Terça-feira, 19 de Janeiro de 2016

Francesices

"Durante o seu discurso anual aos líderes empresariais de França, Hollande enfatizou que o plano vai custar mais de 2.200 milhões de dólares".

 

Por que razão, sendo o presidente e audiência franceses, o custo vem em dólares, a notícia não esclarece. Não é que interesse muito, é dinheiro para torrar.

 

É para torrar porque os 500 mil estágios subsidiados pelo Estado ou são para lugares necessários ou não são.

 

Se não são, logo que acabe o apoio do Estado aos ex-estagiários os patrões calçam-lhes uns patins, ou, se um ou outro se tiver revelado particularmente apto os patins vão para outro, menos apto, que o Estado não ajudou.

 

Se são, então o sector privado criá-los-ia de todo o modo e o apoio estatal apenas financiará a concorrência desleal, visto que se há apoios há candidaturas, se há candidaturas há selecção, se há selecção não há forma de garantir que as "boas" empresas serão apoiadas e as "más" não: quem separa as boas das más empresas não é uma agência governamental - essa entende, no melhor dos casos, a linguagem das tretas da moda em matéria de gestão e, no pior, a da corrupção - mas o mercado.

 

"Com mais de 10% de desempregados, a França situa-se acima dos 9,8% que constituem a média da UE. No Reino Unido a taxa era, em Novembro, de 5,2%, e na Alemanha de 4,2%".

 

A propósito, de onde vêm os 2.200 milhões? A notícia, lamentavelmente, não diz, mas adivinha-se: de impostos ou de dívida pública, que são impostos de cobrança diferida.

 

Ah, mas estes 2.200 milhões vão dinamizar a economia pela via do consumo e os trabalhadores, com as suas competências melhoradas, vão fazer um upgrade da produção, da produtividade e do pé-ré-pé-pé, ou não?

 

Não. O Estado, para inundar a economia de dinheiro, tem primeiro que o retirar da economia, ou endividar-se para retirar depois, e as competências profissionais, se o mercado local não as exigir, vão para onde haja quem as aprecie.

 

E onde fica isso, quem aprecie? Ora, um dos lugares é a Alemanha, e o outro o Reino Unido. Então não se está mesmo a ver?

 

Esperar que o milésimo programa de formação profissional insuflado a golpes de subsídios, discursos e voluntarismos políticos dê resultado diferente do que deram os outros 999 só não é uma loucura porque Hollande fez o seu número; os 500 empresários também, porque esperam meter ao bolso alguma esmola; e os eleitores, que não estavam na plateia, são os inocentes da história - não é o que são sempre?

publicado por José Meireles Graça às 22:03
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