Sábado, 14 de Maio de 2016

Dicionário de Marcelo (2)

Apesar de ser uma secção praticamente confidencial deste blogue para o qual que tenho a honra de contribuir, vou continuar a traduzir Marcelo, para os que possam considerar útil a tradução.

Talvez mais por inteligência do que por educação, e certamente que não por mero formalismo institucional, o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa nunca será ouvido a chamar asno a um político. Isso não significa que ele seja mentiroso, como alguns que gostavam de o ver apontar mais para os asnos, que os há, receiam, mas apenas que há outros instrumentos mais eficazes para erradicar a asneira da vida política portuguesa do que apontá-la e despertar nos asnos um instinto de entrincheiramento que os pode ajudar a prolongar a asneira e a justificar os seus falhanços com base em críticas e condicionamentos por terceiros.

Isto dito, vamos passar à análise propriamente dita. A frase de hoje é "Estado laico tem sido sábio ao não atacar a Igreja".

O que é que isto significa?

Significa o que parece? Facto! 

Significa que não há "menos sábios" no Estado laico, que se proponham atacar a igreja? Não está no texto. 

O que isto significa é mesmo que há "menos sábios", no Estado como na sociedade, a promover causas como o ataque aos colégios com contratos de associação, em que atacar a igreja é, se não o principal objectivo declarado, um dos objectivos bem evidentes. E o presidente, continuando a não apontar para eles, não deixou de dizer, outra vez, e desta vez com menos ambiguidade do que tem sido seu hábito, que sabe bem quem eles são e onde eles estão.

Como seria de esperar de um camaleão supremo, cujo princípio mais ético é conduzir com um olho no boletim de voto e outro no eleitor, e cinquenta mil alunos são, à razão de dois progenitores por aluno, cem mil eleitores, o primeiro ministro correu a acalmar os ânimos que as exaltações anti-clericais dos seus asnos inquietaram. Enquanto aquela gente tiver direito de voto, não se lhe vão tirar os meninos do colégio.

 

PS: Esta semana, o presidente ainda disse outra frase.

"De quando em vez ouve-se uma ou outra voz na sociedade portuguesa, um pouco estranha, quase aberrante, a dizer: não é bom haver trabalho voluntário, deve haver prioridade ao trabalho pago ... a disponibilidade para os outros rejuvenesce e é a única forma de verdadeira realização pessoal".

Esta não tem ambiguidade nenhuma. O presidente anda, ou a perder o treino, ou a paciência.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:13
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