Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Mochilas de esquerda

É claro que a igualdade entre os sexos nunca existiu nem nunca, até onde a vista e a imaginação alcançam, existirá - que o Senhor seja louvado.

 

Nós temos algumas coisas a mais e algumas coisas a menos do que elas. E nem sequer é líquido que o bestunto seja exactamente igual: baseado em observações atentas que o meu espírito naturalmente inquiridor tem levado a cabo ao longo de décadas estou em condições de afirmar que as queridas estão no geral mais bem servidas de inteligência emocional, e isso desde o nascimento. E ainda que a comunidade científica em peso declarasse a sua convicção profunda de que todas as diferenças, salvo as fisiológicas, são adquiridas, a realidade continuaria tranquilamente a demonstrar que a maioria delas não apenas distingue o fúcsia do ciano, e os dois do anil, como a maioria deles vai pouco além das primárias. Assim como não pode ser apenas fruto dos condicionamentos operados por educações preconceituosas e sexistas que qualquer condutora automóvel que se encontre perdida pergunte o caminho, enquanto um condutor nas mesmas circunstâncias o tente encontrar pelos seus próprios meios.

 

E já que falamos de condutores nem me atrevo a qualificar as óbvias diferenças, que eu não sou um desses que arriscam controvérsias.

 

A controvérsia vem de milénios em que as diferenças de força física de cada um dos sexos, e a circunstância de só as mulheres darem à luz e amamentarem, originaram diferenças de estatuto social que são difíceis de reverter.

 

Mas nas sociedades contemporâneas e evoluídas do Ocidente já não há, no plano legal, assimetrias de direitos, dado que a força física não conta para a sobrevivência nem sequer para o sucesso. E as diferenças que subsistem na prática são muitas vezes mais aparentes que reais. Quanto à maternidade, não foi ainda encontrada a adequada compensação para o facto de, nos anos fundacionais das carreiras profissionais, as mulheres se verem diminuídas pela circunstância de só elas conceberem. Mas isso não resulta de falta de vontade, resulta da dificuldade de encontrar uma solução satisfatória para todas as partes, nas quais se inclui a própria colectividade que, para sobreviver, precisa que as mulheres deem à luz.

 

Mas isto é no Ocidente, e nem todo. No resto do mundo o mulherio pertence ainda a uma classe de cidadãos de segunda. E a natural inclinação para a sofisticação e variedade de cores está, em extensas regiões, soterrada debaixo do tchador e da burqa. Preocupa isto a boa gente da esquerda multicultural? Nem por isso; agora, a cor das mochilas sim.

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publicado por José Meireles Graça às 18:55
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