Domingo, 18 de Janeiro de 2015

Adolfo

Evito escrever sobre quem me considero amigo. Posso, pessoalmente, enviar uma mensagem solidária, mas não escrevo publicamente. Talvez faça mal porque muitos dos amigos que exercem funções políticas têm tido um desempenho excelente em cargos que são muito mais exigentes do que a maioria dos Portugueses pensa (ou estaria disponível para aceitar) e são muito menos bem remunerados do que seriam no sector privado. Como disse, talvez faça mal, mas acho sempre que um elogio sincero ou uma saída em defesa contra a injustiça seria sempre confundido com amizade.

 

Várias vezes estive para quebrar esta minha regra. Curiosamente (que me lembre) sempre por causa do Adolfo Mesquita Nunes. Nunca o havia feito, mas faço-o hoje.

 

O Adolfo desperta amores e ódios. Um é do Paulo Morais (que já várias vezes me levou para o lado do computador). Paulo Morais é uma daquelas personagens que odeio. Incita o que de piores há no ser português: que todos os que vingaram na vida é porque tiveram cunhas, nunca reconhece o mérito, porque tudo o que vê são interesses. Do ponto de vista da escolha dos políticos a seguirmos o que diz teríamos um classe política ainda menos bem preparada ou formada apenas por professores universitários, dado não conhecer Advogado ou Gestor com mérito que não tenha que ter defendido os interesses dos seu clientes. Porém, o Paulo Morais é o Paulo Morais: um incontinente verbal que apenas vive da repercussão do que diz (a qual, sendo cada vez menor, tem imposto aumentos consideráveis no seu histerismo). Nada melhor do que nada dizer. Nada melhor do que não lhe dar qualquer repecussão.

 

Esta semana foi Rui Moreira que, num texto inconcebível, ataca de forma violenta o Adolfo. É pena. Escolheu mal o tiro, porque tudo o que diz não é verdade.

 

O Adolfo é um liberal da boa cepa, daqueles que faz no Governo o que disse pensar (ao contrário de outros que mudam o que pensavam por terem chegado ao Governo ou lá próximo).

 

É por isso que é tão injusta a crítica. Acusar o Adolfo de querer ficar com os louros da boa forma do turismo é tão ofensivo quanto ignorante.

 

Afinal, como qualquer liberal sabe, em geral, o mais que o Estado pode fazer é não atrapalhar, é não desajudar é não estragar. O Adolfo sabe-o muito bem. E acredita piamente nisso. Por isso o vemos, todos os meses, todas as semanas, todas as horas: o mérito deve ser partilhado com os meus antecessores (incluindo do PS, refere-o sempre), mas é sobretudo dos empresários que acreditaram, dos empresários que ganharam quota de mercado, dos empresários que souberam ver o melhor nesta crise.

 

Como a Margarida diz abaixo, a única coisa que pode irritar no Adolfo é esta forma suíça como sempre e a qualquer pergunta diz sempre que o mérito é do sector privado e que ele apenas pode ajudar baixando taxas, acabando com amarras burocráticas e desregulamentando para que haja mais sector privado.

 

Desconfio mesmo que o problema de Rui Moreira é não ter savoir faire para dizer, como o Adolfo (tenho a certeza) diria, que o mérito da baixa do Porto é dos empresários da baixa e não seu nem das suas viagens e aparições no Finantial Times. Essa é que é essa.

publicado por Diogo Duarte Campos às 23:57
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