Terça-feira, 7 de Março de 2017

Levanta-te tu!

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As universidades já foram instituições onde nasceram belas frases como "é proibido proibir", mas isso foi chão que deu uvas, hoje são locais onde se endoutrinam as criancinhas nos princípios de "tudo o que não é autorizado é proibido", nomeadamente as ideias subversivas, que nem sempre são detectáveis sem recorrer à insinuação, se bem que a insinuação seja sempre que um homem quer, e ainda mais a sua expressão, que essa, sim, é mais fácil de detectar.

Não é nova, esta vigilância das criancinhas sobre a utilização da palavra para espalhar ideias subversivas. Logo nos primeiros tempos a seguir ao 25 de Abril, um amigo assistiu, com os que a terra há-de comer, os dele, que não os meus, mas a história é tão boa que a tomo por real mesmo sem ter sido dela testemunha directa, numa reunião de alunos da sua escola, a uma cena que ficaria bem em qualquer filme Felliniano:

- Caros colegas...

- Esse gajo não pode falar, porque esse gajo é nazi!

- Eu não sou nazi, sou nacional socialista!

- Desculpa, pá, se és socialista podes continuar.

Hoje em dia os alunos mais lúcidos e activistas das universidades dedicam-se a escolher quem pode, e quem não pode, não pode, falar aos outros alunos da universidade, os mais burros e influenciáveis, de modo a proteger estes contra a inoculação de ideias subversivas dentro das próprias instalações da universidade. Proibem, através da ameaça de uma carga de porrada, académicos de direita de discursar numa conferência, tal como proibem, através de uma sugestão de enforcamento, um discurso de um governante neoliberal a jovens da sua agremiação política. São uma comissão de censura jota, e também estúpida, mas nunca aconteceu uma comissão de censura ser suspeita do crme de inteligência, o que atesta a capacidade destes jovens para o fim em vista.

Um dia, sendo estudantes de universidades públicas, lá acabarão por acabar o curso, e lá nos poderão mais à frente aparecer como deputados, magistrados, fiscalistas especialistas em paraísos fiscais ou até defensores dos direitos dos animais. E o que fazer se de facto um deles nos aparecer à frente, por exemplo, num tribunal, a mandar-nos levantar? Eu aconselho seguirmos os conselhos do João César Monteiro.

Só corremos o risco de falhar na primeira parte da frase, "Levanta-te tu!", porque não é provável que meninos com a educação destes se dignem um dia levantar como sinal de respeito a quem quer que seja, como está mais que testado. Na segunda parte, "meu filho da puta", acertamos sem a mais pequena sombra de dúvida.

E, estabelecida a árvore genealógica, demos o serão por terminado.

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publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:24
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