Terça-feira, 11 de Março de 2014

Está dura, a vitela

Em 25 de Maio próximo realizar-se-á uma mega-sondagem, sob pretexto das eleições para o Parlamento Europeu, para saber como votaria o eleitorado se as eleições legislativas tivessem lugar naquela data.

 

Nas sondagens vulgares consultam-se aí uns três ou quatro mil marmelos, pelo telefone, e o resultado da coisa tem uma margem de erro de três vírgula qualquer coisa. Já se forem quatro milhões de votantes a margem de erro é tradicionalmente muito maior, a julgar pelas análises dos resultados, pelo que aquelas eleições nem como sondagem valem grande coisa. De toda a maneira, ninguém sabe para que serve exactamente o Parlamento Europeu, e, no que toca a assuntos europeus, todos, eleitores e candidatos, estão de acordo em que do que se faz mister é de solidariedade, isto é, transferir impostos de europeus ricos para europeus pobres.

 

Os europeus ricos, porém, já tomaram as suas precauções. E assim a sondagem de 25 de Maio destinar-se-á a saber: i) Quantos eleitores acham que o PCP faria reviver as alegrias do PREC, e quantos não querem aquelas alegrias mas se deleitam em dar um grande susto a este governo de gatunos; ii) Quantos ainda acham que Sócrates tinha muito que o recomendasse, e quantos entendem que os socialistas têm mais experiência, e competência, para aldrabar as contas, de modo a endrominar os totós das Europas; e iii) Quantos acham que este Governo nunca reformou, nem reformará pelo seu pé, o Estado, mas esperam que a reforma venha sob a forma de diktat, como vieram os cortes, e quantos entendem que, nas circunstâncias, não era possível fazer muito melhor.

 

Estarei, contrariado, no terceiro grupo, para evitar males maiores. E não desdenho de participar às vezes, para fazer número, do circuito da carne assada. Estranha forma de coerência a minha: a lista é encabeçada por um federalista, uma condição que tenho que me esforçar para não detestar, para candidatura a um órgão que acho não devia existir, ao serviço de uma engenharia de países que já só resulta ainda porque uma burocracia especializada a aprofunda todos os dias e ninguém sabe como lhe pôr fim.

 

As tranches de vitela serão duras, como de costume - em jantares partidários a qualidade do menu não é o que atrai militantes. Tanto melhor, sempre terei as mãos ocupadas com os talheres se alguém, nos discursos, se lembrar de lembrar a excelsa utilidade da assembleia para a qual nos propomos remeter alguns ilustres. 

publicado por José Meireles Graça às 12:57
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