Sábado, 5 de Dezembro de 2015

Os monólogos de Pacheco

Alguém com tempo, cultura e disponibilidade, poderia ocupar mais tempo a desfazer nos media as elucubrações teóricas de Pacheco Pereira. Os seus monólogos, estruturados, intelectuais e fundamentados em falácias, são substrato mediático muito importante para a grelha ideológica actual da esquerda retorcida que golpeou o poder.

Pacheco ajudou, e muito, a não-maioria absoluta da coligação. Mantendo a filiação no PSD, não é mais do que uma toupeira, minando nos media, e por dentro, o partido em que milita. Um "tumor" que devia ser controlado e democraticamente quimioterapeutizado. Pacheco é socialmente perigoso. Perigoso, sobretudo para os portugueses influenciáveis pelas tretas intelectuais sempre bem elaboradas sem direito de resposta, mas também para todos os outros, porque defende políticas que só podem dar mau resultado, nos conduziram à bancarrota, e ajudam a legitimar acção pública de oportunistas políticos.

Pacheco não responde a críticas e ignora opositores. Pacheco está só na sua torre de marfim da Marmeleira sobranceira a Portugal. E tem um peso mediático desproporcionado enquanto é ignorado e não lhe é feito o contraditório

"Os governos, sejam conservadores, sejam socialistas, sejam o que forem, estão condenados a seguir a mesma política económica e social, e é essa política que define o “arco da governação”, o clube de partidos em que o voto dos eleitores serve para governar. O resto é um voto de segunda, tribunício e ineficaz, quase lúdico. Durante quatro anos em Portugal, só um punhado de pessoas que se contavam pelos dedos de uma mão é que resistiu a esta “inevitabilidade”, e mesmo os revoltados com a situação ficavam deprimidos com a falta de saídas previsíveis.

Pois tenho novidades para vos dar, surpresa!, de repente, saímos e saímos com uma genuína ruptura."

Isto é um disparate lógico de precocidade absoluta. A gestão do Estado em moeda única (mesmo sem, mas enfim, somos um país do sul) deve obedecer a critérios economicistas, para bem do Estado e dos cidadãos: não há mesmo alternativa se quisermos prosperar. Nem em Portugal, nem em Itália, nem na Grécia, onde os amigos das novas amigas de Pacheco, as meninas do Bloco, tentam esticar a corda da tolerância europeia com apenas dois fins à vista: a depauperização no euro, ou a saída do euro com mais pobreza. Também não há alternativa nos países ricos da Europa que são ricos, porque esses sabem e praticam que não há alternativa e já desde antes do Euro.

Pacheco tem muita audiência entre as classes favorecidas/confusas centro-esquerdistas ávidas de justificações para o seu passado anti-regime fascista de sofá, hesitantes entre a paranóia anti-neo-liberal, ou o delírio pseudo-marxista burguês.

Deviam dar-lhe mais atenção, de modo estruturado, fundamentado e bem desmontador, das absurdidades que vai debitando com pouco ou nenhum contraditório.

Pacheco, já custou caro a Portugal. Quanto mais nos irá custar esse símbolo intelectual do nosso sub-desenvolvimento?

publicado por João Pereira da Silva às 11:51
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2 comentários:
De Miguel Madeira a 5 de Dezembro de 2015 às 16:21
Nos países "ricos" da europa, que se financiam com juros negativos, há montes de "alternativas" - não há é, compreensivelmente, interesse em as aplicar (se a Alemanha fizesse uma politica expansionista, provavelmente os grandes beneficiados seriam os países do Sul, não a Alemanha propriamente dita).

Mas isto é o tal problema de que quem defende que a Europa deveria fazer uma política expansionista não ter uma eleição a que possa concorrer (o mais parecido seria o Parlamento Europeu, mas este na prática não tem poder nenhum)
De João Pereira da Silva a 5 de Dezembro de 2015 às 16:43
Caro Miguel Madeira,

Nos países ricos, que já o eram antes de se financiarem a taxas negativas, os défices eram baixos, a dívida pública controlada, e as políticas públicas racionais, equilibradas e produtivas para a economia privada (a tal que gera a riqueza). O Tratado Orçamental, que subscrevemos, não é mais do que a emulação para a Zona Euro dessas práticas de sucesso comprovado. As políticas "keynesianas" expansionistas (mais défice, menos dívida, mais consumo, menos saldo externo) que por aqui se advogam como modo de geração de crescimento são uma pura ilusão mantida por políticos interessados em satisfazer interesses pessoais e clientelas. Não servem para mais nada. A converseta do "há alternativa" mas ela nunca aparece é apenas de serventia a esses interesses estatistas, corporativistas e rentistas. E a nossa esquerda, até mesmo a radical, vai no paleio, como se vê pelas posições de Pacheco. Absolutamente irracional e com fins claros de manipulação da opinião pública.
Mais haveria para dizer.

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