Quarta-feira, 9 de Abril de 2014

Associação Portuguesa de Esquerdistas

«Eu gostava de dizer ao actual Presidente da República, aqui representado hoje, que este país não é seu, nem do governo do seu partido. É do arquitecto Álvaro Siza, do cientista Sobrinho Simões, do ensaísta Eugénio Lisboa, de todas as vozes que me foram chegando, ao longo destes anos no Brasil, dando conta do pesadelo que o governo de Portugal se tornou: Siza dizendo que há a sensação de viver de novo em ditadura, Sobrinho Simões dizendo que este governo rebentou com tudo o que fora construído na investigação, Eugénio Lisboa, aos 82 anos, falando da “total anestesia das antenas sociais ou simplesmente humanas, que caracterizam aqueles grandes políticos e estadistas que a História não confina a míseras notas de pé de página”».

 

 

Suponho que o representante do Presidente da República ficou mudo e quedo, mas eu teria saído pela porta fora. Que se o país não é o dele, e por conseguinte conseguiu o lugar por golpe de Estado, ou num sorteio da farinha Amparo, então não tem nada que presidir a coisa alguma. Dos numerosos co-proprietários do País estavam presentes o ensaísta Lisboa e o celebrado Siza, que podiam perfeitamente desempenhar o papel: ambos têm respeitável idade e fariam óptimos discursos, o primeiro elaborando um pouco mais sobre a anestesia dos coleópteros, o segundo sobre a abundância das liberdades em Cuba ou na Coreia do Norte.

 

Do discurso da laureada não me sobrou uma excessiva vontade para lhe ler a obra: tem a parte do eu isto, eu aquilo e eu aqueloutro, após a lisonja aos colegas e antes dos insultos ao poder político do dia, no meio do que somos inteirados de que "o que me interessa no romance não é o género, mas a ausência de género. Não é poesia e pode ser poesia, não é reportagem e pode ser reportagem, não é viagem e pode ser viagem, não é teatro, cinema, música, arquitectura, agricultura, cosmogonia, correspondência, folhetim, banda desenhada, arquivo, e pode ser tudo isso. Um romance é a liberdade em extensão. Um território de experimentação com um fôlego considerável, que ninguém conseguiu ainda circunscrever além disto: prosa, criativa, de extensão longa, escrita para ser lida".

 

Prosa criativa, de extensão longa, escrita para ser lida? Pessoalmente, tenho alguma dificuldade em imaginar prosa, de mais a mais longa e criativa, que tenha sido escrita para não ser lida, salvo os relatórios da ONU sobre aquecimento global. A não ser a desta romancista, no que me diz respeito. Não por dizer tanto disparate sobre matérias que não alcança - nenhum autor está acima disso; mas por dizer tanta asneira sobre assuntos dos quais devia entender.

publicado por José Meireles Graça às 12:27
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2 comentários:
De Tiro ao Alvo a 10 de Abril de 2014 às 14:09
Não pudemos levar a sério tudo o que esta mulher diz ou escreve: ela é louca e o seu olhar não engana.
De Artur Lopes Cardoso a 10 de Abril de 2014 às 20:23
Também não temos Presidente da República. Temos um reformado do Banco de Portugal que faz uns biscates, de borla, em Belém... E no qual me não revejo e não se revê a maioria dos Portugueses. Quanto à Alexandra Lucas Coelho, é uma deslumbrada com o Patropi, mas cada um é livre de se deslumbar com os lixos que quiser.

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