Sexta-feira, 25 de Agosto de 2017

A Ilha dos Amores

2017-08-25 Simbologia-da-Ilha-dos-Amores.jpg

Enquanto o ministro Eduardo Cabrita e a Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género às ordens dele varrem dos escaparates os livrinhos de actividades para as férias para crianças dos 4 aos 6 anos que "acentuam estereótipos de género que estão na base de desigualdades profundas dos papéis sociais das mulheres e dos homens", e a escritora e gestora cultural Inês Pedrosa propõe acabar com a venda de brinquedos diferentes para meninos e para meninas nas prateleiras do Continente, o Bloco de Esquerda já vai muito mais à frente nas questões da igualdade do género, e já experimentou as casas de banho partilhadas no Acampamento Liberdade.

Como explicou a Ana Rosa, uma das campistas, "Para nós, não faz sentido ter casas-de-banho binárias. A separação homem/mulher é extremamente redutora". Está cheia de razão, não faz mesmo sentido nenhum.

Inesperadamente, em vez de usufruirem da oportunidade para "desafiar os limites do género e os papéis de género e os pudores", por exemplo, espreitando-se uns aos outros ou organizando brincadeiras uns com os outros durante o banho, os rapazes, provavelmente privados do papel que a revista Gina tinha tido na educação sexual de outras gerações de rapazes antes de ser removida da circulação por também reflectir os estereotipos de género, e movidos por uma curiosidade anacrónica pela anatomia do corpo feminino, ou meramente para organizarem uma experiência cultural de recriação da visita dos marinheiros do Vasco da Gama à Ilha dos Amores e verificação in-loco da hipótese colocada pelo poeta Luís Vaz de Camões no verso "andando as lácteas tetas lhe tremiam", usaram esta experiência para olhar para as raparigas, tendo provocado desconforto nalgumas delas. Boys will be boys.

Perante este inesperado revés, os bloquistas regressaram às casas de banho separadas. Mas o Ricardo Gouveia, moço novo mas já senhor de uma retórica espertalhona, não desiste, porque "continuamos a ter no nosso horizonte chegar um dia e poder dizer que vamos tornar isto misto, porque queremos mesmo desafiar os limites do género e os papéis de género e os pudores". Ah, Ricardo, Ricardo, o que tu queres sei eu!

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:56
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