Quinta-feira, 21 de Março de 2013

Não é da nossa conta

 

 

As "redes sociais" estão em alvoroço. Uma parte grita porque a RTP "abandonou" o "serviço público" para gastar o dinheiro dos contribuintes com um novo "conteúdo" semanal, protagonizado por Sócrates. Outra parte grita com a primeira, porque Sócrates foi "diabolizado" em detrimento de outros bandidos. Outra ainda espuma de ódio satisfeito porque "agora é que vai ser", para "equilibrar" a saliência de Marcelo e de Marques Mendes. Esta rapaziada encontra ainda uma segunda fonte de prazer; daqui para a frente, já não teremos só "Relvas a mandar na RTP".

 

Quando ninguém esperava, surgiu a correspondente "petição" que desta vez se chama "Recusamos a presença de José Sócrates como comentador da RTP" (parece que já vai assinada com abundância). Nos últimos dois anos, a "cidadania" alojou-se com doçura no coração dos portugueses.

 

Neste cenário, discute-se o adorado problema da "liberdade de expressão" e do "pluralismo" no "espaço público". E investiga-se, com pertinácia, se Sócrates vai ou não ser "remunerado" pelos "serviços" que se prepara para "prestar à RTP".

 

Aparentemente, não vai ser "remunerado". O que deixa à vista toda a explicação para a manobra. Porque torna claro que a "participação" no programa é totalmente do interesse de Sócrates.

 

Resta perguntar como é que Sócrates obtém o melhor palco que se pode dar a um político para iniciar o seu processo de reabilitação. E a resposta não é difícil: isto só pode acontecer com a conivência de quem manda na RTP.

 

Esclarecidos que ficamos sobre o entendimento de Sócrates com Miguel Relvas, fica por saber o que é que o PS dará ao PSD por troca deste servicinho, sem o qual o PS tão depressa não deixaria de se arrastar por uns valores embaraçantes do queijo eleitoral.

 

Seja como for, não é da nossa conta. Tudo o que os portugueses têm a fazer é esperar pelas eleições e continuar a escolher entre Dupond e Dupont.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 18:15
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4 comentários:
De Paula Pacheco a 24 de Março de 2013 às 12:41
Face à publicidade e recomendação de um "texto bestial e clarividente", eu li o dito "Não é da nossa conta" do blog "Gremlin Literário" e postado num mural FB.
Comentei que achava o texto muito fraquinho e a autora veio então reclamar insistentemente um comentário meu mais alargado. Aqui vai…
Neste texto sucinto, faz-se um pequeno relato descrevendo aquilo que já se sabe que se passa nas redes sociais e no comentário político mais estridente. A opinião da autora resume-se aos 2 últimos pequenos parágrafos em que o destaque é:
1 - "Esclarecidos que ficamos sobre o entendimento de Sócrates com Miguel Relvas" - Não me parece que tenha ficado esclarecido, nem isso é de qualquer relevância.
2- "Fica por saber o que é que o PS dará ao PSD por troca de servicinho?" - Alguém está interessado nisso, para além dos jornalistas de política de "bas-fon" ?
3- "não é da nossa conta" - Ahhhhh...Pois eu acho que é……….
O Sócrates devia estar a ser investigado por gestão danosa do país, tráfego de influências e enriquecimento obscuro em cargo político.
Volta agora ao país, onde tem um palco onde não vai responder a pergunta nenhuma, mas vai ter a oportunidade de botar discurso a seu belo-prazer, como se de uma respeitada eminência se tratasse nas áreas da política, economia e finanças (e já agora ambiente e já agora indústria farmacêutica que obviamente também deve dar um douto saber nas áreas da medicina, biologia e química….as coisas até estão naturalmente associadas, porque não????). O público não vai poder tirar daí alguma mais valia em termos de clarividência sobre a conjuntura (política ou qualquer outra….) passada, actual e futura, que no fundo deveria ser o objectivo nobre por detrás do comentário televisivo na televisão pública.
Quem esfrega as mãos de contentamento é a classe jornalística/comentadora, que vai escrever sobre pequenas tricas do teatro político e desenvolver teorias da conspiração esquizofrénicas que realmente não interessam a ninguém e não contribuem em nada para o desenvolvimento do País.
De Paula Pacheco a 24 de Março de 2013 às 13:05
Já agora 2 correcções ortográficas. Deve ler-se: 1- do servicinho (em vez de "de servicinho"); 2- "bas-fond" (em vez de "bas-fon"
De Margarida Bentes Penedo a 24 de Março de 2013 às 15:48
1.) Pela maneira como Relvas tem mostrado "conduzir" a RTP (ver, por exemplo, o caso Nuno Santos), a ideia que fica na generalidade das pessoas é que Relvas não tem junto dos meios jornalísticos um comportamento mais independente do que teve Sócrates. E não preciso de classificar esse comportamento;

2.) A "troca de servicinhos" só interessa na medida em que mostra que as motivações dos envolvidos estão longe de se enquadrar no "serviço público". Pelo contrário, enquadram-se nos interesses próprios, e obscuros, dos seus partidos;

3.) É totalmente "da nossa conta". Tanto é, que quem paga somos nós. E não é só em taxas e despesas da RTP; é sobretudo nas consequências da devassidão que caracteriza o funcionamento das nossas instituições públicas. A expressão "não é da nossa conta" é irónica.

Quanto ao resto, Paula, concordo com tudo o que diz. De uma ponta à outra. E ainda juntava uns "pormenores". A maneira como Sócrates mentiu conscientemente ao país. A perseguição que fez à imprensa. Os negócios danosos e ilícitos em que manifestamente participou, com estrépito. A obstrução ao funcionamento da justiça. A compra e venda da favores. Enfim, a lista não é curta. Dê-lhe com força, Paula. Nenhuma dessas habilidades merece ser esquecida.
De Paula Pacheco a 25 de Março de 2013 às 11:09
Gostei da sua resposta Margarida! Hoje em dia, a ironia tem que ser bem explicitada, se não arrisca-se a ficar num limbo interpretativo que não tem consequências e eu acho que nós queremos consequências!

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