Sábado, 29 de Outubro de 2016

O buraco é mais em baixo

O chefe de gabinete do secretário de estado do desporto, que tinha sido forçado a substituir o secretário de estado anterior pelo actual por pretender a sua demissão por ter dado informações falsas para o curriculum publicado no Diário da República no despacho da sua nomeação, acabou de se demitir na sequência da revelação pelos jornais da falsidade dessas informações.

Na altura da demissão, o secretário de estado anterior revelou publicamente que se tinha demitido por uma série de motivos, entre os quais "...profundo desacordo com o senhor ministro da educação no que diz respeito ... ao modo de estar no exercício de cargos públicos...", sem especificar, talvez por ser um cavalheiro que se guia pelo princípio a gentleman never tells, talvez por não perceber que esse princípio não deve ser invocado para impedir a denúncia de gente realmente ordinária.

Parece que não é inédito os governantes serem obrigados a aceitar chefes de gabinete, que formalmente são eles a nomear e assinar os despachos de nomeação, sugeridos pelos seus superiores na hierarquia do governo, sejam chefes de gabinete de ministros impostos pelo primeiro-ministro, sejam chefes de gabinete de secretários de estado impostos pelos respectivos ministros. Quando as gentes não são de confiança, sejam os subalternos, sejam os dirigentes, é um modo de lhes colocar um controleiro mesmo no centro do núcleo duro do gabinete.

Neste caso, por muito interessante que tenha sido o papel do chefe de gabinete que aldrabou o curriculum inflacionando as qualificações académicas e acabou por ser descoberto, foi muito mais interessante o papel  do ministro que, perante a denúncia do secretário de estado sobre a burla curricular, demitiu o secretário de estado para preservar o chefe de gabinete aldrabão que lhe tinha imposto, e até o voltou a impôr, ou sugerir, ao novo secretário de estado. Chega a dar a impressão que, apesar de ainda moço novo, o ministro terá conseguido atingir o fundo da escala de ética na política.

2016-10-29 Porfírio SIlva.jpg

Engano trágico. O buraco é mais em baixo.

Onde o ministro da educação é ainda um menino de coro, o inner circle do primeiro ministro António Costa, desta vez o Porfírio "Esta historieta é montada por um ex-secretário de estado que sendo responsável por um despacho de nomeação com informação falsa, nunca denunciou essa situação" da Silva, é uma galeria de mestres cantores. Se um dia quiser atingir as profundezas das tocas onde se move o topo da cadeia alimentar dos vermes, o pobre do Tiago Brandão Rodrigues ainda tem muito que escavar.

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publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:20
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