Segunda-feira, 8 de Setembro de 2014

Ave Amano, stipendiarii te salutant

Sou eternamente grato aos meus miseráveis dois anos de Latim, sem os quais teria com a língua pátria, e as outras que arranho, uma relação bem mais conflituosa.

 

Língua morta? Nunca o estará enquanto houver quem entenda que a eliminação do Latim dos programas do ensino secundário não trouxe nenhum benefício, muito pelo contrário - o interesse pelos clássicos e a capacidade de interpretação e escrita sofreram um rude golpe. E gente a entender isso mesmo há muita, cada vez mais, e mesmo (ou sobretudo) em países que não são latinos.

 

O Latim era a língua dos nossos longínquos avós e foi a língua franca de mais área do que a que hoje constitui a babel da UE durante muito tempo, mesmo depois de o Império se finar. E boa parte do que somos, da nossa (do Ocidente) cultura, das nossas instituições, leis e crenças, nasceu primeiro na Grécia, cujo génio Roma garantiu que não se extinguiria como se extinguiu o doutras civilizações brilhantes, mas consolidou-se e engrandeceu-se graças à Republica e ao Império, que nos deixaram, além disso e pelo menos, o Direito e o Cristianismo.

 

Mas a língua é um meio, não é um fim em si mesma. Precisamos dela para nos entendermos, mas também, na forma escrita, para guardar a memória de tudo o que se pensou, descobriu, criou, inventou e fez. E mesmo que para muitos povos faça também parte da identidade, imaginar que a preservação das línguas em risco de extinção - sem falantes, sem literatura e quase sem história - é o mesmo que a preservação das espécies é um salto lógico maior que a perna do senso comum.

 

Por isso, para combater o sumiço do tabesna, do sami e do occitano auvernês (ou do mirandês, já agora) não dou um cêntimo. Mas há quem dê: “Muitos idiomas em todo o mundo estão a perder-se rapidamente. É uma situação muito séria. Por isso, queríamos investigar de que forma a extinção se distribui globalmente.”

 

Olha, Amano, se é para fazer investigação histórica, conta comigo, mesmo que o âmbito seja este que referes - nada do passado está fora da investigação. Agora, se é para inventar meios para, com dinheiro público, sustentar moribundos - nem mo-lo digas.

publicado por José Meireles Graça às 00:30
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