Sábado, 8 de Abril de 2017

O arquitecto do regime

Há uns bons pares de anos, numa segunda-feira de manhã, a capa de uma revista veio comover a nação que vivia o auge do cavaquismo com euforia. O arquitecto do regime, que fazia projectos milionários para tudo o que fosse eregível, e facturava ao governo muitas dezenas de milhares de contos (e muitas dezenas de milhares de contos ainda são dinheiro, mas naquela altura eram muito mais) por meros ante-projectos de urbanizações a eregir em manicómios deslocalizados para fora do centro da cidade, figura central do jet-set da época, até empresário da noite, era um dos donos do Bananas, e senhor de uma riqueza ostentada sem vergonha, deslocava-se de Rolls, também se dedicava ao cinema amador. O título da notícia era algo como "As loucuras do arquitecto", ou "Pau para toda a obra", já não me lembro bem. Mas lembro-me que, antes da hora de almoço, o jornalismo de investigação que se praticava na era pré-internet nas grandes empresas multinacionais quando havia grandes debates públicos a decorrer já tinha descoberto, na empresa onde eu trabalhava, que, nas Páginas Amarelas, o gabinete do arquitecto vinha na página com o separador "Pronto a Comer", na secção "Projectos de Arquitectura". Nas multinacionais, quando se investiga, investiga-se a sério.

Entretanto o regime mudou, o Cavaco Silva, ou porque não lhe apeteceu, ou porque pensou que ia perder, não se voltou a candidatar a primeiro-ministro, e o cavaquismo acabou e foi substituído pelo socialismo, entremeado com algumas interrupções neoliberais rapidamente postas na ordem pelos socialistas, mesmo quando perdem as eleições. E, com o socialismo, mudou o arquitecto do regime.

Hoje em dia não há peido que se dê no Portugal socialista sem um tripezinho Siza para o segurar, ou um candeeirozinho Siza para o iluminar.

Do museu ao auditório da escola, do bairro de uma grande cidade destruído por um incêndio ao pavilhão de uma exposição universal, vai a todas as que têm promotores públicos, um dia hei-de tentar perceber se por concurso público ou por ajuste directo? se bem que tenha a intuição que mais por este do que por aquele, porque o talento não se leva a concurso. Temos, pois, o novo arquitecto do regime.

Acontece que eu tenho alguma dificuldade em compreender, para usar uma expressão na moda, o que faz de um arquitecto cuja obra é uma pain in the ass para os desgraçados que são forçados a usufruir dela um grande arquitecto, para além da facturação do gabinete?

  • A começar pelos milhares ou milhões de utentes da estação de Metro do Chiado que entram na estação pelo meio e, para apanhar o combóio por baixo de onde entraram, são obrigados a calcorrear toda a estação até às escadas que estão nas extremidades, e fazer o mesmo caminho de regresso no cais...

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  • ...aos que passam circunstancial ou regularmente nos pátios dos edifícios do Chiado, todos eles em pedra nua cheia de esquinas vivas que parecem lá colocadas para que as pessoas que tropeçam ou escorregam na calçada, que inunda quando chove, e caem, rachem a cabeça ou os ossos...

 2016-10-03 Siza Vieira Chiado.jpg

  •  ...aos, e aqui tenho de me felicitar por não ser forçado a ser utente, habitantes dos bairros sociais que, para chegar a casa ou sair, são forçados a usar escadas bizarramente altas, íngremes e sujeitas à intempérie, que parecem colocadas lá apenas para matar os velhotes que os habitam, seja de exaustão, por terem que as subir carregados com os sacos de compras, seja de tropeção nos degraus de cimento, a rebolarem até ao chão de pedra.

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 A mim que, na arquitectura, me impressionam menos os Pritzker do que o cuidado com "as pessoas" que são condenadas a viver dentro dela, ou a ergonomia, só posso esperar que o regime mude rapidamente, para aparecer um novo arquitecto que nos torne a vida menos penosa e perigosa e mais agradável e segura.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:36
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Sexta-feira, 7 de Abril de 2017

Guerra à Pobreza

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Por acaso, ouvi há pouco em diferido uns quantos minutos do programa a Quadratura do Círculo de ontem. O tema era a pobreza, os sem-abrigo, a liderança do combate ser feita por Costa ou Marcelo. Todos os comentadores, incluso o jornalista, defenderam medidas de combate à pobreza tais como:

- politicas activas de emprego, mais fiscalidade e mais medidas de redistribuição de rendimentos, subsídios aos pobres, liderança seja como for do Estado

Nem um disse uma centelha sobre aquilo que está na origem de grande parte da pobreza actual:

- politicas activas de emprego, mais fiscalidade e mais medidas de redistribuição de rendimentos, subsídios aos pobres, liderança seja como for do Estado.

 

publicado por João Pereira da Silva às 15:57
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MBA rápido em Jornalismo, na especialidade Entrevista Política

2017-04-07 Pacheco Pereira Bom trabalho, mau traba

Hoje lanço aqui um MBA rápido em Jornalismo, na especialidade de Entrevista Política, com uma garantia de empregabilidade de 100% na Impresa, o grupo de comunicação social do dr. Pinto Balsemão. O curso é gratuito, mas ofereço a garantia de devolução das propinas se o candidato não conseguir o tão desejado lugar nos quadros deste afamado grupo.

O curso é suportado cientificamente numa investigação empírica exaustiva conduzida ao longo de anos na observação de percursos profissionais de sucesso de jornalistas lambe-botas e lambe-cus, fundamentação científica que permite assegurar os resultados prometidos.

O estudo de caso que se propõe como exercício é preparar um guião para uma boa entrevista ao líder da oposição. Para os alunos não gastarem os neurónios, a abundância de neurónios não é um pré-requisito para o ingresso no grupo Impresa, a resolvê-lo, apresenta-se desde já a solução e despacha-se o curso mais repidamente.

 

Guião para uma boa Entrevista ao Líder da Oposição.

  • O senhor está com raiva por causa dos sucessos do Governo a resolver problemas que o senhor deixou por resolver?
  • O senhor, que disse que o governo nunca conseguiria atingir o deficit, o que é que diz agora, engole as palavras?
  • O senhor continua a torcer para haver a necessidade de um segundo resgate?
  • O senhor está à espera de a geringonça estoirar para conseguir finalmente regressar ao governo?
  • Se voltar ao governo, o senhor vai voltar a cortar os salários e as pensões?

[Se incluiu estas perguntas na sua solução, o entrevistador já obteve a aprovação no curso e um lugar garantido nos quadros da Impresa. A resposta seguinte permite ascender à classificação de Aprovado com louvor e Distinção e dá acesso directo ao ingresso na Quadratura do Círculo e a sete mil e quinhentos euros por mês a título de direitos de autor, que pode acumulaar com outros rendimentos e lhe dá um desconto no IRS]

  • O senhor continua a ser um neoliberal que faz tudo para desvirtuar a matriz social-democrata do PPD/PSD e a herança ideológica do dr. Sá Carneiro?

Obrigado pela vossa comparência no curso, espero que vos tenha sido útil e proveitoso, e deixo-vos a sugestão de levarem sempre convosco a imagem de São Pacheco, o santo padroeiro dos vira-casacas, que neste mundo nada é imutável e a capacidade de adaptação a circunstâncias que se alteram dinamicamente é crucial para os lambe-botas e lambe-cus de sucesso.

 

* Imagem do santo tomada de empréstimo ao seu suposto autor, o blogue wehavekaosinthegarden.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:50
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Domingo, 2 de Abril de 2017

Descargas de suiniculturas e esgotos a céu aberto, para quê?

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O Público é uma espécie de esgoto a céu aberto mediático que se faz notar principalmente quando as suiniculturas licenciadas para o utilizar, e destacam-se sempre as suiniculturas António & Pedro Nuno e Catarina & Mariana, fazem descargas. Estranhamos sempre, mas já estamos habituados ao cheiro.

Apesar de o Passos Coelho andar relativamente sossegado, decidiram agora fazer-lhe uma descarga, por motivos que só eles saberão, regressando ao velho tema da Lista VIP.

A informação que o fisco guarda sobre os contribuintes e a sua vida contributiva é útil, e até imprescindível, para perceber se eles cumprem integralmente as suas obrigações fiscais. Não serve para os funcionários vasculharem os rendimentos e o património dos vizinhos, nem para comissários políticos infiltrados na administração fiscal a poderem distribuir a quem entendam para finalidades de utilização no combate político em que participam. Como foi abundantemente utilizada na última legislatura, em que, nomeadamente, a vida contributiva do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi exaustivamente vasculhada e discutida, mesmo no parlamento, por dois dos partidos da oposição, o PS e o BE, o PCP costuma ter mais pudor a fazer oposição por essa via, talvez por ter sido em 1980 o precursor em Portugal da política de casos com o caso da dívida do Sá Carneiro à banca e de ter aprendido então, com o resultado da eleição que se seguiu em que a AD reforçou a maioria absoluta de 1979 por outra ainda mais clara em 1980, que a política de casos entusiasma os convencidos mas não necessariamente o eleitorado e não parece converter ninguém. Como, aliás, se veio a confirmar nas eleições de 2015, em que todo o investimento da oposição nos casos que envolveram o Passos Coelho, em que a mera menção da palavra "Tecnoforma" fazia salivar os cães de Pavlov socialistas e bloquistas convencidos que estavam prestes a capturar caça grossa, não evitou a sua vitória inesperada nas legislativas de 2015.

Isto para dizer que,

  • o conceito de Lista VIP é um instrumento valioso para detectar precocemente a consulta, que não seja por motivos processuais legítimos e verificáveis, a dados fiscais de alguns contribuintes específicos que, pelo seu relevo social, económico ou político, são alvo de uma curiosidade acrescida da comunicação social ou de adversários, políticos ou de outras naturezas, com vista à obtenção de vantagens que lhes possam advir do conhecimento desses dados;
  • que eu próprio gostaria de fazer parte de uma qualquer Lista VIP que fizesse desencadear um alarme se algum hipotético vizinho meu funcionário do fisco que não simpatizasse comigo aproveitasse a possibilidade de acesso às bases de dados do fisco para vasculhar os meus impostos;
  • mas que tenho a noção que se toda a gente, com grande ou com quase nula probabilidade de suscitar o interesse não profissional dos funcionários do fisco, fizesse parte da Lista VIP ela se tornaria inoperativa pelo excesso de alarmes, pelo que a sua existência é tanto mais útil quanto mais reduzida for a lista de contribuintes que suscitem esse interesse, mesmo que seja tão proibido vasculhar os meus dados como vasculhar os do presidente ou os de algum contribuinte que faça parte de alguma Lista VIP;
  • e que os grandes detratores da Lista VIP não são os contribuintes alvo da desigualdade de não fazerem parte dela, nem os funcionários que deixam de poder preencher os seus tempos livres bisbilhotando o cadastro fiscal dos famosos, mas os comissários políticos que, devido à fiscalização acrescida que ela proporciona, se vêem impedidos de vasculhar os dados dos contribuintes integrados nela para os divulgar a quem entendam.

Posto isto, o jornalismo de combate do Público regressou, pois, à Lista VIP, e esta vez ilustrada com histórias específicas, que depois de ler a notícia, apesar de extensa, se resumem a uma história.

E qual é a melhor história que o Público encontrou para ilustrar o acesso não autorizado a dados de contribuintes detectado pelo sistema de alarmes da Lista VIP? Uma consulta ao IMI do Cavaco Silva por um costista funcionário do fisco para publicação no Público? Uma devassa de um sindicalista bloquista ao IRS do Passos Coelho para passar a informação ao grupo parlamentar do BE para entalar o primeiro-ministro no hemiciclo?

Nada disso! Uma funcionária das finanças da Amadora, onde o Passos Coelho morou antes de se mudar para Massamá, e amiga pessoal dele, a quem ele telefonou para lhe pedir uma informação sobre a sua própria declaração de IRS, que ela consultou para lhe responder pelo telefone. O resto da notícia é uma misturada confusa e extensa de factos e relatos do que foi sendo explicado por inúmeros participantes sobre a origem, desenvolvimento e existência ou inexistência da Lista VIP, a quem a comunicação social e a política deram uma vida mais importante do que a devassa do sigilo fiscal dos contribuintes para finalidades de combate político.

De uma penada, esta feliz ilustração do Público mata vários Coelhos.

  • A Lista VIP destinava-se a impedir o acesso dos inimigos do Passos Coelho às suas informações fiscais dele para beneficiar politicamente os mandantes deles, mas afinal apanhou uma amiga dele a aceder aos dados dele a pedido dele, isentando de qualquer malfeitoria os adversários políticos que pretendia fiscalizar.
  • Esta história é complicada demais para o leitor típico do Público, o consumidor mais típico da moderna verdade a que temos direito, a perceber, mas se é denunciada no Público, é sobre o Passos Coelho, e aparece misturada com a Lista VIP, malfeitoria destinada a esconder as infracções fiscais dos poderosos, significa certamente que o Passos Coelho fez alguma aldrabice conjuntamente com uma amiga que tinha na administração fiscal.

É, portanto, uma boa descarga das suiniculturas que recorrem ao Público para se aliviarem delas. Contém frases como "Em pleno caso Tecnoforma, Passos ligou a uma funcionária do fisco sua amiga por causa do IRS. O acesso foi apanhado no alarme VIP e aparece no inquérito arquivado pelo Ministério Público. NIF de Paulo Núncio foi acrescentado à lista mas a razão é um mistério." cheias de palavras-chave como "Tecnoforma", "arquivado", ou "mistério", que exalam o mau-cheiro característico das descargas que elas têm sempre esperança de fazer colar aos visados.

O motivo de as fazerem agora, consumindo matéria fecal que poderiam guardar para um dia mais tarde em que fosse mais necessária, não é claro? Tal como não é fácil perceber porque não aprendem com as experiências passadas, em que as descargas em que depositaram tantas esperanças afinal não conseguiram garantir-lhes o que ambicionavam, vitórias nas eleições, e continuam a fazê-las? Rotina? Instinto? Não se sabe.

A verdade é que continuam a fazê-las regularmente. E que o Público é uma espécie de esgoto a céu aberto mediático que se faz notar principalmente quando as suiniculturas licenciadas para o utilizar, e destacam-se sempre as suiniculturas António & Pedro Nuno e Catarina & Mariana, fazem descargas, e que as estranhamos sempre mas já estamos habituados ao cheiro.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 20:05
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Uma desgraça chamada Mendes

 

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Diz que chegou “da província” e vê-se que diz a verdade. Não que Viseu seja a terra inferior e apalermada que Mendes sugere, espreitando por cima do ombro, imaginando que desceu a Lisboa e encontrou uma grande civilização entre São Bento e os festivais de rock. “A província”, tal como era entendida no tempo em que essa expressão se usava, não se aplica a Viseu e já quase nem faz sentido no país que existe hoje, mas encaixa perfeitamente na maneira retrógrada e preguiçosa, até um bocadinho salazarista, como Francisco Mendes da Silva constrói a ambição dele. Pobre Viseu que criou mais este medíocre.

 

O ministro Centeno, famoso por mentir ao país, merece-lhe a simpatia porque Mendes acha que “ainda não sabemos” o que “esteve em causa”; e por isso não houve “qualquer imoralidade”. Aprecia a indefinição ideológica, defende certas “causas”, diz que é pouco ortodoxo; declara que o “acusam” de “não ser de direita”. Efectivamente não é de direita, até me custa escrever uma evidência destas, mas esse não é o ponto; ele diz isto convencido da sua extraordinária complexidade, uma obra de arte da filosofia política com uma combinação de perspectivas tão pessoal que tentar classificá-lo como esquerda ou direita é um exercício de excessiva simplificação. Mendes quer que o vejam assim, vive neste capricho, e declama as platitudes dele olhando o mundo pela janela com um sorrisinho de satisfação intriguista. Cheguei a sentir pena do incapaz.

 

Que ele vá expandir-se para a televisão com dois carroceiros e um possidónio faz parte dos planos: os Mendes da vida precisam de se fazer notados. Que ele respeite Galamba pela grosseria, pela falta de escrúpulos e pela capacidade de se malcriar, também não é uma informação nova. Não lhe devia tocar (a não ser com um pau), se fosse inteligente; Galamba é uma ofensa estética, Mendes é candidato a governante (Deus se amerceie de nós!), a exibição pública de uma amizade é um gesto político e tem consequências. De resto estas amizades nunca foram, que eu tivesse dado conta, publicamente correspondidas. Galamba trata Mendes como o patife trata a namorada púbere: com algum nojo e sobranceira brutalidade.

 

A entrevista (“i”, 27 de Março 2017) anda para a frente e para trás, encaracola-se em voltinhas sem saída, sem nunca se afastar da ideia principal: dada por estabelecida a incompetência de Mendes para afirmar a direita, este profeta consome-se em maquinações para se pendurar no PS. Prevenido, como manda a sabedoria e a prudência, com um sistema teórico aprimorado e firme, assente em subtilezas finíssimas, que o deixam livre para adornar à esquerda ou à direita consoante a oportunidade. O que importa é concertar um entendimento, um acordo entre ele e os outros democratas, que garanta um grau de respeitabilidade sem vigilância nem oposição; e que, ao mesmo tempo, alivie os rústicos do peso das escolhas, das decisões, das eleições, desejavelmente até do livre arbítrio e da opinião própria – que é, como sabemos, meio caminho andado para a dissidência e a desarmonia, mas não vamos exagerar. O bom povo, como as crianças, precisa de ser conduzido e protegido, não é assim?

 

Mendes tem sentimentos, “irritou-se” quando o PS não viu as coisas da mesma maneira. Acha que foi “artificial”. Não percebe que o PS é aquilo que o PS faz. Se o PS decidiu rejeitar os partidos do sistema e formou uma aliança absurda com a extrema-esquerda, o PS é hoje um partido absurdo e radicalizado. Convém meter isto na cabeça, muito bem arrumadinho, de uma vez por todas: como avisou Paulo Portas, a direita só volta a ser governo com uma maioria absoluta.

 

Mas não, o nosso herói não gosta da ideia: “o CDS não nasceu para ser mordomo do PSD”. Curiosíssimo. O CDS acabou de governar com o PSD por 4 anos, do princípio ao fim do mandato, durante um dos períodos mais difíceis e cruéis da nossa história. Ajudou a livrar o país de uma encrenca colossal; e a ganhar as eleições seguintes, ficando a meia dúzia de deputados para voltar a governar. Mendes não vê dignidade nisto. No entendimento dele, o CDS não contribuiu para alterar a natureza de um governo do PSD; o CDS foi “mordomo”. E Mendes não quer vê-lo descer nunca mais a essa circunstância vil. Suponho que o PS, coligado com Mendes, reservaria para o CDS um lugar mais honrado. O raciocínio não parece lúcido, pelo menos à primeira vista; mas em algum plano ele deve ser impecável, porque o homem pensa à luz das “influências do parlamentarismo britânico”. Também diz que desde a geringonça “o regime constitucional mudou”, e nós já sabemos, neste ponto da entrevista, que a tradução desta frase em língua de Mendes é: “está aberta a porta para todos os conúbios torpes”.

 

A direita, continua ele, deve defender o Estado Social - para recuperar o voto dos funcionários públicos. Mendes não pensa no país. Se pensasse prevenia que o Estado Social, se o quisermos conservar, tem de ser visto e revisto com muita atenção, e sujeito a escolhas, porque não há nem vai haver dinheiro para o manter desordenado e gigantesco como está. Como também não percebeu que não é possível haver “elevador social” numa economia estagnada. E diz que “a ideologia foi suspensa no tempo da troika”, talvez a frase mais incompreensível da entrevista inteira; a ideologia é um ponto de vista, nunca pode ser “suspensa” e não foi, sobretudo no tempo da troika. Como é que este filósofo imagina que “a salvação do país” é possível sem um ponto de vista?

 

Nenhuma destas gotas de sabedoria em estado concentrado chega sequer perto do momento em que Mendes declara o seguinte: “qualquer político que queira o poder por boas razões faria a mesma coisa na posição de António Costa”. É preciso ler a frase duas vezes para acreditar. “Qualquer” político? “Qualquer” mesmo ou qualquer um daqueles do círculo de Mendes, por quem ele tem estima? Da variedade dos “temíveis”, como o Galamba? E o que é que Mendes considera “boas razões”? Quem é o candidato a governante que não acredita ter “boas razões” para querer o poder? Compreendi mal ou Mendes considera legítimo e aceitável que um político, por ter sido derrotado ou por ter “boas razões”, traga o radicalismo para o poder? E que em troca de apoio parlamentar esse político “qualquer” aceite entregar aos extremistas todos os lugares importantes que eles quiserem no aparelho do Estado, para que nunca mais se possam de lá tirar?

 

O cavalheiro é dirigente do CDS, e anda à solta pela paisagem a dizer estas preciosidades. Ele confessa, a dada altura, que há lá gente ainda mais socialista do que ele. E eu, que já vou conhecendo o meu partido, confirmo que também vi. O que não sei, e era bom que alguém se ocupasse de explicar, é se há lá alguém que reconheça e confirme esta linha política. Só para percebermos onde anda a direita, se essa escolha existe, ou se temos de nos resignar para sempre a estes “príncipes da política”.

 

 

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 03:06
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Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Os trabalhos do Grupo de Trabalho sobre a Dívida

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Se há pecado que não se pode apontar ao António Costa é o da imprevisibilidade. Aldraba sempre, nunca decepciona as esperanças que se depositam nele de se lhe ver sempre sairem inovadoras e fantásticas aldrabices.

Se há coisa que não seja necessária para conhecer as posições dos socialistas costistas no governo, é necessário especificar por extenso porque outros socialistas, ou estes na oposição, têm posições diferentes, e dos bloquistas sobre a dívida é formar grupos de trabalho mistos. Toda a gente conhece as suas posições, onde convergem, na ambição de a dívida não vir a ser paga pelos portugueses, e onde divergem, na preferência dos bloquistas por não a pagar aos credores recorrendo a processos de "renegociação" necessariamente musculados, e na dos socialistas por embarretarem os parceiros europeus e os convencerem a pagá-la eles recorrendo a processos de "mutualização". Também são posições que não são derimíveis em grupos de trabalho, porque a confiança de cada um deles na exquibilidade e nos benefícios da sua via preferida é formada através da fé, e não há folhas de cálculo que convençam qualquer deles que a proposta do outro é mais exequível ou melhor. Aliás, as folhas de cálculo prestam-se tão bem a apoiar a tomada e decisões quando são programadas objectivamente, como para tentar enganar os outros quando são programadas para lhes tentar provar a opinião que se leva para a discussão.

Mas se os grupos de trabalho não servem para os partidos afirmarem as suas opiniões sobre o tema, nem para os derimirem e chegarem a um entendimento comum, para que é que servem? Servem para o António Costa aldrabar os tontos dos bloquistas e os manhosos dos socialistas que sonham fazer tremer as pernas do banqueiro alemão com a ameaça da reestruturação da dívida, deixando-os discuti-la em mais um daqueles grupinhos de trabalho que os vão ocupando e acalmando, e lhes vão acalentando as esperança de um dia isto virar socialista no sentido bolivariano do termo, o Grupo de Trabalho sobre a Dívida.

Exactamente aquilo que se faz quando, para ter meia hora de sossego no escritório, se põe uma cassete da Disney no leitor de vídeo e se deixam as crianças na sala, na esperança de que elas não descubram por si só o Canal 18 enquanto estão sozinhas, o grupo de trabalho era apenas para os entreter caladinhos, e até deixou na sala um secretário de estado para garantir que as crianças não descobriam mais do que deviam a mexer no telecomando.

Para motivar ainda mais as crianças e fazê-las sentir que têm superpoderes prontos para serem colocados ao serviço da revolução socialista, o governo decidiu adiar a revelação do relatório do grupo de trabalho para 26 de Abril, depois de ser divulgado a 21 de Abril o resultado da revisão da notação da dívida portuguesa pela agência de notação DBRS, como se a sua revelação pudesse desencadear o tal tremer de pernas, no caso presente, as da única agência de notação que, por mais que os juros da dívida pública portuguesa aumentem, persiste em classificá-la como dívida de confiança que um dia, se Deus quiser, alguém há-de reembolsar.

Mas até lá, pelo sim, pelo não, e como o mundo é pequeno e a agência de notação pode ir lendo as notícias que saem nos jornais portugueses, o governo já avisou o mercado que os meninos estão a fazer o trabalho que lhes distribuiu para fazer mas o governo não vai assinar o relatório, as conclusões são apenas para emoldurar na galeria de retratos do caminho para o socialismo, e vai continuar todo como dantes. A dívida não vai ser alvo de um processo de renegociação nem de reestruturação. Não porque o governo pretenda pagá-la, também nisto o António Costa não decepciona as expectativas, mas porque pretende, ou diz que pretende, no caso dele o que pretende e o que diz são variáveis independentes, convencer os parceiros europeus a pagarem-na eles com o dinheiro dos seus contribuintes, de acordo com o princípio socialista os contribuintes que paguem a crise, com vantagem óbvia se forem contribuintes para a nossa crise mas eleitores para outros governos.

Fora isto, ou melhor, incuindo isto, continua todo calmo, tudo na mesma.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:48
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Quinta-feira, 30 de Março de 2017

A boca do lobo a morder na nuca do povo

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Hoje metemos mais 2.500.000.000€  na Caixa Geral dos Depósitos. É um número complicado de ler por extenso? Eu ajudo-vos. Todos os portugueses meteram, cada um, 250 € na CGD. Cá em casa não faltámos à chamada com os nossos 750 €. Temos que ser uns para os outros.

Para quê? Para termos um banco público que conceda crédito à economia, nomeadamente às pequenas e médias empresas [LOL].

Porquê? Porque os socialistas do governo chefiado pelo José Sócrates e de que fizeram parte a maior parte dos membros do governo actual, a começar pelo próprio António Costa, torraram o dinheiro do banco público a conceder crédito a fundo perdido a grandes projectos de investimento sem viabilidade que o governo socialista queria promover para mostrar a modernidade que tinha trazido para o país, ou a amigos dos governantes, ou mesmo a testas de ferro para comprarem lugares na administração de bancos privados para os amigos dos governantes.

A grandes capitalistas e latifundiários.

Como se dizia antigamente, e até se levaram canções ao Festival da Canção RTP de 1975 da canção a propósito do tema, que cairam em desuso, mais por os lobos terem passado a ser oficialmente considerados animais simpáticos e inócuos do que por o grande capital e os latifundiários terem deixado de arranjar processos vários de nos continuar a meter na boca do lobo a morder na nuca do povo.

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 18:14
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Quarta-feira, 29 de Março de 2017

Grilo falante

Não fazia ideia de que ainda houvesse mercado de ganhões. Mas tropecei nesta entrevista e, como a notícia era curta, calhou lê-la até ao fim.

 

Em princípio, manda a prudência que não se leiam entrevistas de ex-ministros da Educação: há décadas que o lugar é cativo de lunáticos, intelectuais de pacotilha e doutorandos em ciências de tretas pedagógicas. Com excepções, claro: Manuela Ferreira Leite não pertencia a nenhuma destas categorias, mas à de encarregada da intendência; nunca ninguém soube em que escola de pensamento encaixar Guilherme de Oliveira Martins, por o homem levitar intelectualmente no vácuo; e o actual encarregado da pasta não se ocupa realmente de questões de educação mas de assuntos sindicais.

 

Marçal Grilo é geralmente respeitado por ter ideias próprias, ou ao menos compradas a autores menos conhecidos, uma raridade; e universalmente se lhe reconhece um entranhado amor à formação científica, para a qual deu um grande impulso sob a égide de António Guterres, o famoso estadista que vivia consumido por uma ardente paixão pela educação.

 

O esforço dos dois não foi esquecido. E é hoje consensual que para o país sair da crise, ou progredir, ou apanhar o pelotão da frente da União Europeia, como dizia o saudoso Cavaco, ou ser um país a sério, como diz com frequência o ex-ministro e actual comentador Coelho, há que investir na educação.

 

Tem-se investido na educação, graças a Deus e a estas luminárias. E com excelentes resultados - tanto que a geração actual é pacificamente descrita pel'A Bola, o Bloco de Esquerda e o comentariado como a geração mais bem preparada de sempre.

 

O progresso é que, desgraçadamente, não se tem materializado, a tal ponto que há dez anos que a dívida vai a galope, por contraponto às três décadas anteriores, em que se limitava a trotar.

 

Isto, em alguns espíritos cépticos, faz nascer a dúvida: se a geração mais bem preparada de sempre é contemporânea da maior dívida de sempre, e dos crescimentos mais anémicos de há muito, talvez a educação, só por si, não garanta nada. E a constatação de que, geralmente, nas sociedades que muito progridem a educação progrida também, poderia ter como explicação que o progresso exige educação, mas não é causado por ela.

 

Ideia perturbadora. Porque, se for assim, o exangue contribuinte português sustenta um ensino pletórico para dar formação a gente que na realidade vai alimentar outras economias. E isto sem quaisquer garantias de retorno, porque o emigrante português actual, ao contrário dos seus pais e avós, não manda dinheiro para a família, nem sonha construir uma maison no terrunho. Pior: dantes exportávamos os excedentes de mão-de-obra não qualificada que nada tinham custado à comunidade a produzir, e era portanto tudo lucro; e agora mandamos enfermeiros para Inglaterra, arquitectos para o Dubai e engenheiros para a Alemanha, e eles, que já não vivem em bidonvilles, descobrem - ingratos - que Portugal é bom, apenas, para vir de férias fora da época da neve.

 

Apesar disto, e do país falido e exangue, Marçal e todos os outros grilos avisam para "risco de desinvestimento no ensino". E insistem que devemos gastar, gastar cada vez mais, porque o crescimento até agora não veio, mas virá com os netos. Os netos de quem? Ora, é bom de ver: da tal geração, a mesma que, devido a contrariedades sobre as quais Grilo não cogita, não quer ter filhos, ou tem-nos lá fora.

 

Daí que o lamento "formamos gente de topo e os alemães levam aos 30 engenheiros" seja uma involuntária autocrítica: faço parte de uma geração de imbecis que confunde correlações com causalidades; não tenho ideia nenhuma que preste sobre o que realmente trava o desenvolvimento do país; os alemães só não levarão, em vez de 30, trezentos engenheiros, porque não haverá; entretanto, faço feiras de mão-de-obra para exportar carne tenra, e sobre elas dou entrevistas a beócios que me bebem o asneirol como se fosse néctar.

publicado por José Meireles Graça às 21:16
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Segunda-feira, 27 de Março de 2017

A Bela e o Monstro ou, as saudades que eu tenho do presidente Cavaco Silva

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Querem saber a diferença entre uma senhora, ainda que oriunda da mais banal classe média, e um palhacinho burgesso, ainda que oriundo de uma elite social e cultural?

Peçam-lhes para fazer uma gracinha parva para a câmara, por exemplo, dar um saltinho.

A senhora de classe média declinará o convite amavelmente, ainda que deixando bem claro que não aprecia convites para fazer figurinhas parvas, respondendo algo como "I should'n dream of doing that. Why should I? I see no significance whatsoever in making a jump up in the air.".

O palhacinho de classe elevada aceitará o convite com a elegância própria da classe de origem com que o poderia fazer, por exemplo, o doutor Rebelo de Sousa se fosse convidado a fazê-lo. E o palhacinho burgesso saltará e abanará as banhas com a elegância de um porco.

 

PS: Roubado, e faz parte do serviço público deste blogue, ao Pedro Ramalho Carlos e ao João Caetano Dias, no Facebook, a quem peço a licença para difundir ao mundo.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:37
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Domingo, 26 de Março de 2017

A Solidariedade Individual e a "Solidariedade" Estatal

 

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Antes do Estado Social (iniciado no séc. 19 por contraponto ao avanço do socialismo) a solidariedade era praticada dentro da família nuclear (pais e filhos, família com laços de sangue alargada, grupo de amigos).

Com o advento do Estado Social, a solidariedade alargou-se ao conjunto do país. Como os socialistas, braço político, muitas vezes democrático, da implantação do Comunismo, faziam culturalmente força para implantação da solidariedade institucional para com os desprotegidos, unidos em torno dos sindicatos surgidos na Revolução Industrial, os conservadores (ver Bismarck) encontraram uma solução que parecia satisfazer gregos e troianos.

Nessa solução que buscava a paz social, todos seríamos obrigados, por via fiscal, a contribuir com uma margem do rendimento do nosso trabalho, a compensar desigualdades sociais e genéticas de membros da sociedade que a fortuna desprivilegiou.

Concordemos que na base a ideia é justa, correcta e equitativa quando aquilo que o Estado Social nos obriga a contribuir é da ordem dos 10%, 15, vá lá, 20%, do fruto do nosso esforço no trabalho (hoje, em Portugal, 70% do nosso rendimento vai para o Estado - temos 165% da média europeia em termos de esforço fiscal).

Teoricamente, em poucas gerações de Estado Social, o fosso de desigualdades seria compensado e os desprivilegiados tenderiam a extinguir-se por força da contribuição social para o reforço de alargamento de oportunidades pelo subsídio dado aos mais pobres que depois se arrancariam da miséria pelo proprio esforço apoiado pela sociedade.

Foi assim? Em parte, sim. Fruto da liberdade económica, da racionalização do aproveitamento da mão de obra e da distribuição normal da recompensa pelo esforço individual, a pobreza diminuiu como nunca antes. O Estado Social? Sim, terá dado apoios, bolsas de estudo, ajudas a quem morria de fome, mas não foi o factor decisivo para a diminuição da pobreza. O factor decisivo foi acabar com modos feudalistas de exploração dos desprivilegiados e o grande motor: o avanço técnico e as grandes economias de escala na agricultura, na indústria, e mais recentemente nos serviços pela aplicação massiva das tecnologias da informação.

Grande problema do Estado Social? Os gestores do mesmo. É que quando os orçamentos dos estados democráticos começaram a crescer, sectores sociais, famílias, grupos, organizados em partidos extractivos de rendas, compreenderam que a melhor, e mais fácil fonte de rendimento, seria a apropriação de uma margem entre aquilo que é colectado a todos nós e aquilo que é distribuído em nome dos mais pobres (que, recordo eram cada vez menos). Eram. Porque a pobreza em alguns estados sociais ocidentais começa de novo a avançar enquanto os tais partidos extractivos cada vez estão em melhor condição de praticar a solidariedade individual para o seu grupo familiar e de amigos e a grande maioria foi transformada em simples contribuinte (nas maternidades o número de contribuinte é dado simultaneamente ao teste auditivo do recém-nascido).

O que aconteceu? Aconteceu o Socialismo. Os representantes do povo que era pobre, os grandes defensores da causa social da solidariedade nacional usaram a medida conservadora para implementar o sistema que permitiu criar uma nova elite social: os intermediários enriquecidos entre os que produzem e os desprivilegiados. E estão aí a gerir rendas, a usar e explorar o fruto do esforço dos produtivos para crescimento da sua riqueza individual através da gestão do Estado e dos seus fins teoricamente bondosos.

Sempre em nome dos pobres, estamos a acabar com a solidariedade individual, familiar e comunitária, em favor da "solidariedade" institucional e anónima que permite criar e manter a casta dos intermediários que nos dizem através dos media (um vírus social mortífero) que é sempre preciso mais e maior Estado central para gerir a "solidariedade" dos contribuintes, simples números fiscais. E depois culpa-se a Internet, as redes sociais e o tempo que passamos nas relações web por acabarem com a família e os laços sociais tradicionais: - Não. O que está a acabar com o sentido comunitário é a doença imposta ao Estado Social subvertido nas suas bondosas intenções iniciais e que foi transformado numa gigantesca operação de exploração do Homem pelo Homem.

 

publicado por João Pereira da Silva às 10:42
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