Quinta-feira, 1 de Dezembro de 2016

Em defesa da língua portuguesa, pela destruição das escutas do António Costa

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Eu, por acaso, concordo com a decisão do Supremo Tribunal de Justiça de ordenar a destruição imediata das escutas em que foi apanhado o primeiro-ministro António Costa. Por duas ordens de razões.

A primeira, e a mais importante de todas, é a defesa da língua portuguesa, que seria seriamente ameaçada se a programação da CMTV, o canal de televisão por cabo com maior audiência em Portugal e o que se entrega com mais determinação à divulgação de escândalos judiciais, começasse a emitir de cinco em cinco minutos a gravação das escutas do António Costa com o seu português macarrónico em que come quase metade das sílabas. Juntando à passagem repetitiva das gravações ao longo de vários dias o risco de fenómenos de mimetismo que ocorrem quando a juventude imita criminosos mediáticos, poderiamos acabar por ter toda uma geração a falar Português como o António Costa, causando danos irreversíveis, ou que consumiriam várias gerações a reverter, à língua pátria.

A segunda é ainda mais importante, e é a defesa do próprio regime democrático português. É que, a avaliar pelo exemplo que se conhece de participação passada do António Costa em escutas judiciais a organizar uma conspiração entre ele, que é actualmente primeiro-ministro, o actual presidente do parlamento, o então presidente da república e o então procurador-geral da república, para evitar que um processo envolvendo um amigo e camarada de partido chegasse a entrar no tribunal, é quase inimaginável que ele consiga ter conversas privadas que não sejam dedicadas a elaborar esquemas, negociatas e conspirações, tanto mais potenciadas quanto maior é o seu poder actual de primeiro-ministro comparativamente com o de mero dirigente de um partido da oposição nessa época. Pelo que a divulgação de qualquer escuta em que ele intervenha corre o risco de provocar no país reacções de repúdio pelos políticos eleitos e de predisposição para entregar o poder a populistas demagogos, como ele próprio é, aliás, que conduzam à extinção da democracia.

Comparativamente com estes riscos letais para a língua e para o regime democrático portugueses, o risco que se corre com a destruição das escutas que envolvam o António Costa, o de poder prejudicar a administração da justiça por destruir matéria probatória relativa a outros crimes que não os que estavam a ser investigados, porque se fosse relativa aos que estavam a ser investigados o andamento do processo seria outro que não a mera destruição das escutas, é de segunda ordem e a decisão de destruição imediata foi uma medida sensata.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 02:34
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2 comentários:
De cristof a 1 de Dezembro de 2016 às 18:51
É o que merecem os crentes -maioria dos cidadãos, pelo que anunciam as sondagens; serem como os cornudos, os ultimos a saberem.
De Manuel Vilarinho Pires a 1 de Dezembro de 2016 às 19:48
As sondagens não contam as opiniões da maioria dos cidadãos, contam as dos que se predispõem a responder quando são sondados.

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