Sábado, 23 de Março de 2013

Más companhias

 

 

Sem entrar em detalhes, vejo a invasão do Iraque como um erro trágico de Bush que deixou ao mundo duas consequências lamentáveis.

 

A primeira foi talvez o auxílio mais forte para o processo de substituição de ditaduras militares por estados caóticos, sem ordem à vista. As diversas "primaveras" árabes que se seguiram têm muito a agradecer a Bush. E a chamada "civilização ocidental" ficou a dever-lhe uma boa parte da impossibilidade de ter com aquela gente qualquer tipo de entendimento. Mal por mal, é possível negociar com um tirano. Ainda que estúpido, malvado e ambicioso. Há um fio de racionalidade, que usado com competência e precaução pode ancorar uma conversa. Já perante o Islão político, que esta guerra ajudou a fortalecer, o "Ocidente" só pode tentar defender-se. Ainda estou para descobrir qual foi a vantagem resultante desta decisão para o bem estar dos povos envolvidos. As perdas são entregues em horário nobre, expressas em mortos e mutilados, filmadas todos os dias em lugares que os pivôs não conseguem pronunciar.

 

A segunda consequência foi o rombo que esta guerra provocou (e ainda provoca) no tesouro americano. Estivessem os Estados Unidos noutra situação financeira e a crise na "Europa" não seria a mesma. Podia ter arestas menos vivas, um sofrimento mais anestesiado. Sobretudo, podia ter alguma esperança.

 

Passados 10 anos dou com este post. O autor encarrega-se de lembrar a data escrevendo (chamemos-lhe assim) uma lista das pessoas que, em Portugal, apoiaram a invasão do Iraque. Sem apresentar uma única ideia sobre o assunto, o texto é muito claro a chamar-lhes, um por um, nada menos do que "nazis".

 

Saiba ele o que são "nazis". Eu sei um par de coisas.

 

Sei que um insulto não é um comentário. Sei que um texto "de opinião" deve conter, pelo menos, uma. E sei que me interessa tanto estar por perto destas práticas como me interessa, por exemplo, trocar impressões com uma faca de ponta e mola.

 

Convivo bem com a liberdade de opinião, assim as haja. Defendo, inclusivamente, a liberdade e o direito ao insulto gratuito. Não abro mão da liberdade para escolher as minhas companhias.

 

Agradeço, com reconhecida franqueza, ao João Monge de Gouveia por ter-me convidado a fazer parte do Senatus. Agradeço-lhe a confiança que mostrou ter naquilo que escrevo. E as palavras simpáticas que, em várias ocasiões, me disse. Agradeço-lhe, por fim, o favor de retirar o meu nome da barra lateral.

 

__________

 

Imagem: Caspar David Friedrich, "Monk by the Sea"

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 20:34
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