Quinta-feira, 15 de Outubro de 2015

Costa de costas

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"É hora, devo ir!"

Costa ainda estará  à frente do PS por horas? Dias? Chegará a congresso? A sua posição tornou-se completamente insustentável a partir de ontem: a posição firme de Passos, os resultados finais com a  votação dos emigrantes, a "soprada" decisão de Cavaco, o tapete tirado pelo PCP, acabaram com qualquer veleidade.

Resta-lhe voltar para o parlamento onde será sempre um espinho cravado na credibilidade do PS, arrastando penosamente o peso da sua culpa por soberba, e recordando aquele que foi talvez o maior abalo democrático desde 75. Apanhámos um valente susto.

Quem será o homem que se segue no PS? Que obra gigantesca o espera? Recuperar a credibilidade desbaratada por Costa nesta campanha e pós, será trabalho muito duro.

O PS é necessário para a democracia portuguesa. Oxalá corra tudo bem no período cheio de incógnitas que se avizinha e se consiga reestruturar a tempo de participar com mensagem de realidade e esperança em futuras eleições.

Boa sorte. 

 

publicado por João Pereira da Silva às 06:22
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16 comentários:
De Makiavel a 15 de Outubro de 2015 às 09:54
Completamente ao lado da realidade, este texto. Wishful thinking da coligação.
De João Pereira da Silva a 15 de Outubro de 2015 às 10:43
Caro Mak,

Por favor diga lá onde espraia as suas convicções para poder ir lá verificar a "realidade". Tome lá mais uma das minhas:

- Será o PS a fazer o trabalho sujo de empurrar Costa para o canto esquecido da história. E os colegas golpistas do BE e PC ainda agradecerão porque o peso de governar é superior ao de mandar bocas destrutivas na oposição crónica (único modo de vida para muitos).
De Makiavel a 16 de Outubro de 2015 às 15:35
Não são convicções, basta ver as notícias.

"o tapete tirado pelo PCP?
Wishful thinking.

"soprada decisão de Cavaco"?
Qual? Indigitar Passos Coelho para PM? E daí? Cairá na 1ª votação. A não ser que esteja a contar com a desejada dicidência no PS para atingir a estabilidade governativa. E que estabilidade sairia disso...

"maior abalo democrático desde 75"?
O senhor ainda não saiu da década de 70. Arrisca-se a ficar por lá.

"quem será o homem que se segue no PS"?
Não sei mas parece-me que não é para já. Mais rapidamente estará Rui Rio a concorrer contra Passos no PSD.

Parafraseando um escritor americano diria que o anúncio da morte política de António Costa revela-se demasiado exagerada.
De Nãoseinada a 15 de Outubro de 2015 às 10:02
Não sei nada a não ser que o PR e a coligação têm andado de diarreia só de pensarem que, livres das grilhetas ideológicas, finalmente Portugal poderia ser governado à esquerda
De João Pereira da Silva a 15 de Outubro de 2015 às 10:39
"Sua Excelência anónima que nada sabe":
Convém definir "governo" e explicar como as grilhetas ideológicas desapareceram da noite para o dia.
Não devemos responsabilizar apenas a escola pública pela falta de memória. Afinal as pessoas também pode aprender autonomamente. Se não o fazem, é por escolha própria.
Boa continuação de delírio.
De Anónimo a 15 de Outubro de 2015 às 10:59
Presumir nada saber é sinal de inteligência -"Só sei que nada sei". O seu comentário é muito lúcido e prova que tem sabedoria, boa memória e algum humor.
De João Pereira da Silva a 15 de Outubro de 2015 às 11:01
Sim. Aliás "nada saber" ajuda imenso a singrar.
De Anónimo a 15 de Outubro de 2015 às 11:25
A parte hilariante do seu comentário (e da nossa extrema esquerda) é a perpetuação da ideia que Portugal nunca foi (nem é) governado à esquerda.

É um pouco quem vive no norte extremo de Portugal, mesmo na fronteira com Espanha, e diz que (todo o Portugal) é o sul. É mesmo esse o problema da nossa esquerda, vivem tão no extremo que tudo o resto já fica "para a direita".

Venha mais um resgate, pois ao contrário do que a "extrema esquerda" diz, já fomos governados várias vezes por uma esquerda quase ideológica e o resgate foi mesmo o desfecho inevitável. -- E não, não me refiro a Sócrates.

Mas já que falamos dele... relembre-se que o único problema que esta "extrema esquerda" alguma vez teve com Sócrates é que este não estava a gastar o suficiente.
De Roubado a 15 de Outubro de 2015 às 12:27
Onde estão os 78 mil milhões do resgate? Quanto pagámos pelo BPN? Quanto vamos pagar pelo BES? E pelo BANIF e pela CGD? e pelo BPP? E pelos SWAP's, negociados pelo ministra das finanças? E os submarinos? É que nisto tudo só vejo gentalha do PSD.
De João Pereira da Silva a 15 de Outubro de 2015 às 13:38
Caro "Roubado",

Desejo-lhe que ponha trancas à porta.

São muitas perguntas para um só homem responder.

Respondo-lhe à dos 78 ,mil milhões:

- Foram aplicados no pagamento de dívida feita com projectos megalómanos com o fim de enriquecer uns quantos durante os governos anteriores.

- Foram usados para pagar subsídios de desemprego a gente que ficou sem emprego pela deriva política de acharmos que tínhamos de produzir pouco e gastar muito em bens estrangeiros descurando a competitividade e produção nacional.

- Pagaram pensões de um sistema regressivo que favorece os que mais têm. (ver posts anteriores aqui no blog sobre o assunto).

- Financiaram um estado ineficiente e pouco produtivo com salários superiores à média dos privados. Repare que há muitos funcionários públicos bons, capazes e trabalhadores, mas o sistema herdado oferece muitas dificuldades.

- Pagaram o custo de algumas reformas indispensáveis e correcções que, apesar de tudo o que se possa dizer, o governo actual executou. A evolução dos indicadores económico-financeiros está disponível para consulta em entidades nacionais independentes e internacionais.

Por último, o dinheiro da troika veio a taxas de juro que não conseguiríamos obter no mercado e sem ele teríamos falido, deixado o euro e entrado em completa desgraça e miséria.

Acha pouco?

Quanto às restantes questões, por favor vá lendo por aí que há muita informação disponível.

Cumprimentos.
De Francisco a 15 de Outubro de 2015 às 12:22
Desde sempre o PS se julgou ungido pela providencia divina. Só precisam de existir. Creio que finalmente a longa noite de 40 anos estará a findar. Não há predestinados nem o PS é indispensável à democracia.
De João Pereira da Silva a 15 de Outubro de 2015 às 12:27
Caro Francisco,

Apesar de tudo um PS moderado e realista será melhor que termos de lidar apenas com radicais?

Sem PS, arriscaremos o perigo da falta de alternativas para rotação democrática. Não concorda?
De Francisco a 15 de Outubro de 2015 às 16:40
Meu Caro João,
Começo a duvidar que exista esse tal PS moderado. Apesar de constatar que alguns nomes sonantes se afastam de mansinho do António Costa e da sua entourage esquerdalha (repare-se em quem o anda a acompanhar, quando deveriam ser elementos do secretariado geral). Creio mesmo que é mais fácil, porque são genuínos e acreditam no que defendem, perceber o velhinho PC do que esta gente.
E deixe que lhe diga: em política não há vazios, e o espaço que o PS neste momento está a deixar de fora será naturalmente preenchido por outrém, e não necessáriamente dos actuais partidos. Essa sim poderá ser a rotação democrática que o António Costa ainda não percebeu que lhe irá acontecer.
De João Pereira da Silva a 15 de Outubro de 2015 às 16:44
Caro Francisco,

E é natural que assim seja. Haja visão, coragem e inteligência para fazer de facto diferença e não ser mais do mesmo. O eleitorado talvez comece a ser mais exigente, informado e vivo. Espaço, de facto parece haver e os velhos partidos têm respostas ultrapassadas.
De AJorge a 15 de Outubro de 2015 às 13:17
Só lamento o meu voto no PS. Não votei PS para ver o meu partido unir-se a uma extrema esquerda utópica.
Desde que me conheço sempre votei PS mas jamais voltará a acontecer. O meu cartão de militante já era!
De João Pereira da Silva a 15 de Outubro de 2015 às 13:22
Caro AJorge,

E ficar e lutar? Vá lá, Costa será passageiro e há esperança de que venham melhores tempos.

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