Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2016

O Dono Disto Tudo V2.0

mw-960-a.jpgnotícias que não contêm novidade nenhuma.

É do domínio público que, para o governo e a maioria de esquerda que o sustenta, há cidadãos de primeira, que é indecente serem sujeitos a situações de precariedade laboral ou, noutro domínio, perderem as suas poupanças em investimentos financeiros, e cidadãos de segunda, que merecem é ir para o desemprego ou, noutro domínio, ninguém manda serem gananciosos e fazerem investimentos especulativos com o lucro na mira. Os funcionários públicos são cidadãos de primeira, assim como os investidores no BES, e os trabalhadores do sector privado que vão morrer longe da vista para não atrapalharem os primeiros na sua justa conquista de emprego para a vida, e podem levar com eles os especuladores no BPP.

Também é do domínio público que, nalguns sectores, e a Educação é aquele em que é mais evidente, o governo é tutelado pelos sindicatos sectoriais, o preço político pago pelo António Costa ao Partido Comunista Português para, sem empatia com ele nem com a ala esquerda do Partido Socialista que emergiu com a sua liderança e que dedica toda a empatia ao Bloco de Esquerda, lhe salvar a pele depois da derrota eleitoral que sofreu depois de ter prometido ao partido vitórias ainda mais claras que as do antecessor que ele conspirou para deitar borda fora. E que, neste sector, nem o ministro nem a secretária de estado estão autorizados a dar informações, quanto mais publicar legislação, que contrariem a tutela da Fenprof.

Talvez os governantes tenham sido induzidos em erro pelo anúncio feito pela Fenprof em Maio, depois de ter sido acusada de trair os seus associados professores em colégios privados com contrato de associação que viram o número de turmas drasticamente reduzido e se viram forçados a despedir professores e funcionários, de que lhes prestaria apoio jurídico se fossem despedidos ilegalmente? Como se essa promessa contivesse sinais de empatia com o drama desses professores do sector privado, e não apenas a intenção de os enganar fazendo chicana jurídica com os colégios que se viram forçados a despedi-los com justa causa por extinção de postos de trabalho e, portanto, sem qualquer hipótese de lhes reverter os despedimentos?

A verdade é que tanto o ministro, como a secretária de estado, afirmaram que iriam manter a possibilidade de vinculação aos quadros da função pública dos professores despedidos pelos colégios privados que perderam turmas que mantinham ao abrigo de contratos de associação, em igualdade de circunstâncias, ou de prioridade, com os professores contratados da rede pública, atribuindo aos professores dos colégios privados, cidadãos de segunda, um estatuto de cidadania que não têm, e permitindo-lhes mesmo competir pelos lugares escassos disponíveis com cidadãos de primeira, os professores da rede pública, que também concorrem a eles. Como se a igualdade tivesse de repente chegado à função pública!

Extravasaram as suas competências ao anunciá-lo sem primeiro o validar com a tutela, e levaram um discreto mas eficaz puxão de orelhas, tendo sido obrigados a alterar o diploma no sentido que nega o que tinham anunciado publicamente mas é exigido pela tutela, revogando essa possibilidade. Nos concursos, os professores oriundos dos colégios privados terão uma prioridade inferior à dos professores contratados da rede pública, o que significa que só serão colocados se houver mais vagas do que candidatos contratados da rede pública, que não há, o que significa que se foram despedidos ficarão no desemprego.

Se fossem governantes num país normal, numa democracia do tipo ocidental, a desautorização pela tutela de decisões que já tinham anunciado publicamente seriam motivo suficiente para apresentarem a sua demissão. Como não são, mas apenas ajudantes de sindicalistas, baixam as orelhas, obedecem e ficam.

A notícia não tinha, como se viu, novidade nenhuma.

Mais uma grande vitória do sindicalista Mário Nogueira, que não dá aulas há décadas, sobre professores que as dão.

 

* O cartaz que ilustra esta publicação foi alvo de uma queixa judicial por parte da Fenprof. Comunista censor durante o PREC, comunista censor por toda a vida.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:03
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Domingo, 30 de Outubro de 2016

O sindicalista Mário Nogueira e os cretinos da direita

2016-10-29 Fenprof cretinos direita.jpg

A pimenta subiu-lhe ao bigode, ao sindicalista Mário Nogueira, por andar a ser desafiado para aparecer em vez de continuar a ser um sindicalista cordeirinho que cala e consente tudo o que nos chega deste governo em matéria de educação.

E ele continua sem aparecer, tal e qual os dirigentes da antiga União Soviética desapareciam nas semanas ou meses antes de ser anunciada a sua substituição, muitas vezes por ponderosos motivos de saúde que o partido mantinha em discrição* para não distrair o povo, mas agora mandou um recado, e, e isto prova que é mesmo ele o genuíno autor do texto, no seu habitual estilo elevado que prova que, ao contrário do que os cretinos da direita, os dirigentes, deputados, comentadores ou jornalistas que servem quem durante quatro anos tanto castigou os portugueses têm a mania de sugerir, ele é mesmo um Professor, e com P maiúsculo, que podemos perfeitamente imaginar a dar às nossas crianças lições sobre as grandes realizações do socialismo soviético ou sobre os crimes do imperialismo neoconservador ianque.

A única coisa que os cretinos da direita afinal conseguiram acertar foi mesmo no facto de ele ter desaparecido por em menos de um ano, o ministro da Educação já ter recebido mais vezes a FENPROF do que Crato em todo o mandato, ou seja, por o ministro ser um fantoche da Fenprof. Aliás, o motivo exacto pelo qual o desafiam a aparecer em vez de calar e consentir, mesmo sabendo que o apelo nunca vai resultar.

Nada mal para cretinos...

 

* Ressalva: corrigido por simpática chamada de atenção do camarada Aristides na caixa de comentários

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:55
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Domingo, 19 de Junho de 2016

Em defesa da escola pública, mantenham o Mário Nogueira a tempo inteiro na Fenprof

Para quem é, bacalhau basta, mas...

Hoje, o ministro da Educação em exercício, o professor Mário Nogueira, demonstrou a maior das vantagens da existência da Fenprof: manter afastados da rede do ensino e do contacto com os alunos professores ignorantes, incompetentes e desonestos como ele, mesmo que, sendo requisitados ao ministério, os seus salários continuem a ser pagos pelo orçamento do Estado e a onerar os contribuintes.

E porquê especialmente hoje? Porque hoje, para além das lenga-lengas da retórica demagógica habitual, da defesa da escola pública à subsidio-dependência dos colégios privados, aventurou-se pelos números que, ao contrário da retórica, que é atestável por meras opiniões, são sindicáveis com factos.

E que números usou o Mário Nogueira? Os do Tribunal de Contas, entidade mais séria que ele e o seu sindicato, como ele próprio sublinhou no discurso, que, em 2012, publicou o relatório nº31/2012 "Apuramento do Custo Médio por Aluno" da auditoria realizada durante o ano de 2011, com referência ao ano escolar de 2009/2010, para responder à solicitação originada pela Resolução da Assembleia da República n.º 95/2011, de 28 de Abril.

E que números foi ele buscar ao relatório do Tribunal de Contas? O custo médio por aluno de todo o ensino público, do 1º Ciclo do Ensino Básico até ao Ensino Secundário, que é de 3.890€.

E esse número é comparável com o custo médio por aluno das turmas em colégios abrangidas por contratos de associação? Não, porque essas turmas não cobrem o 1º Ciclo do Ensino Básico. O custo médio por aluno nas escolas públicas nos níveis cobertos pelos contratos de associação, o 2º e 3º Ciclos do Ensino Básico e o Ensino Secundário, é de 4.648€

Já é mais elevado que o custo de 4.522€ que ele apresentou para os alunos de turmas abertas em colégios ao abrigo de contratos de associação. E como é que ele calculou este número? Como o custo de cada turma é de 80.500€, seria o custo médio por aluno se as turmas tivessem em média 17,8 alunos. Mas como a dimensão média das turmas destes ciclos é de cerca de 23 alunos, o custo médio por aluno nos colégios com contrato de associação é de 3.500€. Ou seja, cerca de 25% abaixo do custo dos alunos a frequentar as escolas públicas.

Ou por ignorância, ou por incompetência, ou por desonestidade, o Mário Nogueira partiu de dados reais para chegar a uma conclusão radicalmente oposta à realidade, que os alunos a frequentar colégios com contrato de associação custam mais 16% do que se estivessem em escolas públicas. Outro tema interessante, para uma discussão futura, que não aqui e agora, é ver um sindicato a defender a solução que, segundo os seus cálculos, fica mais barata, um indício de que os sindicatos não serão tão insensíveis como aparentam aos encantos do economicismo. Aprendam eles a fazer contas, e ainda os veremos um dia a defender o aumento do número de alunos por turma, ou dos horários dos professores, para poupar 16% aos contribuintes. Mas não aprendem, não vale a pena sonhar alto.

É verdade que, para a multidão acéfala e ululante que vai ouvir sindicalistas como ele nestas manifestações, mais de 80 mil almas segundo a aritmética dele, o dobro da manifestação dos amarelos, cerca de 15 mil segundo a da PSP, menos de metade da manifestação dos amarelos, a adesão dos números à realidade é completamente irrelevante. Não estão lá para pensar e analisar, estão lá para aplaudir e ecoar palavras de ordem.

Mas, para quem faz as contas, um aluno a frequentar o 2º ou 3º Ciclos do Ensino Básico ou o Ensino Secundário numa escola pública custa em média ao Orçamento de Estado 4.684€ por ano, mas custa apenas 3.500€ por ano se estiver a frequentar um colégio com contrato de associação.

Conclusões?

Cada aluno a frequentar o ensino público num colégio com contrato de associação custa em média menos 25% do que se estivesse a frequentar uma escola pública.

Uma boa medida de defesa da escola pública é manter o Mário Nogueira até à reforma a tempo inteiro na Fenprof, longe dos alunos, e esta medida vale bem o custo para os contribuintes do salário dele, que continua a ser pago pelo ministério.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:57
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Quarta-feira, 25 de Maio de 2016

Crimes da reacção

Os azougados moços da JSD resolveram fazer um cartaz sobre o comissário do PCP para o ensino, retratando de passagem o seu adjunto com as funções nominais de ministro da Educação, e a coisa ganhou alguma dimensão de escândalo na comunicação social: é bem capaz de durar mais três dias.

 

Não por causa do furibundo Mário Nogueira ter apresentado queixa: esta apenas amplifica o efeito publicitário pretendido pela JSD e se o tribunal tivesse o juízo que nestas questões de direito à opinião versus direito ao bom nome com frequência lhe falha, diria ao queixoso: xô, leve lá essas merdas para o espaço público que aqui há assuntos sérios para tratar. Mesmo porém que um juiz enxerido se lembrasse de dar provimento à queixa, não há qualquer hipótese de condenação em recurso. A Mário não basta viver à custa do contribuinte como ex-professor, quer também agravar a conta ocupando como litigante o aparelho da Justiça para se lavar da inexistente ofensa, e afirmar a razão que não tem.

 

Ofensa, de facto, não há: o eleitor médio poderá não saber exactamente o que distingue Estaline de Lenine, e os dois de Mao, e os três de Pol Pot, Enver Hoxha, Kim Il Sung ou qualquer outro comunista que, por ter chegado ao Poder, ensanguentou as páginas da história do séc. XX com a aplicação prática de uma teoria política criminosa. Mas sabe que são todos comunas.

 

São, de facto, e é também Mário Nogueira. E mesmo que as inúmeras capelas marxistas se digladiem em torno de maravalhas bizantinas que separam trotskistas de estalinistas, maoístas de revisionistas, e todos de todos, e tudo isso tenha apaixonado no passado, e continue a apaixonar agora legiões de herdeiros que julgam ter actualizado a doutrina, resta que não é apenas para o leigo que se parecem todos uns com os outros: um historiador sensato (isto é, não tributário de uma análise determinista da história) dirá que entre Lenine e Estaline há uma diferença de grau, de psicologia e de circunstâncias, não de essência. Ora, Mário, decerto, não se ofenderia se lhe chamassem leninista, é mesmo capaz, pauvre type, de ter orgulho nisso - porque se haverá de ofender por o compararem ao outro assassino em nome da razão de Estado?

 

A acusação de estalinista dirigida ao secretário-geral da FENPROF pode talvez ofender legitimamente o grande educador da classe operária Arnaldo de Matos, que em Portugal detém a representação daquela antiga marca do verdadeiro líder, mas Nogueira - não. E mesmo Arnaldo, que deve achar tudo isto coisa de fascistas e revisionistas ao serviço do imperialismo, também não teria o direito de se queixar porque o direito à opinião existe, e tem protecção constitucional, mas o direito a sentir-se ofendido, como tal, não, muito menos no espaço da opinião pública em que Nogueira circula.

 

O PCP, aliás, agremiação que acolhe no seu seio Nogueira e outros propagandistas de representação, nunca se demarcou seriamente do estalinismo e não faltam comunistas que abertamente confessam o seu respeito pelo histórico criminoso. E, mesmo que assim não fosse, sempre se poderia dizer, com incómoda verdade, que o sistema que permitiu a Estaline ser o que foi é precisamente o que o PCP defende agora.

 

Resta finalmente que o cartaz é, a vários títulos, insultuoso sim mas para os estalinistas: o bigode suburbano, os olhos de carneiro mal morto e o cabelo mal cortado não fazem justiça ao camarada Vissarionovich, que pode ter sido o maior criminoso da história (maior ainda que Hitler, na contabilidade de mortos) mas parecia, e era, um estadista; Nogueira apenas parece, mas não é, um sindicalista, que estes defendem os trabalhadores e Mário utiliza-lhes as lutas para promover aquilo que estes, como eleitores, há quatro décadas rejeitam.

publicado por José Meireles Graça às 20:31
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Momento de poesia - Bojudo fradalhão de larga venta

Esta noite, véspera de feriado reposto, o Gremlin Literário oferece aos visitantes um sarau de poesia. Boas leituras.

Bojudo fradalhão de larga venta

Bojudo fradalhão de larga venta,

Abismo imundo de tabaco esturro,
Doutor na asneira, na ciência burro,
Com barba hirsuta, que no peito assenta:

No púlpito um domingo se apresenta;
Pregas nas grades espantoso murro;
E, acalmado do povo o grão sussurro,
O dique das asneiras arrebenta.

Quatro putas mofavam de seus brados,
Não querendo que gritasse contra as modas
Um pecador dos mais desaforados:

"Não (diz uma), tu, padre, não me engodas:
Sempre me há-de lembrar por meus pecados
A noite em que me deste nove fodas"!

 

Manuel Maria Barbosa du Bocage

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 20:09
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Por onde é que anda o COPCON?

 Por onde é que anda o COPCON quando o Mário Nogueira precisa dele?

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:58
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