Terça-feira, 8 de Abril de 2014

Quando o amigo de gente falava

Estas contas, é claro, pecam por sumárias, além de incorrectas: falta falar, pelo menos, no subsídio de alimentação, no seguro contra acidentes de trabalho e no efeito dominó que o aumento do salário mínimo tem entre os salários que já estão acima; e 2.394,00€ a dividir por 231 (dias efectivos de trabalho, por ano, em média - 21x11) não dão 6,5€/dia mas sim 10,36€.

 

Mas este não é o ponto. O ponto é que há um microempresário que diz que, com o novo salário, terá que fechar as portas. Isto pode, no caso, ser verdade ou não. Mas, se não for neste caso, é-o em muitos outros, olá se é, e nem todos micro. E sobre quantos são, e quem são, ninguém sabe nada.

 

Nem precisa, pelos vistos. Qualquer empresário dos que o empreendedor Saraiva diz que representa dirá com gravidade e orgulho, se inquirido na matéria: na minha empresa não tenho colaboradores a ganhar o salário mínimo - todos estão acima disso, em muitos casos substancialmente acima. Do senhor Presidente da República para baixo todos os políticos, responsáveis disto e daquilo, economistas, professores, isto é, quem esteja direta ou indirectamente sentado à mesa do Orçamento ou do das empresas majestáticas protegidas da concorrência pela Lei, os usos, os reguladores e a agenda telefónica, dirá, inclinando a cabeça, o ar subitamente sério e profundo: Portugal não pode apostar no modelo dos salários baixos.

 

Isto dizem eles. E mesmo que alguns saibam que não existem modelos de salários altos, o que existe são economias fortes que os permitem, mas que não são automaticamente induzidas por aqueles; e mesmo que a generosa iniciativa do legislador, dispondo sobre o que não lhe pertence, vá criar fatalmente umas quantas falências e impedir uns quantos jovens de encontrarem o seu primeiro emprego (quantos? – ninguém sabe nem quer saber): sempre o abençoado novo salário mínimo, irrefragável conquista da Esquerda, verá a luz do dia, para evitar esse trunfo nas mãos dela na campanha eleitoral.

 

"Uma empresa que não pode gastar mais 13€/dia com os seus trabalhadores, não é uma empresa, é, perdoem-me a expressão, um saco de merda que lastra a economia e o país," diz com indignação o comunista. Salvo melhor opinião, o que lastra o país são os que recebem subsídio de desemprego ou nem isso - que a empresa que paga mal não custa ao erário público nada, antes para ele contribui; e os que, existindo tanta empresa mal gerida, não lhe aproveitam a falência para, comprando-a ao preço da uva mijona, a gerirem bem, como podia fazer tanto gestor desaproveitado e tanto sindicalista a fazer carreira na propaganda e na berrata.

publicado por José Meireles Graça às 21:54
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