo que teria dito se dissesse eu não posso gastar o meu dinheiro todo a comprar a prestações férias em destinos exóticos ou plasmas (pronto, o tempo dos plasmas já passou e agora os LED estão ao preço da uva mijona, quem não se sentir confortável com esta parte da metáfora que encontre um destino de investimento em equipamentos domésticos opulentos mais actualizado) e pedir-lhe de seguida a sua ajuda, ou, eu não posso gastar o meu dinheiro todo a financiar a compra de bancos para lá meter os amigos do governo socialista ou os investimentos que ele considera estratégicos para encher o olho do eleitorado e os bolsos dos amigos e pedir-lhe de seguida a sua ajuda, e o resultado teria sido o mesmo, apesar de as metáforas serem diferentes.

Não poderia, nem com o esforço sobre-humano que o primeiro ministro António Costa faz por pescar eleitores nas águas do Bloco de Esquerda recorrendo a palavras de ordem que lhes são queridas, ser acusado de sexista, racista e xenófobo. Poderia talvez ser acusado de querer manter o povo na mais triste miséria sem poder conhecer in loco destinos exóticos nem impressionar os vizinhos com o flat screen gigante na sala, o que corresponde mais ou menos à definiçao de neo-liberal, ou de querer impedir o banco público de cumprir o seu desígnio de financiar a propaganda, e os amigos, dos governos socialistas sob o lema financiar a economia e, principalmente, as pequenas e médias empresas, o que também corresponde mais ou menos à definição de neo-liberal.

Mas teria despertado exactamente a mesma união nacional de reacções de repúdio, nem que fosse pela interferência, ainda por cima de um estrangeiro da Europa dos ricos, ainda por cima de caracóis e nome insoletrável. Porque não foi a linguagem da metáfora que incomodou os que se sentiram incomodados, foi o facto de ter sido certeira. Não se pode estoirar o dinheiro como se caísse mais dinheiro do céu e, quando se percebe que afinal não cai, ir bater à porta do vizinho para lhe propor estoirar também o dele.

Os países em crise que ele citou na entrevista, ou pelo menos este país em crise, sentiram-se portanto insultados com a metáfora. Em parte, cheios de razão, e em parte sem ter necessariamente razão.

Tiveram razão por, ao terem enfiado o barrete, e de lhes ter servido perfeitamente, o terem acusado de ter tricotado um barrete à medida deles, como se provou nos parágrafos anteriores. Mas, tal como a lei é abstracta e um homicida não pode acusar o legislador de ter criminalizado o homicídio para o tramar a ele, se bem que a lei se lhe aplique perfeitamente, o comentário que recorreu à metáfora proibida também se limitou a enunciar um juízo de valor abstracto de validade universal, ainda que se aplique perfeitamente a esses países. Tivessem evitado gastar mal o dinheiro e não enfiariam o barrete do comentário.

E não tiveram necessariamente razão quando se sentiram atingidos como se ele tivesse dito os países em crise não podem gastar o seu dinheiro todo em agardente e mulheres e pedir depois ajuda aos países do norte, porque ele não construiu a metáfora em torno de uma referência a esses países, mas a ele próprio. Se ele se referiu a ele próprio mas pretendia incluí-los a eles, só ele saberá, e nós também sabemos, mas ele pode dizer o que lhe convier ou preferir e, mesmo sabendo, porque o topamos à légua, não temos provas para o contradizer. Fica a nossa interpretação contra a palavra dele, e em tribunal, pelo menos do tipo de tribunal que é suposto existir em democracias liberais, ou de tipo europeu, como dizia o Álvaro Cunhal quando queria impressionar as jornalistas estrangeiras, dificilmente seria condenado.

Quer isso dizer que, tendo despertado a fúria e a indignação de toda a gente, ou de quase toda a gente, para permitir algum grau de dissidência que provavelmente haverá, e até talvez o escrevinhador destas linhas seja um desses dissidentes, o homem não trouxe afinal lenha para se queimar e acabará por sair ileso deste episódio cujas consequências não passarão do diz que disse?

Não. O homem fez um erro e eu estou em posição de revelar à populaça informações sufucientes para justificar o seu linchamento.

Ele disse eu não posso gastar ... e depois pedir a sua ajuda. É mentira. Ele pode gastar ... e depois pedir a minha ajuda. Tem é que ser suficientemente estúpido para admitir que eu sou um otário que empresta dinheiro a estroinas que gastaram o dinheiro todo em ___________________ (consoante a metáfora, putas e vinho verde, férias exóticas e plasmas, bancos e investimentos estratégicos socialistas), contam com o dinheiro dos outros para o continuar a gastar com a mesma ligeireza, e se for preciso ainda respondem aos que lhes vão perguntar quando regularizam os empréstimos que a dívida é insustentável e têm que lhes fazer um abatimento, ou não recebem mesmo nada. O que corresponde à cultura de calote financeira da maioria parlamentar de sustentação do governo socialista português. Podendo-se, fica provado que, ao dizer que não se pode, o holandês dos caracóis fez uma insinuação falsa e merece, por isso, condenação.

Podem trazer o pelourinho e a lenha, o problema está resolvido e a história pode fnalmente ter um final feliz.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 22:51
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Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Sexo, verdades e dívidas

Um militante do PSD, facção Passos, na versão holandesa, que localmente tem a designação de Partido Socialista Holandês, segundo certos tradutores, e Partido Trabalhista, segundo outros, levou um banho nas recentes eleições: o partido (PvdA) perdeu 29 deputados, passando a ter apenas 9, num parlamento que tem 150. Quem ganhou as eleições foi o CDS, embora tenha perdido 8 lugares, segundo uns; ainda que segundo outros o CDS local não seja o VVD, que ganhou, mas o CDA, que apenas ficou em terceiro, com 19 lugares. O partido de Heloísa Apolónio, que naquelas terras baixas dá pelo nome de Esquerda Verde, ganhou 10 deputados, tendo ficado com 14, um resultado espectacular explicável talvez pelos factos de ser liderado por um senhor que nem é comunista nem fala aos gritos e de o país correr o risco de, se o aquecimento global não for uma aldrabice, ficar, como a Atlântida, debaixo de água.

 

Em segundo lugar, tendo ganho mais cinco lugares, ficou o PNR indígena, cujo líder se distingue à vista desarmada do português por ser loiro (diz-se que pintado) e conhecido, mas que já se sabe não fará parte do governo, por os potenciais colegas, embora lhe comprem sorrateiramente boa parte das ideias, o acharem pestífero.

 

Por este bosquejo se vê que a política holandesa é uma grande baralhação. E vê-se também que pouco tem a ver com a portuguesa: as ideias são as mesmas, mas o peso delas é completamente diferente: o espaço da opinião e o do poder não se encontram poluídos, até à surdez, com fósseis como Jerónimo, libelinhas mutantes como Catarina Martins, caloteiros oleosos como Costa, Houdinis do défice como Centeno ou papagaios hiperactivos como Marcelo.

 

Pois bem: o derrotado do PSD, compreensivelmente nervoso, disse o seguinte numa entrevista: "Na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda. Este princípio é válido a nível pessoal, local, nacional e até a nível europeu".

 

Para um leitor mediano, isto é, excluindo a maior parte dos jornalistas, políticos e comentadores, que são analfabetos funcionais quando calha não serem analfabetos tout court, quer dizer que o preço da solidariedade (ou seja, dos empréstimos) é a austeridade. A imagem é pouco feliz? É, mas devemos dar um desconto: Dieselcoiso, assim se chama o político em questão, é holandês e ministro das finanças, da variedade séria. Alimenta-se portanto de batatas e queijo de vaca e queima as pestanas a compulsar o livro do Deve e Haver - não se pode razoavelmente esperar nem que tenha grande sentido de humor, nem sentido diplomático, nem queda para embarcar em fantasias segundo as quais a melhor maneira de emagrecer (a dívida) é alargar o cinto (do consumo).

 

Caíram-lhe em cima. E por todos Costa, o primeiro-ministro golpista, que se distinguiu, como é a sua marca de água, pela grosseria politicamente correcta: "Numa Europa a sério, o sr. Dijsselbloem já estava demitido. É inaceitável que uma pessoa que tem um comportamento como ele teve, uma visão xenófoba, racista e sexista sobre parte dos países da União Europeia possa exercer funções de presidência de um organismo como o Eurogrupo”.

 

Por partes:

 

A "Europa a sério" é uma realidade geográfica e histórica. Já a União Europeia, com a qual Costa a confunde, é uma construção política de 1992, que se pretendeu tornar irreversível e indestrutível com o Euro, o qual começou a circular em 2002. A União vai ser amputada de um dos seus membros em breve; e o Euro já teria acabado se alguém fosse capaz de conceber uma maneira de o liquidar sem que países como Portugal, ou a Itália, comessem terra durante alguns anos, sem que os credores ficassem a arder, e sem que os países que dele beneficiam por ser uma moeda mais fraca do que a que teriam se a tivessem própria, como a Alemanha, ficassem a perder. A "Europa a sério" que Costa defende é apenas um negócio desonesto que consiste nisto: compramos o voto com benesses que damos ao eleitor; os estrangeiros financiam; e a dívida resultante alguém a pagará, em nome da solidariedade, mas nós não.

 

Quanto à xenofobia, se Jeroen acha que os europeus do sul são diferentes dos europeus do norte, no sentido de terem sobre as mulheres, a aguardente e as contas públicas, comportamentos diferentes, tem razão: os portugueses (os meus conterrâneos conheço, dos outros sulistas não quero falar) gostam com certeza mais das holandesas do que os próprios holandeses; bebem aguardente, ou mais exactamente bagaço, sem dia certo para se emborracharem; e têm uma muito maior generosidade em gastarem o que não lhes pertence do que teriam se tivessem nascido numa sociedade calvinista.

 

Se isto os faz inferiores ou superiores não sei. O que sei é que, sendo todos os humanos, em média, iguais nas suas capacidades e nos seus impulsos, as circunstâncias históricas, geográficas e culturais fazem os países diferentes, e disso não vem por si mal ao mundo. Tachar todo o reconhecimento das diferenças que felizmente existem de atitude xenófoba é um simplismo. E fazer disso bandeira política é estupidez.

 

Quanto ao alegado racismo, onde é que ele se vê na constatação de um facto? Jeroen é socialista e acha, e com ele o partido a que pertence, que as contas públicas devem ser equilibradas e a dívida pública diminuída se excessiva, em todos os países; Costa, que é socialista mas de outra galáxia, acha que não pode haver progresso sem défice, e que portanto os contribuintes do norte da Europa devem financiar os do sul, como sucede, quando sucede, dentro de cada país das regiões ricas para as pobres. Entre nós, por exemplo, quando se cortaram apoios da República à Madeira, nem o alucinado Jardim se lembrou de achar o contenente racista. Talvez porque Jardim não era verdadeiramente desonesto - mas Costa é.

 

Resta o sexismo. Não estou em condições, por falta de trabalhos de campo aos quais tenha tido acesso, de garantir que os portugueses sejam mais inclinados do que os holandeses para se endividarem para agradar a mulheres. Se for porém o caso, a alegação de sexismo parece francamente exagerada: então o pobre diabo arruína-se  para agradar e é sexista?

 

Está visto que Costa, de mulheres, ainda entende menos do que de economia. Resta-nos a consolação de que, se Dijsselbloem cair fora do barco, como merece, não será por causa das declarações da nossa rotundidade primo-ministerial, cujo peso na Europa, ainda que bastante superior ao do primeiro-ministro da Eslovénia, não é suficiente para derrubar ninguém; é porque perdeu as eleições e, ao contrário de Costa, não deve ocupar um lugar que pertence a outros.

 

publicado por José Meireles Graça às 12:21
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Terça-feira, 21 de Março de 2017

Não se fixar na árvore para não perder a perspectiva da floresta

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O programa socialista de redução da lista de espera para cirurgias de ortopedia é genial: eliminam-se os doentes mais antigos da lista de espera e ela reduz-se automaticamente. E se eles se queixarem que ainda não foram operados mas já não estão na lista de espera? Metem-se lá de novo.

Numa perspectiva míope e de curto prazo não se consegue perceber como é que isto resolve o problema, e fica-se mesmo com a ideia que os doentes até saem prejudicados por, depois de esperarem hipoteticamente dois anos, serem repostos no fim da lista e ficarem com hipoteticamente mais dois anos para esperar. Esta perspectiva é evidentemente criticável por, como se costuma dizer, ao fixar-se na árvore, perder a perspectiva da floresta, ao fixar-se egoisticamente nos problemas específicos de uns poucos de doentes, pouco mas de mil no caso que suscitou esta discussão, esquecer a medida do bem comum da generalidade dos doentes.

Quem consegue passar além dela corre ainda o risco de cair numa segunda armadilha. Se os doentes saem da cabeça da lista de espera mas são de seguida recolocados na cauda, a lista de espera não diminui, apenas se recompõe, ou se reordena. Mais um erro. Quem olha para os fenómenos quantificáveis sem ter o cuidado de os analisar à luz das estatísticas que realmente interessam para os descrever corre o risco de extrair conclusões precipitadas e, pior do que isso, enganosas. Ora o que é de facto mais importante para os doentes à espera de cirurgia, para as pessoas? O tamanho da lista de espera, ou o tempo que têm que esperar? O tamanho é importante para os burocratas que operacionalizam estes programas, é um problema da tecnocracia economicista. O que interessa às pessoas é mesmo o tempo que esperam pela sua cirurgia, e a estatística adequada para o medir é o tempo médio de espera.

E chegamos finalmente à chave do enigma. Quando se retira da lista de espera um doente que já esperava há dois anos e se reintroduz o doente na lista, o seu tempo de espera é reposto a zero. Quando se faz o mesmo a mil e duzentos doentes, o tempo médio de espera de todos os doentes que fazem parte da lista, a tal estatística que melhor retrata o que é importante para eles, reduz-se significativamente, dependendo do tamanho total da lista, mas reduz-se mesmo, qualquer que seja o seu tamanho.

O lendário génio socialista consegue, pois, e finalmente, reduzir o tempo médio das listas de espera para cirurgia ortopédica mas, ainda mais extraordinário, sem colocar em causa as metas orçamentais e os nossos compromissos com as instituições internacionais, porque o faz sem dispêndio de recursos, e muito menos sem cometer a perversidade de financiar hospitais privados para fazer aquilo que os públicos não conseguem fazer, que era o que os neoliberais que os precederam queriam de facto, dar dinheiro a ganhar ao grande capital: uns apaganços nos ficheiros informáticos do ministério bastam para resolver o problema.

E assim se vê como o socialismo consegue colocar as pessoas acima de tudo o resto e resolver os seus problemas bastando-lhe para isso abrir as perspectivas. Um dia destes, levado pelo entusiasmo, sou bem capaz de avançar aqui com uma soluçao socialista para o problema da dívida insustentável. Só deixo uma pista: é com a ajuda da tecla Delete. E depois, seja o que Deus quiser...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:56
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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Ventos de xenofobia

Porque é que o problema nunca se colocou antes, se o que não falta são pessoas de cruz ao pescoço?  ̶ pergunta a senhora, e vai respondendo que "a jurisprudência europeia permite que se consagre a ideia de que há religiões 'nossas', 'neutras', e as outras. A xenofobia pode incubar onde menos se espera".

 

Neste caso, a xenofobia incubou, pelos vistos, no tribunal de Justiça da União Europeia. Fernanda Câncio não tem dúvidas - nunca tem, Deus a abençoe, que eu não posso  ̶  e vai daí saem mais uns juízes xenófobos, a juntar à mole imensa, e crescente, dos cidadãos que no Ocidente encaram os muçulmanos, a religião deles, as igrejas deles, os hábitos e os símbolos, como uma ameaça.

 

O tribunal, é claro, não hierarquizou as religiões, nem podia, porque a União é laica e todas as religiões estão cobertas pela liberdade de culto. Limitou-se a garantir que "as empresas têm o direito de, em nome de uma política de 'neutralidade' face aos clientes, proibir aos empregados que lidem com o público a exibição de quaisquer símbolos religiosos".

 

Bem visto. Porque hoje impor-se-ia aos patrões que aceitassem o hijab, em nome da liberdade de culto. E amanhã, à boleia da mesma liberdade, o xador ou a burca, bem como as paragens rituais para a oração, em locais separados conforme os sexos, que as imagens das fiéis de rabo para o ar impediriam decerto a unção deles. Depois, é apenas uma questão de tempo e de quantidade (e no que toca à quantidade convém lembrar que as comunidades muçulmanas têm uma taxa de natalidade várias vezes superior às das ocidentais que imprudentemente as acolhem) até que a religião muçulmana, afirmada em nome da nossa liberdade, a anule, por dela ter um entendimento diferente.

 

Temos um problema parecido com a democracia e os comunistas: estes reclamam, e bem, todas as liberdades burguesas, até que conquistam o poder. Logo a seguir, a única liberdade consentida é a de pensar o que pensa o vizinho, dizer o que diz o controleiro do comité de vigilância cidadã, e fazer o que o Partido manda. Com a diferença de que os comunistas não se reproduzem a taxas diferentes das dos restantes cidadãos, as suas quantidades são manejáveis sem perigo fora de situações revolucionárias, e a democracia tem provado ser robusta o bastante para conviver com os seus inimigos.

 

Ser realista em relação ao perigo islâmico quer dizer não ignorar o que disse, num deslize de sinceridade, este paxá: as famílias turcas exiladas devem ter, pelo menos, cinco filhos.

 

Fernanda Câncio julga, coitadinha, que o véu islâmico tem a mesma importância que uma blusa, um top ou um boné; e que as mulheres islâmicas teimam nas toilettes que a tradição lhes impõe por acharem que lhes fica bem.

 

Eu quero que Fernanda vista o que ache que vai com ela; que, se tiver uma amiga ou amigo que use um crucifixo ao pescoço, ou uma quipá na cabeça, se lembre que esse amigo ou amiga, bem como as igrejas que esses símbolos representam, não lhe negam o direito de ser ateia ou agnóstica; e que abunde no asneirol, como é seu hábito, com toda a liberdade.

 

Em troca desta generosidade Câncio trata as pessoas que pensam como eu - trata-me, portanto, a mim! - de xenófobo e trumpista.

 

Não sou católico mas a caridade cristã não me fica mal: perdoo-lhe. E o que é mais (conto com isto para desconto dos meus pecados) sem sequer ter a esperança de que o Espírito Santo a ilumine, infundindo algum senso naquela cabeça socialista.

publicado por José Meireles Graça às 23:55
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Coro da Primavera

2017-03-20 Tina Turner.jpg

Mesmo a astronomia já não é o que era, e o equinócio de 21 de Março agora calhou ao 20, pouco depois das 10 da manhã de Portugal e GMT. Começou a Primavera.

E para celebrar o primeiro dia da Primavera, com os pólenes, os passarinhos e as abelhas, o you know what I mean e outros fenómenos da mesma ordem, nada como relembrar o compositor, em co-autoria com o saxofonista Jackie Branston, da primeira canção de rock & roll gravada em disco em 1951, a Rocket 88, inspirada no último modelo da Oldsmobile, o Rocket 88, nessa época o que se idolatrava era a liberdade de andar por onde se quisesse e quando se quisesse proporcionada pelo automóvel, ainda não tinha chegado a ditadura da bicicleta politicamente correcta, e podiam-se compor canções inspiradas em automóveis sem pagar imposto de vício, o Ike Turner.

O verdadeiro pai do rock & roll acabou por ser de facto o Chuck Berry, que morreu no sábado com 90 anos. Foi aquele que inspirou as maiores figuras da história do rock & roll, que começaram tentando imitá-lo com versões esforçadas, mas longe das originais, das suas canções. A primeira canção gravada pelos Rolling Stones foi o Come on, e uma das primeiras gravadas pelos Beatles o Roll over Beethoven. Mais tarde, quando se tornaram super-estrelas planetárias, iam humildemente ter lições com ele e procurar aprender a sua arte.

Eram esforçados, aprenderam muito com ele, acabaram por se chegar a auto-intitular the greatest rock & roll band in the world sem grande exagero, mas ele estava tocado pelo génio que só meia-dúzia de criaturas tiveram a graça de receber ao longo da história, e que lhe permitia brincar assim.

Mas, atalhando razões, hoje é o Ike Turner que se celebra neste dia. Quem diz o Ike Turner, diz a célebra cantora, agora suíça, então americana, que em tempos foi casada e cantou com ele, Tina Turner. A Tina Turner também foi tocada pelo génio. Um dia, o Dick Cavett perguntou no seu talk show à Janis Joplin, outra tocada pelo génio, por quem era capaz de sair de casa para ir assistir a um espectáculo, e ela respondeu prontamente Tina Turner, e informou o entrevistador, que não conhecia, que era the best chick ever. E era provavelmente verdade.

Bom, então hoje deixo-vos o Coro da Primavera interpretado pela Tina Turner e whoever a acompanhou nesse dia de 1969. Mandem deitar as crianças antes de porem o filme a tocar. Depois não digam que eu não vos avisei. A Primavera não perdoa.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:39
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