Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2014

Mas ouvi-los?

ECOSOC não é uma marca de tomadas eléctricas respeitadoras do ambiente, ou de calçado em madeira para passeios sadios na Natureza. Não. É a sigla que identifica uma das agências da ONU, no caso a plataforma central para reflexão, debate e pensamento inovador sobre desenvolvimento sustentável.

Passeei durante algum tempo pelo sítio da Agência. E concluí que é um daqueles fóruns internacionais dedicados nominalmente a coisas nobres e úteis, na realidade pretextos para sustentar burocratas e garantir viagens e mordomias a parasitas e políticos supranumerários.

Não é que não nos convenha que haja pensamento inovador e o desenvolvimento sustentável não seja um objectivo louvável; é que o pensamento inovador vem de pessoas, não agências intergovernamentais, e o que se entende por desenvolvimento sustentável não é pacífico. Sucede que as universidades, os meios de comunicação social, a actividade editorial, garantem a difusão das ideias. O que uma agência constituída por representantes de países garante é, sob a capa de preocupações soi-disant científicas e altruístas, o contrabando de agendas políticas e jogos de poder.

Portugal tem alguma coisa a aprender com Cuba, o Turquemenistão ou o Benim? E mesmo que tivesse, ou tenha em relação a outros países que, como aqueles três faróis do progresso, fazem parte da ECOSOC, a que propósito é que temos que aturar recomendações sobre o abandono das medidas de austeridade?

Podemos ser contra a austeridade, a favor da austeridade, a favor da austeridade com outro ritmo, mais rápido ou mais lento, ou aplicada menos aos cidadãos e mais ao Estado. E também podemos ser a favor do calote, ou de qualquer outra loucura - nós podemos. E os credores também podem, por exemplo, fechar-nos a torneira, e decerto não está ao nosso alcance impedi-los disso ou fechar-lhes a matraca.

Os credores, porém, têm um interesse directo. Mas vós, ó peritos, já que estais por aí porque não ides passear para as margens do Hudson? A gente sabe que, em Nova Iorque, em Bruxelas ou noutros lugares aprazíveis, temos que manter uns depósitos de jorges sampaios - faz parte dos usos e das nossas obrigações internacionais.

Mas ouvi-los?

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publicado por José Meireles Graça às 19:06
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