Sexta-feira, 8 de Setembro de 2017

Mamadou reincide

Há uns meses tropecei numa entrevista de um tal Mamadou, assessor do Bloco de Esquerda, e dei-me ao trabalho de a comentar quase parágrafo a parágrafo. O homem é um choramingão que quer botar para render o seu palavreado de sociólogo à la Boaventura Sousa Santos, que estranhamente não cita. E acumula esta condição com a de racista preto, isto é, alguém que acha que a negritude justifica que o Estado (ou seja, os contribuintes, cuja esmagadora maioria é branca) se ocupe de criar legislação que proteja em especial a sua comunidade, para a compensar dos abusos de que foi vítima pelo colonialismo, a proteger dos reais ou imaginários que sofre agora, e a favorecer em relação a outros indivíduos em igualdade de circunstâncias mas que se dá o caso de não serem pretos ou ciganos. Ou seja, quer um tratamento negativamente discriminatório dos brancos. Sobre judeus, asiáticos e outras minorias não dizia nada, nem diz agora num artigo de opinião com que polui uma página do Público, um dos órgãos oficiosos da Geringonça.

 

O moço não é meigo, o que o torna simpático a meus olhos, e não se desse o caso de escrever em doutorês, e por isso às vezes não se entender o que diz, encará-lo-ia com mais tolerância. Trata José Manuel Fernandes, Helena Matos, Henrique Raposo e outros como "jornalistas-cronistas travestidos em ideólogos do quotidiano", e os historiadores João Pedro Marques e Rui Ramos como "tentando impor uma leitura higiénica do passado colonial racista para deslegitimar a possibilidade de o relacionar com as suas consequências no presente".

 

Estes e outros fazem uma "armada". E dela fazem parte, ó deuses, senadores da República como Pacheco Pereira e António Barreto.

 

Parece que também a propósito destes dois se pode dizer que "é abjecta a generalização segundo a qual, entre as comunidades negras e ciganas haveria sempre muita gente que, não só não cumpriria a lei, como representaria um custo social elevado para a sociedade. Só que ela impõe uma leitura do racismo como mera questão moral entre indivíduos e não uma questão profundamente política".

 

Boa, Mamadou. Que gosto que teria se te pudesse acompanhar quando afirmas que estes dois vultos fazem generalizações "abjectas". Mas não, meu querido: têm uma inclinação muito pronunciada para abundarem um em asneiras e o outro em banalidades; mas não dizem nada de abjecto, acontece-lhes acertarem, têm e merecem no espaço da opinião o lugar que nunca terás, e qualquer dos dois se diminuiria se se desse ao trabalho de rebater o que imaginas serem argumentos ponderosos, embora Pacheco o possa eventualmente fazer, com o medo pânico que têm as pessoas de esquerda de serem consideradas racistas.

 

"Quando José Pacheco Pereira diz que André Ventura tem razão quando acusa a comunidade cigana de 'viver de subsídios e acima da lei', quando Rui Ramos ou José Manuel Fernandes se insurgem contra o politicamente correcto e defendem que as declarações de Passos Coelho nada têm de xenófobas, quando João Pedro Marques se insurge contra a 'ditadura da memória', quando António Barreto diz que 'Portugal não é um país racista, mas há racistas', entre eles 'africanos e ciganos', o que está em causa é uma tentativa de deslegitimar a luta contra o racismo e a afirmação ideológica de que Portugal não é um país racista".

 

Portugal, a meu ver, não é um país racista; e, mesmo que o seja ou fosse, desde o momento que a legislação não estabeleça na ordem interna discriminações fundadas na raça ou pertença a qualquer grupo identificável por características culturais, religiosas ou outras, e desde que os serviços ou agentes do Estado ajam no cumprimento das suas obrigações sem discriminações baseadas naqueles critérios, dou-me por satisfeito.

 

Mamadou não dá, quer discriminações positivas a favor de negros e ciganos e a compressão do direito à livre expressão da opinião quando esta possa ser qualificada como racista  ̶  é o que designa como "luta contra o racismo". Não é que o diga explicitamente, mas nem precisa: nada do que pensa ou diz passa de uma importação do palavreado de certa esquerda americana, onde a afirmative action aplicada à comunidade negra tem décadas e os riscos de perda de emprego por afirmações consideradas racistas são presentemente bem reais.

 

Talvez seja oportuno lembrar duas ou três coisas simples:

 

i) Racista é aquele que acredita que determinadas características físicas como a cor da pele ou o formato dos olhos indiciam por si alguma forma de superioridade ou inferioridade. Mas não é racismo achar que por uma multiplicidade de factores históricos, geográficos, circunstanciais, umas sociedades evoluíram mais do que outras na sua tecnologia, nas suas instituições e na sua cultura. A civilização romana era mais adiantada que a dos Hunos; a dos colonos europeus mais do que a de tribos canibais ou na Idade da Pedra: e os valores do Ocidente na configuração actual (igualdade dos cidadãos perante a lei e entre os sexos, respeito do direito de propriedade, liberdade de opinião, democracia, etc.) são superiores, por exemplo, aos de sociedades presas a teocracias medievais. O relativismo cultural não existe nem para a lógica nem para o senso; só existe para a historiografia de esquerda e para projectos totalitários acoitados em campus universitários e para partidos políticos que querem actualizar o marxismo;

 

ii) Ou se respeita o direito à livre expressão da opinião ou não. Se quisermos proibir afirmações de racistas, ou de comunistas, ou de negacionistas do holocausto, ou de quem ache que os americanos não foram à Lua, não só não desaparecem os crentes de tais teorias disparatadas como acumulam, se pertencerem a um grupo suficientemente numeroso, com a condição de mártires. Para não falar em quem decide, por exemplo, o que se entende por racismo. Mamadou acha que deve ser ele e os amigos dele. E acredita que, por ser preto, tem uma particular autoridade para navegar em tais águas moralistas. É por isso, aliás, que ataca Gabriel Mithá Ribeiro com particular virulência ("...os miseráveis préstimos de um colonizado mental, que, na sua jactância inflamada..."), a quem decerto só não chama traidor porque não se lembrou;

 

iii) Se eu fosse ou me considerasse racista (não sou, e sei-o porque a ideia de ter netas pretas ou chinesas não me é antipática) di-lo-ia, desassombradamente. E não reconheceria o direito a um Mamadou qualquer, nem muito menos a um comunista (que defende modelos de sociedade necessariamente bárbaros, e portanto inferiores) de me autorizar ou proibir de pensar e dizer fosse o que fosse. De resto, fiscais do pensamento e da palavra é o que mais há por aí, até na direita democrática, Deus lhes perdoe, e todos se distinguem por quererem proibir a expressão disto e daquilo, seja o racismo, seja o que classificam de blasfémia, seja a ideia de que os americanos não foram à Lua, seja qualquer outro disparate em que a credulidade de uns, a ignorância de outros, a fé de muitos, o medo dos outros, e a inveja de bastantes, sirvam para dar largas ao pequeno ditador que quase todos trazem dentro de si.

publicado por José Meireles Graça às 21:35
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Quarta-feira, 30 de Novembro de 2016

Mas eu estou de pé, senhor coronel!

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Eu vou contar uma história.

Depois de ter feito a primeira classe na Escola Primária nº 18 na Rua das Janelas Verdes, acabei a instrução primária e fiz os dois primeiros anos do liceu no Externato Oliveira Martins na Amadora, colégio particular dirigido com mão militar pelo coronel José Lemos, militar reformado que organizava as actividades do colégio como se se tratasse de um quartel, onde o respeito pelos professores e pelos funcionários era cultivado e os alunos faziam formaturas para entrar nas aulas, para descer para o recreio, para ir para a cantina ou para sair.

O coronel Lemos era também o professor de Matemática e, quando entrava na sala de aula, os alunos levantavam-se todos, como faziam, aliás, sempre que qualquer professor entrava na sala de aula. Era assim nesse tempo.

Um dia o coronel Lemos entrou, percorreu a sala com o olhar, e dirigiu-se ao Pereirinha, aluno de aproveitamento e comportamento irrepreensíveis, nessa altura dava-se importância a isso, que ocupava um lugar numa das carteiras da primeira fila:

- O senhor não se levanta?

E o Pereirinha respondeu-lhe conciliando como podia o respeito a que nunca faltava com a defesa da sua dignidade perante a injustiça de que estava a ser vítima por parte da autoridade máxima do colégio:

- Mas eu estou de pé, senhor coronel!

O Pereirinha estava de facto de pé. Mas o facto, esquecido pelo coronel Lemos, de ele ser o aluno mais baixo da turma do primeiro ano do liceu no colégio, fez dele vítima daquela injustiça involuntária do coronel Lemos, de confundir o seu gesto de irrepreensível respeito por ele e pelo comportamento que se poderia esperar de um aluno disciplinado com uma insubordinação.

Já os deputados do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda, mesmo que tenham dois metros de altura, nunca conseguem deixar de ser rasteirinhos. Problemas de coluna, pode-se pensar, mas na verdade meros catraios mal educados.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:07
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Quarta-feira, 26 de Outubro de 2016

O segredo da longevidade da esquerda radical? Varrer o socialismo real para debaixo do tapete

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O Bloco de Esquerda não vai acompanhar a visita do Presidente da República a Cuba.

Os motivos oficiais e oficiosos poderão oscilar entre Cuba andar a renegar os verdadeiros princípios do socialismo e se ter passado para o lado errado da História desde que o regime recentemente retomou relações diplomáticas com os Estados Unidos, o BE ter mais que fazer por ter as jornadas parlamentares marcadas para os dias da visita, ou porque sempre limitou muito a sua participação em visitas de Estado, com excepção dos países com fortes comunidades portuguesas ou língua portuguesa, com excepção de Angola, que acumula as duas condições mas não é visitado pelo BE. Em boa verdade, o motivo não é muito importante, porque não se perde nada por não ir. Nem o BE, nem o PR, nem Cuba.

Mas o verdadeiro motivo é outro.

A verdadeira razão de existir da esquerda radical é a reabertura de discussões que perdeu historicamente no seio do movimento comunista, nos já longínquos anos 30 e 40 do século passado, muitas à custa da vida dos arguentes, que as discussões no movimento comunista sempre foram suficientemente vivas para justificar a eliminação de vidas, algumas à machadada. Há-que reconhecer que, com tal modéstia de objectivos, e inutilidade para o mundo, a esquerda radical apresenta uma longevidade surpreendente.

Longevidade e, nalguns casos, popularidade.

A do BE baseou-se, inicialmente, em hastear uma série de bandeiras no domínio da liberalização dos costumes e da ecologia que os partidos políticos do sistema, os partidos burgueses, hesitavam em assumir por recearem que tomadas de posição claras nesses temas pudessem alienar uma parte mais conservadora dos seus eleitorados habituais. Aborto, consumo de drogas, direitos dos homossexuais (o nome cresceu para LGBTQIA+ mas é mais ou menos a mesma coisa), coisas de que uma parte importante da população, nomeadamente jovem, mas alguma da minha idade, estava farta de ver reguladas por pessoas que não tinham nada que lhes regular as vidas. Na verdade, estas bandeiras poderiam ter sido hasteadas por partidos de qualquer ideologia mais liberal, o que teria todo o sentido, porque todos são mais liberais que os da esquerda radical, em vez de por partidos da esquerda radical que, de liberal, não têm nada, assim alguém lhes dê a oportunidade de ficar entre quatro paredes a mandar num país. O José Sócrates percebeu isso e, se alguma realização lhe pode ser atribuída, foi o esvaziamento eleitoral do BE para metade, à custa de duas ou três iniciativas legislativas claras nesses domínios. O PSD e o CDS não, e insuflaram de novo o BE para o balão de ar que é hoje em dia. E o PS do António Costa também não, porque em vez de se apropriar da iniciativa legislativa nesses domínios, deixa o BE apropriar-se dela e limita-se a secundar as suas iniciativas, o que lhe vai permitir continuar a auto-insuflar-se.

Isto, e no facto de ter investido como mais ninguém no marketing político, não esquecendo que a sua primeira grande batalha parlamentar com o PCP foi pelo direito de um dos seus dois deputados eleitos ter um lugar à esquerda na primeira fila do parlamento, lugar que até aí era sempre ocupado por um deputado do PCP, e mais recentemente, e reforçando a sua aposta de sempre no marketing e nas marcas, por ter substituído o eterno duo Louçã / Fazenda de telegenia limitada por carinhas larocas que fazem olhinhos irresistíveis aos eleitores mais dados a essa modalidade.

Mas resta por explicar como é que o seu eleitorado se deixa enrolar pela defesa destas bandeiras liberais nas mãos de quem continua a defender também ideologias socialistas que, na retórica, sempre prometerem igualdade, justiça social e prosperidade, mas, na prática, sempre entregaram autoritarismo, iniquidade e miséria, e zero de liberdade?

É fácil. O segredo da longevidade da esquerda radical tem sido renegar sempre os resultados de todas as experiências socialistas que foram feitas ao longo destes 99 anos, defendendo que não são significativas do socialismo genuíno por ter havido desvios ao socialismo genuíno ao longo do processo em todos os processos pretensamente socialistas.

Durante uma revolução socialista, como no exemplo mais recente a eleição do Syriza na Grécia, a esquerda radical apoia publicamente a revolução, vai aos comícios, presta assistência à elaboração dos programas, deixa-se fotografar e filmar pelas televisões. Quando começam a ser públicos os resultados da revolução, no caso grego a inevitável cedência às exigências dos parceiros europeus para continuarem a prestar à Grécia a assistência financeira de que a revolução não teve capacidade para a libertar, desliga-se dos que antes apoiava e declara-os traidores, submissos, ou mesmo capitalistas de estado. Nunca se deixa salpicar pelos resultados das experiências socialistas reais, de modo a manter a ilusão que o seu socialismo genuíno tem para oferecer algo de melhor do que ofereceram os pseudo-socialismos dos outros. É um processo continuamente repetido de adesão inicial entusiástica a experiências socialistas e de negação posterior de os seus resultados cómicos a tender para trágicos serem consequências do socialismo, mas sim da falta de socialismo, de reconstrução da virgindade do socialismo genuíno que promete resultados diferentes dos dos abastardados socialismos reais.

Não, o Bloco de Esquerda nunca acompanhará o Presidente da República na visita a países socialistas que já mostraram para além de qualquer dúvida razoável o que o socialismo lhes ofereceu nos domínios da democracia, da liberdade e da prosperidade. Nunca visitará Cuba nem Angola, nem a Rússia nem a China, mas também a República Democrática Popular da Coreia, que chacina regularmente os dirigentes caídos em desgraça, nem a Venezuela, onde o socialismo remeteu à indigência o povo, e à prisão os opositores ao governo, do país com maiores reservas de petróleo do mundo. Irá sempre manter uma distância higiénica dos resultados reais dos socialismos reais e das suas pulhices e misérias.

O segredo da longevidade da esquerda radical é fugir a tirar conclusões sobre o que o socialismo tem para oferecer a partir de todas as experiências socialistas no mundo real ao longo de um século de socialismos. É varrer o socialismo real para debaixo do tapete.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:50
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2016

O trotskismo flower-power

Não fosse o hábito irresistível do Bloco de Esquerda para reescrever a história, e quase seria surpreendente vê-lo a travestir o festival de Woodstock de memória bloquista.

Mas de uma esquerda radical que cresceu inspirada nas ditaduras comunistas, tanto mais selvagens quanto mais genuínas se reclamavam, ou mais genuínas quanto mais selvagens conseguiam ser, mas hoje pede meças em social-democracia a um Willy Brandt, um Olaf Palme ou um Sá Carneiro, que, com o estado social, foram a principal muralha da resistência europeia à penetração das suas ditaduras comunistas, tudo é de esperar. O travesti histórico é o seu património genético.

Percebe-se que para o marketing bloquista dirigido ao segmento de mercado "juventude rebelde", talvez um dos mais significativos e certamente o mais promissor dos segmentos de mercado do Bloco de Esquerda, porque dá votos no futuro, é interessante e vantajoso associar Woodstock aos acampamentos "Liberdade" onde proporciona aos jovens muita discussão sobre modos de vida "alternativos", organização de experiências LGBTQIA+ e casas de banho mistas.

Mas há diferenças abissais a separar o Bloco de Esquerda da geração do flower-power.

A primeira é que Woodstock foi em 1969, e o acampamento "Liberdade" de 2016 foi em 2016.

A liberdade e o pacifismo de Woodstock podem inspirar os bloquistas de 2016, mas em 1969 não inspiravam os "bloquistas" de então, os trotskistas, os maoistas, os estalinistas mais puros que os outros estalinistas, ou outros idiotistas, que se inspiravam sim na repressão selvagem das diversas modalidades de ditaduras comunistas alternativas à soviética que então existiam ou se ambicionavam, da China à Albânia, tanto mais selvagens quanto mais exóticas, cujo auge veio a ser atingido uns anos mais tarde na utopia agrária do Camboja khmer vermelho liderado, aliás, por um dirigente educado para a revolução em universidades europeias, em França. A juventude bloquista de então não queria a paz, se bem que apreciasse o pacifismo da juventude americana como se apreciam os idiotas úteis que atrapalham ou bloqueiam o inimigo, queria vencer, pela deposição unilateral das armas do outro lado, a guerra que, no Vietname, aliás, acabou mesmo por vencer. E admirava e praticava a anulação de liberdade individual e da personalidade própria dos comunismos, tão magnificamente personalizada na sujeição "voluntária" à auto-crítica pública. Até a música detestava, ou por ser um símbolo de alienação burguesa, ou por ser um negócio, havendo mesmo revolucionários mais puros, como o Pacheco Pereira, que confessam que nem Zeca Afonso ou José Mário Branco conheciam, porque só ouviam os discos revolucionários ou étnicos da etiqueta "Le Chant du Monde". Tivesse havido em qualquer país comunista algo semelhante a Woodstock, milhares de jovens a juntarem-se para curtir três dias de sexo, drogas e rock and roll, e teriam sido chacinados como burgueses alienados à metralha, a tiro de canhão ou mesmo à bomba. E os sobreviventes condenados à re-educação prescrita a quem tinha comportamentos desviantes do socialismo, porque no socialismo isto eram comportamentos desviantes. Por mais que hoje em dia baptizem os seus acampamentos com nomes como "Liberdade", não apagam da memória que nasceram para a política a detestar a liberdade e a lutar contra ela. E perderam, pelo menos até agora.

Outra, e mais fundamental, é que tudo o que, quase 50 anos depois, ainda é debatido em grupos de trabalho ou de discussão, analizado, escalpelizado e experimentado desde que devidamente enquadrado e hierarquizado num quadro teórico qualquer, naquela circunstância era simplesmente vivido.

A geração de Woodstock não se distinguia pela retórica sobre o seu modo de vida, distinguia-se pelo seu modo de vida. Não debatia os prós e os contras da droga ou do amor livre ou do rock and roll, drogava-se porque se sentia bem a fazê-lo, fodia com quem lhe apetecia porque se sentia bem a fazê-lo, e ouvia e curtia a música daqueles com quem se identificava porque se sentia bem a fazê-lo. Não andava a tentar mudar as pessoas para as levar a mudar o mundo, limitavam-se a mudar ela própria e a lutar pela liberdade de se mudar a si própria. As mulheres que tomavam banho nuas em público podiam ignorar os rapazes que olhavam para elas ou convidá-los para tomarem banho com elas, mas não faziam queixa à organização por se sentirem incomodadas por ter rapazes a olhar para elas. Não havia, aliás, "organização" dos comportamentos, havia apenas autenticidade. E, quase 50 anos depois, este conceito de liberdade individual e de personalidade própria ainda continua a não ser percebido pelo Bloco de Esquerda que, quando tem iniciativas legislativas sobre coisas como o consumo de drogas, à liberalização, que faz de cada indivíduo um soberano sobre as suas opções de vida pessoais, continua a preferir o enquadramento, o consumo em clubes sociais, associações "...sem fins lucrativos com a finalidade de estudo, investigação e debate sobre a cannabis, bem como do cultivo e cedência aos seus associados de plantas, substâncias ou preparações de cannabis em estabelecimentos devidamente autorizados" onde os tontinhos dos consumidores possam ser protegidos dos seus próprios vícios. Woodstock nunca entrou nestas cabecinhas de bota de elástico impermeáveis à liberdade e à autonomia individuais, nem nunca entrará.

A terceira, que resulta da segunda, é que, ao contrário da geração bloquista que coexistiu com ela, a geração de Woodstock fez mesmo uma revolução.

Enquanto a grande referência revolucionária europeia da época, o Maio de 68, legou à posteridade inúmeras boas frases revolucionárias, aquilo que hoje se designa por sound-bites, sobre a liberdade, a violência e a sexualidade, obras-primas da provocação aos preconceitos da burguesia que se estendiam desde atirar pedras até sugestões de pedofilia, que ainda hoje são uma referência inultrapassável, e, com algum esforço, e ignorando fenómenos como a mini-saia, é tida como tendo tido um papel determinante na evolução dos costumes conservadores europeus em domínios como a pílula ou o aborto, e depois de uns meses de farra foi mandada embora pelo povo francês em eleições, a geração de Woodstock nunca se foi embora e mudou para sempre a sociedade americana pelo menos tanto, mas em determinadas regiões, mais conservadora que a europeia e, por via da globalização cultural anglo-saxónica, todo o mundo, pelo menos aquele em que o rock and roll não é proibido, e em muitos regimes socialistas foi proibido, em domínios como a liberdade dos costumes, incluindo os sexuais, a igualdade de género ou racial, o combate a todo o tipo de discriminações, e o respeito pelo ambiente, mas, em sound-bites, legou pouco mais que o simplório "make love not war".

Isto é talvez o resultado das diferenças entre a cultura americana, mais virada para fazer e ter resultados, e a europeia, mais virada para reflectir, planear e comunicar? Das diferenças entre uma cultura mais virada para ser e outra para parecer? Uma mais virada para a liberdade individual e outra para o enquadramento institucional? Uma mais liberal, outra socialista? Não sei. Mas sei que o Bloco de Esquerda não pesca, ainda hoje, um boi do que foi a geração de Woostock, mas compensa a falta de compreensão com uma grande lata a usá-la na sua propaganda.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:37
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Quarta-feira, 3 de Agosto de 2016

O trabalho liberta

Nas democracias burguesas neoliberais, os bloquistas organizam acampamentos "Liberdade" onde, para desafiar os papéis do género, as casas de banho binárias são substituídas por balneários LGBTQIA+ onde as meninas ficam admiradas por ver meninos a olhar para elas, certamente por não lhes terem ensinado nas aulas de educação sexual, que é onde essas coisas agora são ensinadas, que os rapazes gostam de ver mulheres nuas, e onde se podem desconstruir algumas ideias tocando em pessoas do mesmo género.

Nos regimes socialistas, organizam acampamentos "Trabalho Forçado".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 11:58
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Sábado, 9 de Julho de 2016

Tão diferentes, tão iguais que até assusta

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Ainda não foi desta que a Marine Le Pen e a Catarina Martins nos decepcionaram entrando em contradição, e "...Se alguém tinha alguma dúvida de que a governação europeia é uma governação feita ao sabor dos interesses financeiros..." é uma tradução quase perfeita de "...rien d'étonnant pour ceux qui savent que l'UE ne sert pas les peuples mais la grande finance...".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 19:27
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2016

Relembrando Cavaco: quem te avisa teu amigo é

"Em 40 anos de democracia, nunca os governos de Portugal dependeram do apoio de forças políticas antieuropeístas, isto é, de forças políticas que, nos programas eleitorais com que se apresentaram ao povo português, defendem a revogação do Tratado de Lisboa, do Tratado Orçamental, da União Bancária e do Pacto de Estabilidade e Crescimento, assim como o desmantelamento da União Económica e Monetária e a saída de Portugal do Euro, para além da dissolução da NATO, organização de que Portugal é membro fundador.", disse o presidente Cavaco Silva na Comunicação ao País do dia 22 de Outubro de 2015 em que indigitou como primeiro-ministro o vencedor das eleições de 4 de Outubro Pedro Passos Coelho.

Foram, nos mais de 20 anos de desempenho de funções institucionais ao mais alto nível, como ministro das finanças dos governos da AD, depois como primeiro-ministro de governos de maioria absoluta e com mais de metade dos votos do PSD e, finalmente, como presidente da república, cargos que sempre desempenhou sem ter procurado construir "afectos", nomeadamente com os políticos, jornalistas e comentadores que pensam que fazem a opinião pública, as palavras mais odiadas por todos eles. Até o Pacheco Pereira, zombie que politicamente regressou da clandestinidade anti-fascista ao mundo dos vivos pela mão do cavaquismo, ficou danado e decretou que tudo o que corresse mal a partir daí seria consequência deste discurso. E correu, está a correr, e há-de correr ainda pior.

E odiaram-no porque estava carregado de razão.

As posições antieuropeistas do PCP são demasiado conhecidas e demasiado coerentes com toda a história de luta política do partido para as repetir aqui. O projecto europeu surgiu para travar a expansão do comunismo através da democracia e da prosperidade, e eles sabem disso, e nós sabemos que eles sabem.

Já o BE, apesar das origens na esquerda mais radical inspirada em modelos de sociedade como os da China maoista ou da Albânia enverhoxhista, quando não do Camboja khmer, que para se distinguirem do revisionismo soviético elevaram a extremos a barbárie baseada no fanatismo ideológico, vestiu como o Podemos, ou o Pacheco Pereira, a pele de "social-democrata", e tem sempre afirmado que todas as posições de defesa de confronto com as instituições europeias as toma em nome de uma Europa melhor e mais democrática. Ou, por outras palavras, enquanto a UE nos pagar para termos a ilusão de sermos mais ricos do que realmente somos, o BE é europeísta. Mas Convenção do BE decorreu debaixo de uma forte euforia, provocada pela conjugação do referendo do Brexit, que o BE tem esperança de constituir um passo determinante para a desagregação da UE, e das encuestas espanholas, que colocavam a coligação do Podemos, da Izqueirda Unida e do método de Hondt, em segundo lugar nas eleições à frente do PSOE, fazendo dela o maior partido de uma possível coligação da esquerda, com a possibilidade teórica de o Pablo Iglésias vir a ser indigitado como primeiro-ministro de um governo de maioria de esquerda. E a euforia deu-lhes o sentido de urgência e de invencibilidade necessários para mostrar o jogo.

E o que tinham nas cartas?

  • Vaias aos que caíram em luta ao serviço da mesma guerra que o BE trava, a de conseguir que a UE financie ad-eternum políticos demagógicos que, em vez de adoptarem nos estados-membro que governam políticas que promovem o crescimento económico e a prosperidade dos seus povos, os arruinam em guerras à economia e deixam à UE a responsabilidade de os voltarem a pôr de pé. Quem crê, acredita que quem não consegue concretizar o que a sua Fé lhe promete o faz por traição, e não por ser fantasioso, e o BE trata os mártires da sua causa como perdedores, e mesmo traidores.
  • Aplausos entusiásticos aos que pensavam que estavam prestes a conquistar a Espanha, os ideólogos do regime bolivariano da Venezuela, que ambicionam abrir na Espanha mais um laboratório para testar mais uma vez com o povo espanhol as suas políticas na esperança que, ao contrário do que é  mais do que evidente nos resultados das experiências venezuelana ou grega, para não ir buscar os resultados miseráveis de todos os comunismos nos últimos cem anos, desta vez resultem.
  • Referendar a saída de Portugal do euro.
  • Referendar a saída de Portugal da Europa.

No fundo, o que defendem é mesmo a saída de Portugal de circulação, o que é amplamente provado pelos aplausos que dispensaram aos demolidores da CGTP ou da Fenprof.

Infelizmente, para eles, porque quem mostra as cartas sem poder assegurar as vazas que reclama é obrigado a jogar o resto da mão com as cartas à mostra e a sujeitar-se a não conseguir cumprir o que exigiu, e faz figura de parvo, a euforia foi prematura. A Europa parece ter, tanto em países periféricos como Portugal, como no próprio centro das grandes decisões europeias da actualidade, a Alemanha, estadistas capazes de gerirem o Brexit sem deixar de respeitar os múltiplos interesses comuns da UE, e dos cidadãos comunitários, e do Reino Unido, e dos seus cidadãos. A implosão é um sonho de sempre de alguns, mas parece muito longe de se poder concretizar. E os resultados das eleições espanholas, não apenas não deram ao Unidos Podemos mais votos que ao PSOE, como anularam com uma redução de votos a vantagem de mandatos que o método de Hondt poderia ter dado à coligação de extrema-esquerda, como consolidaram a vitória de Dezembro do PP sem enfraquecer o PSOE, ou seja, reforçaram o bipartidarismo. A ejaculação foi precoce, mesmo que a semente tivesse lá todo o DNA que eles têm para transmitir.

Além de, e uma vez não são vezes, mas há limites que são para não deixar ultrapassar, o presidente Marcelo, pela segunda vez, ter largado a sua posição de afecto permanente com a maioria que apoia o governo, e se se ter sentido obrigado a esclarecer pela segunda vez (a primeira tinha sido a propósito da nobreza solidária do trabalho voluntário) os bloquistas que a afectividade tem limites, e as decisões de convocar referendos são da exclusiva responsabilidade do presidente, que não tem obrigação de lhes aceitar sugestões, e não do parlamento nem do governo, onde o presidente não coloca qualquer obstáculo às sugestões que eles façam e sejam aceites.

Posto isto, quem nos defende do ímpeto furioso e antieuropeísta do PCP e do BE oportunamente denunciado pelo presidente Cavaco? Os palermas da ilustração. Estamos em boas mãos.

 

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 19:49
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

Conversas no Minipreço

Já vos disse que a água de Penacova é a melhor e, vendida com marca branca Dia (mas com a origem identificada) nos supermercados Minipreço, mais barata (a 42¢ o garrafão de 5 litros) água de mesa à venda em Portugal?

Na sexta-feira fui comprar água de Penacova ao Minipreço.

Chegado à caixa, a menina da caixa com sotaque espanhol, vai daí...

- A senhora (a menina da caixa devia andar pelos 20 anos, mas é assim que eu me dirijo às pessoas) é espanhola?

- No, sô dê Benezuelá.

- Vem de longe! Antigamente iam muitos portugueses para a Venezuela.

- Más agora nô, que aquilo está muito mal. Nem se consegue comprar comida.

- Eu sei, eu sei... E como é que veio aqui parar, tão longe?

- Porque os meus pais são portugueses, e o meu pai foi assassinado.

- ... (foda-se) ...

Eu pensei isto, mas não disse. Alias, não disse nada, fiquei uns segundos que me pareceram minutos, com ar provavelmente aparvalhado, ao fim dos quais me saiu um inútil "lamento muito".

E pensei palavras ainda mais feias, e eu passei todas as férias grandes da infância e da adolescência em Melgaço e lá aprendem-se algumas, dos anormais que, em Portugal e por esse mundo fora, admiram o regime venezuelano, louvam o regime venezuelano, sonham um dia implantar cá um regime como o venezuelano, participaram também, a troco de honorários milionários pagos com dinheiro que agora o regime não tem para comprar papel higiénico nem remédios, na construção da vertente de organização e propaganda daquela catástrofe humanitária, e mereciam ser largados nas ruas da Venezuela para serem assassinados no lugar de cidadãos pacatos e trabalhadores como o pai daquela menina que, com uns 20 anos, tem mais vida vivida do que eles todos somados. A puta que os pariu!

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 22:30
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

Livres das grilhetas do euro, poderemos ser felizes e socialistas

Ao contrário de Portugal, cujo governo persiste em ignorar teimosamente as sugestões construtivas do Bloco de Esquerda e aumentou o salário mínimo em apenas 5%, deixando inquietas as pessoas que "sentem que a sua experiência, a sua competência, a sua responsabilidade é completamente desconsiderada", o governo da Venezuela acabou de aumentar o salário mínimo em 30%.

Não é só por má vontade. É também porque o governo português, apesar de socialista, está agarradinho pelas grilhetas do euro. Ao contrário, o governo socialista venezuelano pode imprimir, enquanto tiver dinheiro para papel e tinta, notas de bolívar.

Também é verdade que a inflação na Venezuela anda pelos 700%. O que significa que, para comprar o que um bolívar conseguia comprar há um ano, agora são necesssários oito. Como os venezuelanos foram aumentados 30%, agora ganham 1,30 bolívares por cada bolívar que ganhavam há um ano. Recebem mais, a vantagem de serem aumentados por um governo socialista bolivariano. Mas o que recebem vale seis vezes menos do que valia o que recebiam há um ano, ou seja, quem tinha dinheiro para comprar um quilo de carne há um ano, agora tem dinheiro para comprar um quilo de arroz. O que não chega sequer a ser um problema, porque já não há carne nem arroz nas lojas. Enfim, tudo junto resulta naquilo que os assessores do Podemos ensinaram, a troco de modestíssimos honorários, o governo venezuelano a designar pela "Suprema Felicidad Socialista".

Como chegar então ao ambicionado patamar da suprema felicidade socialista em Portugal? Uma solução prometedora seria marimbarmo-nos para o pagamento da dívida, lançar a bomba atómica e deixar o banqueiro alemão com as pernas a tremer. Mas as palavras terão sido fortes, com uma imagética excessiva, e o próprio proponente hoje em dia esmoreceu o ímpeto reformista da cruzada. A melhor alternativa parece ser sairmos do euro e retomarmos a impressão de escudos, com que podemos pagar salários cada vez mais elevados, até deixarmos de ter dinheiro para imprimir mais dinheiro.

É verdade que, sem o euro e a senhora Merkel (a senhora Merkel é doutorada em Química quântica, mas nem por isso deixa de ser senhora) e o senhor Schäuble a tomarem conta dele, governos de demagogos irresponsáveis poderão devolver livremente os rendimentos aos portugueses aumentando os salários para cima de uns trinta por cento à custa de desvalorizar a moeda para um oitavo do valor que tinha. Mas o que é isso comparado com a suprema felicidade socialista de voltar a ter aumentos, contratos colectivos de trabalho, e lojas vazias, mas com a felicidade de poder atribuir a responsabilidade de estarem vazias aos especuladores e inimigos da revolução?

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 21:48
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

Saudades do BE

Andam por aí umas sondagens que fundam a previsão de que o Bloco de Esquerda se arrisca a desaparecer nas próximas legislativas, a benefício do PCP e do PS. Feia coisa: o regime democrático fica-o menos com o reforço do PCP; e a vitória do PS é, se for absoluta, a garantia de um segundo resgate, logo que as instâncias europeias não possam mais fechar os olhos à contabilidade pública criativa, para disfarçar as derrapagens; e, se for relativa, a garantia de um segundo resgate devido à barafunda dos governos fundados em coligações contra-natura, com o alto patrocínio do senhor Presidente da República.

 

O Bloco é uma associação recreativa fundada para acolher comunistas desgostosos com as aplicações concretas da doutrina e ávidos de a casar - como se fosse possível - com a democracia parlamentar; doentes infantis do comunismo que precisavam de um veículo para lhes conferir notoriedade; e sociais-democratas que detestam o PS amigo da banca, dos ricos e das negociatas.

 

A prazo, esta gente tinha que se zangar: um comunista é detentor de uma doutrina científica para regulação da sociedade; qualquer um entende que não pode haver, sobre a mesma realidade, duas verdades científicas diferentes; e assim os que caem fora do círculo que detém a liderança são inimigos de classe e apóstatas, se o Partido estiver no Poder, e dissidentes, se não estiver. De sociais-democratas nem falemos, que são pouco menos que traidores, aliás e de toda a evidência em trânsito para o PS.

 

Tenho pena: que a serenidade e boa-educação de João Semedo, enquanto debita aquelas piedades esquerdistas; o friso de caras bonitas com que o BE sempre abrilhantou as listas (a par de alguns camafeus, que a perfeição não é deste mundo); até mesmo a verve pseudo-democrata de Louis Le Rouge Fazenda, a contracenar com parlamentares burgueses; a constante pulsão para reformar a Europa e lhe dar lições, como se um bando ingénuo de ignotos radicais pudesse dar ao País a importância que este não tem - tudo me deixará saudades.

 

Há porém limites para o sentimentalismo: que frei Anacleto Louçã e a sua fundamental incompreensão dos mecanismos da economia, embrulhada em suficiência catedrática e brilho oratório de lantejoulas populistas - t'arrenego.

 

Mas enfim, extinto o Bloco, quem - quem? - se ocupará de coisas tão necessárias como a criminalização do piropo, na qual aliás, sem sucesso, foi pioneiro? É que podemos sorrir e achar que, desaparecidas em combate aquelas meninas azougadas do BE, tão queridas, ficamos livre desta e doutras tolices. Puro engano: a coisa, afinal, é europeia ou, no mínimo, de Bruxelas, uma cidade que cozinha superlativamente mexilhões e parvoíces. E, se é bruxelense, o PS virá, a seu tempo, tentar importar o disparate.

 

E a perspectiva de ver a planturosa Canavilhas ou, pior, a esfusiante Moreira, a defenderem penas de prisão para atrevidos - perdão, mas dá-me saudades do BE.

publicado por José Meireles Graça às 00:56
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