Quarta-feira, 15 de Março de 2017

Banha da cobra

"Marcelo Rebelo de Sousa diz que 'a peça chave para o crescimento é o investimento público e, sobretudo, privado português e estrangeiro', sendo que este depende de 'coisas muito simples como estabilidade política, social, legal, fiscal e na legislação laboral, além da aposta na qualificação das pessoas e na menor lentidão da justiça".

 

Um paisano lê um parágrafo destes e pasma: como é que no Governo, no Parlamento, nos jornais, até mesmo nas universidades, ninguém se lembrou disto? E que criminosa desatenção fez com que estas "coisas muito simples" tivessem não apenas sido ignoradas mas decerto agravadas, visto que a posição de Portugal no Índice Global de Competitividade se deteriorou em 2016 (era a 38ª em 140 países, em 2015, e passou a ser a 46ª em 138).

 

Marcelo recorda que "o Presidente não tem poderes executivos" e pode apenas "exercer o seu magistério de influência". Isto é uma grande contrariedade, dado que como semelhante magistério deixou, neste particular, de ser exercido no ano findo, sem dúvida por ter sido orientado para outros assuntos momentosos, perdeu-se tempo; e é uma infelicidade que, em vez de contarmos no Executivo com alguém que sabe perfeitamente o que fazer, tenhamos que nos resignar ao exercício naturalmente canhestro do aluno em vez da luminosa experiência do professor.

 

Porém, o país teria muito a ganhar se o senhor Presidente não fosse avaro de concretizações, e explicasse: i) Como se assegura a estabilidade política quando os dois partidos comunistas que sustentam a maioria defendem, quanto à União Europeia, ao Euro, à legislação do trabalho, e à economia de mercado (et j'en passe) posições opostas ou muito diferentes das do PS? ii) Que garantias pode haver de paz social se a ausência de manifestações, tumultos e greves decorre dos ossos que se vão atirando ao PCP e à CGTP, cujo apetite, por insaciável, em algum momento no futuro tem que deixar de ser satisfeito? iii) Por que motivo o último orçamento, tal como todos os anteriores, dinamitou qualquer ideia de estabilidade fiscal ou de contenção da voracidade do Fisco, e por que motivo devemos acreditar que no futuro, sendo os governantes os mesmos, e Sua Excelência o mesmo também, as coisas serão diferentes? iv) Todos os presidentes, todos os primeiros-ministros, todos os ministros da Justiça, presidentes do STJ e procuradores gerais da República, para não falar de especialistas a granel, se pronunciaram desde há décadas, com gravidade, sobre os males da Justiça. E esta mantém-se teimosamente, com perdão da palavra, uma merda. Mesmo reconhecendo a transcendência do génio do presidente Marcelo, as propriedades miríficas do seu deslumbrante sorriso e o fascínio que exerce sobre as donas de casa da classe média, os empregados do comércio e os espectadores da tv, não parece excessivo duvidar que, onde tanta gente falhou, ele acerte. Sobretudo não tendo, como diz o próprio, poderes executivos, nem tendo deixado rasto de obra que prestasse quando os teve; e v) É praticamente impossível fazer mais e melhor pela qualificação das pessoas do que o muito que tem sido feito. E com justiça se reconhece que a actual geração é a mais bem formada de sempre, faltando-lhe apenas, se quisermos ser perfeccionistas, aprender a escrever, fazer contas e raciocinar.

 

Marcelo ganhou as eleições com uma mistura de notabilidade de famoso, simpatia, vacuidades, à-vontade genuíno e simplicidade falsa. Pode-se ganhar empreendedores ricos com isso? Pode - quem pretenda investir em banha da cobra.

publicado por José Meireles Graça às 23:44
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Domingo, 25 de Dezembro de 2016

Ser ou não ser pior? Eis a questão. Mas a resposta certa é que é igual ao litro

Marcelo-Rebelo-de-Sousa-Sampaio-da-Nóvoa.jpeg

Na semana em que se tornou evidente para lá de qualquer dúvida razoável que o presidente Marcelo tem todas as suas tropas no terreno lado a lado com as do primeiro ministro António Costa, para não falar nas do militante número um do PSD Pinto Balsemão, a tentar derrubar o presidente do PSD Passos Coelho, nesta semana procurando atraí-lo à ratoeira de uma candidatura autárquica pára-quedista e para ocupar o lugar a prazo apenas como trampolim para regressar ao governo e, portanto, destinada à derrota certa, ou seja, uma candidatura suicida, o que por seu lado torna evidente que todos os três tentam promover a sua substituição na liderança do partido por outro a quem o António Costa consiga ganhar as eleições que perdeu e sabe que voltará a perder contra ele, na mesma semana em que o presidente da república passou a fronteira entre a cooperação estratégica com o governo e a mentira descarada ao reforçar, dizendo sobre a solução para os lesados do BES que os contribuintes poderiam ter que pagar do bolso deles um pequeno custo, a mentira do primeiro ministro, que dissera que havia um pequeno risco de eles terem que suportar custos, quando o risco de eles terem que pagar um grande custo é absolutamente certo, no meio de uma daquelas conversas entre eleitores do doutor Rebelo de Sousa sobre a sua falta de isenção política e de sentido de estado que conduzem sempre à auto-justificação de que... seria suicida não votar no Marcelo e abrir a possibilidade de haver uma segunda volta em que a esquerda votaria em bloco no Sampaio da Nóvoa contra ele..., um amigo fez-me pela primeira vez uma pergunta a que eu sempre soube reponder e sempre estive preparado para responder na ponta da língua:

  • E se tivesse sido eleito o Sampaio da Nóvoa em vez do Marcelo, seria pior?

Desatei logo a debitar o MP3, que já não se vendem cassetes, número um:

  • A vitória do Sampaio da Nóvoa representaria o regresso ao PREC, ao período anterior do 25 de Novembro em que não havia verdadeiramente democracia e a extrema-esquerda tinha uma influência na governação completamente desproporcionada do seu peso eleitoral, bla bla bla, bla bla bla, bla bla bla...

E ele olhou para mim e disse-me, com olhos de quem pergunta e não é isso que está a acontecer?

  • ...

Ou seja, não disse nada e deixou-me continuar:

  • ... na verdade, pensando bem, não sei se seria pior? Se calhar não seria pior. Era igual.

E nesse dia percebi que tinha deixado de saber responder à pergunta a que até aí sempre tinha sabido responder.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 18:09
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Quarta-feira, 9 de Março de 2016

O discurso do Rei

Foi bom o discurso de Marcelo: nele não figuravam recados, não lançava farpas (senão a referência à “mão invisível”, possivelmente uma velada crítica ao suposto liberalismo da defunta coligação, pecha da qual a pobre nunca sofreu), não apontava o dedo, não continha frases jesuíticas (como os de Eanes, para simular a profundidade que não tinha), não atacava enviesadamente os partidos que não o apoiaram (como Soares, Sampaio e Cavaco fizeram), não foi revanchista (como Cavaco, no segundo discurso de tomada de posse), não estava redigido no abominável economês cheio de lugares-comuns com que Cavaco entediava a Nação, nem no palavreado supostamente culto e progressista com que Sampaio se imaginava líder de causas, nem na prosa chula de Soares, cultivando cuidadosamente a função de contrapoder, ao serviço dos verdadeiros valores de Abril dos quais cria ser fiel depositário.

 

Se quisesse escabichar defeitos, a expressão "... para cada Portuguesa e para cada Português que vai o meu primeiro e decisivo pensamento..." concede demais ao politicamente correcto da igualdade entre os sexos; e um "arquipélago com três vértices – Continente, Açores e Madeira" não parece uma imagem excessivamente feliz - os arquipélagos têm uma tendência muito marcada para terem vértices apenas na pintura cubista.

 

Mas, depois de Cavaco, qualquer texto parece saído da pena inspirada do Padre António Vieira; e o inegável à-vontade de Marcelo a navegar com mestria no mar das cerimónias públicas terá por certo agradado à legião imensa, e para já crescente, dos seus eleitores.

 

A única nota negativa deram-na o PCP e o BE, ao não se levantarem para aplaudir o discurso. E as opiniões divergem: uns dizem que o fizeram para aproveitar qualquer pretexto que não tenha consequências para marcarem diferenças em relação ao PS; e outros que aquela gente não tem sentido das proporções, nem respeito pelos rituais da democracia, nem simples boa educação - sou um dos que isto acha.

 

Rebrilhando de gordura e satisfação, o PM Costa declarou (cito de memória) que foi um discurso em que todos os portugueses se podem rever.

 

Pois foi - como deve ser o discurso de um rei constitucional.

 

Sucede todavia que a recente campanha foi para eleições presidenciais, não para um referendo à restauração da monarquia.

 

O Presidente da República tem competências políticas que excedem em muito as de um rei constitucional, e será chamado a exercê-las. Ao fazê-lo, não pode agradar a todos os portugueses, porque estes, em todas as matérias de relevo, têm o hábito detestável de terem opiniões várias, e até opostas. Na campanha, Marcelo disse que sim, não, e antes pelo contrário - disse, em resumo, não me comprometam, e com isso ganhou.

 

Ganhou para fazer o quê? Não sabemos.

 

Por mim, que não sou deputado, e não estou portanto em circunstâncias de ter que fazer o que a boa educação manda, guardo o meu aplauso para quando o Presidente o mereça. Suspeito que vai ganhar bolor.

publicado por José Meireles Graça às 23:38
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Sábado, 23 de Janeiro de 2016

Carta ao eleitor

O Professor Marcelo enviou uma carta aos portugueses, não sei se a todos ou quantos. Dos outros candidatos não recebi cartas, graças a Deus. E se Marcelo soubesse que, por ter nascido em Plutão, antes da despromoção como planeta, eu tenho opiniões de extraterrestre, decerto me excluiria da lista. Porque a carta, para me agradar, precisava de outra redacção. Corrigi-a assim a meu gosto, trancando o palavreado de chacha e acrescentando, a itálico, o que deveria dizer para garantir a derrota nas eleições, em vez de uma vitória que não serve para nada.

 

Caríssimo/a,

 

Estou consciente de como o estado do mundo e da Europa não deixam antever anos fáceis e de como Portugal tem de sair claramente de um clima de crise financeira, económica e social, pesada e injusta inevitável, que já durou tempo de mais ainda não durou o tempo suficiente.

 

Para isso, considero essencial que haja desejável que haja como nas democracias mais avançadas convergências alargadas sobre aspetos aspectos fundamentais. Considero ainda que não há desenvolvimento, nem justiça, nem mais igualdade com governos a durarem seis meses ou um ano, ou dois, ou uma legislatura, sempre que com ingovernabilidade governabilidade crónica à esquerda e sem um horizonte que permita aos governados perceberem aquilo com que podem contar no quadro da composição parlamentar resultante daquilo que votam que não se diminui a despesa aumentando-a nem se cria riqueza distribuindo-a. Mas a estabilidade e a governabilidade têm de estar ao serviço do fim maior e o fim maior na política é o combate à pobreza, é a luta contra as desigualdades e é a afirmação da justiça social a afirmação do Estado de Direito, o respeito intransigente dos direitos do indivíduo e a reafirmação da independência nacional possível nas actuais circunstâncias do país.

 

A minha ideia é a de um Portugal com mais justiça e mais igualdade Justiça a funcionar em prazos razoáveis e protecção nas situações de miséria, desemprego, fome e falta de recursos para acesso a ensino até ao secundário, bem como cuidados de saúde. Um Portugal que seja ao mesmo tempo mais justo e uma ponte universal onde haja crescimento económico sem que o Estado o tente promover por outra forma que não seja a remoção de obstáculos, consciente das suas limitações e de que as únicas pontes que vale a pena estabelecer são as do interesse mútuo.

 

Vivemos hoje uma época em que ainda não percebemos as capacidades de que dispomos, mas em que sentimos sempre que nos falta mais um pouco os políticos, que deviam ser uma elite que aponta o caminho, são uma classe que lisonjeia abjectamente quanto disparate tem acolhimento na opinião pública. Acredito que não nos faz falta estabelecer pontes e laços entre todos nós para que possamos encaminhar o País para um futuro mais risonho. E os consensos políticos são essenciais não apenas dispensáveis mas prejudiciais a esse caminho.

 

Para isso lanço um apelo à sua participação. À participação de todas as portuguesas e de todos os portugueses. Seja qual for o seu candidato, vote. Participe. Não abdique do seu direito. Não desista da democracia. Não desista do nosso país.

 

Conto consigo para trabalharmos juntos trabalhar honestamente na defesa do seu interesse próprio porque, ao fazê-lo, estará também a ajudar a comunidade. Um abraço amigo Respeitosos cumprimentos, Marcelo Rebelo de Sousa.

publicado por José Meireles Graça às 18:30
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Domingo, 13 de Dezembro de 2015

Marcelo

Há um preconceito difuso segundo o qual o desempenho de lugares políticos de topo implica uma sólida bagagem cultural. Os políticos estão conscientes desse facto, e guardam-se, se inquiridos na silly season - um clássico - sobre o que andam a ler, de dizerem a verdade (por exemplo: olhe, menina, eu, tirando os jornais e relatórios ou memorandos de serviço, faz anos que não leio a ponta de um corno). Invariavelmente referem seja uns clássicos da literatura, seja os romances da moda ou, para os mais afoitos ou que sobraçam uma das pastas da economia e das finanças, um ou outro trabalho do último economista que descobriu o segredo do crescimento económico, ou do último sociólogo que analisou as causas da pobreza.

 

O jornalista não aprofunda, por delicadeza ou, mais provavelmente, porque também não leu; o consumidor do jornal, ou espectador, fica confortado no seu respeito pela personagem; e o ritual cumprido com geral satisfação.

 

Se a pergunta for sobre filmes, ai!, que ficaram encantados com a Fulana, ou Sicrano, cujos desempenhos foram superlativos no filme xis. E a gente acredita, que não oferece dúvidas o genuíno interesse que tem pela sétima arte uma absurda quantidade de gente que ignora as outras seis.

 

Os deslizes nesta área, se apercebidos, podem causar grandes danos: os famosos concertos para violino, de Chopin, desqualificaram Santana Lopes como não o fizeram posteriormente as trapalhadas que arrumou para a constituição do seu fugaz governo.

 

(Se bem que, sobraçando a pasta da Cultura, o lapso tenha ficado ao nível do daquele ministro da Marinha, que Eça inventou, e que localizou Moçambique na costa ocidental de África).

 

Sem este respeito pela cultura um político que se preze não vai longe, a menos que se louve, pelo menos, numa cátedra, caso em que os disparates são ignorados: Cavaco nunca se deu ao trabalho de arranjar quem lhe escrevesse os discursos, e nem por isso as xaropadas em economês através das quais sempre veiculou as banalidades que imagina serem o nec plus ultra da economia, da gestão e dos destinos do país deixaram de ser objecto do previsível aplauso da chamada direita, do ódio das esquerdas e do respeito daquela massa informe de cataventos a que se chama o centro.

 

Tudo isto é um equívoco. César foi um general ilustre, um político brilhante, o verdadeiro fundador do Império, antes de Augusto, e escritor de mérito; Marco Aurélio imperador e filósofo; Churchill estadista, historiador e escritor; e, muitos furos abaixo destes exemplos, também entre nós há homens de cultura que chegaram a lugares de relevo na carreira política - Teixeira Gomes, por exemplo, que foi presidente da república, ou Oliveira Martins, ministro. Mas estas, e outras, são as excepções: Reagan, que passa, possivelmente com boas razões, por ser um dos melhores presidentes que os EUA tiveram, aterrorizava os assessores, quando falava de improviso, por causa da sua prodigiosa ignorância, que o podia levar a cometer gafes em Geografia ou História; e, se inquiridos sobre Newton os chefes de Estado dos 28 países da UE, imagino sem esforço que boa quantidade diria que era um famoso ponta-de-lança, ou inventor de qualquer coisa eléctrica.

 

Na realidade, o político que deixa marcas tem um pequeno núcleo de ideias assentes sobre o seu tempo, o que fazer para modificar as coisas no sentido que acha desejável para a comunidade, e o que o futuro comporta, de ameaças e oportunidades; o resto são circunstâncias e tática.

 

Sucede que estamos em campanha para a eleição do Presidente da República. E mesmo que o lugar seja largamente cerimonial, e ainda que o que nos interessa para o nosso futuro dependa hoje muito mais de gente que nem conhecemos nem elegemos, porque são estrangeiros, do que do marmelo que vai ocupar Belém, quem não tiver vocação para abstencionista, como eu, tem que fazer uma escolha.

 

Recomendam-me Marcelo. O próprio, parece-me, é que não se recomenda.

 

Estaria disposto a perdoar os livros que aconselha, e dos quais com certeza não leu senão a badana, porque levo à conta de vaidade ingénua, e homenagem ao espectador iletrado e por isso susceptível de ser impressionado, esse afectado amor à leitura. E tenho a certeza de que não leu porque não tem tempo, nem, se tivesse, lhe faço a injúria de imaginar que apreciaria o lixo que promove.

 

Marcelo ama os pobres, que quer beneficiar, os ricos, que não quer prejudicar, os remediados, que quer promover, os velhos, que respeita, os novos, que compreende, os de esquerda, que não são menos cidadãos que os outros, os de direita, dos quais está mais próximo quando não está afastado, e a todos oferece o seu afecto. E também isto lhe perdoo porque quem ama toda a gente não ama ninguém, e realmente o amor presidencial só não é uma figura de retórica para os filhos, se os tem, para a mulher, se for casado, para os parentes chegados, se se der com eles, e para os amigos, se os conserva.

 

Sobre a União Europeia, o Mundo, o Serviço Nacional de Saúde, o destino do Braga e a forma como vai decorrer o Campeonato Europeu, ou o problema dos refugiados ou do Estado Islâmico, podemos estar certo que dirá coisas simpáticas, esperançosas e inócuas - exactamente como um João Semana bondoso, perorando aos basbaques no café da aldeia, ao fim de semana.

 

No concreto, e sobre o múnus da presidência, Marcelo diz nada. Por exemplo: quando o regime costista der de si, porque o PCP já espremeu o que havia a espremer, ou porque as contas derraparam, ou por outra razão qualquer, faz o quê?

 

Promove o consenso, ora - aquilo é o campeão dos consensos. E esta palavra sensata e mágica é o véu com que cobre não a ambição, que lhe perdoaria, mas a vacuidade, que lhe suspeito e pode ser perigosa.

 

Marcelo é uma incógnita: apesar de se oferecer, anos a fio, à curiosidade pública, e de fascinar uma larguíssima corte de seguidores com os seus inegáveis dotes de comunicador, ninguém se lembra de uma ideia original, um dito particularmente agudo, uma tese controversa, um entendimento claro sobre o que deseja para o país a mais de um ano, o que acha sobre o futuro da União Europeia, até mesmo o que pensa sobre a nossa história das últimas décadas, e porque estamos como estamos - nada.

 

É brilhante - também as lantejoulas. E porque suspeito que o Presidente da República será chamado a tomar decisões que não consistirão apenas na escolha dos peitos onde vai dependurar medalhas, ou dos lugares que vai honrar com os seus discursos de circunstância, e sem saber por onde vou - sei que não vou por aqui.

publicado por José Meireles Graça às 15:56
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Terça-feira, 8 de Dezembro de 2015

Atenção!

 

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“(Anselmo Crespo): Portanto, não vai dissolver o parlamento caso Pedro Passos Coelho lhe peça para dissolver o parlamento por ter apoiado uma medida do governo?

Quanto à dissolução, a questão é muito simples. Na nossa constituição, desde 82 (foi a revisão que alterou os poderes presidenciais, e que vale até hoje), há dois poderes de excepção que tem o presidente da República, digamos, duas armas atómicas. No dia-a-dia tem o controlo, tem a possibilidade de vetar os decretos-leis do governo, o que é definitivo, ou de vetar suspensivamente as leis da Assembleia e de controlar o que faz o governo. Mas depois tem, para os períodos de crise, duas armas atómicas. Uma que nunca foi usada, que é exonerar o primeiro-ministro. Como se exige que haja qualquer facto ou situação que ponha em causa o regular funcionamento das instituições, nunca nenhum presidente a utilizou. Preferiram dar o salto e utilizar o poder de dissolver – invocando que está em causa o regular funcionamento das instituições. O que é muito curioso, porque dissolver devia ser mais extremo do que exonerar. Porque teoricamente pode um governo ir abaixo e haver, no quadro do mesmo parlamento, a possibilidade de encontrar outro. Mas não. Todos os presidentes anteriores, incluindo o actual, recorreram ao poder de dissolução sempre que entenderam que havia uma situação em que estava em causa, ou podia estar em causa, o regular funcionamento das instituições.

 

(Clara de Sousa): Em que circunstâncias admitiria usar esse poder?

Eu aí vou dizer exactamente o que digo aos meus alunos de Direito Constitucional desde o tempo em que votei a Constituição, depois acompanhei revisões constitucionais, e ensino Direito Constitucional. Que é, no caso de haver uma crise política, ou relativa ao governo ou relativa às relações entre o governo e os outros órgãos de soberania, uma crise grave, obviamente, que ponha em causa o funcionamento das instituições, mas além disso, que não haja a hipótese de encontrar uma solução alternativa no quadro do mesmo parlamento. Porque se houver é mais económico, para o país, não ir para eleições. E no caso de haver uma forte probabilidade de, como resultado das eleições, sair a solução do problema. O presidente Chirac chegou a presidente, dissolveu, para pôr a direita no poder, e o que aconteceu é que não houve direita no poder porque pura e simplesmente perdeu essa sua “aposta” e ficou com o mandato maculado. Quer dizer, a ideia de que se pode, à distância de 4 meses, 5 meses, 6 meses, dizer “ai!, eu vou dissolver, no dia tantos do tal, às tantas horas, porque eu antecipo que vai haver uma crise, e tal” – ninguém antecipa crises. O que eu desejaria é que não houvesse crises. E desejo que não haja crises. E acho que tudo se deve fazer para que não haja crises, até porque a governabilidade é importante neste momento de saída da crise. Se vier a ocorrer a crise, eu julgarei caso a caso, momento a momento. Quer dizer: não prescindo de exercer os meus poderes, mas esta coisa de dissoluções antecipadas não existe.

 

(AC): Maria de Belém deixou já claro que o não cumprimento dos tratados orçamentais, por exemplo, seria um motivo para dissolver o parlamento. O que lhe pergunto é: para si também seria um motivo?

Não, eu acho que há n situações, várias situações, em que nós podemos antever situações de crise. Não é apenas essa específica, há outras situações. Tão graves ou mais graves do que essa. O que não faz muito sentido neste momento é estar a dizer “eu antecipo que se vai verificar isso”. Eu desejo que isso não se verifique: desejo que os compromissos internacionais sejam cumpridos, desejo que a situação seja uma situação em que não há uma implosão da forma governativa, desejo que haja a resolução dos problemas económicos e financeiros dos portugueses, é isso que o presidente deve desejar.”

 

Para compreender isto basta estar com atenção, não é preciso fazer um desenho. Marcelo Rebelo de Sousa explicou muito bem que só dissolverá o parlamento se tiver a certeza que a “maioria” do dr. Costa se desfaz. Porque se as eleições lhe devolverem a mesma “maioria”, possivelmente reforçada, isso não será para Marcelo, como ele diz, uma “mácula”. Será uma desautorização.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 19:53
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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

Estamos fritos

Poderíamos, com o resultado das últimas eleições, ter um governo minoritário PàF, que reformaria ainda menos do que quando era maioritário e vivia sob a férula da troica, mas se esfarraparia para, ao menos, atingir as metas do défice.

 

Seria preciso que a bonança do preço do petróleo, a boa vontade do BCE e o ciclo de crescimento da indústria exportadora e do turismo se mantivessem, o que não parece, até onde a vista alcança, impossível.

 

Costa, porém, esse pútrido pote de banha ambiciosa, escaqueirou isto, ao inventar a maioria anti-austeridade; e Cavaco dinamitou a possibilidade da existência de deputados trânsfugas do PS, em número de nove para votarem contra em moções ou no orçamento, em número crescentemente maior se alguns destes ou todos se abstivessem, decerto por lhe parecer que esta quantidade de dissidentes simplesmente não existe no grupo parlamentar do PS.

 

Todos os partidos comunistas que aceitaram fazer parte de coligações, como parceiros minoritários, e entraram no jogo das cedências que a negociação permanente implica, perderam no negócio e foram reduzidos à insignificância, salvo quando puderam aproveitar a oportunidade para instaurar a revolução.

 

Porque os comunistas oferecem a terra prometida a quem nela acredita e odeia a desigualdade e os ricos; e a promessa vem completa com livros sagrados, um panteão de santos, um martirológio, e a caução da ciência marxista.

 

Tira-se algum destes elementos e o edifício da fé rui; e, ruindo, o crente muda de igreja.

 

Cunhal sabia disto; Jerónimo sabe disto; os textos teóricos do PCP não dizem outra coisa, para quem tiver coragem de se perder nos seus versículos e sermões; e não há qualquer actualização porque ela não é possível: ou se quer a sociedade comunista ou não, e tudo o mais é instrumental, táctico e circunstancial.

 

Uma coligação com comunistas não seria uma má ideia para o PS se este fosse dar um abraço de urso. Mas o urso, aqui, não é o PS, como se prova pela serena resistência e impermeabilidade do PCP ao longo de 40 anos, que lhe permitiu ser um bastião do comunismo à antiga no Ocidente: os outros que se entretenham com aggiornamentos, novas vias, agendas fracturantes e o camandro. O PCP está.

 

Está e colaborará com o PS para enxundiar o aparelho do Estado, alargar a sua influência nos sindicatos e meios de comunicação, minar as instituições e conservar, e se possível alargar, o número dos seus fiéis.

 

Em qualquer momento que o negócio não pareça estar a correr de feição puxará o tapete. E só aliás põe a hipótese de fingir ser um parceiro sério por os votos do BE não serem suficientes para a maioria. Porque, se não, deixaria desde já a Tininha, frei Anacleto, e todos os alucinados daquela agremiação de revolucionários de campus de universidades e tresleituras de Zyzek, fritarem-se em cedências ao grande capital multinacional, aos mercados, à plutocracia e aos inimigos da classe operária, dos camponeses e dos pequenos e médios empresários.

 

Cavaco, segundo a minha interpretação, não quer deixar esta herança, e deixará, pobre homem, um molho de brócolos.

 

Interessa por isso saber o que dizem os possíveis sucessores. E destes, em particular, o que diz o candidato da direita, porque um módico de sanidade ou vem dali ou não vem de lado nenhum.

 

Diz asneiras: que fará um único mandato, coisa em que nem o próprio, possivelmente, acreditará, para inculcar a ideia de uma independência que não se lhe deseja e um desprendimento que não se lhe agradece; que não se anuncia uma dissolução a prazo, em patente crítica ao seu putativo antecessor, como se este tivesse a opção de a fazer de imediato; que "não é bom para um país saído de uma situação de crise ter de viver seis meses sem Orçamento do Estado, o que implica um Governo em plenitude de funções" - como se fosse irrelevante a natureza do governo "em plenitude de funções".  E abundou nos elogios a Sampaio, um intelectual de pacotilha, autor de uns discursos sonsos a recomendar, quando se percebiam, disparates, e que se distinguiu sobretudo por demitir, ao cabo de seis meses, um PM cujos defeitos já conhecia aquando da indigitação, não obstante uma maioria absoluta no parlamento, para permitir o acesso de um patife ao Poder.

 

"Sou naturalmente próximo das pessoas e não vou mudar um centímetro a minha maneira de ser", declarou.

 

É pena. Que, por mim, dispenso a proximidade; a "maneira de ser" terá talvez alguma importância num sogro ou num genro, e muita num entertainer da televisão, mas pouca ou nenhuma num Presidente; e o que queria saber, mas não fui elucidado, é o que fará esta rolha do regime, se ganhar, com o país em pantanas.

 

Recebeu "uma prolongada salva de palmas".

 

Estamos fritos.

publicado por José Meireles Graça às 11:50
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Domingo, 7 de Dezembro de 2014

Na grande casa da democracia

 

Assembleia-da-Republica-02.jpg

 

Podiam estar entretidos, de umas bancadas para as outras, com a PlayStation; podiam consultar sites com o horóscopo, ou procurar romenas nos anúncios classificados; podiam espatifar o orçamento para telemóveis em chamadas anónimas; ou para os membros do seu próprio grupo parlamentar, sentados 3 filas acima, o que seria a mesma coisa; podiam construir petardos com os Decretos-Lei, torcendo-os num rolinho, cuspinhando as extremidades, e pregando com eles no tecto do hemiciclo; podiam puxar os cabelos à dra. Nilza de Sena; ou Zina de Lena; ou Lina de Neza; ou o bigode à dra. Sónia Fertuzinhos; podiam colar pastilhas elásticas aos assentos das cadeiras; ou macacos do nariz; podiam até, com a ajuda do Photoshop, fazer circular imagens pândegas do dr. José Magalhães gordo como uma mesa de camilha.

 

Para mim, os deputados à Assembleia da República serão sempre um motivo de orgulho e um exemplo a exibir aos nossos filhos.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 18:50
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

Fábrica Nacional de Leis

Marcelo diz, ao Domingo, coisas, e com essas coisas não poucas pessoas se abastecem de opiniões para a semana. O homem é geralmente considerado um grande comunicador, do que é prova a sua larga audiência, e as coisas que diz são sempre da mesma natureza: Fulano disse ou fez isto mas as pessoas perceberam aquilo - esteve mal; ou disse ou fez aquilo, com grande habilidade, e as pessoas ficaram muito agradadas - esteve bem; o político A está a jogar bem para conquistar ou manter o Poder, e o B mal porque as pessoas ou não o perceberam, porque se explicou mal, ou perceberam-no perfeitamente mas não querem aquilo, razão pela qual B não deveria ter dito o que disse. Penetrados de admiração, os chefes de família abanam aprovadoramente a cabeça e dizem, com a boca cheia da sobremesa que ainda não acabaram de mastigar: o Professor sabe muito disto!

Não sei, porque deixei de o ouvir há anos, se ainda recomenda livros no fim do programa. Mas costumava recomendar todos os publicados, com excepção da lista telefónica, deles dando nota da mesma forma que aos acontecimentos, tendências e opiniões: pela badana.

Nunca ninguém lhe ouviu uma opinião desalinhada ou uma dúvida profunda sobre as escolhas que o País fez nos últimos 40 anos: a aprovação da Constituição, a adesão à CEE, a evolução para a UE e o Euro, os poderes relativos dos actores do Estado, as leis eleitorais, os referendos - Marcelo espera que na área a que pertence, que é a do arco da social-democracia, isto é, o outro nome do tachismo bem-pensante, se desenhe um consenso, e lá fica ele, com engenho, a consensualizar.

Parece que no Parlamento há deputados que se dedicam a ver imagens de gajas no Facebook, vídeos publicitários, e outras actividades menos recomendáveis, como falarem uns com os outros, por telefone, enquanto decorrem os debates. E isto escandalizou uma moça de 16 anos, cuja mãezinha escreveu ao ilustre professor, e ao Governo, indignada com este magno escândalo.

“Vai ser o fim do mundo”, declarou com severidade o oráculo da opinião, que acrescentou: "Atenção caríssimos deputados, depois digam que estão a contribuir para a democracia portuguesa".

Em atenção à jovem vilafranquense, à mamã preocupada, à distinta comunidade dos chóferes de taxi, e aos admiradores de Marcelo, devo informar que um Parlamento não é uma empresa, nem seria desejável que o fosse, ainda que possível: uma empresa está organizada hierarquicamente segundo um organograma para produzir um bem ou serviço, o Parlamento reúne um certo número de cidadãos depositários de uma escolha livre para realizar o bem comum consoante a visão que desse bem tem cada um dos partidos. Os parlamentares não são funcionários sob a direcção do Presidente (este é apenas um primus inter pares), são representantes do Povo que os elegeu. Isto significa que se os deputados de um certo grupo traírem o mandato que lhes foi confiado, e que não consiste em produzir leis a metro, cabe aos eleitores penalizá-los, se assim o entenderem. Por mim, não exijo aos deputados que elegi que estejam sempre no Plenário ou comissões a fingir que se interessam por assuntos para os quais não têm preparação nem interesse; antes pretendo que nas áreas que lhes estejam alocadas contribuam para a feitura de leis razoáveis. Por outro lado, não vejo por que razão os deputados haveriam de estar sempre segregados no casão deles como num degredo, nem com que direito jornalistas ou visitantes lhes espiolham os computadores e os telemóveis.

Um conjunto de regras idiotas contidas, suponho, no instrumento a que chamam Regimento, obriga a que os deputados (que o aprovaram por estarem tolhidos de medo da opinião pública, uns, nem saberem o que lhes falta, outros, e serem comunistas, portanto funcionários por definição, os restantes) se deixem tratar como operários numa linha de montagem. E, é claro, isto leva a que cada jornalista, ou já agora, visitante, se ache no direito de agir como o pequeno patrão que vigia as idas à casinha dos empregados.

Marcelo não acha nada disto, e está decerto bem acompanhado. Mas é triste que quem ajuda a fazer a opinião não sirva para mais do que dar caução a preconceitos, invejas disfarçadas de superioridade moral, e ideias de funcionário sobre o que um Parlamento deve ser.

 

publicado por José Meireles Graça às 22:21
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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013

Abusar de Sá Carneiro

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa referiu-se hoje a Rui Machete como um fundador do PSD (na altura PPD) que foi "muito próximo de Sá Carneiro" e o seu "braço direito". Não é verdade.

 

Rui Machete opôs-se a Sá Carneiro juntando-se ao grupo dos "inadiáveis", uma dissidência do PPD da qual também fizeram parte Sousa Franco, Guilherme Oliveira Martins, Sérvulo Correia, e Magalhães Mota. O documento "Opções Inadiáveis", que apresentaram em Junho de 1978, criticava Sá Carneiro e defendia "a socialização crescente da economia (...), rejeitanto tanto o liberalismo capitalista como o estalinismo colectivista", uma posição que pretendia colocar o partido no centro-esquerda e que valeu aos seus defensores largos anos de entendimento com o PS. Foi o que aconteceu com Rui Machete, e foi exactamente por essa razão que Passos Coelho o foi buscar para o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

 

Marcelo Rebelo de Sousa sabe disso. Sabe que Rui Machete não foi chamado para fornecer ao Governo avisados pareceres constitucionais. Nem para carimbar uma garantia de descendência dos princípios políticos de Sá Carneiro, com os quais Rui Machete nunca se entendeu.

 

Rui Machete está lá para representar o "acordo" inventado por Cavaco Silva, para calar os pomposos perús velhos do PSD, e para fazer aquilo que sempre fez melhor: entender-se com o PS.

 

Tudo isto é suficientemente claro para a perícia de Marcelo. Mas exibir Sá Carneiro na identidade política, ainda que falsificado, é uma tentação que se percebe abordando o tema de outra maneira.

 

__________

 

Fotografia daqui.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 00:07
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