Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2016

Um partido de causa única

Este artigo de João Miguel Tavares é pioneiro porque poucas ou nenhumas vozes se levantam ou revelam acreditar que seja possível um partido que agregue tendências que neste momento estão na abstenção, na clandestinidade ou a servir de muleta aos partidos do sistema.

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De muleta? Sim, especialmente no meio dos liberais há trabalho quotidiano que é feito no sentido de apoiar a manutenção à tona do mal menor. - E este agradece? Não, a julgar pelo que diz João Miguel Tavares e pela representação que é dada aos liberais, conservadores e libertários (estes mais afastados) dos partidos do centrão-direito.

Portugal precisa de um partido de causa única: a reforma do Estado, a equiparação do Estado ao sector privado em termos de direitos e benefícios, de moralização (não há que ter pruridos em usar o termo) da coisa pública. Pensam que haverá poucos cidadãos a aderir? Eu penso que pelo menos 10% aparece a dar a cara e o voto.

Lá fora, em Espanha, em Itália, em França, novos partidos têm surgido cheios de sucesso em poucos anos. Aqui? Mantemo-nos no diz que disse quotidiano, na indignação contínua e sem fim, desgastante para todos e puramente inútil. Cada vez mais há alheamento da política, falta de reconhecimento de propostas capazes e válidas e não é que agora, PSD e CDS, depois de apertados pelo acordo de esquerda se aprontaram a apresentar novidades. O CDS dos 3% insiste na sucessão de Portas por uma delfina sem qualquer brilho, o PSD decide ocupar o desgastado centro. Uma inutilidade que surpreende ver libertários a defender.

Encomende-se uma sondagem, invistam dinheiro, façam crowd-funding, motivem-se, participem, chamem os bois pelos nomes, mas façam o que os nossos companheiros do Sul da Europa fizeram: apareçam com alternativas ao sistema.

10% é pouco? Na actual conjuntura de união à esquerda em que quanto mais se enterram PS, BE e PCP mais têm de correr em frente? - Não, 10% podem ser decisivos.

publicado por João Pereira da Silva às 17:25
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3 comentários:
De manuel a. andrade a 12 de Fevereiro de 2016 às 18:48
Tavares, alentejano humilde legitimamente e algo deslumbrado com a alguma notoriedade que lhe tem sido fornecida ora por sacristas ora por principiantes do pensamento, escreve em geral coisas interessantes mas ingénuas. Devido a um pequeno complexo de inferioridade eventualmente provindo da sua qualidade de provinciano, aliás amorável? Dito isto, que é dito com simpatia, há que referir que os partidos, como tudo o que existe realmente no quotidiano, surgem quando devem-e-podem. Não se podem inserir à força na História. O partido a que Taveres alude surgirá quando tiver de surgir. Mas surgirá. A seu tempo, inscrito numa realidade palpável. Não provindo ou filho das chamadas "expectativas de milagre", para empregar a expressão justa do Prof. Jorge Gaillard Nogueira no seu ensaio dado a lume no Brasil e EUA sob o título "O espírito das Leis e seus efeitos". O resto é pura...menopausa conceptual.
De João Pereira da Silva a 13 de Fevereiro de 2016 às 06:25
Gostei muito do seu comentário que indica haver esperança. Cínica, mas esperança.
De Diogo Pacheco de Amorim a 17 de Fevereiro de 2016 às 14:42
Será quando as estrelas quiserem, ou quando o terceiro morcego da noite der três voltas ao terceiro candeeiro da terceira rua. Há que saber ler nas palmas das mos, nas entranhas das aves ou nas circunvoluções cerebrais dos tolos em que preciso século de que exacto milénio surgirá, do nevoeiro, o partido liberal. Pelo menos segundo os supostos cosmopolitas supostamente urbanos que criticam pobres provincianos desse pobre Alentejo.

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