Segunda-feira, 13 de Março de 2017

O charme discreto dos paraísos fiscais, ou, gente fina é outra coisa

2017-03-13 Paulo Núncio Madeira.jpg

Eu não sou deputado, nem dirigente, nem militante, nem sequer do CDS. Sou um mero militante de base, e muito recente, de outro partido do centro-direita, um soldado raso da política. Mas, se fosse, teria uma valiosa sugestão a apresentar aos meus camaradas? companheiros? (não sei como é que os centristas se chamam uns aos outros dentro do partido...) para usarem livremente como entendessem.

O parlamento está cada vez mais interessado em perceber todas as actividades do ex-secretário de estado centrista (e daí o parágrafo anterior) Paulo Núncio enquanto advogado especialista em assuntos fiscais antes de ter ingressado no XIX Governo Constitucional, e está mesmo disposto a voltar a chamá-lo para o inquirir sobre as notícias que o jornalismo por encomenda de investigação do Público vai revelando.

Agora quer perceber se a sua actividade entre 1997 e 2007 como advogado fiscalista e responsável pelo escritório no Funchal da MLGTS Madeira Management & Investment SA, sucursal da sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados na Madeira que prestava serviços de assessoria jurídica às empresas sediadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira, em que esteve ligado ao registo de nada menos que cerca de 120 novas sociedades, se destinava a ajudar 120 delinquentes fiscais a fugirem às suas obrigações declarativas ou 120 criminosos de delito comum a fazerem a lavagem do dinheiro obtido nas suas actividades ilegais, que como é largamente sabido por todos, desde algures mais ou menos no miolo do PS para a esquerda, e até à extrema, são as únicas motivações para colocar dinheiro em paraísos fiscais?

A dúvida tem todo o sentido, e vale mesmo a pena questioná-lo e perguntar-lhe se é um facilitador de bandidos.

Mas a compreensão do tema poderia ser ainda mais completa e clarificada se, em vez de o parlamento se limitar a inquirir o reponsável pela filial, mero consultor da sociedade, fosse directamente ao centro de decisão e chamasse também a depor o sócio mais senior da Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva & Associados o ilustre advogado socialista, antigo MES, ex-conselheiro de estado e ex- e actual administrador não executivo ou presidente da mesa da assembleia geral de diversos bancos e empresas do regime, José Manuel Galvão Teles, para lhe perguntar, para variar, se abriu a filial na Madeira para ajudar os clientes a melhor cumprirem as suas obrigações declarativas e fiscais e a asseguratem-se de que o dinheiro que pretendem transferir para a Madeira provém integralmente de actividades legais.

Além de oferecer uma perspectiva mais elevada e, portanto mais clara, da assessoria aos off-shores, este advogado socialista teria ainda a vantagem de, devido ao seu passado político, ter uma credibilidade acrescida junto dos inquisidores inquiridores socialistas, bloquistas e comunistas, evitando o embaraço de uma inquisição inquirição em que quem pergunta não acredita em quem responde e, não estando mais disponíveis os instrumentos do interrogatório musculado de outros tempos, não se conseguir sair da cepa torta.

O CDS tem aqui uma oportunidade para, em vez de se limitar a assumir uma posição defensiva e reactiva face à tentativa de assassinato político da esquerda parlamentar ao seu militante, ajudar o parlamento a ter uma compreensão mais lúcida e profunda do verdadeiro significado de registar 120 novas sociedades na Zona Franca da Madeira. O país agradece.

Isto sugeriria eu se fosse deputado, dirigente, militante ou sequer do CDS. Como não sou, não cometo a deselegância de o sugerir.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 01:21
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10 comentários:
De José Domingos a 13 de Março de 2017 às 11:50
Claro que essa questão não se põe, de ir incomodar o Exa. O sr. Núncio está numa firma, tem patrão, mas faz o que lhe apetece, assim tipo república socialista. Além disso o homem, e de esquerda, tem um passado antifascista, lutou contra a tenebrosa dgs, e esse passado é um salvo-conduto, está acima de qualquer suspeita, um abençoado, mas leigo e se calhar de avental.
De Manuel Vilarinho Pires a 14 de Março de 2017 às 00:15
Um avental dá sempre muito jeito para manter o fato imaculado quando se cozinham soluções de engenharia fiscal para fregueses.
De O SÁTIRO a 13 de Março de 2017 às 12:04
Excelente
denunciar a corrupção em grande escala da esquerda ...toda a esquerda...desde 26 de abril de 1974, escondida pelos media, metida nas gavetas pelas autoridades...

LÁ DIZIA MÁRIO SOARES SÍMBOLO DO REGIME...


RICARDO SALGADO ESTÁ CALADO E FAZ MUITO BEM....


tá tudo dito
De OLP a 13 de Março de 2017 às 12:24
Chama-se a esta manobra "espalhar trampa com uma ventoínha".
Os paf's andam mesmo crispados!
De Manuel Vilarinho Pires a 14 de Março de 2017 às 12:07
A sua metáfora é muito boa.
Só peca por, neste contexto, tanto se poder aplicar ao meu apelo a, inquirindo o advogado que dirigia a sucursal sobre a natureza das suas actividades, também ter sentido os deputados inquirirem o sócio da sociedade de advogados que abriu a sucursal sobre o objectivo da sua abertura, como ao facto de a obsessão dos deputados da esquerda pelas actividades do advogado de direita poder revelar que, afinal, ele não estava a fazer mais do que cumprir ordens do seu patrão de esquerda.
Pelo que me permito deixar-lhe a sugestão de, quando usa metáforas, e ainda por cima boas, procurar ser mais claro no sentido que pretende para a sua interpretação pelos leitores. Não tem que agradecer.
De abaptista a 13 de Março de 2017 às 23:07
Meu caro amigo,

Estou a abordar este tema às 22:54, pois fiquei à espera que houvesse mais comentários (...lúcidos...) e que por isso fosse desnecessário eu perder tempo a comentar o seu texto…, contudo aqui estou, mas faço desde já uma ressalva; não sou de esquerda, direita ou de outra coisa qualquer !!!

1.º A insinuação / acusação que faz a um jornalista de fazer artigos por encomenda fica-lhe mal pois deduzo que este seu artigo lhe siga o mesmo caminho!!!!???
Se não foi encomendado, fico com a ideia que está a fazer um favor a alguém, mas a esse tema já lá vou…

2.º “A dúvida tem todo o sentido, e vale mesmo a pena questioná-lo e perguntar-lhe se é um facilitador de bandidos”,… mas, aqui é que a porca torce o rabo, remete para a empresa na qual o dr. Paulo Núncio exercia como advogado fiscalista e responsável pelo escritório no Funchal da MLGTS Madeira Management & Investment SA.

Contudo a questão é mesmo essa, “estaria ele a facilitar bandidos”, é que parece-me que a empresa não exercia nenhum cargo no governo e que só por má-fé se tenta dar a volta à questão com argumentos que não fazem sentido, a não ser que a sua dedução tenha vindo depois da Sra Cristas ter dito que os governantes têm uma vida antes e depois de estarem no governo…, é verdade mas basta saber se essas pessoas têm “elevação de carácter” para, ao serem confrontados com interesses desenvolvidos na sua vida privada, se distanciam o suficiente para não serem acusados de imparcialidade…
No caso do dr. Paulo Núncio é exactamente isso que está em causa; omitiu porquê (repare, aqui podia ter feito um trocadilho mas estaria a ser tão mauzinho quanto o senhor omitiu/mentiu).
Agora voltando ao tema da encomenda…, é sem dúvida nenhuma claro que, Vs. Exas da direita/centro-direita/extrema-direita e o raio que os parta (afinal sou mauzinho) têm tendência a pôr em dúvida a integridade (note, eu não faço ideia de quem é o autor inicial desta polémica) como forma de desacreditarem seja quem for, isto mesmo sem apresentar argumentos claros (no seu caso só quis acusar a esquerda, mas esqueceu-se dos casos graves da direita incluindo conselheiros de estado também. No deve e haver, se calhar a esquerda ainda está a dar uma abada à direita…).
Por outro lado o senhor não foi inquisidor, porque não questionou, mas passou a ser membro do santo-officio ao acusar a esquerda parlamentar de assassinato na pessoa do militante do CDS, desengane-se.
O parlamento, tal como eu e outros portugueses estão interessados que os governantes tenham carácter, não possam ser posto em causa pelo seu comportamento e que se defendam no local certo.

Aliás, no seu caso como militante de base de um “outro” partido de centro-direita deveria apregoar para este e outros governos a integridade moral – não é isso que reivindicam do vosso patrono Salazar, um politico sério, honesto e desinteressado.

Eu reivindico o mesmo, mas não dou exemplo de crápulas.

abaptista
De Manuel Vilarinho Pires a 14 de Março de 2017 às 00:12
Caro abaptista,

Acredito que sejamos amigos, se bem que o nome com que identifica o seu comentário não seja suficiente para eu o conseguir identificar entre os meus amigos. Se fizer o obséquio de se identificar pelo nome completo talvez o consiga reconhecer?
O seu comentário é um tanto ou quanto confuso, e tenho dificuldade em encontrar ponta por onde lhe pegue. Felizmente tem uma frase que me ajuda, quando diz "não sou de esquerda, direita ou de outra coisa qualquer", o que significa que não é do CDS. Ora, sendo o meu texto uma sugestão dirigida a militantes, vantajosamente dirigentes, e desejavelmente deputados do CDS, posso dar como assente, mesmo sem o reconhecer, que não é dirigida a si. Pelo que lhe agradeço o comentário, a sua opinião é muito importante para mim, mas não necessita de preocupar, porque não é assunto com que tenha alguma coisa a ver.

Cumprimentos

PS: Verifico que tem o cuidado de usar os títulos académicos quando fala de terceiros. Mas verifiquei igualmente que se esqueceu do o usar quando se referiu à Sra Cristas. É um modo habitual de procurar desqualificar pessoas, de eficácia garantida quando usado perante audiências que nivelam as pessoas pelos seus títulos académicos, o que não é infelizmente o meu caso. Mas admitindo que tenhaa sido por ignorância, tenho o prazer de o informar que a Sra Cristas, tal como a Sra Merkel, aliás, é Doutorada. Se pretender manter uma certa coerência na designação das pessoas pelos títulos académicos, pode tratá-la por Doutora (Dra se fosse apenas licenciada, o que não é o caso) Cristas. Não tem que agradecer
De abaptista a 14 de Março de 2017 às 02:07
Sr. Manuel V. Pires,

O meu nome é António Baptista, quanto ao facto de lhe chamar amigo é porque em principio e espero que no final isto não passe de meras "conversas" em que não há lugar ao enxovalho e à mal dissidência como muitas das vez se vê por ai (na net).
As discussões, mesmo com divergências de opinião devem, na minha perspectiva, ser saudáveis senão não vale a pena e por essa razão raramente me verá nestas andanças.

Pelo seu texto deduzi que estava a falar para qualquer leitor aproveitando para dar um recado ao CDS. Assim mais valia ter feito uma carta aberta dirigida ao partido... eu não teria comentado...

Quanto à Sra Cristas é o tratamento que me parece mais correcto pois essa senhora não me diz nada e acredito que é mais do mesmo. Esperemos pelas eleições e depois verá os cordeiros transformarem-se em lobos.

Cumprimentos também para si...

António Baptista



De Manuel Vilarinho Pires a 14 de Março de 2017 às 14:32
Muito prazer, António Baptista.
Infelizmente, os títulos académicos não são concedidos por nós em função do que os candidatos a eles "nos dizem", mas pelas universidades em função das provas académicas prestadas por eles. Mas até podia ser uma boa sugestão para uma reforma socialista do ensino superior.
E a Universidede de Lisboa concedeu à Sra Cristas o título de Doutor, pelo que, se não se importa, e já que estamos numa troca de comentários onde os títulos académicos são relevantes, tratêmo-la por Doutora Cristas.
De Makiavel a 14 de Março de 2017 às 07:28
Artigo típico de "disfarçar e dar aos pedais".

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