Domingo, 7 de Outubro de 2012

O corte geracional de Passos

Nunca como nos últimos tempos uma geração tem sido tão atacada como a actual: ora parece que as pessoas com menos de 30 anos não podem estar no Governo, ora são as afirmações de que faltam cabelos brancos ao Governo.

 

Não deixa porém, de ser curioso este ataque: quer por quem ataca quer por quem é atado.

 

Em primeiro lugar, embora não seja o essencial, parece um absoluto paradoxo dizer-se, ao mesmo tempo, que a geração actual é a mais qualificada, mas que não pode assumir responsabilidade. Parece que só se é qualificado para o que dá jeito. Isto do lado dos atacados; quando do lado de quem ataca, muitos começaram a assumir bem cedo responsabilidades governativas! Enfim, a falta de memória é terrível.

 

Mas, como disse, o problema maior não é esse: esta Geração - que terá começado a trabalhar no início dos anos 2000 - nunca soube o que era trabalhar em prosperidade. Foi sempre em crise. Sempre, pelo menos em larga medida, por causa do Estado. Do Estado comandado e governado por aqueles que, hoje, com cabelos brancos, nos trouxeram até aqui. Esta é a geração que não tem emprego e não terá reforma, em muito, por causa daqueles que, hoje, com cabelos brancos, desde os tempos de Cavaco, passando pelos de Guterres e terminando nos tempos de Sócrates, nos trouxeram até aqui. Pior. Que nos trouxeram até aqui e não estão dispostos a abdicar de nada, seja de reformas pelo exercício de poderes públicos totalmente injustificadas, seja de subsídios e diminuições do valor nominal das mesmas, apesar de ser certo e sabido que tais reformas recalculadas nos termos actuais jamais teriam o valor que têm hoje. Dizem que é em defesa dos direitos adquiridos… Curiosamente, adquiridos apenas por uma Geração.

 

Mas o ataque é ainda mais grave por uma segunda razão. Como sempre, problema principal, estou em crer, é de poder. Há uma geração, iniciada no pós 25 de Abril, que não quer abrir mão do poder. Não quer deixar outros entrarem. No fundo, acha-se com um direito natural a ser Governante. Ontem, porque não havia mais ninguém, hoje, porque têm muita experiência.

 

E, embora tal facto tenha passado relativamente despercebido, Passos Coelho realizou o maior corte geracional de que há memória. Com excepção de Catroga, todos os que, ontem, foram derrotados dentro do PSD, hoje, também não foram chamados para nada. Nem para a Caixa Geral dos Depósitos, nem para Presidente da Assembleia da República, nem para Ministro ou representante de instituições internacionais. Nada.

 

Tendo isto em mente, confesso, leio as declarações dos últimos dias de forma diferente.

publicado por Diogo Duarte Campos às 16:11
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