Segunda-feira, 13 de Novembro de 2017

O Público, um caso de estudo do jornalismo activista

O Acção Socialista Público publicou hoje pela manhãzinha uma notícia do jornalista José António Cerejo com o título "Comissão Europeia e Ministério Público chegaram a conclusões opostas no caso Tecnoforma", que informa que o OLAF, o organismo de luta anti-fraude da CE, em 2015, e o MP, em 2017, chegaram a conclusões diferentes sobre a existência de irregularides, o OLAF dizendo que as houve, e o MP que não, num projecto subsidiado envolvendo a Tecnoforma, a empresa onde o Pedro Passos Coelho foi consultor e depois administrador.

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Tenha sido essa a motivação para publicar hoje esta notícia, ou não, ela é muito oportuna para o governo, que tem andado a ser massacrado nos últimos dias por uma questão tão arreliadora quanto de importância relativa, a realização de um evento social da conferência comercial Web Summit no Panteão Nacional, que a tradicional trafulhice arrogante e descuidada do primeiro-ministro quando tentou sacudir a responsabilidade da ocorrência para cima do governo anterior transformou numa caixa de Pondora onde ele, outros governantes actuais, e outras figuras do actual regime socialista, incluindo o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, foram apanhados a mentir. Ao distrair o público desta trapalhada, o Público dá-lhes tempo para respirarem e se reposicionarem melhor, talvez mesmo para organizarem um focus group que os ajude a formular uma resposta politicamente mais eficaz do que tem sido até agora. Mesmo que não a consigam, enquanto o pau vai e vem folgam as costas do Costa. Como disse o José Meireles Graça no Facebook, a Tecnoforma é, para o Pedro Passos Coelho, o que são os submarinos para o Paulo Portas, uma coisa que emerge quando dá jeito, e agora deu mesmo jeito.

E a questão da oportunidade não é de somenos importância, porque a conclusão do OLAF que sustenta a existência de irregularidades não é de agora e já tinha sido noticiada pelo mesmo jornalista há mais de dois anos, no final de Julho de 2015, também com um conveniente sentido de oportunidade a poucas semanas das eleições de Outubro. E o despacho de arquivamento do MP é de Setembro deste ano, já tem cerca de dois meses. E a notícia foi publicada hoje.

Não me vou meter na análise dos factos noticiados, nem se indiciam ou não, com solidez ou fragilidade, as irregularidades que os transformaram em notícia. Habituei-me ao longo de toda a legislatura anterior a ser periodicamente exposto a informação que parecia sugerir que o Pedro Passos Coelho era um campeão dos negócios obscuros, e ainda me pergunto porquê ele? que constituiu ao longo da carreira um património e sempre manteve um nível de vida de classe média, e não mais, que é proporcionado pelo salário declarado da ordem dos cinco a sete mil euros por mês, e não os que, com salários da mesma ordem de grandeza, conseguem exibir níveis de vida muito mais prósperos e ao mesmo tempo constituir patrimónios muito mais valiosos, como se o dinheiro desses salários desse para tudo, o que quem os recebe tem perfeita noção que não dá? E habituei-me a descobrir depois, e sempre, que a sugestão afinal não passava de insinuação desmentida pelos factos.

O que me interessa hoje é uma técnica específica utilizada pelo Público para usar a notícia como arma de combate político: o destaque que lhe é dado no site do jornal, tanto em termos de localização como de conteúdo.

Desde o início do dia, ou pelo menos desde que liguei o computador pelas nove da manhã, o topo da página online do jornal foi sempre ocupado pela chamada para esta notícia. Já é hora de jantar e continua a ser. O que está bem. Quando se quer fazer jornalismo activista não se pode desperdiçar um factor tão importante no destaque da informação que se quer realçar como a sua localização.

Mas, curiosamente, o título da chamada para a notícia no topo da página online foi sempre diferente do título da notícia. De manhã, o Público destacou a notícia com o título "Caso Tecnoforma. Bruxelas contraria Ministério Público e diz que houve fraude".

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Os títulos têm alguma semelhança mas semânticas diferentes. O da notícia é factual, porque de facto o OLAF e o MP chegaram a conclusões diferentes. O do destaque é falso, porque implica uma precedência cronológica entre a conclusão do MP, que arquivou o processo por não detectar irregularidades, e a do OLAF, que a contrariou dizendo que houve fraude, que é falsa. A conclusão do OLAF foi publicada em 2015, pelo que não pôde contrariar a do MP, que nessa altura ainda não existia para ser contrariada e foi apenas publicada dois anos e picos mais tarde. A descrever a precedência cronológica real, o título devia ser algo como "Caso Tecnoforma. Ministério Público contraria Bruxelas e diz que não houve fraude".

Este título seria factual, mas seria demasiado pífio como arma de jornalismo activista. Diz o bom senso que quem contraria depois está, não só na posse da informação que contraria, mas também possivelmente de informação adicional que não detinha quem fez a afirmação antes. Que quem corrige, corrige por ter erros para corrigir. Que quem diz por último, diz melhor. E por isso é uma sugestão muito mais convincente da existência de fraude dizer que o OLAF corrigiu o MP do que o contrário. Ou insinuação.

E este título, o falso, foi um sucesso. Foi este que jornais de referência como o Acção Socialista Expresso do Dr. Pinto Balsemão, por um lapso embaraçoso tinha-me esquecido de dizer que o Acção Socialista Público também é um jornal de referênciautilizaram quando divulgaram a notícia do Público: "Tecnoforma. Bruxelas contraria decisão do Ministério Público e diz que houve fraude". Talvez os jornalistas de jornais de referência citem notícias de outros jornais de referência lendo apenas o que está no topo da página online do jornal, sem se darem à maçada de clicarem para a página da notícia e descobrirem o seu título real, para não falar no conteúdo? Ou talvez, e porque eles citam partes do conteúdo da notícia parece mais provável, a tenham mesmo lido e se tenham mesmo apercebido que o título que adoptaram é falso, mas o tenham preferido, talvez por serem também praticantes do jornalismo activista? Em todo o caso, cumprida a missão deste título depois de estar espalhado pelos quatro cantos do mundo, havia que o substituir por outro para também cumprir finalidades adicionais.

E ao fim da tarde o título da chamada de atenção para a notícia, que permaneceu no topo da página online do Público, mudou para "Investigadores de Bruxelas defendem que Tecnoforma tem que devolver seis milhões".

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Da leitura do título da chamada de atenção, no entanto de exactamente a mesma notícia, com o mesmo título e o mesmo conteúdo, a coisa mudou de nível, e já não se perde tempo a discutir visões alternativas do caso, e se terá ou não havido irregularidades, e de que gravidade, mas passou-se directamente para a sentença.

A dúvida é perniciosa para o activismo, que requer mais voluntarismo que reflexão, e se a primeira chamada de atenção arrumava com a dúvida sobre qual das conclusões seria mais correcta, uma vez que a conclusão do OLAF de ter havido fraude refutou a anterior do MP de não ter havido, esta segunda chamada de atenção já dá a fraude por completamente adquirida e já só discute a penalidade a aplicar.

E, sejamos honestos, se o jornalismo activista se dirige a pessoas burrinhas e de opinião já formada com a finalidade de lhes sustentar aquilo em que crêem, o facto de ser feito com cuidado só denota um profissionalismo louvável. O Público está de parabéns. Ou de parabenses, como eu escrevo no Facebook para não ficar a letrinhas vermelhas.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 20:21
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Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

A fiabilidade da justiça quando acusa os nossos

2017-10-20 Sérgio Monteiro Operação MArquês.jp

O jornal Público é uma casa de putas do Partido Socialista, de modo que não é surpreendente que tenha corrido a publicar que a Operação Marquês encontrou ligações entre a corrupção generalizada que encontrou nos governos socialistas de José Sócrates, de que os restantes membros e camaradas de partido, incluindo os que estão neste governo ou nesta direcção do partido, se têm procurado esquivar, com algum sucesso até agora, por trás da explicação que não sabiam de nada ou foram mesmo enganados por ele, e o Governo de Passos.

Estava, aliás, escrito nas estrelas, e foi devidamente divulgado pelo Correio da Manhã, que há uma estratégia de envolvimento do Marcelo e do Passos no escândalo da Operação Marquês, com recurso à técnica tradicional nos socialistas de deitar a porcaria em frente da ventoinha para que esta a espalhe por todo o lado e o mau cheiro generalizado dificulte, mesmo aos narizes mais bem treinados, a localização da sua origem, eles mesmos.

Mas não é a prostituição, mas sim a justiça, que me traz aqui hoje. E vou aproveitar a informação que o jornal Público, insuspeito de querer embaraçar a justiça para tentar safar o governo do Passos, publica sobre a substância do processo para olhar para ela.

 

Mas ainda antes de entrar no tema quero contextualizar o que vou dizer a seguir.

Eu tenho a certeza absoluta que o José Sócrates é um vigarista, de carácter, e corrupto, de obras. Ele e todos os que fazem parte do grupo dos dois últimos primeiros ministros que os socialistas deram ao país, posso até acrescentar. E como a minha convicção pessoal não lhes causa mais prejuízo do que o meu asco pessoal relativamente a eles posso formulá-la sem necessidade de respeitar todos os princípios que a justiça deve observar para formular uma convicção, que aliás são equivalentes aos que as ciências exactas respeitam, que não necessariamente as ciências humanas, nomeadamente o ónus da prova na acusação e o in dubio pro reo, porque os erros judiciais podem resultar em crimes, se não formais, pelo menos de facto, o que ainda é pior por então serem crimes sem castigo, contra direitos fundamentais, desde a liberdade à vida, em função da cultura civilizacional, das vítimas deles. Mas eu posso dedicar-lhes asco apenas pela pinta deles, e é o que faço.

E faço parte de uma das mais ínfimas minorias da democracia portuguesa, ainda mais rara do que os social-democratas do PSD em extinção nos discursos do Pacheco Pereira, a dos eleitores de partidos de direita que não idolatram os magistrados que têm conduzido a Operação Marquês apenas por eles terem entalado o melhor que sabiam, e sabiam muito bem, o vigarista socialista José Sócrates. Por uma razão obtusa, mas que é minha. É que, mais importante do que a punição judicial de um primeiro-ministro corrupto que a mereça, e é muito importante que seja efectivamente punido, mas é apenas um episódio específico da história geral, chamemos-lhe assim, da democracia, é o respeito absoluto e permanente pelos fundamentos da democracia, nomeadamente os princípios da justiça enumerados acima, que não servem para proteger os criminosos com garantismos, mas os inocentes com garantias, e mais do que isso, para evitar os erros judiciais que tornam a justiça inútil, até porque sempre que um inocente é condenado por um crime, o culpado desse crime é ilibado. E sem Justiça não há Democracia, há selvajaria.

Partilho integralmente, portanto, a ambição de justiça mas também o cepticismo do meu ilustre vizinho José Meireles Graça relativamente aos resultados da Operação Marquês e a convicção que os direitos humanos básicos nem sempre ocupam o topo das prioridades dos magistrados judiciais. E até posso resumir a razão do meu cepticismo evitando formular teorias da conspiração como a de a justiça se sentir obrigada a transmitir à sociedade uma imagem de dureza impiedosa com os poderosos para branquear a imagem de tolerância com eles que adquiriu ao longo de décadas de inacção, ou de a mediatização de alguns magistrados poder ter objectivos que não necessariamente a melhoria da administração da justiça, cuja plausibilidade não tenho meios de confirmar nem desmentir. É que, no vastíssimo acervo de informação que a acusação fez chegar aos jornais que escolheu para publicitar o andamento do processo, desde quando ainda nem havia arquidos nem defesa, e é por isso que digo com segurança que foi a acusação a fazê-lo, vi muito mais conjecturas e hipóteses plausíveis da acusação do que factos que as fizessem passar de plausíveis a provadas, que são exactamente o objectivo do trabalho da acusação. Hipóteses plausíveis formulamo-las nós nas redes sociais gratuitamente sem recebermos salários nem subsídios de renda, mas é a prova delas que justifica o dinheiro que se gasta nos salários daquela gente. Pode ser que, as provas, a acusação as tenha mas se escusasse a mandar publicar nos jornais para as guardar para apresentar em tribunal, como aliás devia ter feito com tudo o que publicou. Pode ser, e nesse caso é provável que o processo seja tão sólido como se deseja. Mas não há informação publicada que me confirme que seja o caso. Pelo que me fico por um oxalá.

Finalmente, é muito difícil fazer partilhar aos eleitores do meu lado do espectro político o meu cepticismo reativamente à qualidade de uma acusação que se dirige a um corrupto para além de qualquer dúvida do outro lado do espectro político. Se o homem é corrupto, e, acrescento eu, se nos é tão antipático como ele consegue ser, e não por ser socialista, mas pelo carácter que tem carimbado na cara, eles devem ter certamente razão. Mas será mais fácil convidá-los a olhar com alguma objectividade para a qualidade da mesma acusação na parte que toca a suspeitos deste lado do espectro político e sem a capacidade quase inigualável, pelo menos quando se deixa de lado o António Costa, do José Sócrates para despertar antipatias.

Mas vamos então ver o tal envolvimento do Governo de Passos na Operação Marquês.

 

A suspeita sobre o governo do Passos incide, especificamente, sobre o secretário de Estado das Obras Públicas Sérgio Monteiro. E como é que se chega a ela?

  • José Sócrates envidou esforços para que fosse o consórcio em que participava o Grupo Lena, para o qual trabalhava o seu amigo Carlos Santos Silva, a ganhar o concurso para uma parceria público-privada destinada a projectar, construir e manter durante 40 anos a rede ferroviária de alta velocidade no troço Poceirão-Caia.

Isto é matéria da governação socialista do José Sócrates que não tem nada a ver com o governo Passos, adiante.

  • Também introduzida pela parte privada da parceria, estabelecia que, no caso de o Tribunal de Contas vir a chumbar o negócio, todas as despesas em que tivesse incorrido o consórcio até a esse momento seriam pagas pelo Estado

Qualquer privado que negoceia com o Estado sabe que está a negociar com um agente económico que negoceia de má-fé e não hesita em violar os termos de qualquer contrato em qualquer circunstância em que lhe seja favorável violá-los, pelo que uma cláusula destas tem todo o sentido do ponto de vista do privado e não constitui o mais leve indício de ilicitude. O mesmo não pensa o Ministério Público que conduziu o Processo Marquês do governo que a aceitou, considera mesmo essa cláusula ilegal, mas mais uma vez foi o governo Sócrates que assinou o contrato e isto continua a não ter nada a ver com o governo Passos. Adiante.

  • No Verão de 2011 ... Sérgio Monteiro aceitou dirimir num tribunal arbitral – em que não há juízes, e sim especialistas indicados pelas partes em litígio – o pedido de indemnização. Uma decisão que o Ministério Público classifica como “obscura”,  ... o recurso a este tipo de justiça paralela já estava previsto no contrato de concessão do troço em questão, sendo, de resto, o procedimento mais habitual em litígios deste tipo

Chegamos então ao Sérgio Monteiro. E o que é que ele fez? Rescindiu o contrato, fatalidade que já era antecipável em 2010 quando ele fora assinado pelo governo Sócrates por já ser conhecida a impossibilidade de encontrar financiamento para o cumprir, e foi justamente aí que residiu a maior vigarice do José Sócrates neste negócio específico, fazer dele um fait accompli para garantir aos amigos privados algum rendimento mesmo que o contrato não se viesse a completar como não veio, nos termos previstos no contrato, ou seja, convocando um tribunal arbitral para decidir os termos da rescisão e as indemnizações devidas ao consórcio, aliás, as que também estavam prescritas no contrato. Ou seja, cumpriu os termos de um contrato assinado por outros, por outro governo, mesmo para proceder à sua rescisão.

Para não correr o risco de cometer um crime de desrespeito com magistrados do Ministério Público, em Portugal há um elevado grau de liberdade de opinião, recentemente ameaçado por algumas forças políticas com uma força política desproporcionada da sua representatividade social e eleitoral, mas há áreas onde a livre expressão da opinião pode constituir crime, eu escuso-me a dar a minha opinião sobre as pessoas que pensam que cumprir um contrato é "obscuro". São, isto posso dizer, pessoas com alguma flexibilidade na interpretação das responsabilidades das partes ligadas por um contrato. Também posso dizer que são pessoas que eu não quero para amigas pessoais. E fico por aqui.

Temos portanto os magistrados da Operação Marquês a considerar suspeito um governante por ter cumprido os termos de um contrato assinado por outros governantes de um governo anterior e que por esse motivo o obrigava a ele quando entrou em funções. Generalizando, e em termos que não constituam crime de desrespeito pela autoridade, eu sou capaz de considerar que estes magistrados têm para formular suspeitas uma bitola mais baixa que a minha, que exijo para as começar formular algum indício de menor lisura do que cumprir os termos de um contrato que obrigue o suspeito, que considero mesmo um indício razoável de lisura. Espero, a bem da probabilidade de este processo resultar em condenações em tribunal e de se fazer Justiça, que as acusações que formularam ao José Sócrates decorram de uma bitola mais alta e sejam mais sólidas do que esta suspeita.

Mas a suspeita formulada ao Sérgio Monteiro no âmbito deste processo tem ainda um detalhe que, se corresponder a uma prática generalizada, não abona em favor da minha admiração por estes magistrados: o assassinato de carácter através da insinuação de ele ter interesses pessoais envolvidos no negócio por ter participado no consórcio privado como representante do banco financiador antes de entrar para o governo. E que banco é que ele representou no consórcio privado? A Caixa Geral dos Depósitos.

Tudo junto, o modus operandi dos magistrados da Operação Marquês no caso específico do Sérgio Monteiro não me desperta confiança nenhuma na qualidade do processo. E eu convido os que circunstancialmente festejam este processo por acusar o José Sócrates como festejam um golo do seu clube, mesmo que tenha sido marcado com a mão, a olharem mais objectivamente para a justiça, pelo menos quando mete golos à mão na vossa baliza e não vos incentiva à euforia, e a elevarem a sua exigência na qualidade da justiça, sem a qual é mais do que certo que a qualidade não aparece, com custos inimagináveis para o futuro de todos.

 

Ah, o Público tentou obter uma reacção do Pedro Passos Coelho que, educado como é, não mandou os jornalistas para a p. que os pariu. Nada de novo, também aqui.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 22:32
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Sexta-feira, 6 de Outubro de 2017

A questão racista, ou, vai chamar racista à tua tia

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O Público e a blocalhada inventaram uma questão racista que não existe em Portugal, onde há tanto racismo como noutro país qualquer, e andam a fazer uma lavagem ao cérebro à opinião pública martelando-a com uma profusão de artigos de opinião travestidos de notícias factuais para tentar instalar no centro da discussão pública essa questão, procurando explicar as manifestações de racismo que se verificam em Portugal com um racismo sistémico de que só nos livraríamos, todos os portugueses, pedindo desculpa por alguma coisa de vergonhoso que fizeram os nossos antepassados, ou os antepassados de outros portugueses, ou até se calhar os antepassados deles.

Ora é racista quem diz, ou pelo menos pensa, coisas como "ó preto, vai para a tua terra", e não quem é nacional de um país que teve, há séculos, traficantes de escravos, ou, há décadas, alguns colonos que tratavam bárbara ou exploravam selvaticamente os nativos das colónias que trabalhavam para eles. No limite, quem herdou fortunas realizadas nesses negócios usufrui de um benefício directo deles de que se deve envergonhar. O que não é o meu caso.

E não é racista quem não as pensa nem as diz. Como é o meu caso.

As indignidades racistas cometidas por portugueses no passado remoto ou menos remoto, e até no presente, responsabilizam-me tanto, e fazem-me sentir o exactamente o mesmo grau de culpa e vontade de pedir desculpa a alguém, como as vigarices de um primeiro-ministro corrupto como o José Sócrates. Nem eu nem os meus filhos ou netos alguma vez vamos pedir desculpa pelas vigarices dele, mesmo que nos embarace vivermos integrados numa comunidade que, tendo ele os traços de carácter tão escancarados, o elegeu para primeiro-ministro, até por maioria absoluta, ou que elegeu mais tarde, ainda que através de uma complexa engenharia constitucional que divide as responsabilidades da eleição com o voto dos eleitores, o seu colaborador mais próximo enquanto governou, que também tem os traços de carácter igualmente escancarados. Nem pelo tráfico de escravos, nem pelos abusos colonialistas cometidos por portugueses no passado.

Mas eles persistem nessa cruzada, e o último alvo da sua investida foi a estátua do padre António Vieira no largo Trindade Coelho, em Lisboa, que um bando de activistas liderado pelo conhecido Mamadou Ba intentaram derrubar através da deposição de flores e de uma performance poética, ou, nas suas próprias palavras, integrando "investigadores, professores, artistas e activistas de diversas nacionalidades" com o objectivo de "reflectir, discutir e agir promovendo a construção de uma narrativa crítica, para a eliminação do racismo e da desigualdade", tendo no entanto sido impedidos de aceder à estátua por, informa-nos o Público com a sua objectividade habitual, neonazis.

O padre António Vieira bateu-se, numa época em que bater-se por causas como essas podia resultar, não em ser entrevistado pelos jornalistas activistas do Público ou criticado pela direita nas redes sociais, mas em, por exemplo, ser condenado à morte na fogueira depois de devidamente torturado, pela abolição da escravatura e pelos direitos dos índios. Coisa que é mais do que duvidoso que os ascendentes deste bando de idiotas que o fazem agora em teatrinhos de rua ou nas páginas do Público, do Norte ou do Sul do Equador, tenham feito.

De modo que, já que estamos em maré de generalizações ao pretender obrigar todos os portugueses a sentirem culpas e pedirem desculpas pelos crimes de alguns portugueses há poucas ou muitas gerações atrás, eu proponho mais uma generalização. O Mamadou que sinta culpa e peça desculpa pelos escravos que os seus ascendentes capturaram para vender aos traficantes portugueses que os levaram para revenda no Brasil. Se os ascendentes do Mamadou se dedicaram a essa profissão ou não, se o Mamadou herdou parte da fortuna que eles acumularam a exercer esse negócio ou não, é detalhe que a generalização trata de tornar irrelevante. Por isso, o Mamadou que peça primeiro desculpa por ter capturado e por nos ter vendido os escravos, e só depois nos venha sugerir que também a peçamos por termos revendido no Brasil os escravos que ele nos vendeu. Genericamente, entenda-se.

De resto, o título foi um understatement que corrijo já, filtrados que estão os leitores pela paciência de terem chegado ao fim destas linhas. Onde se lê vai chamar racista à tua tia deve-se ler vai chamar racista à puta que te pariu.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 15:41
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Sábado, 1 de Julho de 2017

Como somos menos pobres chumbamos menos, ou por chumbarmos menos vamos ser mais ricos, tanto faz. O que interessa é sermos felizes.

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Em 16 anos, nunca nenhum jornal foi tão encomiástico com um governo como o Público é com o actual.

Para dizer a verdade, em muitos mais. Se calhar, só recuando ao Diário de Notícias dirigido pelo José Saramago se consegue encontrar um jornal tão militantemente encomiástico de um governo. E, para conseguir o que se conseguiu do Diário de Notícias de 1975, foi preciso recorrer à força bruta, aos despedimentos decididos em plenário, sem processo disciplinar, nem indemnização, nem fundo de desemprego, que a praxis laboral quando o PCP governa é de uma têmpera mais rija do que a dos moles dos capitalistas. E se não resultasse mandavam-se-lhe umas Chaimites para mostrar quem mandava. E o governo da altura até era dirigido por um brilhante primeiro-ministro, o companheiro Vasco da muralha de aço. Agora, basta ao primeiro ministro existir e fazer olhinhos às bloquistas, por quem os jornalistas se perdem de ternura, para ter jornais que o carregam num andor, sem necessidade de violência nem ameaças. Enfim, com só algumas ameaças. Uma época que fez escola.

Esta pérola que o Público, à falta dos saquinhos com brindes dos jornais do tio Balsemão, que também dispensam um amor incondicional ao António Costa, não devemos cometer a injustiça de o esquecer, nos oferece para embelezar o nosso fim-de-semana informa o povo num dos seus típicos quadrinhos com uma notícia principal e uma série de títulos que dirigem os leitores mais lentos de compreensão para a interpretação correcta da notícia, que uma figura vale mais do que mil palavras de ordem, que em Portugal nunca se chumbou tão pouco, não cuidando de explicar se é por aumento da qualidade do ensino ou por redução da exigência, o que não interessa para nada porque o objectivo do ensino no Tempo Novo socialista não é que os meninos fiquem a saber alguma coisa, até já criaram uma Matemática pós-Moderna que substitui com vantagem as Matemáticas Moderna e Clássica por dispensar os parêntesis nas expressões algébricas, nem se distingam uns dos outros pelo mérito que pode desarranjar a estratificação social que levam à partida, mas que sejam devolvidos às famílias felizes e sem retenções ao fim dos seus percursos escolares, e da relação entre chumbos e pobreza, sem explicar qual é a causa e qual a consequência, mas identificando uma vantagem importante em não haver chumbos: os meninos estão menos tempo no sistema de ensino, custam menos, e torna-se mais fácil atingir deficits ambiciosos que deleitam os socialistas e as bloquistas quando são elogiados pelo austero professor Wolfgang Schäuble. Também pouco importa.

No mundo côr-de-rosa "Acção Socialista" do Público, ou os portugueses estão a chumbar menos por serem menos pobres, ou vão enriquecer por terem menos chumbos.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 10:19
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Domingo, 2 de Abril de 2017

Descargas de suiniculturas e esgotos a céu aberto, para quê?

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O Público é uma espécie de esgoto a céu aberto mediático que se faz notar principalmente quando as suiniculturas licenciadas para o utilizar, e destacam-se sempre as suiniculturas António & Pedro Nuno e Catarina & Mariana, fazem descargas. Estranhamos sempre, mas já estamos habituados ao cheiro.

Apesar de o Passos Coelho andar relativamente sossegado, decidiram agora fazer-lhe uma descarga, por motivos que só eles saberão, regressando ao velho tema da Lista VIP.

A informação que o fisco guarda sobre os contribuintes e a sua vida contributiva é útil, e até imprescindível, para perceber se eles cumprem integralmente as suas obrigações fiscais. Não serve para os funcionários vasculharem os rendimentos e o património dos vizinhos, nem para comissários políticos infiltrados na administração fiscal a poderem distribuir a quem entendam para finalidades de utilização no combate político em que participam. Como foi abundantemente utilizada na última legislatura, em que, nomeadamente, a vida contributiva do então primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi exaustivamente vasculhada e discutida, mesmo no parlamento, por dois dos partidos da oposição, o PS e o BE, o PCP costuma ter mais pudor a fazer oposição por essa via, talvez por ter sido em 1980 o precursor em Portugal da política de casos com o caso da dívida do Sá Carneiro à banca e de ter aprendido então, com o resultado da eleição que se seguiu em que a AD reforçou a maioria absoluta de 1979 por outra ainda mais clara em 1980, que a política de casos entusiasma os convencidos mas não necessariamente o eleitorado e não parece converter ninguém. Como, aliás, se veio a confirmar nas eleições de 2015, em que todo o investimento da oposição nos casos que envolveram o Passos Coelho, em que a mera menção da palavra "Tecnoforma" fazia salivar os cães de Pavlov socialistas e bloquistas convencidos que estavam prestes a capturar caça grossa, não evitou a sua vitória inesperada nas legislativas de 2015.

Isto para dizer que,

  • o conceito de Lista VIP é um instrumento valioso para detectar precocemente a consulta, que não seja por motivos processuais legítimos e verificáveis, a dados fiscais de alguns contribuintes específicos que, pelo seu relevo social, económico ou político, são alvo de uma curiosidade acrescida da comunicação social ou de adversários, políticos ou de outras naturezas, com vista à obtenção de vantagens que lhes possam advir do conhecimento desses dados;
  • que eu próprio gostaria de fazer parte de uma qualquer Lista VIP que fizesse desencadear um alarme se algum hipotético vizinho meu funcionário do fisco que não simpatizasse comigo aproveitasse a possibilidade de acesso às bases de dados do fisco para vasculhar os meus impostos;
  • mas que tenho a noção que se toda a gente, com grande ou com quase nula probabilidade de suscitar o interesse não profissional dos funcionários do fisco, fizesse parte da Lista VIP ela se tornaria inoperativa pelo excesso de alarmes, pelo que a sua existência é tanto mais útil quanto mais reduzida for a lista de contribuintes que suscitem esse interesse, mesmo que seja tão proibido vasculhar os meus dados como vasculhar os do presidente ou os de algum contribuinte que faça parte de alguma Lista VIP;
  • e que os grandes detratores da Lista VIP não são os contribuintes alvo da desigualdade de não fazerem parte dela, nem os funcionários que deixam de poder preencher os seus tempos livres bisbilhotando o cadastro fiscal dos famosos, mas os comissários políticos que, devido à fiscalização acrescida que ela proporciona, se vêem impedidos de vasculhar os dados dos contribuintes integrados nela para os divulgar a quem entendam.

Posto isto, o jornalismo de combate do Público regressou, pois, à Lista VIP, e esta vez ilustrada com histórias específicas, que depois de ler a notícia, apesar de extensa, se resumem a uma história.

E qual é a melhor história que o Público encontrou para ilustrar o acesso não autorizado a dados de contribuintes detectado pelo sistema de alarmes da Lista VIP? Uma consulta ao IMI do Cavaco Silva por um costista funcionário do fisco para publicação no Público? Uma devassa de um sindicalista bloquista ao IRS do Passos Coelho para passar a informação ao grupo parlamentar do BE para entalar o primeiro-ministro no hemiciclo?

Nada disso! Uma funcionária das finanças da Amadora, onde o Passos Coelho morou antes de se mudar para Massamá, e amiga pessoal dele, a quem ele telefonou para lhe pedir uma informação sobre a sua própria declaração de IRS, que ela consultou para lhe responder pelo telefone. O resto da notícia é uma misturada confusa e extensa de factos e relatos do que foi sendo explicado por inúmeros participantes sobre a origem, desenvolvimento e existência ou inexistência da Lista VIP, a quem a comunicação social e a política deram uma vida mais importante do que a devassa do sigilo fiscal dos contribuintes para finalidades de combate político.

De uma penada, esta feliz ilustração do Público mata vários Coelhos.

  • A Lista VIP destinava-se a impedir o acesso dos inimigos do Passos Coelho às suas informações fiscais dele para beneficiar politicamente os mandantes deles, mas afinal apanhou uma amiga dele a aceder aos dados dele a pedido dele, isentando de qualquer malfeitoria os adversários políticos que pretendia fiscalizar.
  • Esta história é complicada demais para o leitor típico do Público, o consumidor mais típico da moderna verdade a que temos direito, a perceber, mas se é denunciada no Público, é sobre o Passos Coelho, e aparece misturada com a Lista VIP, malfeitoria destinada a esconder as infracções fiscais dos poderosos, significa certamente que o Passos Coelho fez alguma aldrabice conjuntamente com uma amiga que tinha na administração fiscal.

É, portanto, uma boa descarga das suiniculturas que recorrem ao Público para se aliviarem delas. Contém frases como "Em pleno caso Tecnoforma, Passos ligou a uma funcionária do fisco sua amiga por causa do IRS. O acesso foi apanhado no alarme VIP e aparece no inquérito arquivado pelo Ministério Público. NIF de Paulo Núncio foi acrescentado à lista mas a razão é um mistério." cheias de palavras-chave como "Tecnoforma", "arquivado", ou "mistério", que exalam o mau-cheiro característico das descargas que elas têm sempre esperança de fazer colar aos visados.

O motivo de as fazerem agora, consumindo matéria fecal que poderiam guardar para um dia mais tarde em que fosse mais necessária, não é claro? Tal como não é fácil perceber porque não aprendem com as experiências passadas, em que as descargas em que depositaram tantas esperanças afinal não conseguiram garantir-lhes o que ambicionavam, vitórias nas eleições, e continuam a fazê-las? Rotina? Instinto? Não se sabe.

A verdade é que continuam a fazê-las regularmente. E que o Público é uma espécie de esgoto a céu aberto mediático que se faz notar principalmente quando as suiniculturas licenciadas para o utilizar, e destacam-se sempre as suiniculturas António & Pedro Nuno e Catarina & Mariana, fazem descargas, e que as estranhamos sempre mas já estamos habituados ao cheiro.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 20:05
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Domingo, 19 de Março de 2017

Uma p., mas uma p. que f. bem

2017-03-19 Pacheco sobre Sócrates.jpg

Todas as profissões têm, pese embora o princípio da igualdade plasmado no Artº 13º da Constituição da República Portuguesa, os seus expoentes e os seus membros mais fracos, e a de comentador não escapa a esta infeliz regra.

No Diário do Governo Público de hoje o comentador (do PSD, para as estatísticas destinadas a provar a presença sufocante e a carecer de limpeza urgente do PSD no espaço do comentariado) José Pacheco Pereira publicou um comentário sobre a Operação Marquês com críticas à condução do processo, nomeadamente por fazê-lo crescer de modo exponencial sem produzir acusação em vez de ir levando a tribunal as acusações que já estão solidamente provadas e ir investigando paralelamente as novas suspeitas que vão surgindo, e a riqueza opulente do currículo do arguido propiciará o aparecimento regular de novas suspeitas durante pelo menos as próximas décadas, que genericamente eu sou capaz de subscrever e tenho muitas vezes manifestado a quem me lê.

Para contextualizar a sua opinião sobre o processo que critica, o comentador começa por fazer um breve resumo das qualidades do arquido José Sócrates, focada nas cumplicidades políticas que permitiram a sua ascenção e o exercício das malfeitorias que dedicou a sua passagem pelo poder a fazer. Em quais?

  • Na do presidente Jorge Sampaio, que nomeou um governo para lhe dar tempo de tomar conta do partido e, quando ele ficou pronto para concorrer às eleições, derrubou o governo que tinha nomeado a pretexto de se ter fartado dele? Não.
  • Na do Partido Socialista, que o elegeu para o chefiar e para se candidatar a primeiro-ministro e sempre o defendeu heroicamente enquanto exerceu o seu mandato? Também não.
  • Nas dos seus colaboradores mais próximos no governo ou no partido, ou mesmo nos dois, como a do actual primeiro-ministro e seu companheiro de tertúlias televisivas e então número dois do Sócrates, António Costa? Nunca, Deus o livre!

Mas isto são perguntas de retórica, porque todos os leitores já adivinharam que cumplicidades com o Sócrates é que poderiam alguma vez ser denunciadas pelo Pacheco Pereira: a cumplicidade da direita e, especificamente, do PSD.

É preciso ser senhor de um nível superlativo de trafulhice, comparativamente com o qual o Sócrates é um mero menino de coro provinciano para, num relato sucinto do seu percurso de ascenção e queda, só apontar como referência ao papel de outros agentes políticos:

  • "...A direita que o louvou como o social-democrata do PS, como aquele que tinha roubado o programa ao PSD, que andou ali a fazer-lhe a corte nos interesses e na política, agora, certamente por complexo de culpa, vai lá apedrejá-lo como se nada tivesse que ver com o homem. Mais, em vários momentos cruciais, protegeu-o de acusações muito semelhantes àquelas de que hoje lhe faz o Ministério Público. Na comissão de inquérito parlamentar, por cuja existência pugnei bastante sozinho, o PSD indicou como seu porta-voz Agostinho Branquinho, que depois de assistir à inquirição dos responsáveis da Ongoing, envolvidos na trama de Sócrates, acabou por ir para lá trabalhar como assalariado. Mas a verdade, é que quando se tratou de chegar às conclusões do inquérito, por uma intervenção pessoal de Branquinho, Miguel Relvas e Passos Coelho, travaram tudo o que incriminava Sócrates, porque não era politicamente conveniente e era um ataque pessoal. Repito o que já escrevi há muitos anos sobre Sócrates e as cumplicidades do PSD: estamos conversados... "

Identificados com a mestria ímpar que lhe é própria os verdadeiros responsáveis pela ascensão e pelas malfeitorias do Sócrates enquanto primeiro-ministro, a direita e o PSD, há que chamar a atenção para o facto de o comentador Pacheco Pereira ser, acumulando com a militância reconhecidamente leal no PSD, uma espécie de comentador avençado do governo do primeiro-ministro António Costa, que simbolicamente o galardoou com a sua primeira nomeação política ao fim de apenas duas semanas de governo para o Conselho de Administração da Fundação de Serralves. O comentário é genial mas não lhe saiu a despropósito nem como um mero acaso. Saiu-lhe com o propósito bem definido de evitar questionar a associação entre o seu amigo, colega de antigas tertúlias televisivas, e padrinho de nomeações António Costa, e toda a máquina de cumplicidades socialista que mantém no terreno e manteve no passado, e o Sócrates que, com o tempo, se transformou num passivo político, e a substituir essa interrogação comprometedora pelo apontar de dedo aos eternos suspeitos nas suas crónicas, a direita e o PSD. Duplamente genial, no conteúdo, e em colocá-lo ao serviço do propósito.

Este comentador é uma p., mas uma p. que f. bem!

 

PS: Para o caso de andarem por aí esbirros da polícia dos costumes, que não há mas eles gostavam que houvesse, a vasculhar as redes sociais à procura de oportunidade para me colocar um processo em cima por abuso da liberdade de expressão, neste novo tempo socialista a liberdade de expressão é uma excentricidade de que se tende a abusar, esclareço desde já que o título desta publicação significa "Uma pessoa, mas uma pessoa que fala bem".

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 12:06
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2016

Bardamerda mais este jornalismo! Again...

Esta semana, o prémio Jornalismo rasca e activista que engraxa o governo do António Costa difamando a oposição regressa ao Público, se não pela eficácia, pelo menos pelo esforço.

2016-11-04 Público Bem-estar 1.jpg

Desta vez, o Público foi descuidado e publicou uma notícia com o título Índice de bem-estar aumenta pelo segundo ano consecutivo que poderia sugerir que o bem-estar dos portugueses pudesse ter aumentado em 2014 e depois de novo em 2015, o que toda a gente sabe que é impossível, porque o bem-estar só teve condições para regressar em 2016 com o Tempo Novo, a reversão da austeridade e a sua substituição pelo crescimento. O assunto já foi estudado por cientistas sociais a propósito da emigração e ficou então provado cientificamente que em Portugal os efeitos precedem as causas, e o que acontece no bem-estar é indissociável do que foi descoberto para a emigração, pelo que foi o Tempo Novo que o fez aumentar antes de chegar. Isto é pacífico.

Só que, mesmo assim, tal como foi escrito sem nenhuma reserva, o título poderia levar os leitores ao engano, fazê-los acreditar que a recuperação económica já estava em curso em 2014 e 2015, poderia mesmo desmentir quem disse em 2014 que A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor, sugerindo que afinal a vida das pessoas também já estava melhor.

2016-11-04 Público Bem-estar 2.jpg

Felizmente, algum olheiro deve ter reparado no descuido e tratou de repôr a verdade, corrigindo o título. O bem-estar aumentou, mas a vulnerabilidade económica era maior que há dez anos. Assim já podemos dormir descansados, que a crise não passou antes da chegada do Tempo Novo.

Infelizmente, tal como os jornalistas da TSF, os do Público também se esqueceram de alterar o endereço da página da notícia, que continuou a revelar o título original  https://www.publico.pt/sociedade/noticia/indice-de-bemestar-volta-a-aumentar-pelo-segundo-ano-consecutivo-1749945?page=-1.

Não está escrito em nenhuma lei que os jornalistas que fazem activismo político a favor do governo do António Costa tenham que ter neurónios dentro da moleirinha, e o próprio facto de fazerem activismo político a favor de quem fazem sugere que são desonestos mas não os têm. Agora fica provado cientificamente.

Bardamerda mais este jornalismo!

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 16:05
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2016

Crescer quatro centímetros? Isso é um sonho.

Está dito.

Escusam de estar para aí a ensaiar piscadelas de olho, que o que me traz aqui hoje é outro assunto: falar bem do bem que se vê fazer.

Num mundo em que toda a gente fala mal da política e dos políticos, às vezes dizendo bastante mal o mal que diz, é uma ternurinha ver o quarto poder in love com o segundo e um entrevistador iniciar uma entrevista por palavras tão carinhosas como...

  • "Nunca um primeiro-ministro tinha ido visitar os empresários portugueses na MICAM. Aconteceu este fim-de-semana. O que é que isso quer dizer?".

O prémio "Entrevistador fofinho" desta semana vai para o Diário do Governo.

Se o Público um dia fechar por falta de leitores, talvez por se ter transformado de um jornal de referência num pasquim de militância política e partidária, jornalistas destes podem sempre ser recrutados para o Acção Socialista ou, melhor ainda, porque a expensas dos contribuintes, como assessores para os gabinetes governamentais.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 14:01
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Quinta-feira, 11 de Outubro de 2012

O público do Bloco de Esquerda

 

 

«As reduções consecutivas de jornalistas do "Público" têm efeitos na qualidade do jornal. E os leitores sentem isso e deixam de o comprarConsidera Daniel Oliveira.

 

E eu pergunto-me se os leitores não terão sentido a presença desproporcionada do Bloco de Esquerda na redacção do Público, com efeitos na qualidade do jornal, levando a que deixassem de o comprar.

 

publicado por Margarida Bentes Penedo às 01:56
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