Terça-feira, 11 de Abril de 2017

É para isto que os meninos andam a ser educados.

Os finalistas da geração mais bem preparada de sempre de Portugal, os que se tiverem tido média de 19 vírgula picos e se conseguirem acabar o curso daqui a meia dúzia de anos nos podem retalhar o peito para nos destroçar o coração, ou os pulmões, compraram uma férias em Torremolinos com bar aberto desde as 10 da manhã, e dedicaram o resto do dia a tentar demolir o hotel, ou pelo menos as convenções, instalando televisores nas banheiras, sofás nos elevadores e lançando pelas janelas colchões voadores. Uns labregos.

[Eu também já fiz uma viagem de finalistas. Fui a Londres em Abril de 1974, fui a 7 e regressei a 17. Ficámos numa residencial da universidade de Londres perto de Russel Square que não vandalizámos. Vimos pela primeira vez televisão a cores, e que bonito era ver futebol a cores... Não nos embebedámos, se bem que alguns tenham experimentado o seu primeiro charro, e outros perdido a inocência, na época não era nada mau perder a inocência aos 16 anos, uns com amadoras, outros com profissionais, um dos quais não chegou a perder porque aquilo era um esquema de pagar bebidas e a ele acabou-se-lhe o dinheiro antes de chegar ao último nível. A maior parte foi ver o Oh! Calcutta! e o Last Tango in Paris, que só alguns, como o João Gonçalves, que era da selecção nacional de juvenis de handball, tinha visto até aí quando jogava lá fora. Éramos just a bunch of regular decent guys. Uma semana depois acabava a ditadura, e um ano e meio depois começava a democracia. Por enquanto ainda dura.]

Os papás, e nada como os representantes dos papás para representar os papás, correram a explicar que era muito natural, e os da Confap, uma espécie de Fenprof do encarregados de educação, e eu digo isto tendo sido presidente de uma associação de pais, a do Instituto Gregoriano de Lisboa, meteram as mãos às ancas e esclareceram que, se não fosse para os meninos partirem aquela merda toda, os tinham mandado rezar para Fátima. Em resumo, a expulsão do hotel, antes de terem sequer completado a demolição, foi um exagero.

Já o ministro, esse pau mandado na Fenprof e, pelos vistos, da Fenprof dos encarregados de educação, pôs água na fervura, e disse que é preciso perceber com serenidade o que aconteceu antes de julgar os meninos.

2017-04-11 Fidelidade -Tiago Brandão Rodrigues.jp

Em resumo, explicam os pais, explica o ministro, é para isto que os meninos andam a ser educados.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:20
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21 comentários:
De O Santo a 11 de Abril de 2017 às 21:10
Em suma, pelo que foi descrito pelo comediante deste blog, enquanto uns se dedicam à demolição de hoteis, outros noutros tempos, iam ter com as p*tas... Um sinal dos tempos. Está explicado, quem sai aos seus não degenera.
De Manuel Vilarinho Pires a 11 de Abril de 2017 às 22:47
A sua crítica literária é muito interessante, mas, infelizmente, não tomamos em linha de conta as críticas dos críticos anónimos. Temos todo o gosto em que participe na discussão, mas trate de se identificar primeiro.
De Makiavel a 12 de Abril de 2017 às 07:59
Não sabia que havia por aqui polícias a pedir a identificação de quem quer emitir opinião.

Tenha juízo e comente as ideias, não os autores.

A única coisa que é preciso garantir é que as opiniões são expressas por pessoas, não por bots e isso é garantido com a chave de letras no final de cada comentário.
De Manuel Vilarinho Pires a 12 de Abril de 2017 às 12:06
Eu não quero comentadores anónimos nas minhas publicações, porque têm vindo a público uma série de casos que permitem perceber que, sempre que os socialistas estão no poder, espalham pelas redes sociais uma rede de prostituição de comentadores que, a troco de honorários de assessoria, para eles ou para familiares, ou de lugares nos gabinetes governamentais, ou nos quadros do partido, ou em lugares elegíveis em listas de candidatura ao parlamento, ou mesmo em conselhos de administração de empresas onde o governo consegue nomear administradores, se dedicam a, sob anonimato, louvarem os seus chefes e lançarem lama sobre os que eles identificam como os seus inimigos nas redes sociais.
Pelo que, em casos como o seu, nem me dou ao trabalho de investigar se são membros destas redes de prostituição, nem tenho como investigar, mas parto do princípio que são.
Acresce que considero uma cobardia intelectual os anónimos comentarem publicações de outros sem lhes darem a possibilidade de comentar, nem sequer de consultar, aquilo que eles próprios publicam.
Por todos estes motivos, considero o comentário anónimo nas redes sociais um esgoto a céu aberto.
Mas se se identificar tenho todo o gosto em trocar ideias consigo.
De Makiavel a 11 de Abril de 2017 às 22:36
Artigo propositadamente preguiçoso.
Como se alguém acreditasse que tenha havido qualquer espécie de demolição.
O diácono remédios não teria dito melhor. Que bafio jotinha.
De Manuel Vilarinho Pires a 11 de Abril de 2017 às 22:44
Chegaram os reforços do ministro. Até que enfim. Pena serem pela boca de um anónimo. Se tivesse coragem de dar a cara pelo que diz, a sua crítica seria muito mais interessante.
De Makiavel a 12 de Abril de 2017 às 07:54
Muito obrigado por achar que tenho competência para chegar a ministro de um governo de Portugal mas não é o caso nem faz parte do meu horizonte enquanto carreira profissional.

Já é um clássico do "comentarismo" online quando, não havendo nada para dizer sobre o que se lê, partir-se para insinuações sobre o autor. Típico e demonstrativo de impotência argumentativa.

Makiavel, Fausto, Hegel ou mesmo Manuel Vilarinho Pires são nicknames aqui nos comentários. Não existe diferença. Não é por escrever sob o nickname Manuel Vilarinho Pires que deixa de ser anónimo.

O que é que pretendia mesmo? O meu NIF? Cartão do Cidadão? Conta bancária?

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