Quinta-feira, 24 de Setembro de 2015

Dura lex sed mollis

No dia 4 do mês que vem vamos eleger a Assembleia da República. É um dia alegre - livramo-nos da campanha eleitoral, da promessa diária matutina de Costa, quando vemos as notícias à hora do almoço, da promessa diária vespertina do mesmo inimputável, quando as vemos depois do jantar, da vozinha esganiçada de Catarina, a fingir que não é comunista, das homilias de Cunhal reencarnadas num simpático operário fóssil, dos discursos cansados da Coligação, cavalgando o asneirol que a oposição ministra liberalmente, ao qual, aqui e ali, acrescenta os seus deslizes, e da floresta de comentadores que se entretêm com tudo isto.

 

Lá pelas oito da tarde, ou pouco mais, saberemos, se for verdade que não há maioria absoluta, que tipo de confusão vamos ter: se o PS ganhar, quanto tempo será preciso para o seu eleitorado se arrepender pelos incumprimentos de promessas, impostos por Bruxelas e a moeda única, e pela derrapagem de todos os magros indicadores positivos, inevitáveis sob uma gestão socialista; se ganhar a coligação, quanto tempo durará um acordo mole na Assembleia, até o PS achar que a situação está madura para novas eleições, ou a coligação se fartar de não conseguir impôr quase nada da sua, aliás magra, agenda reformista.

 

Pode não ser assim, claro, que há mil maneiras diferentes de prever o futuro, e só uma em que ele acontece, que poderá ser a milésima primeira. Os imigrantes, os refugiados, o preço do petróleo, o papel do BCE, o referendo em Inglaterra, a queda de um meteorito, a invenção do motor movido a água, um terramoto em Lisboa, até mesmo, se quisermos exagerar, a vitória do Benfica no campeonato - tudo pode influenciar o curso dos acontecimentos.

 

Entretanto, temos que viver. E a nova Assembleia, bem ou mal, cumprirá enquanto durar o seu papel de fazer leis, boas ou más, às quais, gostemos ou não, temos que obedecer.

 

Todos? Não. O Instituto dos Registos e do Notariado "discorda e, contra a lei, não emite os cartões. Pelo menos, até encontrar uma solução que satisfaça a segurança das assinaturas electrónicas, que diz estar em causa com esta alteração legal".

 

Claro que o presidente do IRN, um tal Ascenso Maia, já devia estar demitido - afinal a notícia já tem uma semana e, para demitir um funcionário que, mesmo que com boas razões, se recusa a cumprir uma lei da República, deve bastar um telefonema, no intervalo de duas arruadas.

 

Mas, da demissão, não há notícias. Isto das campanhas eleitorais perturba os responsáveis políticos. Ainda que, mesmo fora delas, com frequência sejamos atingidos pela suspeita de que, quando não estão em campanha - é como se estivessem.

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publicado por José Meireles Graça às 02:16
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