Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

A bolsa ou a dívida

O ministro das Finanças, que habitualmente tem exibido alguma propensão para o auto-elogio, teve uma reacção surpreendentemente moderada ao aumento da notação atribuída pela Standard & Poor's à dívida pública portuguesa de BB+ para BBB-, ou seja, acima de lixo, quando recomendou pragmatismo ao optimismo devido à circunstância de a dívida pública portuguesa permanecer a quarta maior do mundo.

No momento chegou a parecer que a moderação do comentário tinha a intenção de evitar que a euforia causada nos partidos da esquerda pelo aumento da notação os encorajasse a aumentarem também as suas exigências para aprovarem o OE 2018, um reforço ao célebre discurso do primeiro ministro sobre o passo maior que a perna.

Mas logo no dia seguinte a gabarolice voltou, e percebeu-se que a chamada de atenção para a dimensão da dívida tinha sido apenas um teaser para a promessa de fazer em 2017 uma redução de dívida de proporções históricas, que se vai já iniciar em Outubro com um reembolso de 6 mil milhões de euros, que quase faz esquecer que a dívida pública aumentou 17,6 mil milhões de euros nos 20 meses desde que o governo tomou posse até ao final de Julho deste ano, a um ritmo espantoso de 880 milhões por mês. Quase.

E, de facto, reduzir a dívida em 6 mil milhões de euros apenas num mês parece uma excelente notícia. Parece, mas não é, porque a redução não representa nenhum enriquecimento nem empobrecimento do país.

Porquê?

[Agora vou pedir aos muitos leitores que percebem disto muito mais do que eu alguma paciência enquanto explico aos que percebem ainda menos do que eu.

Se eu tiver 1.000 euros no banco e pedir emprestados mais 1.000 fico mais rico ou mais pobre? Não fico mais rico nem mais pobre, fico com mais 1.000 euros no banco do que tinha mas fico a dever mais 1.000 do que devia, ou seja, se decidir reembolsar a dívida que contraí agora ficarei de novo com os 1.000 euros iniciais. E se tiver 1.000 euros no banco e uma dívida de 5.000 e amortizar 1.000 euros da dívida fico mais rico, ou mais pobre? Nem uma coisa nem outra, fico também na mesma. Não é o montante que eu tenho no banco que define a minha riqueza, ou eu teria enriquecido quando contraí o empréstimo e empobrecido quando o liquidei, nem o que eu devo, ou eu teria empobrecido quando contraí o empréstimo por aumentar a dívida e enriquecido quando o reembolsei por reduzi-la, mas a subtracção do que devo ao que tenho. Para a mesma dívida sou mais rico se tiver mais dinheiro no banco, para o mesmo dinheiro sou mais rico se dever menos. Isto é assim comigo e, por mais que alguns economistas tentem apelar a que as pessoas não tentem perceber as finanças públicas e deleguem a sua análise aos peritos por serem muito mais complexas que as finanças domésticas, é assim com as nações.

E agora os que percebem de finanças públicas mais do que eu podem voltar à leitura.]

Porque a medida correcta das nossas responsabilidades não é o volume da dívida, mas a dívida líquida dos depósitos, ou seja, aquilo que ainda teremos para pagar se decidirmos usar todo o dinheiro que temos disponível para amortizar dívida. E quando reembolsamos 6 mil milhões de euros de dívida reduzimos o volume da dívida mas também reduzimos exactamente no mesmo valor o montante que temos em depósitos. Ficamos na mesma.

E como tem evoluído a dívida na óptica de Maastricht líquida de depósitos da administração central?

Dívida Líquida Depósitos 2015-01 a 2017-07.jpg

Tem evoluído muito bem.

De Janeiro a Novembro de 2015, enquanto fomos desgovernados pelos neoliberais do governo Passos Coelho, cresceu 5,5 mil milhões de euros, cerca de 500 milhões por mês. Depois de em 2014 e 2013 ter crescido ao ritmo de 570 milhões por mês, e em 2012 e 2011, os anos da falência, um pouco acima dos mil milhões. E em 2010, com os socialistas ao leme do governo, ter crescido ao ritmo de 2,150 mil milhões por mês. Os luxos pagam-se caros.

Desde que o governo actual iniciou a pequena revolução de rigor financeiro que nos acabou por tirar do lixo, até ao final de Julho a dívida líquida de depósitos cresceu 16,3 mil milhões, ao ritmo de 815 milhões por mês. Ao longo de 2016 cresceu 5,5 mil milhões de euros, ao ritmo de 462 milhões por mês, e desde o início deste ano cresceu 6,4 mil milhões, ao ritmo de 915 milhões por mês. E em Outubro? Em Outubro, o reembolso vai abater em 6 mil milhões a dívida, e nos mesmo 6 mil milhões os depósitos movimentados para a reembolsar, de modo que, do reembolso, a dívida líquida de depósitos não se vai alterar num cêntimo, e alterar-se-á apenas, e como é normal, na medida em que os gastos forem superiores às receitas, ou seja, se houver deficit, o que a fará aumentar, ou se as receitas ultrapassarem os gastos, ou seja, se houver excedente, o que a fará reduzir. É tão simples como seria na casa de qualquer um de nós, desde que estivesse estupidamente endividado.

Já percebemos que a gabarolice de reduzir a dívida em 2017 pode impressionar os incautos mas é uma aldrabice porque, ainda que se venha a verificar, pelo menos em % do PIB, já que em termos absolutos em euros parece muito improvável que se reduza, não representa qualquer redução das nossas responsabilidades com os credores líquidas das nossas disponibilidades para as respeitar.

E percebemos também que, no último ano do governo anterior, e depois de três anos e meio de esforço insano e impopular que constituiu aparentemente um suicídio político, os gastos com o Estado, para além do que lhe pagávamos nos impostos, nos empobreciam ainda em aumento das responsabilidades líquidas com os credores ao ritmo de 500 milhões de euros por mês, o que já dava uma soma mensal catita de 50 euros por cidadão, ou 150 euros cá em casa, e com o governo actual, aparentemente a ressurreição política da abundância e dos afectos, andamos a empobrecer para além do que pagamos em impostos ao ritmo de 815 milhões por mês, ou 81,5 euros mensais por cada um de nós, 250 cá em casa, em números redondos.

Mas não devemos ter motivos para grande preocupação, porque o deficit está a ser controlado pelo governo a níveis historicamente baixos, pois não?

[Vamos voltar às finanças de dona de casa, mas desta vez podem ficar a ler mesmo os que percebem de finanças muito mais do que eu.]

Ter deficit elevado, ou seja, gastar mais do que se ganha, é bom ou é mau? O mero bom senso responde que é mau, apesar de haver linhas de pensamento económico, mesmo na academia, mesmo entre reputados catedráticos de economia, que defendem que é bom, porque acreditam na existência de multiplicadores mágicos que fazem a economia crescer muito mais do que o dinheiro que lhe é injectado pelo deficit. Mas, sem recorrer ao pensamento mágico, o deficit é mau, porque para o pagar é necessário recorrer ao crédito, que no futuro terá que ser pago. Mas é mau essencialmente, ou até exclusivamente, por isso. Se alguém nos oferecesse dinheiro para financiar o deficit ou nos pagasse a dívida, o deficit seria óptimo. Permitiria levar vida de rico sendo pobre, e, com excepção de alguns milionários que gostam de brincar aos pobrezinhos nas férias, é melhor levar vida de rico do que vida de pobre. O deficit não é um problema em si, o problema é termos que o pagar.

E ter dívida elevada, ou dívida líquida das disponibilidades, é bom ou é mau? É mau, porque nós, ou alguém por nós, terá que a pagar, e ser expropriado da sua liberdade de usar como entende o dinheiro que ganha para ser forçado a usá-lo num montante determinado por nós como nós entendemos. É uma pesada herança, uma autêntica pulhice inter-geracional, gastarmos mais do que ganhamos à custa de forçar alguém a ter para gastar menos do que ganha. Mas fechemos o parêntesis dos considerandos morais, que raramente ajudam a analisar e resolver os problemas, e fiquemos por ser mau ter dívida elevada.

E, sendo mau ter dívida elevada, mas agradável ter deficits elevados, por que razão seguimos com muito mais atenção o deficit do que a dívida? Porque o deficit é uma boa medida da evolução da dívida. Para ser mais preciso, a diferença entre o que se paga e o que se recebe é aritmeticamente igual à variação da dívida líquida de depósitos, asserção matemática que me vou escusar de demonstrar mas podem tomar por boa. Melhor ainda, enquanto a evolução da dívida resulta das necessidades de financiamento do deficit, o deficit resulta directamente de decisões que se podem parcialmente gerir. É possível determinar, pelo menos parcialmente, onde e quanto se gasta e quanto se paga, e é possível determinar, pelo menos parcialmente, através da fiscalidade, quanto se recebe. Tudo junto, sendo uma boa medida da evolução da dívida, que constitui a nossa responsabilidade real, e sendo directamente gerível, tem todo o sentido seguir com toda a atenção o deficit.

Mas se o deficit é uma boa medida da evolução da dívida, porque razão é que o ritmo de aumento da dívida líquida de impostos tem disparado ao mesmo tempo que o deficit tem diminuído para mínimos históricos? Porque é que a evoluções de montante semelhante da dívida líquida de impostos entre Janeiro e Novembro de 2015 e em 2016 corresponderam deficits tão diferentes de cerca de 3% e de 2%, repectivamente? Porque é que este ano, em que se espera um deficit de 1,5%, ou seja, cerca de 3 mil milhões de euros, a dívida líquida de impostos já aumentou em sete meses mais do dobro desse valor? O Joaquim Sarmento tem feito pesquisa nesse domínio para perceber a diferença acentuada entre valores que deviam ser aproximados, acabou mesmo de publicar o capítulo O que se Passa com a Dívida Pública? dedicado a este tema na Nota de Conjuntura de Agosto de 2017 do Forum para a Competitividade, nomeadamente para avaliar a existência de buracos negros nas contas, e chegou à conclusão que é improvável que existam, pelo que a diferença se deve ao facto de o deficit contabilístico ser apurado nos termos de critérios que o afastam muito significativamente da mera diferença entre as despesas e as receitas que determina, essa sim, a evolução da dívida líquida de depósitos. E o grosso da diferença está na contabilização ou não contabilização dos resgates nos bancos, que aliás tem sido manipulada pelo governo para parecer que está a gerir com rigor, ao não incluir no deficit o que fez este ano na CGD, e que o governo anterior geriu sem rigor, ao ter prescindido de retirar do deficit o que também ele próprio fez no Banif no final de 2015, elevando a 4,4% o deficit desse ano que, sem o resgate, ou com ele fora do deficit, teria já sido inferior a 3% e permitido a saída de Portugal do procedimento por deficits excessivos. Assim, conseguiu ser ele a receber o mérito dessa retirada, pequena vigarice que até é quase benigna num governo vigarista por sistema que governa por focus groups.

Pelo que a resposta à pergunta anterior é sim, devemos ter motivos para grande preocupação apesar de o deficit estar a ser controlado pelo governo a níveis historicamente baixos, porque a dívida líquida de impostos, aquilo que nos compromete e às gerações futuras, está a voltar a crescer a níveis historicamente preocupantes.

E a lição que se tira disto tudo é que incentivos errados fomentam comportamentos indesejáveis.

Tal como um sistema de incentivos à rede de vendas de uma empresa baseados no volume de vendas estimula os vendedores a procurarem vender a preços o mais reduzidos que consigam, até abaixo do custo, resultando em reduções da margem de vendas ou até em vendas com prejuízo, enquanto um sistema de incentivos baseado na margem de venda os estimula a maximizarem o lucro da empresa, o hábito e a cultura de avaliar a execução orçamental com base no deficit contabilístico em vez de a avaliar com base na evolução da dívida permite aos governos fazerem um brilharete com deficits historicamente baixos ao mesmo tempo que nos arruinam e às gerações futuras com dívida historicamente elevada.

Se queremos deixar de ser enganados por governantes demagogos como os actuais, e até promover a sua substituição por governantes sérios, que também os há, é imperativo passarmos a seguir com mais atenção a evolução da dívida líquida de depósitos e a atribuir ao deficit contabilístico a importância relativa que realmente tem.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:23
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Domingo, 30 de Abril de 2017

O meu Porsche

2017-04-30 Porsche Boxter.jpg

Ou por ser burro e não saber, ou por ser aldrabão e esconder, ou, o que é mais provável, por conseguir acumular as duas qualidades em simultâneo, o primeiro-ministro António Costa recusa responder no parlamento a qualquer deputada da oposição quando lhe pergunte qual era o valor da dívida pública portuguesa no final de 2016. Na melhor das hipóteses é capaz de a pôr no seu lugar de mulher burra e propor-lhe responder-lhe à mesa a comer um peixinho grelhado, como se houvesse resposta a qualquer pergunta que fosse, mesmo que sobre a vida e a morte, que valesse o enxovalho de se sentar à mesa com um burgesso como ele. Não há, e não foi ele que lhe respondeu.

Felizmente, o Banco de Portugal tinha a resposta para lhe dar, e aos seus constituintes, e aos dos outros deputados: no final de 2016 a dívida pública portuguesa ascendia a 241.100.000.000 de euros, e eu vou soletrar para não vos obrigar a contar zeros, a duzentos e quarenta e um mil e cem milhões de euros. O número passa muito para além da capacidade do cidadão comum, e de alguns incomuns, entender a sua dimensão, mas é fácil explicá-lo numa dimensão mais inteligível para todos, pelo menos os que conseguem lá chegar por não terem sido sido toda a vida indigentes: cada português deve 24.110 euros por conta da dívida pública que os diversos governos se foram encarregando de fazer engordar.

Cá em casa, entre os três, já devemos um Porsche Boxter com alguns extras. Se o meu filho mais velho ainda cá vivesse, talvez ainda conseguíssemos chegar a um 911 muito bem regateado. Devêmo-lo, mas ainda não o recebemos. Nem nunca o vamos receber. Ficamos com as prestações para pagar. Foi assim como fazer muitas vazas a jogar para nulos.

E o que fazem o governo e os patetas que o sustentam politicamente, porque governa tendo perdido as eleições, para nos aligeirar o fardo desta dívida? Anda a rapar os tachos que tem à mão, e a fazer-se a alguns que não tem, para ir encontrando os tostões que ainda lhe sobram: atira-se às reservas do Banco de Portugal, atira-se à almofada financeira, troca dívida de longo prazo, que um dia há-de ser necessário reembolsar, por dívida de curto prazo, mais barata mas que está aqui, está a precisar de ser reembolsada. Anda a fazer equilibrismo na corda bamba dos mercados.

E gastar menos? Nada disso, está a aumentar, na medida do possível, ou do que lhe permitem as instituições europeias que deviam proteger os interesses dos contribuintes portugueses mas na circunstância actual têm mais com que se preocupar, os custos fixos incompressíveis, aqueles que nem um futuro governo eleito terá capacidade para reduzir por ficarem blindados à guarda do Tribunal Constitucional, os salários e os quadros da função pública. De modo que, por mais artifícios contabilísticos que eles façam e lhes deixem fazer, se está gorda, a dívida é para continuar a engordar sem apelo nem agravo.

Se agora só devemos um Porsche, e um mísero Boxter, com alguma sorte ainda em vida chegamos a dever um Aston Martin. Felizmente, acabado de fazer 60 anos, não tenciono pagar as prestações, que não chego lá, e deixá-las-ei em herança aos meus filhos e, quando chegarem, aos netos, e por aí fora.

Felizmente não acredito na ressurreição, porque não queria nada ser um português das próximas gerações...

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:52
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