Sexta-feira, 9 de Junho de 2017

Doidas doidas, doidas andam as galinhas

2017-06-09 Metro Madrid piernas abertas.jpg

A Empresa Municipal de Tranportes de Madrid vai lançar uma campanha apoiada em sinalética, tenho que me ir habituando gradualmente a usar estes termos do novi-Português, para desincentivar os passageiros do Metro de Madrid de ocuparem um espaço excessivo nos lugares onde se sentam à custa da redução do espaço que fica disponível para os seus vizinhos de banco.

Estou cien por ciento de acuerdo, como diria o nosso primeiro-ministro que tanto tem inovado na língua Portuguesa sempre que abre a boca, é uma questão básica de civismo lado a lado com outras, como estar atento à entrada de passageiros com mais dificuldade de locomoção para lhes ceder o lugar sentado franzindo o sobrolho aos que fingem que não os vêem para não se levantarem, principalmente se apresentam sinais exteriores de terem sido educados num contexto social em que isso lhes devia ter sido devidamente ensinado. Ocupar mais do que um lugar, no Metro ou num parque de estacionamento, é uma falta de civismo e, para alguns, em que me incluo, um indício de deficiência, neste caso, mental.

Mas isto era bom demais se a história ficasse por aqui, nomeadamente tendo em atenção que a cidade de Madrid é governada pelo partido que ficou em segundo lugar nas eleições municipais, o Podemos, depois de o partido que as ganhou, o PP, ter sido impedido de governar o município por uma coligação negativa do Podemos com o PSOE, que, andando aos caídos depois de um passado glorioso, preferiu apoiar o bando de doidos que lá se instalou a deixar governar o partido eleito pelos madrilenos.

E quando digo "bando de doidos" sei que a minha credibilidade é diminuída pelo desamor que nutro por essa formação partidária criada com base no financiamento do regime bolivariano miserável e assassino em troca de assessorias de alguns dos mais ilustres dirigentes do partido em domínios como a organização e a propaganda, os filhos da puta deviam ser obrigados e viver na Venezuela para experimentarem ao lado do desgraçado do povo venezuelado as suas próprias ideas e conselhos, mas não posso deixar de usar a expressão porque se trata mesmo de um bando de doidos, de gente que nas redes sociais incentiva a tortura e o assassinato de adversários políticos, coisa que só não fazem porque lhes sobra em garganta o que lhes falta em, desculpem-me a expressão, tomates. Enfim, uma espécie de guerrilheiros urbanos do teclado.

Mas, regressando ao Metro, a campanha contra a utilização de espaço excessivo identifica um alvo preciso para a sua mensagem, os homens que se sentam de pernas abertas, que são caricaturados na sinalética e estão na base do hashtag, outra palavra do novi-Português que significa "palavra ou palavras sem espaços a separar precedidas de um #", ou almofadinha, como já lhe ouvi carinhosamente chamar, #MadridSinManspreading.

Chegado aqui, tenho que confessar que, apesar de ter sessenta anos de idade e mais de cinquenta de utente do Metro de Lisboa, já tinha dado pelo problema ocasional da falta de civismo de alguns passageiros que ocupam mais do que o seu próprio lugar, mas nunca por homens de pernas abertas. Ou por uma improbabilidade estatística, ou por os homens lisboetas sentirem menos necessidade de arejar os tomates que os madrilenos e manterem as pernas fechadas, os casos a que assisti foram de senhoras com sacos de compras ou a carteira pousados no banco do lado, ou pessoas muito gordas que parecia impossível caberem na largura que o banco lhes disponibilizava, por mais civismo que tivessem, e nunca os tais homens das pernas abertas. Nem senhoras, acrescente-se para repor a neutralidade de género. Mas, com a minha tradicional boa-fé, tenho de admitir que pode haver especificidades das cidades que resultem em que, numas, os homens gostem de se sentar de pernas abertas e, noutras, as prefiram trazer fechadas.

E fui investigar, lendo a notícia. E, boa notícia, não foi difícil identificar o motivo da especificidade. 

Diz a notícia que "La Empresa Municipal de Tranportes (EMT) incorporará un pictograma específico en el panel acompañado de la frase "respeta el espacio de los demás" y recoge así la propuesta del colectivo Mujeres En Lucha, que haces unos días inició la campaña #MadridSinManspreading para pedir al consistorio y a la Comunidad de Madrid que incorporara carteles contra esta actitud en los autobuses y en el metro, al igual que ocurre en otras ciudades como Nueva York o Tokio.". Ou seja, não foi uma qualquer comissão de utentes do Metro fartinhos de lhes ocuparem o lugar sem necessidade que sugeriu a campanha #MadridSinManspreading, mas um "colectivo", o "colectivo Mujeres En Lucha". Já se começa a parecer com um município governado pelo Podemos.

Diz também que o Ayuntamiento de Madrid se associou à campanha sugerida pelo colectivo e emitiu uma recomendação que pode bem ficar escrita na pedra, "por respeto a los demás, los usuarios masculinos no deben sentarse abriendo las piernas ocupando dos asientos". E por intermédio de que departamento? Do Departamento dos Transportes ou outro qualquer que garanta a articulação do ayuntamiento com a EMT? Não. Da Área de Políticas de Género y Diversidad. Num município Podemos é onde se tomam as grandes decisões. E diversidade não falta à recomendação, que estipula que os homens não se devem sentar de pernas abertas mas omite qualquer preceito para as mulheres, que assim se podem sentar com as pernas como muito bem entenderem.

E agora? perguntam-me os leitores mais sensíveis às questões da igualdade de género, temos aqui uma recomendação que pode criar situações de desigualdade por permitir às mulheres abrirem as pernas nos lugares sentados onde os homens têm que as fechar?

A pergunta é pertinente. Mas a resposta é fácil, e foi dada por "una de las ideólogas de la campaña" a senhorita Alejandra de la Fuente: "es una práctica que también realizan mujeres, pero es en una medida ínfima comparada con los hombres porque es una cuestión de cómo nos han educado. A nosotras siempre nos han dicho que debemos ocupar el menor espacio o a que se nos vea lo menos posible y a ellos no". As espanholas foram educadas para fecharem as pernas para não se lhe verem as partes, de modo que não há o risco de as abrirem, mesmo sendo-lhes permitido. Já os espanhóis, em contraste, abrem-nas se lhes for permitido, sendo a ideóloga omissa na explicação de as abrirem por terem sido educados para mostrar as partes ou simplesmente por usarem calças que as tapam melhor do que as saias.

O que não lhes ensinaram, às espanholas como ela ou as colegas do colectivo Mujeres En Lucha, foi a manter a boca fechada quando não têm nada para dizer, para evitar a emissão e propagação de asneiras. Elas e eles, não me vá aparecer aqui algum colectivo a fiscalizar os textos à procura de conteúdos sexistas. Mas não era a mesma coisa, e não teríamos a oportunidade de verificar numa experiência de laboratório o modo como esta gente é capaz de transformar uma grande cidade num manicómio à sua imagem.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 00:07
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Quarta-feira, 8 de Março de 2017

Do it yourself: ameaçar jornalistas

2017-03-08 SMS Costa - João Vieira Pereira.jpg

Ao contrário do Pablo Iglesias, o menino bonito de olhos azuis e rabo de cavalo que beija na boca os colegas de bancada do Podemos em pleno parlamento, estou convencido que mais para escandalizar os burgueses das outras bancadas do que para saborearem os fluidos corporais uns dos outros, e que necessita de uma legião de amigos próximos para ameaçar os jornalistas pessoalmente ou por telefone e de trolls para os ameaçar nas redes sociais, o nosso primeiro-ministro António Costa, sendo ele próprio um troll assumido e de talento, até na figura que não tem nada de bonito e estou convencido que teria grandes dificuldades em recrutar colegas de bancada dispostos a beijá-lo na boca, trata ele mesmo pessoalmente das ameaças a jornalistas sem necessidade de mais do que um telemóvel com capacidade para enviar SMS e, desejavelmente, escrita inteligente T9, ou corrector ortográfico se for um dos de última geração, para evitar nas mensagens escritas os erros com que assassina o Português sempre que abre a boca para falar, até para ameaçar o Português ele é um troll.

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 09:23
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Segunda-feira, 23 de Maio de 2016

Conversas no Minipreço

Já vos disse que a água de Penacova é a melhor e, vendida com marca branca Dia (mas com a origem identificada) nos supermercados Minipreço, mais barata (a 42¢ o garrafão de 5 litros) água de mesa à venda em Portugal?

Na sexta-feira fui comprar água de Penacova ao Minipreço.

Chegado à caixa, a menina da caixa com sotaque espanhol, vai daí...

- A senhora (a menina da caixa devia andar pelos 20 anos, mas é assim que eu me dirijo às pessoas) é espanhola?

- No, sô dê Benezuelá.

- Vem de longe! Antigamente iam muitos portugueses para a Venezuela.

- Más agora nô, que aquilo está muito mal. Nem se consegue comprar comida.

- Eu sei, eu sei... E como é que veio aqui parar, tão longe?

- Porque os meus pais são portugueses, e o meu pai foi assassinado.

- ... (foda-se) ...

Eu pensei isto, mas não disse. Alias, não disse nada, fiquei uns segundos que me pareceram minutos, com ar provavelmente aparvalhado, ao fim dos quais me saiu um inútil "lamento muito".

E pensei palavras ainda mais feias, e eu passei todas as férias grandes da infância e da adolescência em Melgaço e lá aprendem-se algumas, dos anormais que, em Portugal e por esse mundo fora, admiram o regime venezuelano, louvam o regime venezuelano, sonham um dia implantar cá um regime como o venezuelano, participaram também, a troco de honorários milionários pagos com dinheiro que agora o regime não tem para comprar papel higiénico nem remédios, na construção da vertente de organização e propaganda daquela catástrofe humanitária, e mereciam ser largados nas ruas da Venezuela para serem assassinados no lugar de cidadãos pacatos e trabalhadores como o pai daquela menina que, com uns 20 anos, tem mais vida vivida do que eles todos somados. A puta que os pariu!

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 22:30
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2016

Livres das grilhetas do euro, poderemos ser felizes e socialistas

Ao contrário de Portugal, cujo governo persiste em ignorar teimosamente as sugestões construtivas do Bloco de Esquerda e aumentou o salário mínimo em apenas 5%, deixando inquietas as pessoas que "sentem que a sua experiência, a sua competência, a sua responsabilidade é completamente desconsiderada", o governo da Venezuela acabou de aumentar o salário mínimo em 30%.

Não é só por má vontade. É também porque o governo português, apesar de socialista, está agarradinho pelas grilhetas do euro. Ao contrário, o governo socialista venezuelano pode imprimir, enquanto tiver dinheiro para papel e tinta, notas de bolívar.

Também é verdade que a inflação na Venezuela anda pelos 700%. O que significa que, para comprar o que um bolívar conseguia comprar há um ano, agora são necesssários oito. Como os venezuelanos foram aumentados 30%, agora ganham 1,30 bolívares por cada bolívar que ganhavam há um ano. Recebem mais, a vantagem de serem aumentados por um governo socialista bolivariano. Mas o que recebem vale seis vezes menos do que valia o que recebiam há um ano, ou seja, quem tinha dinheiro para comprar um quilo de carne há um ano, agora tem dinheiro para comprar um quilo de arroz. O que não chega sequer a ser um problema, porque já não há carne nem arroz nas lojas. Enfim, tudo junto resulta naquilo que os assessores do Podemos ensinaram, a troco de modestíssimos honorários, o governo venezuelano a designar pela "Suprema Felicidad Socialista".

Como chegar então ao ambicionado patamar da suprema felicidade socialista em Portugal? Uma solução prometedora seria marimbarmo-nos para o pagamento da dívida, lançar a bomba atómica e deixar o banqueiro alemão com as pernas a tremer. Mas as palavras terão sido fortes, com uma imagética excessiva, e o próprio proponente hoje em dia esmoreceu o ímpeto reformista da cruzada. A melhor alternativa parece ser sairmos do euro e retomarmos a impressão de escudos, com que podemos pagar salários cada vez mais elevados, até deixarmos de ter dinheiro para imprimir mais dinheiro.

É verdade que, sem o euro e a senhora Merkel (a senhora Merkel é doutorada em Química quântica, mas nem por isso deixa de ser senhora) e o senhor Schäuble a tomarem conta dele, governos de demagogos irresponsáveis poderão devolver livremente os rendimentos aos portugueses aumentando os salários para cima de uns trinta por cento à custa de desvalorizar a moeda para um oitavo do valor que tinha. Mas o que é isso comparado com a suprema felicidade socialista de voltar a ter aumentos, contratos colectivos de trabalho, e lojas vazias, mas com a felicidade de poder atribuir a responsabilidade de estarem vazias aos especuladores e inimigos da revolução?

 

publicado por Manuel Vilarinho Pires às 21:48
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