Sexta-feira, 16 de Outubro de 2015

Relativismo de conveniência

savimbi2.jpg

Há causas "fofinhas" que podem servir bem para afirmarmos pontos de vista que servem a nossa causa maior. Câncio, paladin@ da relatividade moral progressista interessada, faz aqui mais uma utilização oportuna de uma dessas causas: Luaty Beirão.

Temos a certeza de que Luaty não estava a conspirar um golpe de estado? Do contrário, de que Luaty é perseguido por puro delito de opinião? Qual a probabilidade de cada uma das opções?

luaty.jpg

Ouvindo esta entrevista a Luaty para a Rádio Angola em Washington, percebemos que é um homem "à frente", crítico forte do regime espalhando claras ideias de insurreição. Além disso é um rapper popular com potencial grande impacto entre sectores jovens da população. Será um risco sério? O regime terá achado que sim. Nós temos a certeza das intenções e acções de Luaty?

Não sabemos, mas Câncio sabe: "Angola é a nossa Coreia do Norte". Subtil comparação entre o país que será o mais repressivo do mundo com campos de fome e morte, e outro país com um situação política étnica, social tendencialmente explosiva, mas em paz, com uma população hesitante entre o regime musculado ou o caos de uma convulsão política de ruptura.

África não é para brincadeiras. Regimes fortes são necessários para unir populações com divisões étnicas, e outras, potencialmente explosivas que quando deflagram causam muitas mortes e sofrimento. Os primeiros a reconhecer isto são os africanos. Sabem que o custo da paz=não morte, é a manutenção de poderes fortes instalados e que um grau de ditadura é aceitável face a perigo maior. Portugal tem democracia há 40 anos e os riscos ainda existem.

Qual é a nossa responsabilidade na vida de Luaty: 

- Quando Soares, do partido que Câncio apoia repinpadamente, durante a atabalhoada descolonização, optou por não apoiar o movimento menos mau e mais forte, o MPLA, não favorecendo assim uma transição musculada, absolutamente necessária num território em guerra civil, ditou o destino actual do país. Soares sempre manifestou gostar de Savimbi e apoiou-o durante muitos anos. A guerra em Angola só terminou em 2002 com a morte dessa peste. Muito por causa de Soares, Angola perdeu 27 anos.

- Sabemos o que teria sido de Angola e como estaria agora a democracia se Soares tivesse contribuído para a pacificação em 1975? Seria possível que forçando a paz, apoiando o mais forte, os outros movimentos optassem por oposição não armada? Que seria de Angola e de Luaty hoje? 40 anos seriam suficientes para implementar uma verdadeira democracia num país com séculos de colonização? Olhemos para o exemplo da Namíbia e o que lá foi feito mantendo a população branca nacional. 

Poderíamos ser mais cuidadosos nas críticas aos "filhos" das nossas acções e deixá-los fazer o percurso possível, não o que os nossos interesses locais acham oportuno. 

A entrevista linkada é a demonstração em como alguma liberdade de opinião existe em Angola. E Luaty não é o único. Há mais opositores e lutam diariamente por uma Angola mais democrática. Que sejam livres e não ajudemos a piorar a sua situação.

Já agora, porque razão o artigo de Câncio não é dirigido a António Costa? Porque usa Câncio, Luaty, para pintar negativamente os responsáveis governamentais portugueses quando poderia apelar positivamente aos líderes da sua área de influência? 

publicado por João Pereira da Silva às 09:24
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