Domingo, 12 de Fevereiro de 2017

Manifesto anti-Keynes de Carlos Novais Gonçalves

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Li ontem a Secção 5 do livro de uma só assentada. Trata-se de um Ensaio de Carlos Novais sobre as origens e motivos para a permanência na ficção monetária em que vivemos, os seus lados negros e consequências para a nossa vida quotidiana.

Tinha receio de encontrar um livro críptico e difícil de ler e entender. Quem acompanha os escritos de Carlos Novais nos blogues e redes sabe que algumas vezes é tão sintético, tão elaborado conceptualmente no discurso, que pode ser difícil de acompanhar.

Não é o caso do livro. Claro e fundamental, em poucas páginas, temos a descrição do sistema monetário que se iniciou no fim do séc. XIX e se sedimentou com Keynes e seguidores. Ilustra também como estamos numa armadilha de pobreza e prisioneiros de um sistema exploratório que as elites estatistas globais gerem em primordial proveito próprio pelo controlo e monopólio da moeda.

É um livro que serve para enquadrar a actual crise portuguesa, suas causas e efeitos. O erro estrutural do investimento público baseado em dívida pública e impostos sobre as futuras gerações está bem explicado. Clarifica porque a crise portuguesa se prolonga já há tantos anos, mostrando como a crise de 1920-21 foi resolvida com fórmula antagónica à de 1929, e as vantagens de deixar o ajustamento à economia sem usar o intervencionismo estatal que contem em si mesmo os elementos que gerarão as próxima bolhas e convulsões.

As secções seguintes são um texto de Hans-Hermann Hoppe e outro de Rothbard. Estão na calha para hoje.

Não deixem de ler. Penso que se trata de um livro fundamental, escrito por alguém que compreende como poucos o assunto.

O livro pode adquirir-se aqui: Chiado Editora

Se for em formato ebook, o site envia um ficeiro Epub que se pode usar com este Epub Reader.

Boa leitura.

Deixo-vos um excerto para abrir o apetite:

"A doutrina de Keynes está, na verdade, na base do paradigma do modelo político­-social vigente. As ideias têm consequência e as verdades Keynesianas tiveram influência decisiva no crescimento do estado social­-democrata moderno, cujo peso da despesa na economia ainda não parou de aumentar (nem sequer nos anos de Reagan e Thatcher) assim como o sistema económico­-monetário se caracteriza pelo aumento contínuo do peso da dívida pública e privada relativamente ao produto.
O próprio Keynes está consciente do seu papel e do poder das ideias na ciência económica, e para avaliarmos isso nada melhor que citar o próprio:

“As ideias de economistas e filósofos políticos, quer quando elas estão certas e quando estão erradas, são mais poderosas do que é geralmente entendido. Na verdade o mundo é governado por pouco mais. Homens práticos, que acreditam serem completamente isentos de qualquer influência intelectual, geralmente são os escravos de algum economista defunto.”"

 

publicado por João Pereira da Silva às 07:42
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