Sábado, 13 de Abril de 2013

Do sofrimento humano e da sua necessidade


A Letónia, que em 2008 iniciou um processo de ajustamento, vulgo austeridade, duríssimo, em 2013, já recuperou a economia aos níveis de 2008 e o futuro sorri. Diferença face ao nosso ajustamento, diga-se austeridade? Eles decidiram não tomar o caminho fácil de contemporizar com as falências da banca e proteger os sectores cancerígenos. Em suma, decidiram "bite the bullet" com força e aguentar um período mais curto de dor aguda e sanearam efectivamente a economia.

Em Portugal, optou-se pela via do aumento dos impostos, pela protecção de bancos falidos, pela negociação de condições de trabalho e salários com a função pública mantendo-lhe os privilégios e regime de excepção, não se reformou a administração pública e a administração local, não se privatizou o prometido, enfim, escolheu-se, ou os partidos foram incapazes de fazer diferente, uma austeridade ou ajustamento versão lusa, mansa e suave que se arrisca ser "para inglês ver" se o segundo resgate aterrar em Lisboa e for preciso um período ainda mais longo de ajustamento. 

Passados dois anos, com a deterioração profunda da situação económica, com o défice de estado ainda não controlado, com a dívida pública em níveis recordes, temos ainda pouco para mostrar de ajustamento feito. O balanço destes últimos dois anos? Ainda é cedo e não sou economista suficiente para o fazer bem, mas parece-me que ao escolhermos a versão soft cometemos o erro que pode ser fatal, de não ajustarmos o suficiente para nos conseguirmos manter no euro sem sermos mais uma região coitadinha, pobrezinha e dependente da solidariedade europeia. 

Em breve a realidade se encarregará de invalidar qualquer balanço se aterrarem de novo os senhores troikanos no Terreiro do Paço com mais medidas draconianas segundo o novo template cipriota (muito mais duro).

Leiam este artigo de Carlos Guimarães Pinto para entender melhor o que é uma má recessão. Realço o que ele diz a certa altura sobre o "sofrimento humano" que tudo isto implica. Em Portugal arriscamos ter feito sofrer muita gente, inutilmente.

publicado por João Pereira da Silva às 15:04
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