Sábado, 23 de Janeiro de 2016

Carta ao eleitor

O Professor Marcelo enviou uma carta aos portugueses, não sei se a todos ou quantos. Dos outros candidatos não recebi cartas, graças a Deus. E se Marcelo soubesse que, por ter nascido em Plutão, antes da despromoção como planeta, eu tenho opiniões de extraterrestre, decerto me excluiria da lista. Porque a carta, para me agradar, precisava de outra redacção. Corrigi-a assim a meu gosto, trancando o palavreado de chacha e acrescentando, a itálico, o que deveria dizer para garantir a derrota nas eleições, em vez de uma vitória que não serve para nada.

 

Caríssimo/a,

 

Estou consciente de como o estado do mundo e da Europa não deixam antever anos fáceis e de como Portugal tem de sair claramente de um clima de crise financeira, económica e social, pesada e injusta inevitável, que já durou tempo de mais ainda não durou o tempo suficiente.

 

Para isso, considero essencial que haja desejável que haja como nas democracias mais avançadas convergências alargadas sobre aspetos aspectos fundamentais. Considero ainda que não há desenvolvimento, nem justiça, nem mais igualdade com governos a durarem seis meses ou um ano, ou dois, ou uma legislatura, sempre que com ingovernabilidade governabilidade crónica à esquerda e sem um horizonte que permita aos governados perceberem aquilo com que podem contar no quadro da composição parlamentar resultante daquilo que votam que não se diminui a despesa aumentando-a nem se cria riqueza distribuindo-a. Mas a estabilidade e a governabilidade têm de estar ao serviço do fim maior e o fim maior na política é o combate à pobreza, é a luta contra as desigualdades e é a afirmação da justiça social a afirmação do Estado de Direito, o respeito intransigente dos direitos do indivíduo e a reafirmação da independência nacional possível nas actuais circunstâncias do país.

 

A minha ideia é a de um Portugal com mais justiça e mais igualdade Justiça a funcionar em prazos razoáveis e protecção nas situações de miséria, desemprego, fome e falta de recursos para acesso a ensino até ao secundário, bem como cuidados de saúde. Um Portugal que seja ao mesmo tempo mais justo e uma ponte universal onde haja crescimento económico sem que o Estado o tente promover por outra forma que não seja a remoção de obstáculos, consciente das suas limitações e de que as únicas pontes que vale a pena estabelecer são as do interesse mútuo.

 

Vivemos hoje uma época em que ainda não percebemos as capacidades de que dispomos, mas em que sentimos sempre que nos falta mais um pouco os políticos, que deviam ser uma elite que aponta o caminho, são uma classe que lisonjeia abjectamente quanto disparate tem acolhimento na opinião pública. Acredito que não nos faz falta estabelecer pontes e laços entre todos nós para que possamos encaminhar o País para um futuro mais risonho. E os consensos políticos são essenciais não apenas dispensáveis mas prejudiciais a esse caminho.

 

Para isso lanço um apelo à sua participação. À participação de todas as portuguesas e de todos os portugueses. Seja qual for o seu candidato, vote. Participe. Não abdique do seu direito. Não desista da democracia. Não desista do nosso país.

 

Conto consigo para trabalharmos juntos trabalhar honestamente na defesa do seu interesse próprio porque, ao fazê-lo, estará também a ajudar a comunidade. Um abraço amigo Respeitosos cumprimentos, Marcelo Rebelo de Sousa.

publicado por José Meireles Graça às 18:30
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1 comentário:
De Carlos Conde a 25 de Janeiro de 2016 às 22:28
Agora é simples: a versão sensata da carta até já está escrita.

Vamos ver se inspira algum futuro candidato.

De qualquer modo, mesmo que surgisse um candidato a subscrever tal carta e a ganhar as eleições, não estou a ver o que poderia fazer de útil na função de PR.

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